Pensamentos Voadores

20 Laura, Lorena e Fernanda


Eram três amigas. Laura, Lorena e Fernanda. 16, 17, 17, respectivamente. Elas se conheceram ainda quando pequenas, na escola. Laura tinha puladoo quarto ano. Não é brincadeira o que elas já passaram juntas; foram tantos momentos, tantas lágrimas, tantas confidências trocadas de uma para a outra.

Laura era adotada e sempre amou os pais. Nunca foi problema para ela dizer isto para todo o mundo. Ela possuía grandes sonhos para a vida, um deles era se tornar atriz. Difícil, mas mesmo assim nunca desistia. Entrou no teatro com nove anos de idade e era uma aluna prodígio. As suas duas melhores amigas sempre a apoiaram.

Lorena era filha única, mas seu relacionamento nunca foi muito bom para com a mãe, que vivia trabalhando, porém, ela admirava seu pai acima de qualquer outro homem. Sonhava dia e noite em ser médica-cirurgiã e sabia que sempre podia contar com a ajuda das amigas para realizar a meta de sua vida profissional.

Fernanda teve como exemplo somente sua mãe, já que o pai morreu em um acidente de carro quando ela tinha somente dois anos de idade. Para a sua vida queria somente ser feliz, com um bom marido e no mínimo dois filhos. Ela dizia que queria que Laura e Lorena fossem madrinhas de ‘seus pequeninos’. Meta profissional era ser professora de línguas.

Ah, aquelas três eram muito unidas. Até que o plano surgiu…

Era inocente, muito inocente para falar a verdade e a autora dele foi Lorena. O caso é que Fernanda morria de amores por Bento e todos sabiam disso. Lorena quis acabar com a agonia da amiga e conversou com Laura para ela ficar amiga de Bento, para falar de Fernanda para ele, presenteá-lo com algumas indiretas bem diretas, fazê-lo perceber que há uma mulher maravilhosa que o ama.

Como disse antes, era para ser um plano inocente, mas algo saiu errado. Algo saiu muito, muito errado.

Laura se apaixonou!

Ah, como ela tentou lutar contra isso!, mas parece que o coração estava esperando por essa anedota e já se encontrava armado e forte para entrar no combate.

Nem posso contar as noites que Fernanda e Laura passaram chorando quando as duas perceberam o que estava acontecendo. E então a culpa voou para todo lado. Culpa sua, Lorena! gritava Fernanda. Culpa sua, Laura! esperneava Lorena. Culpa sua, Lorena! recrutava Laura. Culpa dela, culpa sua, culpa minha…


Passou-se o tempo, o arrependimento veio, a raiva evaporou-se, mas o orgulho delas era enorme, grandioso, desastroso…

Era isso, então? O fim daquela amizade? Por culpa do amor ou do orgulho? Quem sabe elas voltarão a se falar no futuro, mas por enquanto nem um olhar foi novamente trocado por Laura, Lorena e Fernanda. Mas a pergunta fica:

Será que uma amizade pode ser fraca, mesmo sendo verdadeira?