Um dia de chuva qualquer, eu estava sentada na área de minha casa, agasalhada, protegida da tempestade e do frio do lado de fora. Quando, olhando despreocupadamente para a parede — o pensamento longe -, vejo um inseto. Eca! Mas isso pouca importa, na verdade. Aquele inseto nojento e feio tentava subir pelas paredes. Idái?, você se pergunta. O caso é que aquele animal fez uma escolha: Não desistir.A chuva forte o fazia cair quando estava mesmo na metade de sua jornada. Mas aquela coisa nojenta começava novamente. Os fortes pingos de água não pareciam ser um especilho, só o desafio para se atravessar — é claro, somente na visão de algum animal racional.

Quando estava perto do muro, quando ele poderia chegar a um lugar que imaginava ser melhor — mal ele sabia que no caminho oposto existia uma grande casa, confortável, abastecida de alimentos, mas com vilões que estavam disposto a acabar com sua vitória — a coisa só piorou: o final escorregadio dificultava sua caminhada já desgastante. Masaquilo continuou. E conseguiu.

Fico imaginando a decepção que se pudesse sentir, aquele inseto sentiria. Seu desafio mal tinha começado. A rua estendia-se cheia de água, nenhum abrigo aparente, os bueiros cheios, transbordando.

Mas porque estou escrevendo isto?

Acho que desse episódio insignificante, eu levei um aprendizado a mais: Desistir não vai te levar a lugar nenhum. Mas recomeçar nem sempre significa que vai te levar a um final feliz. O significado de tudo é a caminhada e não os resultados. O fim pode ser o pior momento, ainda mais quando você descobre que no que acreditou não era nada além de uma ilusão. Mas lutar pelo o que você acredita vale a pena. Lutar pela sua dignidade, pela sua alegria, pela sua própria proteção. Não é difícil de entender, mas fazer isto pode gerar medos, pois nem sempre vai haver uma felicidade no final, por mais que você lute, chore ou se canse.

Você lutaria mesmo assim?