O pássaro


Sinto falta de antigamente, onde costumava voar sobre as imensas árvores de variados frutos, e que abrigavam tantas outras espécies de animais. Voava por entre os cipós que ficavam estirados no ar, e sobrevoava circularmente toda a extensão que podia existir. Sinto falta de quando passeava cautelosamente pelas humildes plantações na terra em busca de alimento, pulando desajeitado por não saber locomover-me pelas patas. Gostava de quando cantava toda vez que o sol nascia, e disputava minha cantoria com outros pássaros que havia ao meu redor.

Então, tudo mudou, e mesmo sendo para pior, sinto falta. Gostava de quando batia asas sobre as construções dos humanos, e só se via humanos (que tristeza)! Voava por entre umas linhas esquisitas que ficavam estiradas no céu, e tinha que voar alto para tentar fugir das péssimas condições do ar. Tinha que ter cuidado, pois havia uns monstros-pássaros feitos de metal, que rasgavam o céu fazendo barulhos mortais. As plantações não tinham mais gosto, estavam cheias de produtos químicos, matando boa parte de meu alimento. Mesmo assim, ainda cantava pelas manhãs, enchendo os ouvidos das poucas pessoas que paravam para ouvir-me.

Agora, tudo acabou e ficou lamentável. Já não posso voar mais, já não posso buscar pela minha comida! Vivo em uma espécie de jaula, dentro de uma casa humana, preso, sem alegria. Não canto, pois ninguém ouve mais a minha melodia, então ocupados demais escutando alguma música que passa no rádio. Não tenho mais liberdade, a agonia me destrói, e sei que nunca mais poderei bater as asas entre os ventos outra uma vez. Então só me resta sentir falta da época em que tudo era tão mais simples e bonito de se ver e de se viver! Ô, saudades de antigamente.