A faculdade acabou comigo, de fato, acabou comigo. Incrível que já é fim do ano, ao menos as férias começam amanha de manha, só preciso descansar, mas antes falar um pouco sobre mim.

Eu sou uma jovem normal que tem amigos normais e uma vida bem, como posso chama-la, tediosa. Não é a vida que eu imaginava que teria com 22 anos de idade quando eu ainda chamava meu pai para ver se tinha algum monstro dentro do meu guarda-roupa. Eu pensava que seria linda, uma modelo, cantora, que eu teria sucesso e etc. Pensamentos que muitas crianças tinham. Mas não, eu sou uma “quatro-olhos” chamada Samantha que se atrapalha em tudo que faz e que se mudou de São Francisco para Nova York para morar sozinha, crescer na vida e etc, isso já é pensamento de adolescente. Mas enfim...

Em um dia lindo, que no caso seria nublado acordei as 06h30min da manha o que é incrível para mim, pois sempre que preciso acordar cedo não acordo.

Minha rotina é acordar e ir direto para a cozinha fazer café, em seguida você sabe, mas sim, eu lavo minhas mãos, lógico.

Logo olhei para a janela e percebi que estava chovendo, já sabia que meu dia seria bom.

É domingo, nos domingo costumo sair com meus amigos, mas fiquei decidida a chama-los para minha casa para vermos um filme, não é uma má ideia já que do jeito que eles são provavelmente ficariam deitados em suas camas lendo revistas ou dormindo.

-Meu celular, onde você se meteu! –Costumo perde-lo sempre que preciso, mas felizmente o achei em baixo do meu travesseiro.

A primeira mensagem foi para Henry, meu melhor amigo, companheiro nas horas ruins e aquela viadagem toda.

Fiquei um pouco chateada por ele estar com preguiça de vir, como sempre estava deitado e não queria sair de sua cama, mas o motivo principal da minha chateação foi que se eu chamasse John e Michele eu iria ficar segurando vela.

Gosto do Henry, mas prefiro não admitir isso, pois ele está caidinho por outra e acho que eles combinam e isso é algo estranho de se comentar já que gosto dele, mas é a verdade.

Logo depois liguei para Michele, nem precisei ligar para John, os pombinhos estão quase sempre juntos, não é novidade, pelo menos, um a menos para ligar e mais uma vela para segurar.

Minutos depois, eu estava na cozinha segurando uma tampa como escudo e me imaginando em uma guerra medieval e meu adversário, de verdade, era a panela cheia de pipocas estourando até ouvir a campainha do meu apartamento tocar.

—Já vai! –Larguei o “escudo” em cima da mesa e corri em direção à porta e passando pelo corredor eu já criava expectativas de atrás da porta estivesse Henry, mas assim que abri era Michele que foi logo entrando perguntando.

—Que cheiro é esse?

—Cheiro?

—Isso vem da cozinha! –Ela logo me olhou e foi em direção à cozinha. Aquele olhar dela já dizia que “mas que porcaria você está inventando agora?”.

Ela sabe que cozinho bem, menos o que eu mesma inventava. Acho que um dia ou outro todo mundo quer dar uma de Ana Braga, ou melhor, momento Palmirinha.

Diferente de mim, ela cozinha muito bem, inclusive é uma das coisas de John ama nela.

Ótimo, toda a pipoca queimou. E sem pensar duas vezes ela foi logo jogando tudo no lixo e dizendo que ela mesma faria... Depois que eu lavasse o fundo da panela já que estava toda preta. Pois é.

Enquanto ela fazia pipoca, sentei na cadeira mais próxima e perguntei do John.

—Ele foi ao mercado.

—Comprar o que?

—Comida, ué. –Acabei rindo da sua piadinha e novamente ouvi a campainha tocar.

Michele ouvindo isso, apenas disse “vai lá” e então fui Já imaginava que era John com as comprar, mas me surpreendi quando vi que era Henry e que na hora que o vi, pulei em cima dele.

Em seguida fiquei paralisada sem me dar conta que Henry olhava para mim, pois eu o impedia de entrar.

-Sam, você está bem? –Colocou sua mão sobre meu ombro enquanto se aproximava de mim.

—Uh... Ahn? –Quando me dei conta, apenas dei um passo para trás e disse. –Entre!

Sem dizer uma palavra se quer, apenas entrou e foi em direção à cozinha e eu em seguida até sem cutucada por trás.

—E eu? – Com um sorriso puxado para o canto da boca, lá estava John segurando as sacolas de compras.

—Me desculpe. – Falei em um tom baixo e frio me aproximando para ajudar com as sacolas.

John apenas me respondeu ‘pode deixar, eu levo’ e em seguida aquietou-se no caminho até a cozinha por não ter nada a argumentar.

Ao chegarmos lá ele colocou as sacolas em cima da mesa e esticou os braços e dizendo em tom alto ‘’Michele!’’, e que, Michele ouvindo isso apenas foi em direção a ele o abraçando com um pulo.

No momento que vi a cena apenas comparei com um cachorro vendo seu dono chegar do trabalho, mas nem comentei, pois já sabia que Michele apenas olharia para mim com seu olhar frio e suas sobrancelhas franzidas que estariam querendo dizer: ‘Fica na tua, mulher!

Com um pouco de desgosto do que ocorria em minha frente eu decidi tirar as compras das sacolas e fiz isso até ver que Henry me ajudava e que no momento que olhei para ele, ele olhou para mim.

Desviar o olhar! Momento vergonhoso, mas que vive acontecendo, mas o pior é que ele continua me olhando com um olhar de admiração que me faz criar expectativas que esteja com um interesse em mim, uma ‘quedinha’ por mim.

O resto do dia foi ótimo, não era o combinado, mas jogamos todos os tipos de jogos e conversamos o dia todo. Quando era já 8:30 John pediu para todos sentarmos no sofá para dizer uma novidade.

—Vamos viajar para Guiana! – Na hora todos ficaram surpresos olhando um para o outro sem entender direito.

—Fazer o que em Guiana?- Perguntei com os braços cruzados sem interesse no que ele falou, na verdade nem sei por que perguntei.

—Não comentei com nenhum de vocês, mas... – Ele nem terminou de falar e Michele já fez aquele olhar dela que dessa vez queria dizer: “Que história é essa? Como assim você fez algo e não me contou?”. –Eu participei de um sorteio e adivinham quem ganhou!

—Sua vó? – Perguntei ainda com os braços cruzados, claro que foi uma piada que diferente de John, Michele e Henry acharam graça.

—Na verdade ela participou também, mas quem ganhou fui eu para acampar no parque Kaieteur. Ganhei seis passaportes!

E nessa hora me deu um ataque nos nervos, estávamos em quatro e já sabia quem ele levaria também.

—Deixa-me adivinhar, Diego e Emily? –Michele olhou para mim com o olhar de: “Vai Dar cagadinha, né?” e depois um que dizia “Por favor, não me deixe com aquela bitch não que se não eu jogo ela do avião no caminho”. – Naquela hora não sabia no que pensar, se eu deveria ir ou como um olhar pode dizer tantas coisas.

Suspirei e disse “Eu gostaria de um lugar na janela”. Em seguida John confirmou que eles irão, e apenas olhei para Michele com olhar de “Se eu não aguenta-la, um a menos ira voltar da viagem” e ela me respondeu com “Se quiser ajuda pra matar, conte comigo”.

Olhamos uma para outra como se estivéssemos flertando que fez John olhar torto para a gente.

—Enfim, Sam você tem uma barraca, certo?

—Sim, por quê?

—Também tenho uma, faremos assim, eu e Michele dormiremos na minha e Henry com você.

Corei. Esse “com você” acabei interpretando de forma errada, mas de outra forma, isso seria bom, se é que me entende... Calma, estou brincando.

—Claro, sem problemas, mas enquanto a Diego e Emily?

—Eles têm as barracas deles, mas e você, Henry, o que acha?

Não respondeu, estava dormindo no sofá então decidi responder por ele.

—Por ele estar tudo bem, mas qualquer coisa eu pergunto a ele amanha.

—Amanha? Vamos amanha!

A cena seguinte fui eu e Michele dando esporros nele por nos avisar tão em cima. Quando paramos conversamos um pouco mais sobre isso e fomos ver algum filme.

O filme acabou às 10h45min, John e Michele foram para casa enquanto Henry dormiu aqui mesmo.

Eles deixaram minha casa uma bagunça, eu estava arrumando a cozinha quando olhei para a sala e vi Henry no sofá. Pensei então em ir pegar uma coberta para ele. Depois de eu ter colocado a coberta sobre ele decidi sentar no chão e mexer em seu cabelo. Eu estava com sono quase conseguindo nem ficar de olhos abertos até perceber que ele estava acordado olhando para mim, em seguida ele sentou no meu lado e colocou uma de suas mãos em meu rosto aproximando o seu ao meu e mordendo meu lábio e logo me beijando enquanto nos derrubava no chão e assim ficando em cima de mim.

Percebi que sua mão estava deslizando para baixo sobre meu corpo até chegar a minha barriga e colocando sua mão por baixo de minha regata e subindo ela enquanto sua outra mão estava segurando a minha com nossos dedos entrelaçados.

Olhei profundamente para seus olhos castanhos quando de repente escuto Henry.

—Samantha Estas acordada?

Ok, eu não sabia se ficava chateada por não passar de um sonho ou ficar envergonhada por ter esses sonhos pervertidos com ele.

—Sim, Henry preciso falar com você! – Me levantei rapidamente e fui em direção a ele que estava de costas para mim.

—Pois diga. –Ele virou e eu vi o cabelo dele balançar para o lado com ele com a mão na cintura em câmera lenta. De certa forma vi como uma cena linda, de outra uma cena meio gay.

Expliquei toda a minha conversa com John e Michele ontem à noite e ele topou. Não consegui conter minha felicidade e pulei sobre ele e sem querer olhamos um para o outro por alguns segundos até eu ver que estava sobre seu colo que ao perceber, sai correndo para meu quarto. Henry pareceu nem se importar. Minutos depois ele apareceu no meu quarto dizendo que fez almoço para a gente.

Do jeito que ele fica e dorme aqui, parece até que mora aqui, não que eu fosse dizer não caso ele quisesse, não! Ele cozinha bem! Na verdade eu adoraria que ele morasse aqui.

Após comermos ele ainda lavou a louça para mim enquanto eu arrumava minhas malas e pegava minha barraca. Depois tivemos que passar na casa dele e por fim se reunir com o povo no aeroporto que afinal, não foi nada interessante saber quem já estava por lá.

Notas finais
O que acontecerá no próximo capítulo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.