Pelos Séculos
14 For Whom The Bell Tolls
Notas iniciais
“Lutando, pois eles estão certos, sim? Quem saberia dizer
Homens matariam por uma colina, porquê? Não saberiam dizer
Feridas profundas testam seus orgulhos
5 homens, a fúria incessante os mantém vivos
Sucumbindo à loucura pela dor que tão bem conhecem
Por quem os sinos tocam
O tempo não para
Olhe os céus antes de morrer
É a última vez que o fará
Um rugido ensurdecedor, terrível, faz com que o céu despenque
O propósito destruído inunda a alma com um grito desumano
Seus olhos estranhos desconhecem tal mistério
O silêncio o ensurdece
O dia chega, tudo se foi exceto a vontade de existir
Agora percebem o que restou, apenas olhos incapazes de ver.”
Quarenta anos antes
As folhas balançavam com o vento que parecia se intensificar ainda mais com o cair da noite, seus olhos eram ligeiros ao apreciar o que rondava aquelas florestas que os cercavam por todas as partes, não havia por onde fugir, o silêncio parecia ainda pior quando estava sozinha caminhando entre as pedras perto do riacho, não queria ficar ouvindo os gemidos do marido com o amante, tentava limpar sua mente, via sua imagem refletida na água cristalina, o couro negro por cima das vestes masculinas ajustadas ao seu corpo não refletiam o que ela era realmente, enojava aquela imagem tão humanizada de si, se abaixa tocando seu reflexo inundando poder dentro daquelas águas.
Um brilho intenso vermelho toma conta do riacho, Elbereth sorri, um brilho cruel aparece em seus olhos, um desejo tão intenso de sangue, queria sentir o gosto do sangue novamente, há anos não tinha em seus lábios o mais puro gosto do espesso liquido que corria pelas veias embaixo da pele dos seres que caminhavam por aquele lugar. O poder dela se intensifica e seus olhos tinham um brilho avermelhado, podia ver além do que tinha a sua frente, sentia a presença de uma feiticeira que estava há uma certa distância deles, sabia que faziam alguns dias que aquela mulher estava atrás deles, com um sussurrar levado pelo vento chama pela criatura que estava a alguns quilômetros dali.
Quando sente o arfar do vento sussurrando seu nome, a intensidade do dourado brilhando em seus olhos fazia com que qualquer criatura desviasse de sua presença, seus passos eram rápidos, não precisava de nada para se mover em uma velocidade diferente de humanos e elfos, os cabelos loiros que caiam por seu corpo coberto pelas vestes negras ricamente bordada com esmeraldas se arrastavam pelo chão da floresta seu pé tocava o solo sagrado, a terra úmida era uma fortaleza para a feiticeira que em um vislumbre de tempo estava parada do diante ao riacho encarando a mulher que sussurrou seu nome, as orbes avermelhas com manchas esverdeadas agora encaravam o profundo e puro dourado, causador de uma tormenta pura quando em estado de fúria.
— Tíssaia. – A voz de Elbereth é forte. – Minha progenitora. – Tinha certo desprezo em suas palavras.
A feiticeira verde sentia a onda de poder que emanava da filha, aquele poder era algo que não se via no mundo feiticeiro há muito tempo, nenhuma feiticeira tinha nascido com dons tão perfeitos quanto aqueles, nenhuma exceto Cordélia. Tíssaia continua andando ignorando a água que não parecia ser um problema para ela, seu olhar fixo na filha queria desvendar o motivo de tanto poder em uma bastarda, suas irmãs verdes tinham procurado uma resposta, mas nunca encontraram, Elbereth era uma espécie única, a união de uma feiticeira com um humano que nasceu com magia pura, magia essa que poderia ser o mais puro caos.
Ao parar diante de sua cria Tíssaia sente o cheiro de sua sede, ela ansiava por sangue, era uma assassina nata, precisava do sangue, do gosto dele para alimentar-se, fecha os olhos inalando o aroma que vinha da filha, seu sangue não aceitava qualquer tipo de sangue: linhagens puras. Elbereth assim como sua mãe era uma colecionadora de sabedoria através da alimentação, assume uma postura severa, aquela não deveria ser sua filha, e, sim a filha dela, se afasta da feiticeira vermelha, uma linhagem pura do poder de Melkor e Cordélia, podia ver o poder do ainu em sua veia, eleva sua mão tocando seu rosto não havia ligação nenhuma entre elas, nada, absolutamente nada, o que tinham se rompeu quando o cordão umbilical se cortou e caiu no chão se tornando cinzas, ali a feiticeira a sua frente se tornou apenas sua filha por ter lhe dado a vida.
Era um presente dos ainur, algo maior dos aratar não para ela, mas para a negra, para alguém que espalhava o caos e a destruição, não via a alma de Elbereth, não via seus desejos profundos, não enxergava sua ganância, apenas via sua escuridão tão profunda e insana quanto de Cordélia, eram tão maravilhosamente iguais, perfeitas sincronias que nunca deveriam estar unidas, até mesmo Esther se curvaria perante elas e sua irmã verde teria seu lugar com um manto negro e aura verde, Luria seria invocada e a fera se apresentaria imponente e perigosa. Se afasta da filha o acordo com Oropher tinha salvado a Terra Média de um desastre muito maior do que imaginou, o preço poderia ser a vida do rei da Floresta das Trevas, mas era algo que deveria correr, elfos não valiam tanto, mas Thranduil tinha valor, para ela e suas irmãs ele tinha muito valor.
— O que quer aqui? – A voz de Elbereth era ríspida, sua aparência já não imponente, estava em seu estado normal se afastando Tíssaia.
— Aquele humano não pode viver mais Gilthoniel, existe um acordo que anseia para ser cumprido e um elfo que te espera. – A voz de Tíssaia era calma caminhando entorno da filha mantendo a postura.
— O rei Thranduil não sabe sobre o acordo, pelo menos é o que me disse. – Encara a mulher diante de si.
— De fato, ele não sabe, porém, uma hora o elfo começará a morrer. – Para a olhando fixamente.
— Elfos são criaturas imortais como nós, não morrem a não ser que sejam mortos ou desvaneçam. – Sua postura era séria.
— Thranduil, morrerá porque é assim que foi decidido, quanto mais recusar aceitar esse acordo e manter esse humano vivo mais próximo da morte aquele que verdadeiramente te pertence está... O elfo será ceifado para o vazio, sem direito a retorno, você terá algum tempo para decidir, apenas tenha cuidado para decidir. – Dizendo isso a feiticeira verde some do campo de visão da vermelha que volta a olhar o vazio.
Elbereth olha para a água escutando os passos vendo Russell e Barael, os olhos do marido pousam nela que para ele não tinham uma expressão comum se aproxima dela arrumando sua camisa, o elfo silvestre arqueia a sobrancelha Elbereth parecia perturbada com algo, antes que Russell pudesse se aproximar a feiticeira apenas levanta a mão fazendo-o ficar parado onde estava olhando-o com um olhar como se pedisse perdão por algo. – Eu lamento por isso. – Sua voz era carregada de dor.
— O que está fazendo Elbereth? – Barael pergunta olhando para ela.
— Ele vai morrer e não posso permitir que ele morra para manter a felicidade de vocês dois... Não posso perder ele, me perdoem. – Olha fixamente nos olhos caramelos do elfo e depois para os castanhos de Russell.
— Você disse que não aceitaria esse acordo! Disse que ficaria comigo, me deu a imortalidade para que para nunca cumprir com esse acordo infernal Elbereth! – Russell tinha desespero na voz a vendo se aproximar entendia o que ela faria, via o brilho intenso em seus olhos, a amava, não da forma que ela merecia, mas a amava de alguma forma, sente ela segurar seu rosto com as duas mãos, Barael vai se aproximar, mas o prende no chão também.
— Não entende? Por mais que meu coração sangre, por mais que isso me destrua, eu não vou permitir que o elfo morra! Ele não vai morrer, eu nunca vou permitir que ele morra. – Sua voz tinha um tom quase que desesperado, acariciando o rosto de Russell, queria tocar uma última vez a face dele, encarar por um último momento seus belos olhos castanhos.
— De quem estão falando? – Barael sentia o desespero tomar conta dele se sentia impotente diante a imagem de Russell imobilizado com um olhar suplicante para a esposa, ele era um soldado, nunca havia suplicado nada, nem em campos de batalha suplicou por sua vida, haviam lutado juntos há trezentos anos e jamais o viu daquele jeito, ela o mataria, uma lágrima escorre dos olhos do elfo.
— Rei Thranduil. – Dizendo isso, Elbereth se afasta quebrando a perna de Russell com sua magia o fazendo gritar de dor, ela sabia que tinham orcs perto. – Me perdoe Russell, me perdoe, mas não vou perder ele, não vou perder o elfo... – Olha para Barael soltando-o, o puxando de lá.
Os gritos de Russell podiam serem ouvidos, Barael tentava se soltar, mas ela não permitia, apenas o segurava o mantendo em segurança, ele não precisava morrer, quando o silêncio se faz o elfo de cabelos castanhos cai de joelhos no chão a dor que o atinge era dilacerante havia perdido a pessoa que mais amava, um grito ecoa pela floresta, Elbereth não se sentia digna de derramar uma única lágrima pela morte de Russell e muito menos de se aproximar do elfo que sofria, havia lavado aquele sofrimento, mas ela teve que fazer uma escolha, feiticeiras não eram mulheres boas, Russell era um bom soldado, mas não era um bom homem, estava quebrada com sua morte, mesmo que não tivesse esse direito.
Barael se levanta a olhando friamente dando-lhe um tapa com força no rosto. – Vagabunda. – O impacto do tapa a faz desequilibrar se apoiando em uma árvore leva a mão na boca olhando seus dedos vendo seu sangue escorrer por seus lábios. – Como se atreveu a mata-lo? Como! Depois de tudo o que ele fez por você? Ele aceitou você sendo essa aberração nojenta que é e você o mata? – Vai dar outro tapa nela, mas o para olhando com frieza.
— Vocês dois não teriam durado dois anos nessas terras, a única coisa que ele fez foi me violentar para mostrar a prova da pureza para Tíssaia. – Joga contra uma das árvores. – Sobreviva bem Barael.
— Você acha que Thranduil vai te receber bem? Ele odeia feiticeira, tem nojo... Desejo a você todo sofrimento do mundo, todo abuso que sofrer vai ser pouco. – Barael fala com fúria.
A feiticeira não responde, apenas sai de lá, sabia que o elfo não duraria, desvaneceria em breve, estava quebrado, agora restava a ela se restabelecer, precisava de abrigo, não desejava ver Tíssaia, não queria contato com ninguém da espécie, só queria limpar a mente, olha fixamente para a vasta floresta a sua frente, não era uma mulher cruel, apenas tinha feito uma escolha, e a levaria junto dela o resto de sua vida, seu marido tinha morrido em uma emboscada orc e assim seria até o fim, ou até que estivesse certa que poderia contar a verdade.
Tempos atuais
As estrelas encobriam todo o céu, Elbereth no jardim do palácio observava a imensidão negra que estava acima de sua cabeça, havia quase um mês da batalha em Érebor e as coisas não estavam nada boas entre ela e Thranduil, para piorar antigos carmas tinham voltado para atormenta-la, seus pensamentos estavam cada dia mais voltados em Russell, os acontecimentos daquela noite não saiam da sua mente, era como se nunca fosse capaz de esquecer que o entregou a morte para que o elfo que tinha ao seu lado não fosse levado ao vazio, olha para o jardim, há muito não pisava em Valfenda e ali ela se via novamente, o motivo de seus pensamentos errantes e sonhos repulsivos.
O lugar para onde se refugiara, o lugar que foi aceita de braços abertos por Elrond como uma viúva humana que perdeu o marido em uma emboscada orc, suas mentiras foram cruéis, mas sem uma única carga de arrependimento, o amor que nutria por Russell era algo diferente, uma amizade, o perdoou pelo que fez a ela, mas nunca esqueceu, um dia disse para Thranduil que ele nunca seria o que Russell foi e realmente nunca seria, tolo, fraco, que ela precisava alimentar uma imagem heroica para apagar o que tinha feito, jamais existiria um soldado tão corrupto ou um homem que amasse matar tanto quanto ele, o sangue lhe era divino, principalmente dos inocentes.
Ela lhe era convalescente? O trabalho sujo sempre foi dele, seu dever era apenas lhe manter vivo, a imortalidade foi lhe entregue apenas para fugir do que hoje lhe pertence o acordo em que entrelaçou sua alma com a do elfo sindar que estava em uma reunião do Conselho Branco, seus olhos assumem um brilho intenso, fugiu para não entregar seu poder e não conseguiu o deixar ir para o vazio, deixou que aquele quem tanto dizia amar, fosse pela amizade ou por motivos carnais morresse, provocou a dor de Barael que lhe traiu na primeira oportunidade quando se juntou a eles, o elfo silvestre que ousou maldizer seu rei diante dela, que queria usá-la como arma para mata-lo para que o príncipe Legolas assumisse o conselho pudesse ter mais voz e o rei menos.
Cerra os punhos, ele mereceu o sofrimento o fim, os dois mereceram, ela não precisava se atormentar, defendeu o que era seu, defendeu o seu futuro. Sente uma presença atrás de si deparando-se com a presença da bela elfa, deixa um sorriso aparecer em seus lábios, tão linda quanto Lúthien Tinúviel. – Arwen Undómiel. – Se aproxima da filha de Elrond que retribui o sorriso da feiticeira segurando suas mãos.
— Não sabe o quanto me alegro em ter você aqui novamente Elbereth, mas dessa vez em sua forma original. – Sua voz era suave.
A rainha leva a mão no rosto da elfa fazendo um leve carinho. – Sempre tão linda, assim como Celebrían e como sua avó Galadriel. – Beija sua face.
— Você me fez falta Elbereth, mesmo que tenhamos ficado pouco tempo juntas, gostava de sua companhia. – Arwen diz, porém sentia algo diferente na mulher que agora lhe dava o braço para que andassem, as trevas estavam nela, mas não a atingiam como costumavam fazer.
— Não se preocupe Arwen eu jamais lhe machucaria, ou faria algo para machucar qualquer um dos filhos de Elrond. – Elbereth se sentia à vontade na presença da elfa, era quem ela mais se atrevia a chamar de amiga.
— Sei que você nunca faria nada contra nós, meus irmãos não gostam de você pelo que aconteceu com nosso pai, mas... Quem somos nós para julgar? Ele ficou mais feliz no tempo em que esteve conosco e mesmo depois que foi, sei o que tudo implica, mas quero que saiba Elbereth que nada muda. – Segura a mão da loira.
— Obrigada Arwen. – Aperta levemente. – Quanto aos seus irmãos, já estou acostumada com o fato de não gostarem de mim. – Sorri calma.
— Nossa mãe foi para Valinor depois de uma emboscada orc, ela não conseguiu se recuperar, não quis mais ficar. – Respira fundo. – Um dia os dois vão se encontrar lá e irão conversar.
Elbereth olha de forma carinhosa para Arwen ela carregava tanta luz que a fazia ficar à vontade ao seu lado, continuam uma caminhada silenciosa, não eram necessárias palavras para que aproveitassem da companhia uma da outra sempre havia sido assim. A rainha apenas apreciava até que sente uma presença incomoda, Saruman, ele estava carregado de trevas, para olhando para a elfa. – Em que local está sendo realizada a reunião? – Pergunta séria.
— Na mesa de pedra sob a luz da lua... Por que Elbereth? – Pergunta.
— Preciso ir até lá. – É a única coisa que responde se afastando de Arwen.
A elfa olha a feiticeira se afastar, sabia que a mulher não podia entrar, mas deveria haver algum motivo para ela ter aquela atitude, vai atrás dela, Elbereth olha, porém não fala nada só deixa que Arwen a siga, seus passos eram apressados os olhares dos elfos para Elbereth não eram de desprezo sua aparência causava reações de desejo até mesmo ao mais casto da espécie, e ela estava ciente disso, Arwen já havia visto aquela reação antes quando Cordélia esteve em Valfenda, olha para feiticeira que seguia, a vermelha causava a mesma reação, o deslumbramento, o desejo, o querer aquilo que nunca poderia ter.
Galadriel ouvia as palavras de Saruman algo dentro dela sentia que havia algo errado, mas não conseguia ver o que era, o mago branco continuava. – Sauron não atacará por agora, tivemos uma batalha na qual sagramos vencedores e Lady Galadriel o baniu, ele está enfraquecido apenas o anel poderá dar poder a ele e sabemos que ele não tem o anel do poder...
— Não fomos vencedores da batalha. – Elbereth invade a reunião, todos a olham, Thranduil olha friamente para a esposa e Elrond se levanta ao ver Arwen atrás dela.
— O que fazem aqui? – Saruman tinha uma pontada de ódio no olhar. – Está uma reunião do Conselho Branco! Thranduil, Elrond, não conseguem controlar suas esposa e filha?
— Arwen, por favor se retire... – Elrond vai até a filha olhando fixamente em seus olhos.
“Elbereth pressentiu que tem algo errado com a reunião” seu olhar era calmo para o pai que se afasta da filha olhando para Elbereth.
— O que há de errado? – Pergunta voltando para seu lugar Thranduil olha para Elrond e Elbereth agradece mentalmente ao questionamento.
— Por Eru! Elrond ela é só uma feiticeira e esposa de Thranduil não faz parte do conselho! – Saruman fala.
— Elbereth fala. – Thranduil olha rispidamente para o mago branco.
— Mithrandir algo contra? – Galadriel pergunta sem tirar os olhos da feiticeira vermelha, sentia as trevas emanando dela, algo tão poderoso que a lembrava Cordélia e Melkor, mas não a afetava.
— Vá adiante Elbereth. – Gandalf incentiva.
— Vocês estão loucos! – Saruman, diz olhando Elbereth se aproximar dele.
— A batalha não foi vencida, Cordélia apenas soube a hora de se retirar ela não quis lutar de verdade caso contrário teria aparecido em Érebor, não teria mandado Elessa e Aurélia, guerras que ela pretende vencer ela luta. – Olha com firmeza para cada um dos membros da mesa, parando em Celeborn. – Não enviou nem mesmo as brancas por que essas ela quer usar como armas contra os elfos.
“Saruman é o traidor, você saberá lidar com essa informação e usa-la no momento certo, não hoje e não aqui” o senhor de Lothórien escuta o eco da voz da feiticeira em sua mente, mas mantem sua postura como se o sussurro não existisse.
— Quanto a Sauron, este não está fraco, ele está mais forte do que podem imaginar, não me admiraria se retornasse ao seu corpo. – Fala calma.
— Que absurdo! – Saruman exclama. – Nós vimos o que Lady Galadriel fez.
— Saruman tem razão, nós vimos o banimento. – Gandalf diz.
— Mas nada impede que um novo anel do poder seja forjado, duas vezes mais forte e com magia pura. – Olha fixamente nos olhos dos elfos presentes.
Elrond fica incomodado com aquilo, era uma possibilidade que não deveria ser descartada. – Feiticeiras forjam suas próprias joias de poder, que conseguem serem piores do que o anel carregado por Sauron...
— O meu anel e o de Cordélia poderiam causar a destruição da Terra Média e a abalar Valinor. – Mexe no círculo negro cravejados com pedaços da Arken.
Os olhos do mago brando recaem no artefato. – Por que criaram algo tão poderoso e desastroso? – Galadriel se levanta indo até ela olhando fixamente em seus olhos.
— Ele apenas acumula nossos poderes, não surtiria efeito algum. – Mantinha o olhar. – Ela quer sua cabeça Galadriel, comer da sua carne, saborear de seu gosto.
— Cordélia?
— Aurélia. – Sussurra. – Quer se alimentar de cada um de seus descendentes, Cordélia não se interesse pelo que tem a oferecer embora seja quem és.
— Você tem tanta treva quanto ela, eu posso sentir. – Galadriel toca o rosto de Elbereth, naquele momento Celeborn, Thranduil, Gandalf e Elrond se levantam.
A elfa parecia hipinotizada com o que estava a sua frente a visão que tinha não era a mesma dos demais, era a imagem real da feiticeira, era a imagem bela e exuberante de uma das criaturas mais esplendorosas que já pisara naquele solo, Galadriel já tinha visto algo tão sublime quanto Elbereth, eram idênticas, a mesma imagem, o mesmo poder, até mesmo ela ficava tentada em beber do cálice proibido daquele poder, o anel de Sauron não a deixava em tentação, mas os olhos avermelhados da criatura diante de si lhe faziam querer pecar e cair no mais profundo abismo das trevas, abismo esse que recusou milhares de vezes diante das três negras e causou a fúria de Aurélia.
O simples toque na pele quente de Elbereth era o suficiente para sentir o poder que emanava dela e a feiticeira não afastava a Galadriel, podia ver seus sentimentos o profundo desejo de se entregar ao profano desejo de se consumir naquele nefasto mundo escuro, de se curvar para alguém como ela, estava ficando abalada por sua presença mais do que qualquer outro, o efeito que tinha perante alguém tão iluminado quanto Galadriel era absurdo, ela via sua alma, via seus poderes, os olhos azuis tão puros da elfa lhe causavam tormenta, diferente de Arwen que lhe deixavam a vontade, era como se pudesse ver todos os seus pecados, toca a mão de elfa a afastando de si.
Galadriel ofegava levando a mão no peito, sua cabeça doía, seu peito estava acelerado tinha uma carga diferente de energia. – Sua mente é obscura, seu coração é tão negro quanto a sua alma, que tormentas guarda para que ele sangre de forma tão incessante? Que morte carrega na alma para que ela grite tão fortemente? – Olhava fixamente para Elbereth.
— Carrego muitas mortes na minha alma Galadriel. – Mantém a cabeça erguida olhando-a.
— Suas mãos escorrem sangue, como pode se aliar a nós quando carrega o fardo dos inocentes? – Tentar ir além da mente dela, porém Elbereth a repele.
— Inocentes não morrem por minhas mãos, apenas aqueles que carregam a obscuridade, peso minha espada e meus poderes em quem julgo merecer e não em quem tem a mente limpa. – Pousa o olhar em Saruman.
— O que te faz diferente de Cordélia? – Pergunta a elfa. – O que te diferencia dela?
Caminha em direção de Galadriel ficando a centímetros de distância. – Eu e Cordélia somos iguais, almas puras em magia, desejo por sangue, sede pela sabedoria, insaciedade pelo desejo... Porém eu gosto dos elfos e não quero ascender a Terra Média. – Olha fixamente para a elfa.
Thranduil se aproxima da esposa. – Já chega, não mais nada a ser dito Elbereth.
Olha para o marido. – Pelo contrário, existe algo mais. – Continua se afastando. – Devem ter cuidado em quem confiar, nem todos que se dizem amigos podem o ser, e aqueles que aparentam ser inimigos podem ser os melhores aliados nessa guerra que apenas está começando. – Olha friamente para eles saindo de lá.
O rei da Floresta das Trevas pede licença se retirando de lá indo atrás da esposa, enquanto Galadriel olhava para Celeborn “a feiticeira não é um perigo para nós, mas também não devemos confiar nela, há algo errado, sinto que existe um traidor e apenas um entre nós poderia almejar tanto poder”, escuta a voz da esposa, o elfo se aproxima dela beijando sua testa, era sua concordância com os pensamentos compartilhados e Galadriel sabia, ela sabia reconhecer quem eram seus inimigos, mas agora deveria saber o momento certo para agir.
Elbereth respira fundo entrando no quarto em que ela e Thranduil estavam hospedados o vê entrando atrás de si fechando a porta, de imediato ela coloca uma proteção no ressinto. – O que foi veio tripudiar, dizer que atrapalhei a reunião? – Leva a mão no cabelo retirando a coroa.
— O mago branco não é? – Olha fixamente para ela.
Para o que fazia o encarando. – Pensei que não estivesse prestando atenção no que eu dizia. – Coloca a coroa em seu lugar.
— Não confio em magos e menos ainda quando se trata de Saruman, a inveja dele por Mithrandir é nítida... Vi a forma que ele olhou para o seu anel quando falou do poder que ele tinha, uma bela forma de mostrar aos outros quem é o traidor, de a formula do poder ao ganancioso. – Se aproxima dela.
— O cheiro de minha avó está impregnado nele, ela pode estar nebulando o quanto for eu posso ver através da nébula. – Fala calma.
— Nunca vi Galadriel daquela forma, sua expressão era diferente quando a encarava, parecia atormentada.
Se vira não gostava daqueles momentos, ver o interior e os desejos mais íntimos dos outros não era algo que a agradava, muito menos de alguém como a senhora branca, ela era pura, nunca havia sido corrompida por nada e quase caiu diante de si, não sentia prazer com aquilo, não se alegrava, respeitava Galadriel, respeitava os elfos com quem conversava e convivia. – Digamos que eu desperte o pior das pessoas até mesmo de alguém como Galadriel.
— Mas não o faz comigo. – Olha para ela que se vira o encarando.
— Nós dois já mostramos o nosso pior um para o outro, não temos disfarces não temos desejos sombrios, somos criaturas que deixam seus desejos expostos.
Segura a mão dela tocando levemente, levando a sua boca beijando os seus dedos. – O que te atormenta? Você tem estado agitada essas últimas noites. – Mantinha o olhar fixo nos dela.
— Apenas tenha em mente que eu faço o que é necessário para manter o que é meu seguro. – Leva acaricia a boca dele.
O silêncio entre eles se instala, Thranduil só a trás para si a beijando não se importava com o que ela tinha feito ou não, suas mãos manchadas ou não de sangue não, já pouco lhe importavam Elbereth tinha entrado em sua mente e se perpetrado lá como ervas daninhas. A feiticeira corresponde o beijo se deixando conduzir para a cama, as imagens dela quebrando a perna de Russell retornam, mas não se importava, rasgava a túnica do rei a sua frente, unhando sua pele queria o prazer que ele o proporcionava, nenhuma lembrança seria o suficiente para ela, olha para o espelho que tinha ali vendo a imagem de Cordélia refletida por alguns segundos, elas eram iguais, criaturas cruéis.
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