Pelos Séculos
13 Unleashed
Notas iniciais
“Me salve, me aproxime, me ajude, me escute
Sem mais coração partido, sem miséria (Nós desesperamos)
Me cure, me liberte, me veja
Sem mais preocupações, sem mais perdas (Sem conserto)
O tempo é só um conceito
E sempre a primeira coisa a sumir
Agonia e fraqueza
Não são nada que possamos evitar
Os anos são cruéis, eles nos quebram
Trazendo decadência e desespero
Consciência e percepção
Algo que nunca podemos consertar
Minha liberdade é tudo que eu realmente quero e preciso
Me dê o poder de escapar
Não posso mais aguentar
Chegou minha hora de acabar com isso tudo
Não há quem culpar, o destino é aleatório
Não é algo que vamos conseguir explicar
E assim permanece”
O rei estava adormecido sendo observado por Elbereth, ela tinha se recusado a sair do lado dele mesmo depois de ter chamado pela falecida esposa, Luria estava ao lado dela, preferiu não a deixar sozinha já que a rainha obrigou Legolas a ir descansar e ser cuidado por Anália depois que o perigo de morte do pai havia passado. A feiticeira dourada olhava a loira tocar o rosto de Thranduil, sabia que a vermelha ainda tinha os efeitos do veneno e das forças negras em seu corpo depois ter o retirado do sangue do marido, Luria via o olhar de sua irmã, via o que os ligava e aquilo era sua prisão, assim era o casamento entre a magia de um elfo e uma feiticeira, ela podia não o amar, mas daria de tudo para mantê-lo com ela.
Suas almas eram uma sincronia perfeita, duas criaturas destruídas que tiveram tudo retirado deles, mas que sempre haviam sido ligados, Eru Ilúvatar havia os moldado ainda no planejamento, podia ver a corrente forte que os unia, seus olhos tinham um brilho intenso ao observa-los, Elbereth parecia não se importar com a deformidade fácil causada pelas Serpentes do Norte, não se importava com o horror que aquilo trazia, ela tocava para aliviar a dor, dava beijos para alentar, nenhuma feiticeira tocava alguém com cicatrizes eram mulheres que apreciavam o belo, não aceitavam nada que não carregassem um pouco de sua beleza.
A feiticeira dourada decide sair para a deixar sozinha com o marido, se levanta caminhando até ela tocando seu ombro recebendo um olhar de agradecimento, sai de lá, observando o céu noturno que estava encoberto pelas estrelas, Varda estava os guardando aquela noite, faz uma reverência em respeito a ainu, sente uma brisa tocando levemente seu rosto, sorri com isso, ela era uma fera, mas tinha respeito pelos Aratar, não era uma mulher desgarrada. Continua a andar pelo local até ver Thorin sentado sozinho olhando seus parentes sendo tratados pelas feiticeiras, mas percebia seu olhar perdido, ele havia causado a queda de Anya, sua feiticeira mais amada, sentia ódio dele, mas não podia culpar apenas a ele, Anya havia o amado, nunca havia visto uma feiticeira tão feliz, ela foi tão culpada quanto ele, não a protegeu quando podia ter feito.
— Você não poderia ter a salvado. – Escuta a voz da feiticeira dourada, levanta o olhar vendo a figurada da mulher com olhos amarelos com fendas que lembravam a felinos. – Luria, ou a Fera Dourada. – Se apresenta sorrindo deixando os dentes pontiagudos a mostra, nem mesmo aquilo retirava sua beleza.
— Nunca deveria ter entrada na vida de Anya. – Desvia o olhar daquela criatura, já não podia encará-las quando nutria tanta repulsa, mesmo quando graças a elas estavam vivos.
— Seu orgulho trouxe Cordélia para o seu corpo, esses sentimentos que você macula dentro do seu coração trazem as trevas para você. – Olhava no fundo dos olhos de Thorin. – Você cairia junto com seus sobrinhos, mas não poderemos garantir a sua linhagem por muito tempo, então cuidado com o que continua a macular não é sempre que um exército de elfos virá para socorrer-te e que seus parentes lutaram enquanto você se acovarda dentro da montanha. – Diz rispidamente, lia os mais profundos sentimentos de Thorin, sai de perto dele.
O anão sente o impacto das palavras dela cerrando os punhos, seus olhos recaem em Bilbo que estava com Gandalf, via que os dois conversavam seriamente sobre algo, sai de onde estava se aproximando dos dois que o olham, o mago dá fraco sorriso. – Como se sente Thorin? Creontes disse que você estaria melhor depois do antídoto que lhe deu. – Parecia preocupado agora ao pronunciar aquelas palavras.
— Sua filha já fez o que deveria fazer Gandalf. – Força um sorriso, ainda não tinha lhe caído a ficha que o mago cinzento tinha uma filha feiticeira, sua cabeça doía com tudo aquilo, mas limpa a garganta. – Como está o elfo? – Não diria o nome de Thranduil, seu orgulho não lhe permitiria.
— Elbereth usou uma técnica arriscada, porém conseguiu retirar todo o veneno de seu sangue, ele sobreviveu e está se recuperando. – Suspira. – Thranduil lutou até o último orc cair com o veneno no corpo, por seu povo e pelos seus Thorin. – Olha fixamente para o rei anão.
— Não pedi para que fizesse isso e não deverei favor algum para os elfos. – Fala de forma grosseira.
— O colar de Lagaslen eu o quero como minha percentagem por essa missão. – Bilbo diz der repente, sua voz era séria e aquilo chama atenção do mago e do anão.
— Como? – Thorin arqueia a sobrancelha olhando para o hobbit.
— Eu quero o colar de Lagaslen como pagamento pelos meus serviços nessa companhia, foi o que nós combinamos Thorin, está tudo no contrato, esse é o preço o colar de Lagaslen. – Mantém os olhos firmes.
Thorin cerra os punhos firmemente. – Pedirei para que Kili e Fili busquem aquelas gemas brancas inúteis para você senhor bolseiro. – Sua voz era gélida, sabia muito bem o motivo daquele pedido, mas o contrato que ele tinha assinado com o hobbit era claro e não podia voltar atrás daquilo.
— Lembre-se vocês recuperaram Érebor, mas vão ter que conviver com as feiticeiras, aqui também é o lar delas. – Gandalf fala, e aquilo por mais que fosse terrível para o anão ele sabia que não tinha como argumentar, era a verdade, mas prefere não dizer nada olhando as mulheres conversando com os homens, elfos e anões.
Na tenda Elbereth recolocava a magia no rosto de Thranduil, sabia que ele não desejaria ver sua imagem daquela forma, estava aliviada de ver que a febre já tinha deixado seu corpo, se aproxima da bacia de prata olhando seu rosto manchado pelo sangue, pega o pano limpando-o estava pálida, sentia que o veneno exercia poder em seu corpo, e ficaria alguns dias ali as trevas estavam se movendo em seu sangue adoecendo o seu sangue, seu processo de cura tinha começado para matar o que corria por seu vasos, deixa o pano com seu sangue de lado, pegando um pano limpo e a água caminhando até a cama do marido sentando ao seu lado.
Molha o tecido branco levando sobre seu peito nu limpando o sangue que havia restado manchando sua pele perfeita, os hematomas já quase haviam sumido, assim como o corte feito com a espada, sua magia estava o envolvendo, não arriscaria deixar que a magia dele de manifestasse, não queria o esgotar, mesmo sabendo que o poder de cura de alguém como ele poderia ser tão forte quanto o dela, passa o pano de forma suave pela pele clara do elfo, que aos poucos acordava atordoado sem conseguir entender o que estava acontecendo, sentia o toque em seu corpo, em um ato ríspido segura a mão de quem o tocava vendo a esposa o encarando.
Olha confuso, estava sonhando com Chalen, mas aquela não era a elfa sindar, não, aquela era sua nova esposa. – Elbereth? – Fala confuso, sem afrouxar sua mão segurando o pulso dela que soltava o pano.
— Me reconheceu finalmente. – Tinha amargura na voz. – Como se sente? – Pergunta não queria fazer uma cena, não nas circunstâncias que estavam.
— Não sinto dor alguma, só um pouco confuso. – Olha sério procurando os olhos dela que sempre se desviavam dele, mas Thranduil leva a mão no queixo dela segurando a fazendo olha-lo. – O que aconteceu enquanto estive desacordado? – Havia estado todo aquele tempo com Chalen, tudo tinha sido tão real para ele, por algumas horas acreditou que tivesse morrido e se juntado a ela em Mandos.
— Você alucinou por algumas horas mesmo quando o veneno não estava mais em seu corpo, é um efeito das trevas que o consumiu, estava febril, depois que o teve drenado do sangue você acordou e a chamou... Chamou por Chalen. – Sussurra o nome dela que ecoa no ouvido dele.
— Elbereth eu...
— Esteve com ela, eu sei, você chamou por ela por horas Thranduil, até que finalmente se acalmou, a febre foi embora, ela foi embora. – Olhava no fundo dos olhos do marido.
O silêncio era abrasador naquele momento, porém sentem a presença de Galion, os dois se afastam, Elbereth pede licença dizendo que iria para sua tenda tomar um banho e tirar a armadura, o guarda assente a vendo sair, Thranduil só a olha se retirar de forma silenciosa, via que a rainha estava abatida, tinha uma aparência pálida, Elbereth não lhe parecia normal, olha para Galion enquanto se sentava na cama levando a mão no abdômen onde havia sido atingido, já não sentia mais dor, porém era um movimento involuntário.
— Como se sente majestade? – Pergunta o elfo de cabelos castanhos.
— Sem dor. – Responde em um tom sério, porém não tinha frieza na voz, olha para o oficial a sua frente. – O que aconteceu com a rainha? Elbereth foi ferida durante a batalha? – Seu corpo assume uma postura rígida em pensar naquela hipótese.
Galion respira fundo. – O senhor não tem lembrança de absolutamente nada? – Questiona.
— A única coisa que me lembro é de ver Chalen... – Encara o elfo diante de si.
Respirando fundo Galion caminha até o jarro de dorwinion enchendo um cálice levando até o rei entregando-o que pega bebendo um gole que lhe parecia mais saboroso do que se lembrava. – O senhor chamou o nome da antiga rainha muitas vezes senhor, pensamos que mesmo depois do veneno drenado não teria mais salvação, sua febre ficava alta e o ferimento do seu rosto começava a ficar no vivo como se tivesse sido provocado a pouco. – Aquilo faz com que Thranduil endureça o olhar.
— Elbereth ela...
— Cuidou do senhor o tempo todo, não saiu do seu lado em nenhum minuto... Ficou a noite toda fazendo feitiços curativos. – Galion sabia que aquilo feria a vaidade de seu rei.
— Deve ter sentido nojo do que viu. – Ri amargurado bebendo seu vinho.
— Pelo contrário. – Olha para o elfo sindar. – Para a rainha parecia estar diante de sua aparência normal majestade, não deixou de beija-lo ou acariciar sua face um único momento... Luria que não saiu do lado dela diversos momentos virava o rosto para a cena, mas Elbereth parecia não se importar.
— Como o veneno foi retirado? – Pergunta por fim, atordoado depois do que o oficial tinha lhe dito.
O silêncio se instaura na tenda, até que Galion respira fundo falando. – Elbereth drenou o veneno com a boca Thranduil. – Fala suspirando. – Ela consumiu todo o veneno, o organismo dela absorveu tudo o que estava em seu sangue.
Em um impulso Thranduil se põe em pé olhando o oficial. – O que disse? – Encara quase que agressivamente o elfo a sua frente. – Elbereth consumiu o veneno? Como puderam permitir que a rainha fizesse isso? Como! – Explode, jogando a taça com o vinho, levando a mão no cabelo sentindo uma pequena pontada no corte, mas ignora aquela dor frívola.
— Não pudemos impedir a outra feiticeira, Luria, nos disse que era a única forma de salvar a sua vida Thranduil. – Agora falava com o rei como um amigo não como um servo.
— Impedisse de alguma forma! Tem ideia do risco que Elbereth correu? Tem ideia de que ela ainda pode morrer? – Seu olhar tinha um brilho intenso de fúria para Galion, que compreende aquela agitação do amigo, ele temia perder novamente.
— A rainha tem efeitos adversos ao veneno, fomos informados se ela tivesse que falecer teria o feito assim que terminasse de drenar o conteúdo. – Aquilo faz com que o rei arfe.
— Ela fez sem a certeza do que poderia lhe acontecer? – Questiona sentindo a raiva aumentar, fecha os olhos com força para em seguida abrir novamente.
— Thranduil, a rainha não saiu do seu lado e não permitiu que ninguém se aproximasse, nem mesmo Legolas, ela o fez ir para a ala de cura e ficou zelando por você como um dragão protegendo seu tesouro, sei que ela não irá falar. – O encara. – Luria teve que ficar para a olhar, Elbereth teve reações durante a madrugada, perdeu muito sangue pela boca, ouvidos e nariz. – Se afasta do rei indo até um dos panos usados por Luria para limpar a hemorragia da rainha entregando para o rei que segura sentindo o aroma do sangue da esposa.
— Como ela está agora? – Sua voz era fraca.
— Luria diz que ela precisará de alguns dias para se recuperar completamente, já o senhor majestade está completamente curado, talvez apenas o corte o incomode um pouco. – Olha fixamente para o rei.
Thranduil joga o pano no chão pegando uma túnica vestindo, calçando suas botas, saindo de lá não se importando de sair como estava passava por seus soldados que olhavam aliviados por verem o rei bem, a única coisa que sabiam era que ele tinha sido ferido em batalha e que a rainha estava cuidando de seu ferimento, mas não sabiam a gravidade de sua lesão, mas vê-lo em pé caminhando entre eles fazia com que os elfos ficassem aliviados.
O elfo sindar vê a tenda da esposa que era guardada por magia, faz o teste para ver se era permitida sua passagem e percebe que sim, entra no local vendo o ambiente pouco iluminado, seus olhos pousam na esposa que estava dentro de uma banheira que ela deveria ter usado sua magia de alguma forma para usa-la, diante dela tinha um imenso espelho, caminha em direção a ela vendo que Elbereth estava mais pálida que o normal, o cheiro de rosas emanava pelo ambiente seus cabelo estavam molhados, não havia vestígio algum de cobertura em seu rosto como ela sempre fazia, estava natural, para atrás dela se abaixando olhando seu reflexo vendo a imagem dela como era realmente, radiante e de uma beleza superior e ele com seu rosto deformado, vai sair de trás não suportava se encarar.
— Não, gosto da sua imagem. – Escuta a voz dela.
Com o maxilar travado se mantém ali atrás dela deixando o seu rosto ao lado dela no espelho vendo-a abrir os olhos que tinha uma coloração diferente no espelho que mesclava o verde e o vermelho com um brilho forte, vê ela tirar a mão da água levando até sua face. – Não tenha vergonha de me mostrar quem realmente é, sua imagem me é bela de qualquer maneira, seja ela com a marca do dragão ou sem ela. – Sua voz era tranquila.
— Por que fez isso? Você não sabia os riscos, nunca deveria ter feito o que fez Elbereth, poderia ter morrido. – Olha fixamente para aqueles olhos avermelhados, não a temia, sabia que deveria, mas não o fazia.
— Eu lhe disse que não permitiria que caísse, eu disse que você era meu e nada iria te tirar de mim Thranduil, e quando eu digo nada me refiro as negras, a morte e qualquer outra coisa. – Não negava sua possessão em relação ao elfo, a alma dele lhe pertencia e a dela a ele.
— Não pensou em mim? – Pergunta levando a mão no queixo dela a fazendo virar a cabeça e olhar para ele. – Você não é a única que sente tudo isso Elbereth? Eu também seria destroçado se algo lhe acontecesse, nunca mais ouse fazer isso, não se coloque mais em risco por mim. – Pede olhando fixamente para ela.
Mentem o olhar nele. – Você sabe que eu não vou parar.
Coloca sua testa contra a dela, ficando em silencia por alguns minutos sendo possível ouvir a respiração de ambos, toca seu cabelo molhado sentindo seu cheiro, não havia como compara-la com Chalen, volta a olha-la pelo espelho, a elfa sindar tinha uma aparência delicada, embora fosse uma boa guerreira, enquanto tudo na feiticeira gritava selvageria, ela tinha uma beleza fora do comum, era perigosa, sua elegância impunha o que desejava do outro, mas dentro daquela banheira a via fragilizada por algum momento, enfraquecida por ter o salvo, seu reflexo por outro lado ainda tinha o mesmo ar poderoso e selvagem.
O silêncio era predominante Thranduil tocava o ombro da esposa sentia sua pele a via fechar os olhos, sentindo a mão dela ser levada em seu cabelo deita sua cabeça para trás encostando o topo em seu peito abrindo os olhos, fixando o olhar nos dele. – Me beije. – Pede em um sussurro, com os dedos toca a boca dela se curvando beijando-a deixando seus cabelos caírem como um véu ao lado do rosto de ambos, envolve as duas mãos na nuca dele deixando o beijo mais intenso, o reflexo de ambos mostrava claramente a união das faë que se fortaleciam com o contato.
Quando se afastam o rei estava um pouco atordoado se afastando da banheira a vendo sair da banheira caminhando nua a sua frente em direção a cama onde havia deixado sua roupa, se levanta a olhando se vestir e depois se sentar escovando o cabelo. – Como se sente Thranduil? Não lhe dói nada? – Pergunta calma.
— Não sinto dor alguma Elbereth. – Diz com uma expressão séria. – Não deveria ter feito o que fez! Tem ideia do risco correu? O risco que corre? – Mantinha-se diante dela em pé.
— Não iria te deixar morrer! Eu disse que faria de tudo Thranduil, você não vai me deixar, eu não vou permitir isso. – O olha com certa fúria no olhar, sua calma havia ido embora deixando a escova na cama se levantando ficando de frente a ele.
— Já se perguntou se fosse ao contrário? – Questiona voltando a segurar o queixo dela. – Não estou disposto a te perder também e você se coloca em risco por minha causa? Isso é imperdoável! – Exclama.
Só olha para ele levando sua mão de forma brusca em seu cabelo o puxando para um beijo, não era algo delicado como o anterior, não tinha a pretensão de ser, retribui o beijo dela com a mesma agressividade deixando seus dedos entrarem nos fios de seu cabelo, puxando levemente, chupa o lábio inferior da feiticeira puxando com os dentes escutando o gemido dela, que se afasta dele com os olhos fechados ofegando, sem soltar o cabelo do elfo volta a encara-lo, toca sua boca avermelhada.
— Injusto é você querer estar comigo quando sua mente está em outra mulher. – Se afasta do marido. – Chalen paira sobre sua mente a todo momento e não estou disposta a dividir nada com ninguém, muito menos com uma elfa morta. – Sua voz é ríspida, solta o cabelo dele levando a mão na cintura.
— Ela é mãe de Legolas e quem amo. – Olhava para a feiticeira com frieza, Elbereth arruma a postura diante suas palavras soltando um rosnado agressivo.
— São palavras de meu conhecimento, mas que você não precisa repetir a todo momento Thranduil... Sua intocável “esposa” irá amargurar minha vida nesse matrimônio pela eternidade, quão injusta é a vida não acha? Você vive por um fantasma e enquanto eu sigo em frente, nenhum de nós dois vai seguir adiante dessa forma, nenhum de nós conseguira levar isso adiante, seremos sempre um passado caminhando por essa superfície dominada pelas trevas, por que essa batalha apenas foi o início de algo maior. – Fixa os olhos nele.
— O que você realmente deseja Elbereth seja clara! – Se aproxima dela.
— Que você seja meu inteiramente. – Responde rispidamente. – Não me importa quem ama ou deixa de amar, aprenda a esquecer, eu estou ao seu lado, agora somos um, não desejo que haja um fantasma entre nós. – Elbereth nunca foi ciumenta com o humano com quem foi casado, porém Thranduil era diferente a alma dele lhe pertencia, não imaginou que odiaria a lembrança de uma elfa morta, mas ela era capaz de aniquilar até a última memória e lembrança de Chalen se fosse necessário.
— Sou grato pelo que fez, mas não exija sentimentos que não vão existir, estamos unidos por um acordo entre nossos pais. – Seu olhar era ríspido para ela. – Pode salvar quanto elfos forem, continua sendo uma feiticeira e isso não muda o que sinto em relação a sua espécie e a você, não tente ser Chalen nunca será ela, ou chegará aos seus pés. – Sua voz era fria, Elbereth se afasta dele olhando fixamente para ele, sentindo as palavras dele como baque contra ela, seus olhos se tornam um verde mais escuros e intensos.
— Um dia Thranduil você vai se arrepender dessas palavras e eu voou estar lá para te ver engolir o gosto amargo de cada uma delas e acredite eu não vou perdoa-las. – Dizendo essas palavras Elbereth dá as costas para o rei saindo da tenda deixando-o sozinho.
O rei fecha os olhos, sabia que não deveria ter a atacado daquela forma não quando tinha salvado sua vida colocando a própria em risco, deveria controlar mais sua raiva, mas havia uma parte dele que se recusava a deixar Chalen, que se recusava a deixar todo aquele luto ir embora e quando viu a rainha sair, percebeu que aquela relutância seria o início de uma guerra particular entre os dois. Sai de lá indo para sua tenda passa pelos guardas indo se arrumar adequadamente para ver os soldados já não podia ficar amargurando pensamentos desnecessários, não ali, quando retornassem para o reino conversariam melhor.
Elbereth caminhava entre as feiticeiras que ajudavam, ela olhava os anões, mas era um olhar rápido ela tinha um caminho já em mente o trilhava em direção a um pequenino que estava com Gandalf e Thorin, conforme se aproximava o rei anão assumia uma expressão fria, não gostava da presença daquela mulher, dentre todas que estavam ali a que menos lhe era digerível sempre havia sido a rainha élfica, o mago por outro lado da um sorriso calmo.
— Como se sente Elbereth? – Pergunta calmo.
— Pronta para mais uma guerra talvez. – Sorri de canto, fazendo o mago rir.
— Como ficaram as coisas a partir de agora? – Olha com uma expressão suave.
— Luria, Creontes, Antilone e Anália reconstruíram a cidade do lago para que seja um antro para feiticeiras aliadas, elas comandaram o local. – Sua voz era calma. – Dale contará com a nossa ajuda para ser reerguida também, e, Érebor será um local de divisão entre as espécies já que existem muitas de nossas pedras de poder protegidas naqueles salões e foi o acordo realizado para que pudessem residir na montanha. – Olha especificamente para Thorin.
— Desde que suas feiticeiras não tentem nada. – Diz em um tom agressivo.
Prefere ignorar o comentário do anão. – Quanto ao anel do poder. – Deixa seus olhos recaírem em Bilbo que encolhe os ombros e Gandalf suspira o olhado também. – É melhor que continue com o hobbit.
— De fato, de fato. – Concorda. – Bilbo saberá guardar o anel, e oferecerá um risco menor do que nas mãos de qualquer outro ser possível de corrupção.
— Mithrandir, venha comigo. – Pede.
O mago assente pedindo licença saindo de lá caminhando com ela que cria um feitiço protetor quando chegam a um lugar afastado. – O que aconteceu Elbereth? Pensei que estaria mais feliz por ter conseguido a vitória sobre a negra.
— Nós dois sabemos que não foi uma vitória de fato, isso foi apenas uma derrubada de peão, a guerra apenas começou, mas não é sobre isso que quero falar. – O encara.
— Então sobre o que seria? – Olha fixamente nos olhos dela.
— Tenha cuidado com Saruman. – Toca o braço dele.
— Por que deveria ter cuidado com o mago branco Elbereth? Ele é o líder do Conselho Branco. – Estava confuso de fato.
— Você é sábio Mithrandir, irá compreender o que digo, apenas cuidado com o que fala perto dele. – Retira a proteção saindo de perto do mago que olhava fixamente para o horizonte.
Bard não deixava seu olhar sair da feiticeira vermelha, por alguma razão tudo dentro de si gritava para que fosse até ela, olha seus filhos com uma feiticeira azul que tinha se apresentado como Ellys, deixando então que seus passos o guiassem até a bela mulher, seus olhos escuros estavam vidrados nela, desde que a viu quando chegou em Dale sentiu algo estranho, porém não sabia dizer o que ao certo, conforme se aproximava a vê se virar com um largo sorriso nos lábios, parecia saber o que se passava com ele quando ele mesmo não sabia o que acontecia, por alguns momentos se amaldiçoava por não pensar na mãe de seus filhos, mas ele já tinha falecido e não gostaria que ele se remoesse a vida toda.
— Bard, o rei de Dale e o matador de Smaug. – Fala tranquila e aproximando dele.
— Não sou rei e muito menos matei o dragão como pudemos ver. – Tinha um toque de humor em suas palavras, se esforçava para lembrar que a mulher diante de si era casada com um rei élfico.
— Será o rei desse lugar que prosperará mais do que muitos reinos da Terra Média. – O olha calma. – Sim você o matou, porém, a magia negra de Cordélia fez com que ele retornasse, seu mérito não foi retirado Bard.
A olha fixamente seu coração doía e acelerava de uma forma terrível, leva a mão no peito cerrando o punho sem deixar de olha-la, parecia que ia morrer não entendia porque olha-la era tão doloroso, não sabia o que tinha de tão diferente, a vê erguer a mão tocando seu rosto o toque dela faz com que a dor aumente era como se algo quisesse se libertar, quisesse gritar algo, a dor era avassaladora. – O que é isso? O que está fazendo? – Pergunta ofegante.
— Não sou eu é você. – Não havia mais dúvidas para ela, era ele. – Russell. – Quando ela sussurra aquele nome é como se um sopro suave de brisa o atingisse e as batidas normalizassem e as compressões do peito começassem a sumir, Bard leva a mão na própria bochecha limpando a lágrima que caia.
— O que está acontecendo? – Estava confuso, a dor tinha dado lugar para a agonia, tristeza, estava se sentindo vazio, era cruel olha-la e não poder a tocar.
Elbereth encarava o humano diante de si, ele carregava um pedaço da alma do falecido marido, a parte que a amava, quando Russell foi morto sua alma imortal se despedaçou o amor por Barael desvaneceu com ele e o que ele sentia por ela estava ali, em alguém que era sua cópia em aparência e que continha fragmentos vivos e fortes do que ele sentia. – Apenas tenha em mente que nós já no conhecemos. – Sorri para ele.
O rei élfico olhava a cena com dureza no olhar, Luria se aproxima do elfo olhando-o. – Não acha interessante que Elbereth esteja diante a alma de seu marido e não considere abandona-lo para viver o amor que tanto desejou com Russell? – Fala o olhando.
— O que você quer Luria? – Olha friamente.
— Você quis deixar esse mundo e ir para Mandos para viver com Chalen novamente, abandonando o juramento a Eru que não foi realizado no seu primeiro casamento, mas proferido no segundo, seu ciúmes hipócrita me enjoa. – Tinha certo desprezo na voz, saindo de perto dele.
Thranduil apenas fica olhando os dois, vendo a esposa se afastar de Bard indo em direção as feiticeiras.
Em Mordor as feiticeiras que participaram da batalha se recuperavam da queimadura provocada por Smaug, as três brancas olhavam as Aurélia e Elessa que tinham fúria no olhar diante a humilhação que foram submetidas, nunca haviam perdido antes, Cordélia por sua vez mantinha-se dentro de uma piscina de sangue apenas com a cabeça de fora, seus cabelos estavam presos, mantinha os olhos fechados pensativa, mas mantinha o olhar sereno, naqueles últimos dias tinha pensado mais do que desejava em um certo elfo que vivia em Valfenda, sua boca salivava com a lembrança do cheiro de Elrond, talvez fosse hora de se alimentar.
Leva o dedo na boca lambendo o sangue saboreando, apenas os mais puros sangues para adquirir sabedoria, mantinha sempre sua banheira cheira, até que sente uma presença inesperada sorri de canto liberando a entrada, suas irmãs a olham surpresa, Cordélia abre os olhos vendo o mago branco diante delas, se apoia no chão com as mão escorrendo sangue, Saruman olha a cena a vendo sair com o corpo banhado de carmesim, o sangue cobria quase todo seu corpo, a feiticeira negra caminha até o mago ficando diante dele olhando-o com um brilho nos olhos.
— Estava te esperando há muito tempo Saruman, o branco. – Lambe seu próprio antebraço que pingava, mas logo volta a olha-lo. – Perdoe minha falta de decoro, não esperava alguém como você. – Olha para as irmãs fazendo sinal para que saíssem, assentem se retirando.
Saruman olha com certa indiferença para as outras, porém seu olhar para Cordélia era outro, pega sua mão mesmo suja levando aos lábios beijando-a. – É um imenso prazer conhecer a senhora negra. – Era respeitoso em seu cumprimento.
— Você anseia tanto por esse anel que me enjoa Saruman. – Sorri olhando a mente dele. – Quer ser mais forte do que Sauron. – Toca o rosto dele fazendo uma marca com sangue em seu rosto.
— Minha mente para você não é um segredo. – Olhava fixamente nos olhos dela.
— Mithrandir ainda existe Saruman, enquanto ele existir não há chances para você, ele é o sábio e eu o aprecio por isso, sempre apreciei. – É sincera em suas palavras.
— Posso ludibria-los, eles confiam em mim, Gandalf não ira desconfiar de mim por mais sábio que seja eu ainda tenho autoridade. – A inveja o corroía, Gandalf sempre saia a sua frente.
— Continue a frente do conselho branco, seus serviços para Sauron serão uteis, você será de bom uso, futuramente tente corromper Mithrandir o quero ao nosso lado. – Retira a mão do rosto dele, já tinha toda informação sobre o poder do mago.
— Não se preocupe farei quando for o tempo certo minha senhora. – Tinha certo desprezo na voz.
Sorri de canto. – Não gosto do seu tom Saruman, mas aprecio sua ousadia em enganar o Conselho Branco. – Retorna a banheira de sangue. – Quando sair tenha cuidado para não ser visto, as florestas já não são nossas aliadas.
Após dizer tais palavras e ver o mago branco sair Cordélia se afunda no sangue sentindo sua mente ser invadida de forma violenta e as imagens de Elbereth prosperam em sua mente ela podia ver claramente ela e a neta frente a frente em alma, sua imagem no auge do poder, seus olhos negros e a Rogark brilhava intensamente em sua pela, a feiticeira vermelha era a sua imagem e semelhança em poder, se aproxima da neta tocando seu rosto sentindo sua energia, a Arken, Elbereth faz o mesmo, as duas se conectam em poder.
— Gêmeas de alma e poder. – Dizem juntas, sentindo a explosão de poder.
Cordélia sai da piscina de sangue abrindo os olhos encarando o lugar vazio vendo a Rogark brilhando em suas mãos. – Não é minha inimiga natural Elbereth... Nascemos para governar juntas. – Sussurra, caminha deixando poças no chão até chegar a varanda limpando o céu de Aurélia olhando depois de muitos séculos as estrelas, esse sempre foi o desejo de Varda, por isso a abençoou com o seu nome, sente o vento se intensificar tocando seu corpo coberto pelo sangue puro de inocentes.
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