Pelos meus olhos, logo teus

1 Pelos meus olhos, logo teus


Notas iniciais
voltei mas não foi pra ficar kkkkk

Ela vinha diferente. Ou eu não a conhecia mais.

Tinha um olhar curioso, um meio sorriso no rosto, cujo lutava para não se tornar por completo. Os cabelos curtos esvoaçavam para trás, junto com a franja, teimosa, separando-se em duas sobre a testa. Os ombros largos estavam, levemente, curvados para frente. Curiosamente, ela não mostrava as tatuagens. Os braços dançantes estavam cobertos por uma camiseta jeans, que, também, acobertava um vestido rosa-claro até metade de suas coxas. As canelas magras eram aquecidas por uma meia com estampa da Mona Lisa, junto de um all star preto.

E então, ela chegou até mim. Levantou a cabeça e me encarou com seus grandes olhos castanhos, ávidos, sedentos em descobrir tudo sobre o universo.

Como ela poderia se sentir tão pequena?

Quando sempre fora tão grande.

Não reagi. Ela também não. Permanecemos em um silêncio, que afastava ambas as almas em quinze metros de distância. O que eu poderia falar? O que eu poderia fazer? Quando qualquer tipo de comportamento, vindo da minha parte, poderia parecer que eu ainda a amava. E amava. Um frio subiu pelo meu corpo. Era o medo de rejeição. Senti vontade de ir embora, para não precisar lidar com ela.

— Oliver. — disse, rápido, mal pude escutá-la.

A entonação de sua voz era engraçada. Senti vontade de sorrir, mas controlei meus impulsos. Sentia falta de ouvi-la.

— AjaAja. — brinquei.

— Não vai me abraçar? — Aja cruzou os braços, juntou as sobrancelhas e irritou-se.

Era tudo o que eu mais queria.

Por deus, como a irritabilidade dela para coisas pequenas a tornava tão meiga. Eu ainda podia ler alguns de seus mecanismos de defesa.

Aproximei-me com cautela, envolvi meus braços nos ombros esguios, mas largos, de Aja. Senti que ela demorou para dar uma resposta, mas seu comportamento foi totalmente inesperado ao depositar sua cabeça em meu peito e grudar seus dedos nas minhas costas, como se, pela sua linguagem corporal, pudesse dizer “Não me solte”. Ligeiramente, afaguei seus cabelos e permaneci em um alto estado de conforto e prazer, por alguns segundos, que eu preferia que se tornassem anos.

Eu a amava. Tanto.

E ela me amava. Tanto quanto.

— Podemos beber algumas cervejas enquanto escutamos rock psicodélico — ela disse em uma voz abafada pelo abraço.

Por que tivemos que ir embora um da vida do outro?

Quando nossos corpos nos conectam das maneiras mais impulsivas que existem.

Eu quero tanto estar longe.

Mas algo me traz para perto de você e, sinceramente, Aja, eu não quero impedir.

Toda vez que o universo nos conectar por muitas e muitas vezes, eu vou aceitar.

Se não pudermos mantermos uma relação saudável, com suas rotinas chatas e claramente impostas pela sociedade, faremos nossas próprias idas e vindas. Daqui seis meses, daqui dois anos, daqui uma semana. Tanto faz. Cada segundo contigo, vai ser a melhor parte da minha vida.

Durará o tempo que tiver que durar.

Obrigada por cada segundo contigo, Aja.

Eu te amo.

Notas finais
deixa um comentário ai eh nois
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!