Era uma vez um menino

Que tinha o céu em seu olhar

E o vento em seus cabelos

Toda as noites ele ouvia

Um fraco assovio

Que com a noite entrava em sintonia

E não era de longe

Que vinha esta melodia

O menino uma noite a seguiu

No escuro ele se atirou

Em seus instintos confiou

Ele percebeu que o som se intensificava

E o que ali via

Era o escuro que um pouco mais morria

Quando mais um diamante brilhava

O menino então conheceu a noite

Piscou para as estrelas

Num gesto pueril

E brincou com a lua

Quando esta lhe sorriu

Mas a tristeza logo veio

As estrelas iam se apagando

A lua ia se afastando

Fazendo crescer em seu peito

[ um melancólico anseio

O menino então se viu vazio

Sem a noite para lhe chamar

Tão distante... Tão só...

Num lugar onde não podia chegar

O menino então teve uma ideia

Para não mais ficar sozinho

Costurou uma pena por vez

Abriu os braços como se pudesse pegar o mundo

E mergulhou fundo

O vento em seus cabelos

O céu em seu olhar

O amor em seu coração

E ali ele estava

Tão seguro... Não mais vazio

E ali, entre a chuva de diamantes

Ele ouve o assovio

O menino estava em casa