Sei que eu não devia deixar que doesse tanto, já que ele traíra a todos — incluindo a mim. Mas, ainda assim, sei que passei a viver no momento em que ele me encontrou.

Rukongai era tão sombria. E eu era sozinha. Absolutamente, completamente, simplesmente sozinha. Sem nada ou ninguém, não morria de fome apenas por ter uma reiatsu muito intensa. Mas... De que adiantava ter uma reiatsu tão intensa, se eu não tinha mais uma vida decente? Na verdade, nunca tive uma vida decente. Pelo menos, não antes de encontrá-lo...

Ichimaru Gin.

Jurava que iria viver com ele para sempre. Por séculos, por milênios. Mas não foi bem assim. Na verdade, eu até desejei não ter aprendido aviver sozinha, pois, se não o tivesse feito, ele não teria me deixado.

Mas, agora, se reflito muito bem sobre isso, então ele ficou comigo por se preocupar se eu poderia viver por mim só? Quem sabe... Na verdade, nem eu mesma sei sobre isso exatamente. Não tenho a mínima ideia de como Ichimaru Gin pensa sobre o mundo. E tenho quase certeza de que ninguém tem a mínima ideia também. Nem mesmo Aizen — aquele que arrastou ele para a escuridão.

Se eu pudesse vê-lo novamente, diria a ele o que eu realmente sinto. Mas sei que, de uma forma ou de outra, se formos nos ver novamente, sei que seremos inimigos — eu terei de lutar contra ele. Dói só pensar nisso, mas não posso fazer nada; sou só mais uma fukutaichou com uma reiatsu fora do normal. Não sou nenhuma especialista em sentimentos ou em auto-controle ou auto-satisfação. Meu ego não vai além dos peitos, que é só o que eu tenho de farto, e minha mente não vai além do que devo fazer. Não do que quero fazer, mas do que devo.

Devo derrotar Ichimaru Gin.

Devo... Matar Ichimaru Gin.

Dói o peito vê-lo encharcado de sangue. E pensar que meu taichou odeia Gin assumidamente — irônico, não? Bom, ao menos, eu acho.

Desculpe, Rangiku. Disse, antes de partir com Aizen. Se não tivesse o peito forte suficiente, juro que choraria aos berros em frente aos próprios taichous e fukutaichous ali presentes. Mas não, prefiri guardar o sofrimento comigo — como sempre fiz. Já que sou decerto especialista nesse tipo de coisa.

Imagino se ele está sorrindo agora. Porque, se estiver, eu juro que estarei sorrindo também. Desejo-lhe felicidade, alegria, desejo que me esqueça, porque, assim, poderá se tornar forte e não sofrerá.

Sei que ele é diferente daqueles que me vêem só pela aparência, sei que ele me olha com os olhos fechados, para me olhar por dentro — fitar minha mente, meu coração, meus sentimentos, minhas lágrimas. Não meu corpo. Eu sei. Não acho, tenho certeza.

Por que? Bem, quando eu ainda era um gatinho esgarrado, largado, feio, sujo, pobre, magro, famito e sedento, foi ele que me ajudou. Ninguém mais. Apenas ele. Me olhou com os olhos curtos e me ofereceu ajuda. A ajuda que eu mais daria valor, naquela época.

Ah... Rukia tem sorte. Seu amigo de infância, Renji, está sempre com ela. Não tenho certeza se ela sente por Renji o mesmo que sino por Gin, mas sei que ela está feliz por tê-lo por perto. Por poder sorrir com ele, discutir, brincar, rir, lutar... Por poder simplesmente estar ao lado dele. Eu não tenho essa felicidade, mas fico feliz por Rukia tê-la.

Se eu for falar francamente, imagino que a felicidade que é tomada de uns, se torna a felicidade de outros. No tempo em que Rukia reveu Renji depois de 40 anos, eu perdi Gin para Aizen. Mas está tudo bem, realmente, afinal, eu não desejo a morte o o mal para ninguém. Quero a felicidade de todos, porque, se apenas eu fosse feliz, e o resto do mundo fosse angustiado, triste, não haveria diversão nenhuma nisso, não é mesmo? Bem, é o que acho.

Se você não acha, está tudo bem. Nem eu estou certa para todos.

Mas o que sei certamente, é que Gin não sente o mesmo por mim. Mas, o que posso fazer? Vou sentar e esperar, pois se eu correr atrás do amor, ele vai fugir mais e mais. Eu sei.

Então continuarei seguindo, com a esperança quase completamene nula de que Gin volte para meus braços.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!