Pensamentos De Uma Deprimida Qualquer
2 Vamos Começar Do Inicio
Primeiramente, o nome da nossa garota é Stefane (Também conhecida como Docinho Malvado aqui no Site), ela é meio deprimida. Não que ela corte os pulsos ou coisas do tipo, ela só é uma garota solitária, e como vocês já devem imaginar a solidão é a mãe dos deprimidos.
Garotas sociáveis normalmente não se sentem deprimidas, apenas aquelas garotas que vocês provavelmente ignoram, aquelas garotas que sentam no fundo da sala e que são meio “estranhas”. Esse tipo de garota com certeza deve se sentir triste e solitária como ela se sente.
Mas para nós entendermos melhor o que levou a nossa garota a ficar meio deprimida nós teremos que voltar bem para o começo, nós teremos que ir até a sua infância.
“Eu costumava ter pensamentos estranhos. Eu me lembro de achar tão estranho o jeito como a gente guarda as lembranças: Nós costumamos sempre á lembrar apenas as coisas ruins e acabamos esquecendo as coisas boas. Eu, por exemplo, só conseguia me lembrar das coisas ruins; sentia-me culpada por isso, então tentava me lembrar de tudo de bom que já havia acontecido comigo também. Todas as minhas lembranças boas incluíam a minha mãe, afinal de contas, ela era a minha mãe e eu era á sua filha e ela me amou o quanto pode; realmente é preciso ter um coração enorme e bem puro para me dar o tipo de amor que recebi dela. Eu me lembro tão claramente de quando ela me dava um beijinho e sempre se assegurava de que eu realmente estava bem coberta antes de ir dormir. Lembro-me também que era bem pequena, tão pequena que nem via a borda da mesa direito, me lembro de como me sentia enorme quando pulava dos degraus da escada. Também me lembro de como costumava me sentir sozinha, a minha mãe dizia que era tudo besteira, que eu estava “trancada num mundo perfeito”, mas eu não conseguia ver muita graça nas coisas da minha sala. Eu só conseguia pensar que poderia estar fazendo tantas coisas emocionantes em vez de ficar sentada no chão da sala colorindo.”
Viram? Nossa garota teve uma boa infância até os cinco anos de idade. Claro, mesmo estando sempre trancada em casa, sempre sozinha com a sua mãe na sala, ainda sim foi uma boa infância. Uma infância repleta de mimos e presentes, mas sem ninguém para conversar.
Tudo ia mais ou menos bem com a nossa garotinha, mas a escola destruiu tudo!
Digamos que a nossa garotinha não era muito acostumada a conviver com outras crianças, afinal de contas, ela passou uma boa parte da sua infância convivendo apenas com adultos, por isso não conseguia se encaixar ou agir como as outras crianças da escolinha.
“Eu não tive uma infância comum, como todas as outras, na verdade eu acho que eu nunca fui uma verdadeira criança, porque eu não brincava na rua com a ‘garotada’, nunca brinquei de mãe da rua ou essas coisas. Eu era na maioria das vezes solitária, nunca tive muitos amigos, mas se alguém me perguntasse eu dizia de nariz arrebitado: — Não tem nada de errado comigo, as outras crianças é que são burras e chatas! – E cruzava os meus braços, como uma criança normalmente faz quando fica emburrada.
A minha mãe sempre se preocupou comigo, me lembro dela me olhando. Ela sempre me respondia assim: — Não há nada de errado com você, você só tem que se esforçar mais para fazer amigos, tente interagir mais com as outras crianças, eu tenho certeza que elas vão gostar muito de você!
Isso não deu muito certo, quanto mais eu tentava me aproximar, mais distante eu ficava. As outras crianças me assustavam um pouco, pareciam mine-gladiadores dos que eu vi num livro de mitologia grega, correndo, gritando e brigando. Eu comecei a sentir mais a diferença a partir daí, eu ouvia as meninas conversando sobre coisas que eu não entendia e eu nem me esforçava para entender.
Na maioria do tempo eu ficava sentada em um banco analisando as crianças e tentando achar a menos idiota. Acabei encontrando uma garota chamada Thalita, nós nem chegamos a ser melhores amigas, nós conversávamos e brincávamos de vez em quando, mas pelo menos a minha mãe se contentou e finalmente parou de encher a minha paciência com o papinho ‘Faça amigos’.
Eu acho que as outras crianças tambem dificultaram BASTANTE a minha aproximação, as meninas me ignoravam e viviam brigando comigo por coisas idiotas que até hoje eu não entendo, os meninos me colocavam apelidos chatos e ficavam me enchendo o tempo inteiro só pelo fato de eu usar óculos e ser ‘diferente’, os meninos adoravam bagunçar as minhas coisas, estragar e quebrar tudo o que era meu e eu em compensação os odiava pra valer. Acho que eles não me entendiam, ou eram verdadeiros mine-gladiadores, ou eu estava certa e eles eram burros e idiotas mesmo!
Para ser sincera, ninguém NUNCA me entendeu. Eu gosto de me entreter comigo mesma, até hoje a minha mãe tem uma espécie de negação com esse fato, ela vive tentando me fazer interagir, ‘agir como uma garota normal’ e o que é pior que tudo isso, a minha mãe adora me empurrar amigos goela abaixo, isso é frustrante, irritante e constrangedor!”.
A mãe da nossa garota nunca a entendeu bem. Nossa garota lamenta muito por isso, sua mãe é uma ótima pessoa, merecia ter uma ótima filha também. Nossa garota tenta se esforça para viver bem com a mãe, mas não dá muito certo, as duas não são muito unidas, elas quase não conversam, as duas são um pouco distantes uma da outra.
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