Notas iniciais
Hey! Perdão a demora, mas já estou com outros capítulos prontos e amanhã tem outro.

“Eu percorro o labirinto dos momentos

Mas para qualquer lugar que eu me volto

Começa um novo começo

Mas nunca se encontra um final

Eu caminho para o horizonte

E lá eu encontro um outro

Tudo parece tão surpreendente

E então eu descubro que sei

Você vai até lá, você se foi para sempre

Eu vou até lá, vou perder meu caminho

Se nós permanecermos aqui, não estaremos juntos”

A mulher corria desesperada pela floresta usando seus poderes para criar barreiras e derrubar tudo atrás de si mesmo sabendo que seria inútil, segurava em seus braços uma criança, ainda estava fraca havia acabado de dar à luz, uma aberração como diziam que aquela criança seria e era considerada por suas irmãs, olhava aquele bebê ainda cheia por seu sangue que chorava, ela tentava ser firme precisava tentar salvar a vida de sua cria, de seu menino, havia sido o primeiro homem a nascer de uma feiticeira, sua aparência era repugnante para a sua espécie, mas para ela era perfeito, não podia deixar que matassem o seu filho, não podia permitir que tirassem a única coisa que realmente valia a pena em sua vida amaldiçoada.

Suas pernas começavam a fraquejar, mas não podia parar, o sangue escorria por suas coxas, não tinha tido tempo para nada depois do bebê nascer, tudo tinha sido muito rápido, sentia que estavam próximas, a força delas faziam com ela se sentisse sufocada, mas precisava continuar, usa o máximo do poder que tinha naquele momento para criar uma cratera profunda na terra saindo pedras pontiagudas de dentro criando a sua volta com a criança uma cúpula protetora que resplandecia com o sol, cai de joelhos no chão se abraçando ao filho sentindo que tinha falhado.

Anya não sentia que não duraria muito mais, se não fosse pelas feiticeiras negras morreria pela fraqueza e perda de sangue, seus poderes estavam a abandonando e ela os acumulava em seu pequeno. O forte estrondo da quebra da fortaleza é ouvido e o berro da criança fica mais alto, os olhos dela ficam repletos de desespero quando vê a bela figura esplendorosa de Cordélia, a bela feiticeira loira com uma coroa negra sobre a cabeça trajando uma capa de penas reluzentes de corvos caminhava em sua direção, Elessa magnifica e majestosa com seus cabelos ruivos como o fogo caminhava segurando seu cajado com esmeraldas a olhava com um brilho de crueldade, já Aurélia lembrava um anjo trajando vestes brancas combinando com o seu cabelo todo branco, seu olhar era apático, mas sua aura não era menos cruel.

— Reproduzistes com um anão, Anya a Dourada filha de Aulë, o preço é a morte de sua cria e você pagará vagando por esse mundo se lembrando do doce choro dessa repulsiva escória. – A voz de Córdélia era aveludada enquanto segura o queixo de Anya com delicadeza, mas quando seu olhar cai para o bebê seu olhar se torna de nojo. – Como uma criatura tão perfeita se deita com um ser tão repugnante, um elfo seria mais perdoável. – A solta bruscamente fazendo-a cair derrubando a criança de seus braços.

Vai tentar se aproximar de seu filho porém Cordélia pisa em sua mão a olhando com um sorriso de canto, Elessa e Aurélia se mantinham afastadas olhando não tinham interesse em tocar alguém que para elas não passava de um simples parasita. A loira sorri caminhando até o bebê com uma adaga negra para cortar seu pescoço. – Por favor Cordélia é meu filho. – Implora segurando o vestido dourado embaixo da capa de penas.

A feiticeira negra olha com nojo para a dourada a fazendo se levantar com magia sufocando-a. – Como ousa tocar-me com essas mãos imundas? – Via o sangue escorrer no chão. – Vou fazer questão de te deixar viver para que sofra a eternidade com as marcas dessa imundície a qual trouxe ao mundo apenas para que eu matasse. – Sorri se voltando para a criança, pegando-a no colo sentindo o seu cheiro. – Thorin Escudo de Carvalho, matarei o filho de um rei e mandarei a cabeça para ele, junto com você. – Diz com animação na voz rasgando a garganta da criança sem pensar duas vezes deixando o pequeno corpo cair no chão separado da cabeça.

O grito agudo da feiticeira é ouvido por toda floresta, Cordélia só olhava entediada. – Mudanças de planos, se estiverem com fome irmãs, podem a comer só deixem a cabeça mandarei os dois para Thorin. – Passa por Elessa e Aurélia calma fazendo um baú negro aparecer guardando a cabeça do recém-nascido, enquanto as outras duas feiticeiras negras se aproximavam da dourada que ainda gritava e chorava desesperada pelo filho, enquanto era iniciado um ritual de alimentação com a presa viva pelas negras, que eram observadas por Cordélia.

Elbereth em seu quarto olhava suas mãos cicatrizando, murmurava feitiços curativos, havia passado a noite e boa parte da manhã olhando suas mãos cortadas antes de dar início ao processo de cura, ainda pensava no que tinha acontecido na noite anterior, o mal tinha retornado, o que significava que as feiticeiras estavam mais perigosas do que nunca, aquilo a preocupava, tinha tido uma noite de pensamentos instáveis, sua mente havia a levado a todo momento para Anya, sua antiga amiga dourada, sentia que algo ruim tinha acontecido com ela, seus pressentimentos nunca estavam errados, seu peito doía e aquilo não era boa coisa.

Quando termina de curar sua mão, fecha os olhos tentando encontrar a energia de Anya, mas não havia nada, se concentra mais um pouco buscando rastros do uso de sua magia durante a noite encontrando, arfa ao ver, se segurando com força na janela ao rever tudo o que aconteceu, cerra os punhos, gravando cada expressão de Anya e das três negras, ao abrir os olhos sente uma lágrima solitária cair, feiticeiras não costumavam chorar, mas Anya tinha sido a criatura mais doce e gentil que Elbereth havia conhecido e ela morreu para proteger o que amava, o filho dela com Thorin Escudo de Carvalho um anão, que ela amou profundamente.

A dourada tinha morrido de forma covarde e cruel, mas sua morte não ficaria impune, nunca permitiria que isso acontecesse, caçaria uma por uma daquelas mulheres, nem que fosse a última coisa que fizesse em sua vida. Carregava o sangue de Cordélia, mas isso não fazia dela alguém com quem tinha laços, ela era apenas mais uma que deveria ser expurgada da terra como Melkor e Sauron, olha suas mãos encarando seu poder vermelho exalando entre seus dedos, respira fundo o controlando, não podia perder a calma, não podia destruir tudo, haveria o momento certo.

Escuta batidas na porta. – Entre. – Fala se recompondo, vendo Thranduil entrando, respira fundo, tudo o que mesmo desejava naquele momento era brigar.

— Tauriel me contou o que aconteceu na floresta ontem. – Olha para ela.

— Me surpreenderia caso não o fizesse. – Não tinha humor algum na voz.

— Mithrandir também me contou o que viu. – Sua voz era séria.

— Ele está vagando por essas terras um espírito sem um corpo, porém o suficiente para conseguir impregnar essa floresta e reunir um exército. – Suspira sentando na cama.

— Você tem ideia do risco que você correu e do risco que colocou a todos ao fazer aquilo? – Pergunta friamente.

— Sim estou ciente, porém estava tudo sob controle eu sei com o tipo de magia com que me envolvo Thranduil não sou uma tola brincando de mágica.

— Caso Sauron realmente esteja de volta, provavelmente devemos nos preparar para uma possível guerra não é. – Caminha até a janela respirando fundo.

Se surpreende com aquilo achava que o rei seria mais difícil de convencer sobre o que tinha feito e visto. – Sim, uma guerra será inevitável, deverá preparar seus exércitos.

— Sabe que não me envolvo em nada que seja além dos portões do meu palácio. – Diz rudemente.

— Porém, isso atingirá a você. – Se levanta caminhando até ele ficando ao seu lado, podia ver a gritante diferença de altura entre eles, sua cabeça atingia o seu peito, beirando o seu ombro.

— Então estaremos preparados caso necessário. – Responde.

Os dois ficam em silêncio um tempo, apenas observando o jardim até que Thranduil fala. – Nos casaremos em particular dentro de dois dias.

Olha para ele surpresa. – Como desejar majestade, como será o ritual? – Questiona, queria estar preparada para o que viria.

Podia ver o desconforto dele com aquilo. – Devemos ligar nossas faë através, hum, da copulação e recitar algumas palavras para Eru Ilúvatar.

— Oh, claro, pensei que seria algo mais complicado. – Diz calma, para ela não seria sacrifício algum estar com ele em um momento íntimo, talvez fosse um momento em que não quisessem se matar.

Olha para ela. – Não, não é. – Para ele seria desconfortável, desde a morte de sua esposa não tinha estado com mulher alguma e agora olhava para a feiticeira com quem dividiria a eternidade.

— Legolas gosta de você Elbereth. – Thranduil diz após observa-la por um tempo.

— E eu gosto dele também majestade. – Sorri.

— Não quero que meu filho se machuque, não quero que você o machuque, nós dois sabemos que feiticeiras são um antro de desgraça, uma de vocês já tirou a mãe dele e não vou permitir que outra tire meu filho de mim. – O sorriso de Elbereth morre diante o olhar frio do rei.

— Nunca faria nada para machucar Legolas, eu o protegeria com a minha vida se necessário, mas feri-lo jamais, tenha certeza disso majestade. – Fala friamente.

— Você não é a mãe dele Elbereth e por mais que tente ser futuramente, você nunca será, Legolas já tem uma mãe e ela é Chalen, tenha nossos próprios filhos se quiser um. – Diz ríspido.

Aquilo atinge a feiticeira de forma dolorosa, olha no fundo das irises gélidas do rei. – Eu nunca serei mãe, sou vazia como uma árvore oca sem raízes, nunca lhe darei herdeiros, não terei meus próprios filhos, não posso gerar uma criança. – Tinha repulsa e dor na voz, Tíssaia tinha tirado aquilo dela também, uma criança seria sinal de fraqueza e uma rainha não poderia ter uma fraqueza então quando a filha ainda tinha doze lhe arrancou o útero de forma brutal.

Thranduil olha para ela sentindo o peso de suas palavras e o misto de sentimentos que a envolviam. – Me perdoe. – É a única coisa que consegue dizer antes de sair do quarto a deixando sozinha.

Elbereth fecha os olhos com firmeza levando a mão em sua barriga, ela sabia que Legolas não era seu filho, ela nunca poderia ter um, mas mesmo que não tivesse nascido dela, o protegeria não o machucaria, jamais permitiria que alguém fizesse mal a ele. Abre os olhos sentindo todo o peso dos últimos acontecimentos, estava exausta precisava descansar, caminha até sua cama deitando, precisava de um longo sono ou não apagaria no chão, ao sentir o lençol contra seu rosto não vê mais nada além da mais repleta escuridão e os gritos de Anya.

Gandalf havia se despedido dos elfos da floresta naquela tarde, tinha que se juntar aos anões e ao hobbit já havia os deixado por dias demais, levaria Zatana com ele era uma égua rápida e podia o levar aonde ele desejava sem que ele precisasse a dizer, mas no caminho ele percebia que a égua estava sentimental demais, queria entender o motivo, porém não conseguia se comunicar com ela, o cominho era percorrido com avidez, por sorte desviavam de possíveis inimigos e emboscadas o animal era esperto, Elbereth tinha feito um bom trabalho com ela, era manhã quando avista uma companhia de anões descansando em uma gruta de pedras, sorri com isso, se aproximando com Zatana.

Quando sentem a presença de alguém Thorin se levanta apressadamente pegando sua espada a empunhando, tal movimento acorda os demais que pegam suas armas assim como Thorin, mas quando veem Gandalf ficam aliviados. – Gandalf! Até que enfim voltou. – Balin diz lívido ao ver o mago.

— Perdão me afastar por muito tempo, porém tive coisa para resolver no reino da Floresta das Trevas. – O mago diz calmo.

— Esteve na Floresta Negra? – Thorin pergunta quase com desprezo.

— Sim, uma amiga me enviou Zatana para que avisasse que chegou em segurança ao seu destino e que eu deveria ir até lá. – Suspira.

— Nosso caminho é por lá, porque não nos levou com você? – Rosna o anão.

— Porque o que precisava fazer lá era urgente Thorin, Zatana faz o caminho em um dia e meio, nós levaremos pelo menos quatro ou cinco para chegar. – Olha sério para o anão. – Algum ataque orc nesse período? – Pergunta.

— Nenhum, mas as coisas estão estranhas nesses últimos dias que esteve fora, os animais estão inquietos, a floresta não tem sido um lugar seguro por algum motivo. – Bilbo diz.

— Feiticeiras. – Dwalin cospe a palavra.

— Vocês não são bem-vindos a caminharem pelas florestas protegidas pelas verdes. – Gandalf diz ao se lembrar do que Elbereth disse “Thrór não irritou apenas o rei élfico”. – Vocês serão mortos por elas ou por suas criaturas se passarem por onde elas possuem domínio.

— Por que seriamos alvos de feiticeiras verdes? – Thorin pergunta.

— A pedra Arken originariamente foi uma pedra do poder pertencentes as feiticeiras. – Balin diz olhando para Thorin que olha para o que o outro anão falava.

— Não a pedra Arken é a pedra do rei e pertencia ao meu avô. – Responde quase que agressivo, porém Balin balança a cabeça.

— Eu estava lá Thorin, a Arken foi lapidada por Aurélia e Esther ela foi encontrada com um poder fora do comum por isso seu brilho, ela foi levada a Thrór para ele guardasse em sua fortaleza e que ninguém deveria toca-la, nem mesmo ele... Mas seu avô se encantou sua beleza e poder e a transformou na pedra do rei, Córdelia, as outras duas negras e as três verdes foram até a montanha buscar a pedra e Thrór ousou tentar atingi-las com uma espada e colocar o exército contra elas. As seis poderiam ter matado a todos nós naquela noite. – Balin para como se sua mente retornasse aquele acontecimento.

— O que aconteceu Balin? – Thorin pergunta ainda sem acreditar naquilo.

— As feiticeiras excomungaram os anões, nos consideraram lixos e implantaram a lei de que nenhuma feiticeira deveria ajudar ou se envolver com anões sob pena perpetua, o castigo só elas sabem... Cordélia disse que os anões provariam da própria ganancia e saiu junto de suas irmãs, então logo Smaug aconteceu, um de seus dragões o mais ganancioso de todos, ela garantiu a queda de Thrór e sua linhagem. – Balin olha para Thorin.

Todos olhavam o velho anão perplexos com o que ouviram, Gandalf sentia o peso do que a feiticeira vermelha tinha lhe dito. – A Arken não pertence aos anões? – A voz de Thorin quase falha.

— Temo que não, Aurélia a encontrou com a ajuda de Esther a lapidou da forma que a conhecemos. – Suspira.

— Vocês não podem andar por onde não são bem-vindos e mesmo que hajam feiticeiras que não seguem essas mulheres, elas não podem ajuda-los.

— E aquela feiticeira Thorin? – Kili pergunta.

— A deixe fora disso, não quero ela em problemas por minha causa. – Thorin diz ríspido, não queria que nada de ruim acontecesse com Anya por sua culpa.

— Qual feiticeira? – Gandalf pergunta olhando o rei anão.

— Uma dourada que Thorin conheceu há um tempo atrás. – Fili responde.

— Melhor a deixar longe, não sabemos o que pode acontecer com ela, e melhor também começarmos a andar antes que aqui possa chamar atenção. – O mago diz.

Os anões concordam arrumando tudo começando a caminhada, Thorin estava pensativo com tudo o que Balin tinha falado, pelo jeito havia muita coisa que não sabia e aquilo o deixava com raiva, o hobbit atrás dele apenas analisava a expressão do líder da companhia, podia perceber que ele não estava em seu melhor momento, os últimos dias não tinham sido fáceis principalmente depois do ataque orc e por ter terem estagnado na caminhada depois da partida de Gandalf, mas por escolha do grupo decidiram esperar pelo mago, mesmo com Thorin sendo contra e aquilo tinha o irritado ainda mais.

Todos estavam cansados no final da tarde, principalmente porque os caminhos por fora das florestas eram mais difíceis e longos, porém não desistiam, persistiam no percurso mesmo quando suas pernas já não aguentavam mais ou quando a fome batia, era tarde da noite quando decidem se alojar em uma gruta, Gandalf se senta ao lado de Bilbo acendendo um cachimbo entregando ao hobbit que sorri aceitando, enquanto os anões estavam envolta da fogueira.

Um gralhar de corvos chama atenção de todos à medida que o barulho fica mais alto Kili, Fili e Dwalin se levantam para matarem os pássaros, porém estes só deixam um baú cair diante a Thorin que estava sentado, o anão levanta o olhar para o baú negro e deixa o olhar vagar para todos vendo Gandalf se aproximar junto com Bilbo, ele estende a mão abrindo a tampa do baú, sua garganta tampa com o que vê, Bilbo leva a mão na boca, o mago fecha os olhos.

Thorin tinha os olhos fixos na cabeça de Anya com os olhos cor de mel abertos sem vida e na cabeça do recém-nascido, o anão não conseguia falar os demais se aproximam olhando todos olhavam chocados, além das cabeças havia um pedaço de vidro quebrado, ainda tremulo Thorin pega vendo o reflexo de Cordélia com um sorriso e a voz dela entra em sua mente “Seu filho e a traidora”. – Não! – O anão grita jogando o espelho contra a pedra, havia desespero em seu olhar, não conseguia deixar de encarar o conteúdo daquele baú.

— Tio... – Fili leva a mão no ombro de Thorin.

— Meu filho... – Sussurra agoniado.

Os anões abaixam a cabeça levando a mão no peito em sinal de respeito e luto, Gandalf se aproxima do rei anão tocando o outro lado de seu ombro permanecendo ao seu lado, Bilbo assim como os anões presta seu respeito e luto pelo amigo, aquela era uma imagem que ele nunca iria esquecer.

Notas finais
O que acharam?