Limpando as lágrimas que sem nenhum motivo aparente, decidiram descer pelo rosto alvo, olhou através da janela, nada mais que uma velha arvore e postes escondendo o a lua e as estrelas, já poucas, visíveis no céu de sua cidade.

Ainda sim, não pareceu ser o suficiente, já que novamente as lágrimas caiam.

Por que tinha que ser tão... Assim?

Não tinha motivo nenhum para estar triste, se é que estava de fato com alguma tristeza. Não tinha motivos para lágrimas, mas lá estavam elas, forçando a permanecerem caindo. Lutando por atenção.

Resolveu desistir então, de tentar impedi-las e as deixou em paz, apenas sentindo as gotas salgadas caírem, pesadas.

Ironicamente, no momento em que as deixou livre, elas simplesmente desistiram de receber atenção e se esconderam novamente.

Indecisas. Como a si próprio.

Não pode deixar de mostrar um sorriso de canto, não podia ser normal nem mesmo em sua anormalidade, não é?

Resolveu atravessar sua visão das árvores e postes, procurando as estrelas, o céu, ou a lua. Qualquer astro serviria, por tanto que o retirassem da maldita insônia.

Mas, no final, não pode enxergar nenhuma.

Seja lá o que ou quem fosse, algo não queria que ele dormisse, ou que sua mente aquietasse por meros momentos.

O mais hilários de toda a situação, provavelmente era o fato dela ser uma cena cotidiana, quase que parte de sua rotina.

A insônia, o choro a toa, a falta de estrelas e lua, a indecisão de seu próprio corpo.

Chorar ou não chorar. Mostrar ou esconder. Sentir ou não.

Certamente, a única certeza de seu corpo, é a insana vontade de permanecer desperto.

Suspirou. Tais pensamentos eram rotineiros também.

Olhou o horário, três da manhã. Não demoraria muito para o dia começar a amanhecer.

Novamente, duvidava se conseguiria dormir realmente.

Talvez não.

Desceu os olhos para a cama, onde se encontrava sentado. Confortável, atraente, chamativa.

Contudo, sabendo que no momento em que deitasse, sua mente apenas ficaria ainda mais desperta, desistiu da ideia antes mesmo de chegar a cogitar de fato ela.

Algum nome vinha-lhe em mente como resposta a tanta insônia?

Gostaria. Ao menos, ai teria um motivo.

Alguma tristeza? Sentimento forte? Apreensões?

Não. Nada. Nenhuma.

Simplesmente ficava desperto, simplesmente chorava, simplesmente não se importava.

Afinal, sempre foi assim. Se não se importar, nada nunca vai lhe atingir, e sem nada lhe atingir não haverá sofrimento.

Dane-se as noites passadas a claro, não ligava.

Assim como não ligava para o mundo. Para as pessoas.

Ele não ligava para si mesmo.

Chorou de novo.

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