Pelos Séculos
15 Dance Of Death
Notas iniciais
“Eu estava andando, apreciando o brilho do luar
E olhando as estrelas
Não tinha notado que havia uma presença tão perto de mim
Observando cada movimento meu
Fiquei com medo e caí de joelhos
E nisso, de trás das árvores, alguma coisa me atacou
E me levou a um lugar profano
E foi lá que eu caí em desgraça
E aí eles me chamaram para juntar-me a eles
À dança dos mortos
Para dentro daquele círculo de fogo eu os segui
E pro meio dele fui levado
Como se o tempo tivesse parado
Fiquei anestesiado de medo, mas ainda assim eu queria ir
E as chamas de fogo não me feriram”
Os olhos de Cordélia vagavam por toda cordilheira, pela primeira vez em tantos milênios de vida tinha um elfo nu ao seu lado, o vento tocava o corpo de ambos, a feiticeira acariciava o cabelo negro dele sem deixar de olhar para o horizonte que tinha a sua frente, sua feiticeira precisavam de uma festa, precisavam comemorar, saudações deveriam serem dadas aos aratar, uma noite em que todas as feiticeiras deveriam se unir fossem inimigas ou não um chamado das estrelas, da lua, da noite. Sorri com aquela imagem, a última noite que a grande fogueira queimou foi antes da queda de Sauron, guerra essa que ela não entrou, nunca ousaria apoia-lo, mas agora era diferente, não o deixaria dominar, quando tudo fosse feito eliminaria Sauron.
Volta a olhar o elfo diante dela, tocando seus lábios, tão bem desenhados, sua mente era incrivelmente bela, o aroma que emanava daquela criatura a tentava de tantas formas, porém sua garganta ainda ansiava por outro sabor. O beija, sugando o que ele tinha de melhor, sua poesia, seu conhecimento, era isso o que Cordélia fazia com seus parceiros, ela jamais escolhia suas presas por fome e sim por ânsia de conhecimento e poder e aquele elfo tinha algo que ela desejava, podia sugar até a última parte de sua faë, o deixar sem nada, como um “umbrae”, um vagante que viveria em prol dela apenas, mas não desejava aquilo ainda, se afasta do elfo segurando seu queixo o encarando, ele podia sentir o cansaço que se apoderava de seu corpo.
Sorri com isso eles eram bem mais fortes do que os humanos e isso a agradava, podia se alimentar de uma forma mais regrada sem o tornar uma criatura das trevas sem alma que a seguiria por onde fosse caso não o matasse, beija seu pescoço, quando ele toca sua cintura, a mente dela vaga para as lembranças que ainda guardava de Melkor, não era da natureza de uma feiticeira amar daquela forma, mas ela amava, ela nunca o esqueceu e acreditava que nunca esqueceria, poderia ter quantos amantes fossem, mas o ainu sempre estaria em sua mente, a dor de ter que escolher entre ele e sua filha ainda permanecia, mas Tíssaia falou mais alto, sempre falaria.
Se afasta do elfo colocando uma magia do sono sobre ele se levantando olhando para ele por uma última vez, pegando seu vestido caminhando nua pelo lugar já não desejava mais nada, seu foco deveria ser em providenciar a grande fogueira, a dança da magia, para quando estava diante ao lago olha seu reflexo, tendo a imagem de Elbereth e Thranduil, pequenos segundo que logo somem, estava perturbada, sua mente estava ligada com a da neta, sabia o motivo, mas de certa forma ter aquela fraqueza a perturbava, nunca teve um único ponto que a deixava frágil e naquele momento tinha a vermelha, alguém que compartilhava a mesma alma e mesmo poder.
Sentia que aos poucos tudo que havia construído se esvaia de suas mãos, nunca tinha sido ameaçada antes aceitava dividir o poder, mas não ser deposta dele, Elbereth não mais uma inimiga, apenas alguém que desejava ter ao seu lado, que precisava trazer para a sua escuridão e corrompe-la, nem que para isso tivesse que aceitar aos elfos, ela o faria, não sacrificaria a vida de alguém com um poder tão intenso por causa de uma espécie insignificante, suas mãos estavam manchadas demais com sangue mágico para que pudesse terminar de destruir sua alma, ela era o mal, era cruel, era perigosa e não aceitava perder, porém algo era capaz de atormentar a poderosa Cordélia, seus assassinatos da própria espécie.
Sua imagem parecia tão tola naquela água, nenhum vestígio da imagem do que um dia foi, mas não podia decair, em seus tempos de glória caminhava pela terra média irradiando poder sem se importar com nada ou ninguém sem nunca ter derramado nenhuma gota do sangue de suas irmãs, quando matou a primeira, seu coração se endureceu, a tormenta veio, a agonia pela primeira vez lhe atingiu, sentimentos frívolos que jamais deveriam estar em alguém como ela, a favorita dos ainur, coloca a capa sobre seu corpo nu, mas todo poder tinha uma consequência, apenas ela poderia matar outra feiticeira sem perder totalmente a alma, as demais que tentassem contra a própria espécie enlouqueceria de forma absurda.
Talvez ela já tivesse enlouquecido há muito tempo, apenas mantivesse a aparência de senil, aquilo a faz sorrir continuando seu caminho havia muito o que organizar, seus dias seriam interessantes organizando o dia de paz entre as feiticeiras, não haveriam lado, sem Sauron, sem elfos ou humanos e anões, apenas elas, as mulheres poderosas que eram e sempre foram. Algo que Cordélia orgulhava-se era delas serem o que salvavam as demais espécies nas guerras e nunca o contrário, uma única feiticeira seria capaz de destruir mais do que mentes pequenas poderiam imaginar, um exército delas era necessário quando alguém como ela, Elbereth, Luria, Esther e até mesmo Tíssaia que quando estava estado de tormenta causava as mais terríveis pragas.
Todos costumavam menosprezar os poderes da filha que tinha carregado em seu ventre, inclusive Tíssaia, mas ela via a briga dentro da feiticeira sua cria não era uma mulher má, em toda escuridão que ela carregava brilhava uma luz e aquilo fazia com que Cordélia mantivesse distância não sufocaria aquilo, Tíssaia não era o ponto escuro, não era o mal encarnado como ela ou Elbereth, a verde era uma tormenta que caso se permitisse liberaria um poder de luz jamais visto. Cordélia viu quando sua filha chorou dolorosamente a morte de Oropher, viu seu desespero pela perda do rei elfo... A dor da perda, ela também já sentiu aquela dor, mas não pode conforta-la, ela não podia ser mãe, mulheres com o destinos como o dela não podem se permitir aqueles momentos.
Feiticeira não procriam, eram raros os casos e a maioria escolhiam entregar suas filhas para os pais e suas companheiras criarem para não terem fraquezas e nunca mais verem suas crias, normalmente esqueciam sua existência até que morressem no leito de morte, a maioria costumava ir fazer a passagem das filhas para Mandos. Cordélia olhava para Mordor, suas lembranças traiam a sua mente Elessa e Aurélia sempre haviam lhe dito que o fato dela ter escolhido criar Tíssaia seria a sua queda, nunca estiveram tão erradas, a feiticeira negra não saia do local seus olhos estava focado em um lugar especifico entre as rochas, um campo protetor é colocado no ambiente.
— Saia Tíssaia. – Sua voz era ríspida.
— Caminhando por essas terras sem deixar rastro de sangue e nua embaixo dessa capa, isso me admira. – Tinha um brilho frio no olhar.
— Talvez os elfos sejam mais interessantes que eu tenha imaginado, posso adquirir mais sabedoria do que imaginei deles. – Tinha calma ao se pronunciar. – Mas o que faz aqui? Já se arrependeu de sua aliança com os elfos? Já se arrependeu de trocar de lado e quer se aliar a Sauron? – A ironia em sua voz era visível.
— Te conheço bem o suficiente para saber que essa aliança com Sauron é apenas uma mentira, está o manipulando prometeu o que para ele? – Pergunta olhando nos olhos da mãe.
— O que acha que desejo? – Retribui a pergunta.
— Você apenas precisa de alguém que imponha medo na Terra Média, alguém que una as espécies, você vai colocar Sauron no auge do poder e consumir tudo dele, você vai assumir o trono após devolver a ele tudo o que um dia lhe pertenceu. – Encara Cordélia.
— Tornar Sauron meu animal de estimação? – Leva o indicador no queixo. – Oh não, ele é uma criatura fascinante que vê-lo em ação realmente... Porém, não escondo que meu desejo é aniquilar espécies inferiores em prol da nossa era, nós ficamos no escuro por muito tempo, todos nos temiam, mas não nos viam, vagávamos como se não existíssemos, somos o lixo dessa terra quando possuímos o verdadeiro poder, é hora de mostrar que as feiticeiras carregam a magia ancestral pura, sem esconder, sem temer. – Olhava no fundo dos olhos da filha.
— Você nunca temeu nada e muito menos se escondeu, sempre espalhou o caos então não faça essa discurso estúpido Cordélia, suas mãos carregam sangue e almas que jamais serão limpas e perdoadas, está suja por fora e por dentro, impregnada com o cheiro da morte de nossas irmãs. – Tíssaia sussurra friamente.
— Sim, eu carrego a alma e o sangue de cada uma delas, esse é meu dever e sempre o cumprirei, cada uma de nós nasce com um dever e o seu é fazer com que os oráculos se cumpram. – Segura o rosto da filha olhando através de suas irises. – Você fez um se cumprir e perdeu aquele que amava, mas nunca te amou, apenas te venerou, venerou o que você o dava, o que fazia ele sentir, mas sempre amou aquela elfa que tinha sua alma... Lyfalia. – O nome da elfa ecoa na mente de Tíssaia.
— Oropher não precisava me amar, ele me deu tudo o que eu precisava. – Mentia de forma descarada, odiava o elfo por nunca ama-la como ela havia o amado, mas sua vulnerabilidade exposta diante da negra era a pior coisa que poderia acontecer, conhecia a mãe que tinha, Cordélia se apossava de cada pedaço de sua mente extraía cada gota de sua dor e usaria aquilo para acabar com ela.
— Oropher e Thranduil são parecidos em escolherem elfas erradas. – Solta o rosto da filha. – Lyfalia ainda agiu pela proteção do filho, Chalen manipulou a todos quando Lyfalia a colocou no caminho de Thranduil, minhas serpentes nunca se enganam quando veem uma alma corrompida pela inveja e ganância, mas o rei élfico teve que intervir. – Diz com um péssimo humor.
— Chalen... O que sabe sobre ela Cordélia, na verdade o que sabe sobre Thranduil? – Pergunta olhando de soslaio de olho para a mãe.
Sorri de canto observando a noite por alguns segundos. – Sempre soube que aquela profecia não era referente a mim, mas apreciei seu esforço e o de suas irmãs para manter aquele elfo longe de mim, Thranduil não é um elfo de se jogar fora realmente, seria alguém que se introduzido corretamente nas trevas poderia se tornar um senhor negro poderoso, um anel do poder em seus dedos e tudo seria infernal. – Anda envolta da filha que a seguia com o olhar.
— Sabia o tempo todo sobre a profecia? – Deveria saber, Cordélia controlava a maioria das coisas que ocorriam no meio feiticeiro, o único segredo que havia mantido era Elbereth.
— Antes dele nascer, quando Oropher e Lyfalia se casaram eu já tinha visto o destino da cria deles, apenas não acreditei que realmente existiria uma feiticeira como eu ou que ela se uniria a um elfo, não foi um oráculo que teve a previsão Tíssaia, eu apenas contei a ela e a fiz com que fizesse ser uma previsão dela. – Aquilo atinge a verde como um choque.
— Visões de feiticeiras nunca acontecem nesse nível. – O chão tinha sumido abaixo de si, o que Cordélia tinha lhe falado parecia impossível, elas tinham previsões de coisas que poderiam acontecer, mas mutáveis, nunca uma profecia, isso eram os oráculos.
— Você deveria já ter se acostumado com o fato de que não sou qualquer feiticeira Tíssaia. – Para diante da filha, toca seu rosto. – Um dia vocês irão ver que estamos todas do mesmo lado.
— Não vamos destruir tudo isso. – Se afasta se virando para ir embora.
— Antes que vá, já lhe deixo avisada que haverá uma grande fogueira em nome dos ainur. – Quando escuta aquilo Tíssaia para.
— O que planeja com isso? – Questiona sem se virar.
— Apenas uma última dança antes guerra da terceira era. – Responde.
Sem dizer nada Tíssaia apenas sai de lá sumindo na escuridão, Cordélia observava aquele era o momento de começar a organizar a noite da queima das feiticeiras, onde elas colocariam fogo na terra e dançariam em volta ao que queimariam.
Dia da Grande Fogueira
Elbereth olhava novamente o convite que tinha em mãos, o vestido negro sob a cama já estava escolhido para o evento, há duas semanas tinha recebido aquele inusitado pergaminho respira fundo tocando o tecido luxuoso e elegante, sorri com isso desde que voltaram de Valfenda as coisas estavam mais amenas entre ela e o marido e apreciava esse momento de paz, embora não tivesse esquecido suas palavras, ela perdoava, porém nunca esquecia, escuta a porta do quarto ser aberta vendo Thranduil entrar, ele olha para a cama e em seguida para ela.
— Realmente irá. – Suspira sem estar surpreso.
— Há séculos não ocorre uma fogueira é dever de todas as feiticeiras estarem presente nela. – Olha para ele.
— Tradições devem ser mantidas, sejam elas quais foram, cada espécie possui a sua. – Toca o rosto dela. – Mas ainda temo por você estar indo sozinha mesmo sabendo que pode se defender.
— Não se preocupe Thranduil nada irá ocorrer nada. – Apreciava o cuidado que ele lhe dedicava naquele momento, aquilo era novo para ela. – É uma noite sagrada para as feiticeiras, por hoje não existe rivalidade, não existe nada além de uma exaltação a magia e aos ainur. – Segura a mão dele dando um beijo.
— Apenas tenha cuidado Elbereth. – A beija de forma suave se afastando logo em seguida. – Terei uma longa reunião com o conselho essa noite, Amarïe não quer esperar até amanhã. – Suspira se afastando dela.
— Sua cunhada deseja algo que não creio que seja o melhor. – O abraça por trás beijando sua costa inalando seu perfume.
Segura a mão dela fechando os olhos acariciando seus dedos. – Casar Legolas o mais breve possível com uma sindar. – Suspira.
— Legolas deve ser livre para escolher sua companheira Thranduil, nós dois sabemos as consequências de termos nossas vidas ligadas a pessoas escolhidas por nossos pais... Eu a tive duas vezes. – Respira fundo se afastando dele, indo até a cama deixando o tecido fino que usava cair no chão pegando o vestido que estava sobre a cama colocando-o.
Thranduil se vira a olhando se vestir, se aproxima da esposa. – Posso? – Pergunta levando a mão no espartilho de veludo recebendo o consentimento, começa a aperta-lo deixando-o ajustado no corpo de Elbereth, antes de se afastar beija sua nuca. – Chalen também foi um casamento indesejado Elbereth. – Fala finalmente.
A feiticeira se vira o vendo se servir de vinho. – Você a ama Thranduil, como... – Para de falar vendo o olhar dele entendendo. – Não é seu amor de alma, nunca foi, você apaixonou por ela, a amou e venerou, mas nunca foi o amor da sua alma, não a escolheu. – Sua voz falha.
— Chalen era uma elfa maravilhosa, não foi difícil me apaixonar, mas você tem razão quando diz que não a escolhi, apenas cumpri com a minha obrigação... Quando a perdi era como se tivesse perdido parte de mim, eu a amei mais do que imaginei que poderia amar e sua morte foi um golpe cruel, mas minha alma ainda estava intacta e havia Legolas o que realmente me motivou a seguir, por mim, ele e meu povo. – Olha para o liquido dentro da taça. – Mas creio que você compreenda isso, passou pelo mesmo que eu. – Sorri sem humor voltando a olha-la.
Elbereth naquele momento assume uma postura séria, mas não deixa de encara-lo. – Não eu não compreendo, não passei por isso.
— Você também perdeu seu marido em uma emboscada orc, a pessoa que amava e que compartilhou a imortalidade de alguma forma, me disse isso. – Estava confuso.
— Russell morreu em uma emboscada realmente, mas não foi orc. – Pega a taça da mão dele bebendo.
— Como? – Arqueia a sobrancelha.
— Eu provoquei a morte dele Thranduil, fiz com que ele não tivesse capacidade de lutar e atraí os orcs para que o matassem. – Olha no fundo dos olhos dele.
O elfo assume uma postura fria a encarando. – Por que fez isso Elbereth? – Não a julgaria sem ouvi-la.
— Russell não era um bom homem Thranduil, pode parecer covardia falar de um homem morto, mas ele sempre soube o que era e o que fez, todos que matou usando sua armadura e espada, um soldado sem honra, um homem sem escrúpulos que tinha prazer em torturar inocentes e ganhar dinheiro com o desonesto. – Não tinha humor na voz.
— Não o matou apenas por isso Elbereth. – A encara fixamente.
— Estava garantindo a felicidade de Russell e Barael, tive que fazer uma escolha Thranduil e eu a fiz... Fiz por Russell mais do que ele realmente merecia, mas no final ele nunca seria a escolha principal. – Sua voz era amarga.
— Qual foi a escolha? – Sua voz sai baixa.
— Você. – Responde. – Não podia permitir que você fosse para o vazio e quanto mais eu mantivesse Russell vivo mais próximo de desaparecer você estava. – Admitir aquilo para ele era difícil.
Olha chocado para ela. – Elbereth você disse que o amava, não faz sentido...
— Eu o amei, um amigo, alguém que tive ao lado, eu perdoo, mas nunca esqueço... Ele me traiu, fez tudo o que podia e ainda sim eu o mantive, fiz ser feliz com Barael, porém na escolha final prezei pelo elfo do acordo... Barael ficou despedaçado eu o vi desvanecer, não deixei de acompanha-lo mesmo depois do que aconteceu e de tudo que foi dito. – Sua voz agora carregava uma certa magoa.
— Por que se submeteu a tudo isso? Por que um elfo fez o que fez? – Thranduil não conseguia compreender como tudo aquilo podia ter chegado aonde chegou.
— Eu tenho uma fogueira para ir Thranduil, mas lhe contarei em detalhes tudo o que deseja saber sobre Russell, eu e Barael. – Olha fixamente para ela.
— Eu esperarei Elbereth, serei paciente, mas quero ouvir tudo. – Fala calmo.
— Obrigada Thranduil...
Thranduil não responde nada, apenas se retira do quarto a deixando sozinha, Elbereth respira fundo olhando-se no espelho, tinha que limpar sua mente para chegar naquele lugar. Arruma a postura assumindo um olhar frio, olha o anel em seu dedo mexendo nele levemente, antes de sair era o momento de caminhar em direção a Dol Guldur, finalmente ficaria diante de Cordélia, a veria frente a si pessoalmente e não em jogos tolos, seus passos pelo corredor fazia com que os guardas se afastassem, sabiam que a rainha não apreciava que ficassem em cima dela e já tinham sido avisados de sua saída e que não deveriam acompanha-la.
Nos estábulos vai até Zatana acariciando a crina da égua negra, coloca seu rosto junto ao dela levando-a para a floresta, não subiria nela antes que chegasse até a parte final sabia o quanto aquele lugar ainda conseguia mexer com a sua égua, ao perceber que estava na saída principal a monta, não usava sela ou qualquer outra coisa, deixava o animal mais livre possível, quando sente a dona acariciar seu pescoço começa a cavalgar em alta velocidade, Elbereth a todo momento se certificava da segurança de Zatana não a queria prejudicada de forma alguma quando se aproximava do local a faz parar falando para que voltasse para a floresta a enfeitiçando vendo-a sair de lá.
Olha para Dol Guldur assumindo uma expressão fria escutando as vozes das mulheres, suas risadas, estavam ali todas as hierarquias e as originais, reconhecia as vozes delas, começa a caminhar subindo a colina, mas para rispidamente ao ouvir um barulho olhando para o local onde saiu o barulho vendo o chapéu marrom, usa sua magia de forma que ninguém sentisse. – O que faz aqui essa noite Aiwendil? – Pergunta séria olhando o mago marrom.
— Rainha. – Sai atrapalhado de trás do arbusto segurando um porco espinho nas mãos. – Tenho motivos para crer que Alatar e Pallando estejam retornando. – Seus olhos tinham certa incógnita.
A postura de Elbereth muda. — Ithryn Luin... – Sussurra. – Os azuis estão vindo para cá... Aiwendil, quero você vá até Mithrandir os esperarei no reino da Floresta, não falem com Curunír sobre isso, o branco não deve saber por seus lábios. – É firme. – Agora vá antes que você se torne a caça da noite.
Radasgat assente saindo de lá levando a proteção de Elbereth, que respira fundo voltando a olhar a colina, os magos azuis voltando naquele momento não era algo que ela apreciava. Volta a bloquear sua mente continuando a subir a montanha, as risadas ficavam cada vez mais altas quando chega no alto para olhando as feiticeiras, nunca esteve diante a tantas irmãs juntas, a música invadia sua mente era uma melodia que deixaria os humanos ensandecidos e faria os elfos entrarem em transe, mas não causava o mesmo efeito nelas, a música era delas, obra do mal, obra cruel, a música criada para o bel prazer de mulheres como ela.
As feiticeiras conforme notavam a presença da rainha paravam a dança olhando-a, algumas com expressões de repulsa outras sérias apenas, Lúria, Antilone, Creontes e Anália se aproximam fazendo o cumprimento típico todas estavam ricamente trajadas. – Honras a rainha dos elfos da Floresta das Trevas, nossa irmã vermelha. – Lúria sorri.
— Honras irmãs. – Lava os punhos no peito fazendo a reverencia as quatro.
— Rainha dos elfos. – Escuta uma voz fria e irônica, se virando vendo uma mulher de cabelos negros com fios prateados. – Gorgonna, a violeta. – Cumprimenta.
— É um prazer finalmente conhece-la Gorgonna, ouvi sobre seus feitos, principalmente sobre o rastro de destruição sobre os elfos. – Os olhos de Elbereth brilham intensamente.
— A escória sempre será devastada, Sauron é o único elfo que aceitamos, afinal ele quer acabar com esses lixos. – Gorgonna não temia o fato de estar diante de alguém que era considerada protetora dos elfos.
Uma mão toca o ombro de Gorgonna que se vira vendo Esther, contraí o maxilar soltando um rosnado saindo de perto de Elbereth que só marcava bem o rosto da ceifadora de elfos como era conhecida, a vermelha toca seus lábios com o polegar. – Essa fogueira vai ser interessante. – Diz sorrindo de canto pegando uma taça de vinho passando por Esther olhando pelas irmãs, olhando fixamente para Elessa levantando a taça em sinal de um brinde.
Tíssaia se aproxima da filha parando diante dela. – Não deveria ter vindo, sabe que Cordélia estará aqui. – É fria.
— Justamente por isso eu vim. – Bebe um gole do liqueido em suas mãos.
— O que pretende Elbereth? – Questiona séria. – Sabe o que pode perder? Sabe o que essa mulher significa? – Sussurra.
— Não se preocupe Tíssaia, mas sabemos que um evento como esse nenhuma feiticeira pode recusar, nem mesmo eu. – Sai de perto da mãe que fica a olhando.
Os olhares para ela eram ríspidos, Elbereth apenas mantinha-se diante a pira onde seria aceso o fogo, seu corpo estava ali, mas sua mente estava no elfo que naquele momento se encontrava em uma reunião com o conselho élfico, mesmo não desejando se preocupava com Thranduil, aquilo era algo que não conseguia deixar sentir. Legolas também estava em sua mente nesses últimos dias, ver o sofrimento de Tauriel o fazia sofrer e ela não desejava aquilo, acreditava que a verdade seria o melhor, era o momento de Tauriel ser sincera com o amigo.
Sente uma presença atrás dela e a pira diante de si se acender a imensa chama ilumina todo o local que fora restaurado pelas feiticeiras, sabia muito bem quem estava ali, se vira olhando para a bela mulher de olhos azuis, o silêncio era absurdo observando as duas, Cordélia pega a mão de Elbereth fixando o olhar no fundo das irises verde que tinha a sua frente mantendo palma com palma no alto. – Minha companhia para a dança está aqui, Elbereth Gilthoniel a vermelha. – Cordélia anuncia com a voz forte.
Bree olha para as irmãs brancas que estavam em choque assim como Elessa e Aurélia, a feiticeira negra nunca havia dançado em uma fogueira antes, as feiticeiras começam a se afastar quando veem a aura negra de Cordélia começar a fluir e a aura vermelha de Elbereth responder, uma completava a outra, as duas se encaravam fixamente. – É uma honra dançar com você minha neta. – Da o primeiro passo da dança sem separar a mão, a explosão de poder vai para o fogo que assume uma coloração intenção.
— A honra é toda minha Cordélia. – Responde girando, vendo as feiticeiras começarem a deixar suas auras a mostra iniciando a dança com suas feiticeiras complementares e pela primeira vez Esther deixa as irmãs caminhando até Luria.
A magia tomava conta de Dol Guldur, tudo a sua volta era contaminado pelo poder emanado do local, a música emergia entrando na mente das mulheres, a sensualidade era delas e para elas, não precisavam de parceiros masculinos, sua adoração aos pais e criadores eram exaltando o poder que lhes foram concedidos, Cordélia sentia a energia de Elbereth seu corpo se fortalecia, sua real aparência ficava a mostra aos olhos da neta e a dela para si, ambas estavam em uma dança particular, uma ligação única, duas rainhas em uma luta que causaria a destruição de ambos os lados e sabiam disso, não eram inimigas apenas tinhas ideais diferentes, aquelas mulheres cruéis que foram caçadas e mortas for elfos, humanos e anões por séculos por apenas possuírem a magia no sangue aquela noite eram apenas pessoas que exaltavam as estrelas e apreciavam os dons lhes foram dados.
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