Notas iniciais
Uma semana antes de receberem o beijo da Senhora Morte, eles encontram-na em uma calçada suja de uma rua escura e deserta, onde ela está prestes a beijar um velho homem deitado, amparado por uma mulher.

- Está tudo bem, pobres pessoas?

- Sim, estamos ótimos, pobres burgueses.

- Mas este homem está sangrando, pobres pessoas!

- Vejo que não são cegos, pobres burgueses.

- Este homem está morrendo, precisa de ajuda, assim como você também.

- Parecemos precisar de ajuda, pobres burgueses?

- Pobres pessoas e nunca deixam de ser burras, ou orgulhosas!

- Burras? Não consegue ver quem acompanha nossa conversa, pobres burgueses?

- Pobres pessoas e também loucas. Não há ninguém aqui.

- A Senhora Morte. Ela desde o início aqui está.
Este velho homem deitado, meu marido, acaba de vencer na vida, por isto chegou sua hora.

- Venceu na vida? Pobres pessoas, como pode ele ter vencido na vida, se roupas sujas e rasgadas veste?

O homem deitado, que desde o início calado permaneceu, então resolve falar.

- Visto roupas rasgadas para meus filhos poder sustentar. Venci na vida por tê-los criado com valores! Dinheiro nunca foi fundamental. Veja agora, estou morrendo. Em breve farei parte desta cruel terra de gigantes minúsculos e falsos deuses. Em breve estarei em sintonia com o verdadeiro Deus, o verme que me fundirá à terra. E o que vou levando? As poucas moedas que tintilam em meu bolso de nada servirão. O Ato V da vida é a morte e ela também os levará.

Notas finais
Com um sorriso no rosto o homem deitado fecha os olhos e dorme, pela primeira vez para o eterno. Sua mulher então chora a perda enquanto o casal burguês se retira, mal sabendo onde voltariam a encontrar a Senhora Morte.