Notas iniciais
Como prometi que postaria todo dia essa semana e não cumpri, hoje vão ser dois capitulos hahahaha

“O acaso não existe, mas o caminho da vida não é

Totalmente assim tão predestinado

O tempo e a cronologia nos mostram como tudo deveria ser nos

Caminhos da existência para descobrirmos por que estamos aqui

Ser consciente é um tormento

Quanto mais aprendemos, menos entendemos

Ninguém examina a tudo, o foco está em coisas tão pequenas

Mas o objetivo da vida é fazer com que isso seja significativo

Procurando apenas por isto, isso que não existe

Embora nossa habilidade de relativizar permaneça incerta”

As florestas choravam eram canto de lamento os anões podiam ouvir por onde passavam, Gandalf não considerava aquilo nada bom, seu olhar recaí sobre Thorin que desde a noite que recebeu o baú contendo o “presente” de Cordélia já não era mais o mesmo, o rei anão quase não falava, estava mais nervoso que o comum só aceitava conselhos vindos de Bilbo e nem mesmo ao velho mago ele mais ouvia, mas Gandalf o compreendia aquela dor não seria esquecida nunca, Thorin descobriu da forma mais brutal possível sobre um filho e sua perda, além da morte da mulher por quem nutria tanto carinho e quem sabe amor.

O lamento das arvores ficavam mais altos conforme se aproximavam, era algo agressivo, Dwalin sente todos os pelos de seu corpo se arrepiar empunhando seu machado olhando por todos os lados. – Uma das feiticeiras verdes foi perdida, ou, está gravemente ferida. – Gandalf toca o ombro do anão que o olha apenas assentindo, porém ainda se mantém alerta.

Aquilo não era um bom sinal e o cinzento sabia muito bem, aquele ar carregado de tristeza significava muito mais do que uma perda, o luto quem sabe, naquela altura uma baixa no Conselho Verde deixaria o equilíbrio entre as originais instáveis, temia que em algum momento aquilo pudesse acontecer, só não imaginou que o lamento viria das verdes e não das brancas. Bilbo caminha até o mago ficando ao seu lado percebendo sua expressão preocupada, havia muito mais em seus olhos do que Gandalf lhes dizia realmente, o hobbit sentia que tudo tinha mudado depois daquela noite e com Azog e seus orcs atrás deles o clima estava mais denso do que costumava ser quando saíram do Condado.

— Sua cabeça está cheia Bilbo Bolseiro. – Gandalf fala sem tirar os olhos do caminho.

— São apenas pensamentos inúteis Gandalf. – Olha para o cinzento.

— Nenhum pensamento é inútil meu caro hobbit. – Sorri calmo.

Retribui o sorriso ficando em silêncio voltando a prestar atenção no caminho rochoso que estavam tomando, leva a mão em seu bolso sentindo a forma circular dourada que havia encontrado na caverna dos orcs no dia que enfrentaram Azog pela primeira vez, dedilha o círculo de ouro lembrando-se da criatura, Smeagol, a lembrança daquela coisa o faz balançar a cabeça limpando sua mente retirando a mão do bolso, saindo do lado de Gandalf indo até Fili e Kili, o mago encara o hobbit, o pequenino acreditava que podia esconder dele o que carregava em seu bolso, temia o que poderia acontecer, mas talvez o anel estivesse seguro com Bilbo.

— Ainda estamos sendo seguidos pelos orcs. – Thorin cospe as palavras.

— Bilbo vá ver a que distância estão. – Gandalf diz. – Não se deixe ser visto.

O hobbit apenas assente se esgueirando pelas rochas, os anões ficam mais atrás apenas aguardando já não sabiam mais o que esperar de seus destinos. Thorin observava silencioso vendo o tempo escurecido pelas pesadas nuvens, tudo havia mudado naqueles últimos dias, não apenas no clima ou nas florestas, mas também dentro dele, estava destroçado a sua perda tinha causado uma dor que nunca pensou que poderia sentir, era algo bárbaro e cruel, nunca imaginou que haveria algo que odiaria mais do que elfos e orcs, mas naquele momento encontrou: feiticeiras.

Sangue, era isso o que banhava a terra úmida do oeste da Floresta das Trevas os lamentos das plantas eram agoniados enquanto o liquido vermelho se espalhava pela folhagem, musgos e pequenas criaturas rastejantes que eram lentas demais para escaparem do espesso liquido. Três lanças negras transpassavam o corpo da feiticeira verde, uma em seu pescoço, outra no meio de seu peito e a última em sua barriga, as lanças estavam fincadas ao chão e seu corpo recaído sobre elas, sua pele estava mais pálida que o normal, seus lábios arroxeados escorriam sangue misturado com pequenos aracnídeos que já que começavam a atacar o corpo ali deixado.

Duas figuras encapuzadas caminhavam em direção a mulher ali abandonada a própria sorte, o cabelo que até então tinha um dourado brilhando haviam sido manchados de carmesim pelo próprio sangue, as duas feiticeiras retiram o capuz ouvindo o lamento do solo sagrado diante ao estado que sua protetora e guardiã se encontrava, Esther deixa uma lágrima solitária cair com a imagem de Tíssaia, seus olhos azuis que contrastavam com o fogo de seu cabelo estavam embebedado pela fúria, uma filha sagrada da natureza havia sido profanada pelas negras com três lanças corrompidas, Saphyr sabia que não seria sábio se aproximar de sua irmã naquele estado.

O grito estrondoso de Esther provoca uma onda de devastação pelo local, Radagast em sua casa pode ouvir o grito estridente da criatura, ele segura seu ouriço com firmeza, sabia que uma feiticeira verde estava enfurecida e aquilo não era bom, nunca era boa coisa ver as tormentas verdes em estado de fúria. Gandalf sente o tremor na casa de Beorn, ele olha o troca-peles, que abaixa o olhar, continuando a servir os anões, havia fúria por toda parte os animais dentro da casa do anfitrião estavam agitados e não paravam por único minuto, depois de conseguirem fugir dos orcs e encontrar abrigo não estavam muito longe do perigo ainda e o cinzento sabia disso.

Saphyr ao lado de Ester via as ondas verdes exalarem da irmã enquanto ela tocava o sangue de Tíssaia no chão mesmo com a sujeira da terra leva o liquido vermelho aos lábios. – Está viva. – Diz ao sentir o gosto amargo da mistura de poder que corria no sangue da feiticeira, ela ainda não havia sido mandada para Mandos, Esther vai até a irmã e com a ajuda de Saphyr retira o corpo da mulher das lanças.

Quando Tíssaia sente seu corpo ser retirado das lanças negras abre os olhos respirando com desespero, havia sido colocada sob um feitiço de tortura mental onde sentia seu corpo agonizar e sua mente se deteriorando com imagens distorcidas dos mais variados tipos de torturas que as negras poderiam lhe proporcionar, seus olhos ainda eram um vidro vazio, sem vida, sem nada, só respirava e emanava poder que ainda não lhe curavam sem uma ordem direta. Saphyr toca o corpo da irmã dando início a sua cura, usando a própria terra para que fizesse o processo, elas eram guardiãs na natureza e a natureza seria a sua restauração, Esther acariciava seu cabelo beijando sua testa, ainda coberta pela ira.

Tíssaia tinha fleches dos últimos acontecimentos no castelo das negras, o surto furioso de Cordélia após os cacos do espelho penetrarem a pele de seu rosto perfurando suas córneas, a feiticeira expelindo os cacos com sangue escorrendo de seus olhos e a encarando. Elbereth havia acordado um dragão que tinha adormecido, uma criatura que não deveria se levantar e que ela não teria poder o suficiente para controlar por mais poderosa que fosse, Córdelia era filha do poder, a encarnação mais pura que havia da magia, enquanto a criança que havia dado à luz era apenas uma aberração que agora tinha atraído para si a ira de algo maior do que qualquer mal que poderia caminhar por aquela terra, Sauron como espectro teria uma aliada poderosa e perigosa.

Sabia que a mãe não tinha atingido o seu limite, ela ainda tinha sua aparência comum, em uma aparência de ascensão de poder nem mesmo Aurélia e Elessa seriam capazes de permanecerem no mesmo ressinto, havia um pouco de sanidade na espécie que não tinha nada além do pior dos instintos por todas as criaturas que caminhavam por aquelas terras. Os olhos de Tíssaia procuram pelos de Esther, levanta sua mão tocando seu rosto. – Cordélia, nos quer aliadas a Sauron quando a hora chegar. – Sua voz era fraca.

— Não diga mais nada. – Esther tinha misto de cores nos olhos, os poderes da mãe da natureza elementar eram tão intensos que todas a florestas sentiam quando ela os usava, a ruiva se curva tocando os lábios de Tíssaia com os seus, a trevas que restavam no corpo da loira começam a se esquivar em um grito agudo, enquanto Saphyr tocava a terra as esmagando em agonia, vendo os ferimentos de Tíssaia começarem a se fecharem e ela adormece sendo envolvidas por raízes de árvores que protegiam seu corpo.

— Cordélia descobriu sobre a bastarda de Tíssaia. – Saphyr diz com o brilho intenso de seus olhos negros assumindo uma coloração prateada conforme tocava a cabeça da feiticeira adormecida.

— A mãe nunca quis matá-la apenas nos avisar. – Esther encara Saphyr. – O Conselho Verde não se curvará para o Conselho Negro e assim eu decido, Sauron e Melkor destruíram quase tudo o que minha mãe Yavanna criou quando Eru Ilúvatar os concedeu parte da música, não colaborarei para maior destruição do nosso solo sagrado natural com aqueles orcs imundos! Matamos humanos, elfos e tudo que consideramos risco a esse antro perfeito que chamamos de casa, e não será Cordélia que irá nos obrigar a parar com nossa proteção. – O ruiva tinha uma postura firme encarando Saphyr que sorri mostrando seus dentes pontiagudos, a morena havia afiado seus dentes para mostrar as negras anos atrás que elas não eram as únicas capazes de rasgar carne com facilidade, as verdes se adaptavam conforme o perigo demandavam.

— O Conselho Verde vive! – Saphyr entoa e um forte estrondo é ouvido da floresta, elas sabiam que tinham aliados dentro do que protegiam.

Elbereth sentia o solo da Floresta Negra responder a algo, ou melhor alguém, as verdes estavam reivindicando algo e ela sabia o que era, não era apenas Sauron que estava de volta, mas os tempos das feiticeiras estavam apenas começando, o olhar de Cordélia ao vê-la em seu espelho estava gravado em sua mente, sabia que ela não atacaria, mas também era de seu conhecimento que ela estaria ao lado do mal naquela guerra, poderia demorar o tempo que fosse a feiticeira negra iria agir, mas Elbereth não tinha pressa foram seiscentos anos de espera, sente uma presença atrás de si pega a espada mesmo sabendo quem era virando colocando-a no pescoço do jovem príncipe.

— Não deveria aparecer assim príncipe Legolas. – Repreende.

— Perdão, minha rainha. – Sorri com diversão, a vendo abaixar a espada.

— O que deseja aqui? Não irá sair em patrulha daqui algumas horas? – Questiona, entrando pelos portões do palácio sendo seguida pelo elfo loiro.

— Não temos mais conversado quase, sinto falta de nossas conversas você não me falou mais sobre vocês. – Comenta olhando para Elbereth que sorri para Legolas.

— O que deseja saber? Não há nada muito leve que se possa ser dito para você Legolas, a maioria das coisas sobre feiticeiras são histórias pesadas. – Mais até mesmo do que Elbereth gostaria de admitir.

— Não sou mais uma criança. – O elfo fala revirando os olhos.

— Está bem. – Suspira, dando o braço para ele enquanto andavam pelos altos corredores do palácio. – Não podemos ter filhos com elfos, as crianças deveriam ser mortas antes que terminassem a infância pela progenitora ou seriam caçadas a vida toda pelas negras e teriam um destino ainda pior, seriam jogadas aos orcs ali seriam estupradas e depois se tornariam comida. – Olhava nos olhos de Legolas.

O príncipe estava chocado com aquilo. – Você contou isso para meu pai? – Não conseguia imaginar a hipótese um irmão ou irmã ser submetido aquilo, não suportaria e o pai muito menos, ele já tinha perdido coisas demais.

— Não.

— Como não e se você vier a ter um bebê? Como vai ser? – Tinha quase que um desespero na voz.

— Não posso ter filhos Legolas, você continuará sendo o único herdeiro de seu pai, você e ele não perderão nada. – Tenta sorrir para o dar conforto, mas o desespero do olhar dele se transforma em melancolia.

— Eu sinto muito.

— Mas caso eu tivesse um bebê pode ter certeza que eu caçaria e empalaria cada uma das negras antes que pudessem fazer qualquer coisa para sua irmã... Sim seria uma menina, feiticeiras só dão a luz para meninas. – Olha ternamente para ele.

— Eu te ajudaria a fazer tal feito. – Reponde sério antes de voltar a sorrir. – Tenho certeza que seria linda, mas espero que veja em mim um filho Elbereth porque eu vejo em você em uma mãe.

— Você é uma alma boa Legolas e nunca mude isso, filho. – Beija a mão dele. – Mas você deve se juntar a sua patrulha agora.

— Obrigada naneth. – Beija a testa de Elbereth saindo de lá a deixando sozinha.

Olhava para onde o príncipe ia, sente os ares da floresta mudar alguma coisa estava mudando, haviam invasores, anões. Rosna com aquilo, Gandalf não estava com eles, havia os deixado, sai de lá indo atrás do marido, entra na sala do trono vendo Amarïe e o rei discutindo, assume uma expressão séria para a líder do conselho do reino da Floresta das Trevas que não lhe dirigia a palavra e quando a olhava demonstrava desprezo, se aproxima chamando atenção dos dois que a olham, a elfa não muda o olhar de nojo com sua presença já Thranduil mantinha a expressão fria de sempre, depois de terem realizado rito matrimonial os dois não haviam conversado mais.

— O que quer aqui Elbereth? – Questiona o rei.

— Precisamos conversar. – Seu olhar firme em Amarïe. – Em particular.

— Me deixe a sós com a rainha. – Dispensa a elfa.

— Como desejar majestade. – Diz entredentes, saindo de lá sem demonstrar o mínimo de respeito pela feiticeira.

Elbereth cerra os punhos. – Eu podia quebrar o pescoço dela apenas com um único pensamento. – Caminha até a escada que levava ao alto do trono sendo seguida pelo olhar dele.

— Mas não o fara, Amarïe é líder do meu conselho e minha velha amiga, além de ser tia de Legolas. – Responde duramente.

— Que anseia por estar em sua cama. – Senta no colo dele que a olha chocado.

— O que pensa que está fazendo? – Vai a retirar, mas ela não sai. – E tenha respeito, ela é casada e tem uma filha.

— Não muda os pensamentos impuros que ela nutre por seu rei, pensamentos bem impróprios eu diria. – O encara friamente. – Mas não vim discutir os pensamentos inadequados de sua conselheira, mas sim informar Cordélia já está sabendo sobre nós e sobre mim. – Sua voz era calma, enquanto Thranduil se arruma no trono a olhando fixamente.

— Como ela ficou sabendo? – Pergunta sério.

— Eu deixei que soubesse. – Mantinha a tranquilidade.

— Por que fez isso? Essa criatura pode muito bem vir até nós, vir até o reino! – O elfo não negava sua irritação.

— Não o fara, ela sabe que esse lugar é território proibido para as negras, aqui já possui uma guardiã. – O olha firme.

— O que a impediria de fazer o que ela deseja? – Ri com certa ironia, logo demonstrando seu mau-humor costumeiro.

— Nossa ligação de alma, elas sabem que qualquer ataque a você, Legolas ou a esse povo atingira a mim e me deixará em fúria... Cordélia não vai me querer em fúria, ela não me conhece o suficiente para provocar isso. – Leva o indicador no queixo dele, acariciando levemente seu rosto com o polegar.

— Feiticeiras possuem alma? – É sarcástico.

Para a caricia. – Todas, até mesmo Cordélia mantém a dela, quando uma feiticeira a perde ou ela se deteriora até a morte ou se torna uma espécie de poder vivo, nada poderia destruí-lo, mas gostamos de manter a consciência dos atos e saber o que fazemos por mais cruel que seja. – Olha no fundo dos olhos dele.

— Você é uma feiticeira cruel Elbereth? – Questiona.

— Eu sou o que a circunstância exige que eu seja Thranduil, assim como você. – Responde.

— Justo. – Olha para os lábios dela, levando a mão em seu cabelo a trazendo para um beijo, Elbereth retribui unhando sua nuca levemente, gemendo baixo sem se importar que estavam na sala do trono, Thranduil deixa sua mão percorrer pelas costas dela a trazendo mais para si deixando o beijo mais intenso, até se afastarem um pouco ofegantes se encarando.

— Você terá visitas para o jantar essa noite majestade. – Sorri de canto beijando o pescoço dele, Thranduil fecha os olhos enquanto os lábios dela percorriam a extensão de seu pescoço indo até seu maxilar.

— Não me lembro de ter convidados para está noite. – Arfa quando ela dá um chupão na pele próxima à sua orelha.

— Thorin Escudo de Carvalho está dentro da Floresta das Trevas nesse exato momento com sua companhia. – Sussurra, chupando o lóbulo de sua orelha arrancando um gemido do rei, que tentava voltar a racionalidade com aquela informação.

— Por Eru Ilúvatar! Para com isso antes que eu perca o controle Elbereth. – A afasta de si ofegante, olhando para ela com as irises brilhantes pelo desejo, ela sorri com isso, Thranduil fecha os olhos por alguns segundos recobrando a compostura a encarando novamente. – Como assim Thorin neto de Thrór está em minhas propriedades? – Questiona sério.

— Senti a presença dele, e logo ele se juntará a nós. – Responde calma.

— Devo então já preparar as celas das prisões. – Fala seco.

— Uma missão suicida eu já disse isso para Mithrandir, porém o mago não me escutou. – Diz sem humor.

— Claro, Mithrandir, porque não me surpreende? – Revira os olhos. – Aquela montanha e os anões possuem algo que me pertencem. – Thranduil fala friamente.

— Thrór conseguiu a fúria das feiticeiras pela Arken e a sua pelas gemas brancas de Lasgalen. – O olha.

— Não são simples gemas. – Diz ríspido.

— Eu sei o que aquele colar lhe significa, mas ele não é a única coisa que sua esposa te deixou. – Fala séria. – Chalen, te deixou Legolas e gemas brancas não são nada perto do filho que tens. – Se levanta do colo dele, mas Thranduil segura seu pulso.

— Legolas é o que mais tenho de importante nessa vida Elbereth, mas esse colar tem um valor sentimental muito grande. – A encara fixamente.

— Não deveria ter lhe avisado sobre os anões, só peço que tome cuidado com suas palavras para Thorin, você não é o único aqui que ainda possui a alma ferida, todos nós estamos trazendo feridas profundas nesses últimos tempos Thranduil, então muito cuidado com as palavras que usará com o rei anão. – Olha a mão dele segurando seu pulso.

— Qual seu interesse no neto de Thrór? – Questiona.

— Interesse? – Arqueia a sobrancelha. – Não me interesso por anões, na verdade os desprezo, Thorin não seria diferente, mas isso não me impede de ver a dor que ele carrega, não sou uma mulher sem coração Thranduil embora se esforce para me ver assim.

— Vou saber lidar com esses anões não se preocupe. – A solta.

— Realmente espero que assim o faça. – É ríspida, saindo de lá o deixando sozinho em seu trono.

Thranduil olhava-a se afastar, fecha os olhos firmemente, mas logo abre arrumando sua postura se a esposa estivesse certa teria que estar preparado para receber a visita de alguns anões que não seriam nenhum pouco bem-vindos naquele lugar. Mexia nos anéis em seus dedos mantendo a expressão fria em suas irises, nada daquilo o agradava, mas receber Thorin ali parecia que deixava seu humor ainda pior, além de ter uma feiticeira como esposa ainda tinha que ter o neto daquele anão arrogante e ambicioso dentro de seu palácio.

Seus pensamentos são levados a outro lugar mais precisamente para as feiticeiras negras, não estava tranquilo em saber que elas já estavam cientes de seu casamento com Elbereth temia que pudessem fazer algo contra os elfos da floresta ou seu filho e não estava disposto a permitir que tal coisa acontecesse. Cerra seus punhos, seus olhos estavam mais perigosos naquele momento, alguns guardas que passavam por ali sabiam que o rei não estava com o melhor humor, então não emitiam nenhum tipo de som, apenas passavam silenciosos.

Legolas olhava o anão que mesmo sendo escoltado por ele e outros elfos em direção a sala do trono mantinha um olhar petulante, não gostava nada disso, os demais tinham sido levados para as celas onde ficariam até que o rei decidisse o que fazer com eles e sabia que o pai não costumava ser muito piedoso com anões. Thorin praguejava e amaldiçoava tudo o que conhecia por ter sido pego justamente pelo príncipe da floresta, como se tudo já não estivesse difícil demais para ele e sua companhia ainda tinha que ficar diante a “fada da floresta”, sente Legolas o soltar quando estavam diante do trono e ali estava Thranduil, aquela postura majestosa e iluminada do elfo irritava o anão, só o fazia se lembrar que seu povo havia perdido tudo e o poderoso Thranduil lhes deu as costas, a raiva começa a queimar dentro de si.

— Thorin, filho de Thráin, neto de Thrór... A que devo a honra dessa visita? – Thranduil é irônico, enquanto olhava para o filho o dispensando, Legolas apenas assente saindo de lá, ficando apenas Feren e Galion.

— Estava apenas de passagem com os meus parentes. – Mente o anão, o elfo se aproxima do mais baixo olhando no fundo de seus olhos, estava quebrado, podia ver sua alma, recua um pouco, porém não deixa a frieza sair de seu rosto.

— Alguns diriam que é uma missão nobre para recuperar o seu lar. Eu? Digo que está a caminho do suicídio. – Diz simplesmente. – Mas ofereço minha ajuda a você e sua companhia, já que aquela montanha possui algo que nós dois queremos. – Fala sério, Elbereth olhava de longe contraindo o maxilar com aquilo.

— O rei Thranduil oferecendo ajuda? – O anão quase ri, sem esconder sua raiva.

— Lhe dou minha palavra que lhe darei uma escolta para que chegue em segurança até a montanha solitária junto com seus familiares. – Thranduil diz calmo, Elbereth naquele momento vê as feições do anão se transformarem.

— O poderoso rei Thranduil não tem palavra! É um covarde! Você virou as costas para o meu povo quando mais precisamos, quando sofremos com o fogo do dragão e viemos até você. – Grita, o rosto de Thranduil se contraí em fúria principalmente quando grita em sua língua para que ele queimasse nas chamas do dragão.

O elfo sindar se aproxima perigosamente do anão deixando sua deformidade fácil a mostra para o anão por alguns segundos, Elbereth assume uma postura fria, ouvindo sua voz grave e poderosa. – Eu enfrentei as grandes Serpentes do Norte não venha me falar de fogo do dragão Thorin Escudo de Carvalho! – Exclama.

— Isso foi pouco para você Thranduil. – Diz entredentes com um brilho intenso no olhar, o elfo mantinha uma postura fria.

— Não é Thranduil a pessoa que está com raiva Thorin Escudo de Carvalho. – O anão escuta a voz feminina vendo a bela mulher loira entrar na sala do trono, era mais bela que o sol e a lua juntos, as feições do anão eram uma mistura de fúria e ira.

— Feiticeira! – Grita. – Agora se alia com essas vagabundas? – Olha com ainda mais fúria para Thranduil.

— Esta é Elbereth, a Vermelha, rainha da Floresta das Trevas. – Thranduil vai ao lado da mulher.

— Se casou com uma maldita feiticeira? Se cansou de suas elfas donzelas e decidiu que queria uma meretriz qualquer. – Rosna olhando para Elbereth que mantinha a calma. – Uma cadela qualquer.

Galion vai se aproximar, porém ela só faz um movimento com a mão para que ele pare. – Anya não doeu somente a você. – A voz de Elbereth era tranquila.

Thorin sente um baque ao ouvir o nome da dourada. – Não ouse tocar no nome dela. – Seus lábios estavam trêmulos. – Você não é digna de dizer o nome dela, cadela desgraçada.

— Levem ele para as celas. – Thranduil diz, não permitiria que ele continuasse com as ofensas contra Elbereth.

Galion e Feren retiram o anão de lá, Thorin não resiste apenas se deixa levar ouvir o nome de Anya tinha o deixado perturbado, quando é colocado na cela apenas queria ficar quieto. Bilbo por sua vez tinha conseguido entrar no palácio sem ser notado graças ao anel e apenas esperava o momento ideal para poder ajudar os anões, olhava o rei e a mulher que estava com ele no corredor, via os olhos da mulher fixos no lugar onde ele estava, então acaba não se movendo, temendo que ela pudesse perceber algo.

— Aquele anão não saíra dessa prisão tão cedo Elbereth! – Exclama friamente.

Elbereth não diz nada sobre isso apenas leva a mão em seu rosto tocando o lado que era coberto por pela magia dele. – Eu vejo através desse véu Thranduil, desde o primeiro dia. – Acaricia sua face com calma.

Endurece sua expressão. – Preciso conversar com Tauriel, meu filho está lhe dando atenção demais temo que esteja apaixonado por ela, não posso permitir... – Desvia o assunto, não gostava de falar sobre suas imperfeições físicas.

— Vai ser uma conversa vã que servira apenas para no futuro afastar seu filho de você, Tauriel vê Legolas apenas como amigo, ela ama outro elfo. – A rainha diz calma.

— Com Legolas me entendo depois, ele deve compreender no futuro. – Fala se afastando dela saindo de lá a deixando sozinha.

Bilbo quase não respirava, quando pensa ser seguro começa a andar devagar sem fazer barulho. – Anéis mágicos não são o suficiente para te esconderem de mim hobbit. – Escuta a voz da rainha, para de andar se esquecendo como respirar. – Bilbo Bolseiro, retire esse anel e olhe nos meus olhos.

Notas finais
E então?