Notas iniciais
Numa longa caminhada, duas almas sofridas que vagam por aí se encontram...
Qualquer semelhança nesta prosa com a obra do seu escritor pernambucano favorito é mera coincidência.

- Onde vai, Alma Sofrida?

- Não sei dizer-lhe, Alma Sofrida.

- Como não?
Todos sabem onde vão, Alma Sofrida.

- Estou sem rumo, Alma Sofrida.

- E quer companhia para chegar à lugar nenhum, Alma Sofrida?

- Não, obrigado.
Procuro por uma alma como eu.

- Sofrida?

- Eis aqui uma, Alma Sofrida.

- Não és como eu.

- Como não, Alma Sofrida? Não vê os pedaços que venho deixando por onde caminho?

- Não és como eu, Alma Sofrida.

- Explica-te.

- Tu és Alma Sofrida de tanto viver amores sem amor. Tu és Alma Sofrida, de agonizar na culpa de quebrar corações.
Alma Sofrida de saber que só o sofrer faz propagar.
Alma Sofrida como a que me fez também ser uma.
Que por aí faz-me vagar, sem rumo.

Notas finais
A Alma Sofrida então retira-se calada.
Enquanto a outra volta a caminhar, sem rumo, sem destino.