Pensamentos

1 Revelação da verdade.


Notas iniciais
Cenas: *Revelação que é filha de Vitória. *Quarto de Bernardo no hotel.

Pensamento Emília

“ Enfim revelei toda a verdade a minha mãe, se é que ainda posso chamá-la assim, achei que me sentiria melhor, por finalmente jogar na cara dela todo o mal que me causou, que enfim vê-la sofrer ao saber que quis esse tempo todo me vingar dela, mas porque algo me incomoda, não me sinto tão feliz como achei que me sentiria, que esse peso no coração ainda persiste em ficar comigo, que estou triste, que por um momento eu queria correr para os braços dela e logo em seguida me senti novamente a criança que por anos esperou por ela, boba e infantil, mas não me deixei levar,não me permiti ao contrário joguei anos de ressentimento e amargura em cima dela, confesso que por segundos cheguei a acreditar no que ela me disse, de que foi me procurar mas que meu pai tinha lhe dito que eu havia morrido, mas quem esteve esse tempo todo comigo senão ele,quem esteve comigo nas noite mal dormidas, ou nas vezes em que adoeci de saudade, sempre ele esteve ali presente, quem me deixou a gritar enquanto ia embora com um desconhecido e nunca mais voltou, foi ela, quem me abandonou foi ela, quem esqueceu que tinha uma filha foi ela, em quem eu tenho que acreditar quem esteve comigo ou em quem foi embora, derramo mais lágrimas que nem sabia que ainda tinha dentro e mim, nesse momento ela vai ate o quarto de meu pai, vou atrás e o encontramos ele no chão, chamo por ajuda e a dúvida que eu poderia ter já não existe, meu pai jamais faria o que ela disse, e ao ver meu pai indefeso no chão, novamente a coloco para correr, não a quero aqui, um tempo depois com meu pai devidamente hospitalizado sem nada que possa fazer no momento o deixo e saio sem rumo, pensando em como tudo podia ser diferente se ela tivesse agido de outra maneira se tivesse ficado ou se realmente tivesse me procurado, mas não, quando dou por mim estou em frente ao hotel, sei que ali encontrarei exatamente o que preciso no momento, Bernardo, com uma certa relutância bato na porta, ele não demora muito a atender, percebo que ele dormia por estar com o rosto amassado, mas carinhoso como sempre ele me diz “ Oi meu amor ”, tento segurar o choro, mas uma ou outra lágrima caí de meus olhos sem que eu possa impedir, ele olha preocupado e me abraça, peço para fazer isso mais forte, “quer conversar”, ele pergunta com toda a delicadeza do mundo sem me soltar, digo que não, ele abre a boca para protestar, mas digo “por favor agora não”, acho que ele percebe o quanto não estou em condições de nada, nem de discutir, me puxa pela a mão, como faria com uma criança, me leva para o quarto e me senta na cama, tira meu sapatos, limpa uma ou outra lágrima que ainda cai de meus olhos, me da um leve beijo nos lábios, deita na cama e me puxa para seus braços, e fica assim comigo sem nada dizer, com todo aquele carinho, acabo por dormir sem sentir.”

Notas finais
Espero que gostem.