Pelo Mundo
15 Season 2: Más Notícias
Notas iniciais
Capítulo 15 – Season 2: Más Notícias
No caminho até o acampamento tirando os obstáculos que passaram a até um tempo atrás, tiveram uma viagem sem mais problemas. Milles estava relaxado na caçamba, com suas pernas abertas, e o braço esquerdo apoiado no ferro, enquanto sua irmã Selene estava com a cabeça apoiada em seu ombro direito, cochilando. Julie estava sentada de frente para ele, as vezes o olhava, outras o caminho. Estava bastante inquieta e pensativa, não estava fria como de costume, mas tentou disfarçar isso mexendo em sua arma.
— Algum problema Julie?
— Não, nenhum Milles.
— Então relaxe um pouco, já estamos chegando.
— Vai ser difícil relaxar.
— Por quê?
— Não é nada.
— Talvez eu pudesse ajudar.
Ela olhou para frente pelo espelho de trás do carro, Carol dirigia enquanto Ed estava mais jogado parecendo que estava dormindo. Depois a ruiva voltou seu olhar para ele.
— Sinceramente, eu gostaria.. Mas acho que ninguém pode.
— Ei, espera aí, não estou gostando nada disso. Está me deixando curioso, o que aconteceu? Milles a chamava com a mão, para que ela ficasse ao seu lado, perto de seu ombro livre onde lhe faria um carinho. — Se for sobre o cara lá atrás. Se referia do bandido que matou a queima roupa com um tiro de espingarda na cabeça. — Eu posso ter sim excedido, mas ele quase me matou. Apontou para o ferimento de corte na face, que agora estava com curativos. — Mas sorte de você estar aqui para cuidar de mim, agora é minha vez de retribuir.
— Não, não é isso. Ela desviava seu olhar para baixo, pensando cuidadosamente nas palavras. — Eu prometi que não iria contar, mas esse segredo está me matando por dentro.. Me lembra alguém.. Pensava em uma pessoa de seu passado, aquele que ela mais amou e agora estava morto, seu antigo marido. — Estou vendo as coisas voltarem.. Acontecerem de novo.
— Bem, eu não sei o que você quer dizer mas.. Agora eu estou aqui, posso ajudar você.
A conversa dos dois se desenrolava, e fazia Selene acordar de seu cochilo. A garota coçou os olhos, e se desprendeu do ombro de se irmão, olhando-os. – O que está acontecendo?
Milles olhou para Julie. — Pode falar, ainda mais se for algo urgente. Quanto mais cedo sabermos melhor não é?!
Sim você está certo Milles. Vou dizer. Ela olhou para frente e depois para aqueles ao seu lado. — Carol, Milles, Selene. Fez uma pequena pausa, respirou fundo e soltou. — ED foi mordido!
Neste instante o homem se ajeitava da cadeira ou pelo menos tentava. Seus olhos se encontravam vermelhos e sua pele pálida, estava bastante enfraquecido, mas dizia. — Ficou louca, EU FALEI PARA VOCÊ NÃO CONTAR! Virava seu rosto para trás em direção a caçamba da caminhonete. — VOCÊ ME PROMETEU JULIE.
— ME DESCULPE.. Mas não tinha jeito isso vai ser perigoso ED.
— Como é que é, você foi mordido? Carol olhou para ele ao seu lado com cara de espanto.
Enquanto isso Milles se levantava um pouco junto com Selene e olhavam para frente pelo vidro observando ED. — Não acreditamos nisso. Falava os dois juntos, referente a situação, e não que não confiassem em Julie.
— Por que não nos contou? Carol parava o carro.
— Eu ia contar está bom.. Quando chegasse a hora.. Olhava para ela, e depois disse sério. — Agora volte a dirigir.
Ela concordou, pensativa. Ed era um dos seus amigos mais próximos e antigos dali, e ela agora não sabia como prosseguir ou o que fazer. Seguiu o seu conselho e acelerava na estrada. Ficou em silêncio ouvindo seus amigos conversarem, seu coração estava acelerado, estava triste, a mulher apertava sua mão no volante com força, e pensava em como aquilo pode acontecer. E depois de um minuto se lembrou quando ele serviu de escadinha para ela subir naquele muro, quando os zumbis estavam próximos deles, ele não havia conseguido subir até ter sido resgatado pelo pessoal do Vincent, ela imaginou que foi neste meio tempo. Achava que ele foi mordido por sua culpa, que se sacrificou por ela.
— Calma, não sabemos como isso funciona não é. Pode ser que encontremos alguma coisa, ou aconteça um milagre. Selene tentava ser positiva com aquela situação, mas também se encontrava abalada.
— Depois que se é mordido, não tem mais volta Selene. Julie falava aquelas palavras pesarosas olhando para baixo.
— Julie tem razão, eu vou morrer ou irei me transformar. Edward já se encontrava conformado com isso, sabia que não havia mais volta, pois já tinha visto aquilo acontecer debaixo de seus olhos. Agora sua maior preocupação era com seu sobrinho. — Não precisam ficar falando essas bobagens de que ‘tudo vai ficar bem’ ou ‘pense positivo’ e assim que é. Minha maior preocupação agora e com o James.
— É o que planeja fazer? Milles não era muito de usar palavrinhas bonitinhas, neste novo mundo teve que se adaptar para isso, assim como Julie ele era mais objetivo. Vai contar para ele, ou quer que alguém conte? Eu posso lhe ajudar.
— Era isso que eu estava pensando, eu acho que eu... Era interrompido pela sua amiga Carol.
— Isso foi tudo culpa minha não foi? Naquela hora. Se eu tivesse te puxado mais rápido, se eu tivesse um pouco mais de força.. Ela encostava a cabeça no volante. — Foi tudo minha culpa.
— Não fale isso Carol. Ele olhou pela janela lá fora observando a paisagem, pela escuridão. — Aconteceu por que tinha que acontecer. Reclamar do passado não vai fazer com que as coisas mudem no presente. Olhou para sua amiga em seu lado e depois para trás. — Mas eu gostaria de pedir algo a todos vocês. Fez uma pequena pausa. — Que deem todas as minhas coisas para o James, e que cuidem dele por mim.
— É como você está? Perguntava Selene. — Digo, a sensação e tal.
— Sinto o corpo quente, tenho febre, e me sinto fraco, as vezes parece que irei desmaiar. Fechava seus olhos. — Ouça, eu agradeço todos vocês pela preocupação. Eu agora gostaria de ficar um pouco em silêncio, preciso colocar a cabeça no lugar.
Depois disso todos respeitaram o pedido e prosseguiram em silêncio por toda a viagem.
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Já no acampamento os moradores observaram a chegada deles. Os portões se abriram e as pessoas davam espaço para o veículo. Olhavam curiosas e desejavam que todos estivessem bem, era por volta das sete da noite.
Thomas que ficara de líder, tomava conta do lugar fazendo um belo serviço deixando as coisas em ordem e os trabalhos bem feitos, tivera ajuda de Gabriel e Michelly, fora seus outros amigos. Chamou os outros para ajudarem a descer com as coisas na caminhonete.
— Ajudem a tirar tudo. Olhava apreensivo para seus amigos. — Milles, Julie, Carol. ED? Reparou que eles não estavam com um olhar muito animado, sinal de que tiveram muitos problemas, antes que perguntasse aos seus amigos o que houve ele avistava Selene indo até ela. — Selene como está? Foi tudo bem? Perguntou demonstrando certa preocupação.
Descendo do veículo com cuidado, pegando a sua bolsa. — Ah, oi Thomas. Em situações normais ela teria dado um sorriso para ele, mas agora estava mais cabisbaixa. — Bem, eu.. Ela olhou para trás de onde estava seus companheiros de viagem, pensando no que falaria, mas então era cortada.
— É, isso que importa, pelo menos você está bem Selene. Se aproximou e a abraçou bem apertado por um tempo, aconchegando sua cabeça sobre a dela. — Não se preocupe aqui você estará segura.
Ela foi pega de surpresa pelo abraço, aquilo a fazia se sentir mais segura e aliviada, mesmo que por alguns segundos. O abraçou pelas costas, encostando a cabeça no peito dele.
Enquanto isso Milles que descia com as suas coisas junto com Julie, e encontrava os dois, esperou Selene para que os três pudessem ir até a sua barraca. Inicialmente ficou sério e depois pareceu ficar irritado com a cena. — Esse abraço, já está bom. Já pode soltá-la Thomas!
— Irmão! Ela fez cara séria para ele, como se falasse para ele não ser grosso.
— Ah, mas é claro Milles. Foi tudo bem? A soltava do abraço e então disfarçou. — É ae Julie, como foi as coisas por lá?
— Acontecerem algumas coisas Thomas, logo logo você irá saber. Respondia séria sem entrar em detalhes. O grupo havia concordado em deixar o próprio ED falar com seu sobrinho em particular, por isso não falariam nada sobre sua mordida antes da hora.
— Eu não estou gostando muito disso. Thomas não curtia todo aquele suspense que eles estavam fazendo. Viu Milles, Selene, Julie, Carol, todos pareciam bem. E até Ed que estava sentado e parecia estar cochilando, então imaginava que tipo de coisa poderia ter acontecido.
Gabriel aparecia e falava com eles, falou animado pois pareceu que a missão foi um sucesso, todos pareciam estar bem. Estranhou o fato de que todos se encontravam sérios e o responderam mais formalmente, sem aquele tom de amizade e brincadeira. Se aproximou de Thomas e perguntava. — O que será que deu neles?
— Isso eu também gostaria de saber meu amigo. Depois viu Carol ali e a chamava. — E ae Carol, foi tudo bem?
— Thomas, Gabriel. Não exatamente.. Preciso que vocês tirem essas pessoas daqui, e que chamem o James.
— O James?
— Sim, diga que seu tio que falar com ele a sós.
— Tudo bem, mas você não poderia nos deixar a par do assunto?
— Em breve todos vocês saberão Thomas..
[...]
Longe dali Evert chegava em Villeneuve. O lugar era cercado por um grande muro de pedra de 4,5m de altura com homens em cima bem armados circulando por eles vigiando o lugar observando o lado de fora. A muralha formava um quadrado havendo torres em cada um dos quatro cantos, e uma maior de pedra que ficava no centro. O portão era grande e de ferro, retirado de algum outro lugar por ali. Antes de se chegar aos muros já se poderia ver ao fundo uma grande casa estilo senhorial do período colonial americano, de dois andares com quatro janelas cada um pelos lados, e na frente duas em cada, rodeado por um pequeno jardim.
Quando Evert se aproximou com a van, eles poderiam ver o símbolo do grupo, e então ele recebia permissão para entrar. E os portões se abriram.
Cinco caras armados cercaram a van na parte da frente, enquanto atrás deles o portão se fechou. A porta do veículo era aberta e avistavam seu companheiro ferido.
— Evert, mas que porra é essa cara?
O viram todo ensanguentado, suas roupas, o banco, o volante.. Em sua perna ferida estava sua camisa amarrada como se estivesse pressionando o sangue.
— Ajudem a tirar ele do carro. Me diga o que aconteceu?
Dois dos quatro homens tentavam segurá-lo pelos braços e pelas pernas, mas o ferido gritava de dor e chegou a socar um deles no ombro, o fazendo xingar. Depois acabaram o deixando no chão.
— Nós temos que tirar você daqui.
— Chamem o Vincent, preciso avisá-lo, rápido. E traga o doutor!
— Ok. O líder da guarda pegava seu rádio na cintura e avisava seus companheiros sobre a chegada do grupo, ou pelo menos uma parte dele. Falava do ocorrido e mandava chamar o Vincent e Hans. Depois desligou o rádio e continuou. — Então cara, fala logo o que aconteceu droga!
— Fomos atacados cara.
— Por quem?
— Eu não sei, mas acho que era daquele pessoal do posto.
— Aquele pessoal de novo? Pensei que o Kevin tinha dado jeito neles.
— Parece que não.
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Depois de uns oito minutos mais à frente na porta da casa saiam três homens, um deles era Vincent o líder do lugar, ele andava uns passos mais à frente e carregava uma metralhadora, sua barba antes grisalha fora cortada o dando uma aparência mais jovem, tinha uma expressão séria e furiosa. Em seu lado esquerdo um pouco mais atrás estava Hans o médico do local, ele estava com seu jaleco branco, sorridente e com suas mãos para trás agarrando o pulso uma da outra. No lado direito estava Kevin, o vice líder do lugar, seu olhar era de preocupação. Os três caminhavam até Evert olhando sua condição.
— Cadê os outros do seu grupo? Vincent estava de pé a uns dois passos dele, depois foi até a van olhando o que tinha, não vendo ninguém lá a e apenas manchas de sangue. – O que aconteceu com o grupo?
Enquanto isso o doutor continuava ao lado de Evert, as vezes tossia, mas disfarçava com a mão na frente, mantendo seu grande sorriso característico. Kevin se mantinha em silêncio, querendo saber o desfecho daquela história, tendo um mal pressentimento, ou melhor já supondo o que poderia lhe acontecer.
— Nós estávamos patrulhando a área para ver se encontrávamos algo, então achamos uma caminhonete pelo caminho. Sentia dor, mas sentia muito mais medo de Vincent naquele momento. — Paramos ela para ver quem era.
— É quem estava lá? Perguntava o líder sério.
— Um grupo com cinco pessoas. O olhava nos olhos. — Um cara ruivo e uma garota ruiva, tinha uma mulher de óculos de cabelos escuros e uma de cabelo castanho. E tinha um cara com aparência de doente.
— E este grupo com este cara ‘doente’ venceram vocês? Estava expressamente irritado, fechando o punho de sua mão livre. — Venceram meu bando muito bem armado?!
— Sim.. É é..Quero dizer não.. Pareceu confuso, pensando em uma resposta. — Eles nos pegaram de surpresa e.. E então uma bala acertava sua cabeça e perfurava o crânio, fazendo seu corpo sem vida cair para trás.
— Desgraçados, como ousam falhar desse jeito. O Orlosa estava com a arma apontada para ele. — Desgraçados, desgraçados, desgraçados.. Virou o corpo para trás fazendo uma pequena pausa, após alguns segundos retornou para frente em um excesso de raiva e gastava todas as suas balas da arma no corpo morto de Evert, fazendo uma poça de sangue naquele lugar.
— Vocês aí. Falava o doutor. — Limpem toda essa bagunça e se livrem do corpo.
— Sim senhor. Responderam os guardas de imediato com medo.
Vincent depois voltou seu olhar para seu vice líder. — Kevin?
O olhava, tentando evita seus olhos. — Vincent?
— Você não tinha dito que havia liquidado aquele grupo do posto?
— Sim senhor.. Nós vencemos eles.. É verdade.. Mas tivemos muitas perdas.. Gaguejava, pensando em uma boa desculpa. — Mas queimamos e explodimos o lugar.
Vincent estava sério e pensativo. Quando saiu em missão ele encontrou umas pessoas que batiam com a descrição, e infelizmente as deixou ir quando elas estavam em suas mãos. Sentiu raiva pelo erro, mas pensou por que as encontrou naquela cidade infestada de zumbis, talvez Kevin não estivesse mentindo ao final das contas, pois poderia ser que aquele grupo estivesse procurando um novo local para ser sua base. — Entendo.. Disse sério e voltava a caminhar em direção a casa.
— Sim, é verdade senhor. Lidamos com eles.. Falava um pouco mais aliviado, agora pensando no que faria de agora em diante. Pois se aquele grupo voltasse a aparecer, sua vida estaria em risco.
— Kevin, se você falhar comigo, você será o próximo.. E então se retirava.
O doutor ouvindo aquilo apenas mantinha seu sorriso característico, chegava a ser assustador, pois não se impactava nenhuma vez com aquela cena, pelo contrário, pareceu até estar animado. Será que alguém poderia imaginar o que ele estava pensando?!
Kevin o olhava e então o indagou sério, pois se fosse com um guarda qualquer o teria surrado quase até a morte, mas com Hans? Com ele as coisas eram completamente diferentes. Naquela base três homens tinham o respeito de todos, Vincent, Kevin e Hans, apenas eles eram frios e violentos o bastante para tomar conta daquele lugar e deixar as coisas funcionando. — Do que está rindo?
— Parece que você se livrou agora por pouco não é? Ajeitava os óculos na face, apertando a parte acima do nariz.
— E o que isso é da sua conta?
— Esse olhar assustado não combina com você Kevin..
O vice líder se aproximou dele, e tocou o seu ombro o olhando de frente. — É mesmo? E o que combina comigo?
Hans deu um passo para trás, fazendo a mão dele se soltar de seu ombro e de seu jaleco de médico muito bem cuidado e limpo. Depois com a sua mão vestida com uma luva branca, pegava um pequeno pote de plástico redondo (daqueles tipos de espirrar) e borrifava um pouco de água sobre a parte tocada. — Logo logo você irá saber Kevin.. Depois se virava e ia na direção de Vincent para dentro da casa onde era a base principal. Andava para frente e falava alto para Kevin que estava parado mais atrás de si. — Logo logo você vai saber...
‘’Mas que sujeito estranho..’’ Pensava Kevin o olhando se retirar. Ele tinha um certo desprezo por ele e as vezes respeito, embora não soubesse o porquê. Mas como todos de Villaneuve com o tempo aprendia a temê-lo, Hans era imprevisível, e apenas Vincent sabia como trabalhar bem suas habilidades. — Mas um dia eu vou mata-lo Hans.. O olhando de longe.
[...]
Voltando para o acampamento:
Julie olhava para Milles enquanto eles caminhavam até a sua barraca, ele estava sério e ela pensativa intimidada sobre o lance do Ed, era triste pensar que algo assim estava ocorrendo novamente, como em seu passado. Ela foi distraída de seus pensamentos quando ele puxou papo consigo.
— Tsc.. Esse Thomas, está tendo muita ‘liberdade’ com minha irmã.
— Eu acho até bonito os sentimentos que ele expressa por ela. Naquele momento, só ele mesmo enciumado para fazê-la sorrir.
— Não fiquem falando de mim, como se eu não estivesse aqui. Selene parava de andar ficando na frente dos dois. — E eu não preciso que você fique me vigiando.
— Mas é claro que precisa, eu estou te protegendo, você é muito ingênua.
— Eu não sou não. Cruzou o braço com cara de brava. — Quando você fica tendo muita ‘liberdade’ com a Julie eu não falo nada.
— Hey hey.. Podem ir parando os dois.. Agora não é a hora para ficarem discutindo. Cortava o assunto, e depois olhou séria para o ruivo. — Eu acho que ela tem razão Milles, ela já e bem grandinha.
— Eu acho é que você está muito conversativa ultimamente. Disse sério, se lembrando que no início Julie mal falava, e agora estava bem mais livre com ele(s). Na verdade Milles gostava disso, mas naquele momento estava irritado e com ciúmes da Selene. Depois ele olhou para ela e então deu um passo à frente e continuou seu caminho.
— E o Thomas só é meu amigo. Falou a mais nova.
— Espera aí, e você está achando isso ruim? Agora Julie parecia que ficou irritada, e segurou o braço de Milles o impedindo de continuar. — Agora eu quero ouvi-lo!
— Não, deixa pra lá! Seu instinto dizia que não era uma boa ideia arranjar uma discussão com ela agora, ainda mais quando a relação dos dois estava indo tão bem. — Não estou muito afim de conversar agora.
— Epa, peraí, agora é a minha vez de dizer isso. Selene tomava fôlego. — Agora não é a hora para vocês começarem a discutir.
Os três se olharam durante alguns segundos, e depois riram, como se todos estivessem de bem novamente. E então adentraram em sua moradia.
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Em uma sala fechada onde antigamente era uma loja de conveniência e hoje era usada para armazenar suprimentos, se encontravam Carol, Edward, Thomas, Gabriel e Jéssica (Jessy). Eles discutiam sobre a situação de Ed e de como lidariam com aquele fato, mas primeiro deixaria que James soubesse as circunstâncias antes que a notícia se espalhasse pelo resto do acampamento. Carol foi cuidadosa com isso pois a pedido de seu amigo ele queria falar com seu sobrinho primeiro, que já havia sido notificado e que já estava a caminho.
— Então, o que foi Carol? Vai nos contar logo? Thomas olhava para ela, estava curioso de tanto do mistério que eles faziam sobre o assunto. Olhou pra Gabriel, mas esse que apenas ficava em silêncio. Olhou para o mais velho que se encontrava sentado em uma cadeira e um lençol o cobrindo, notou que ele tinha sua respiração mais pesada, mas nada muito fora do comum.
— Também gostaria de saber? O que houve? Fizeram alguma besteira e vamos ter que limpar a burrada de vocês? Jessy estava com os braços cruzados e tinha uma expressão negativa no rosto, desde a morte de seus amigos ela andava com pouca paciência para as coisas e se tornará mais ríspida se fechando e evitando muito contato com seus companheiros de acampamento. — Não estou a fim de me encontrar com mais encrenca, só quero dar o fora daqui o quanto antes e achar um lugar seguro.
— Não é nada disso. Depois Carol olhou para Jessy com uma expressão séria devido à gravidade da situação. Em uma situação comum teria gritado com ela e discutido até ficar rouca, oras seu amigo estava morrendo e esta situação a deixava aflita e perdida, ambos já haviam passado por tantas coisas juntos e foi muito ajudada por ele, inclusive para cuidar do acampamento, e agora vê-lo morrendo era uma grande dor em seu peito. E Jéssica pareceu não ter nenhum bom senso naquele momento, mas tentou relevar pois eles ainda não sabiam o que haviam acontecido. Então a líder fechou os olhos e contou até três e a respondeu em um tom desafiador. — Aconteceu algo bem ruim, assim que James chegar até aqui falaremos disso.
— Eu vou ver se ele já está vindo, detesto ter que esperar.. Gabriel foi até a porta para olhar, puxou a maçaneta para trás a abrindo e então se encontrava de frente com James.
— Hey olá Gabriel. O mesmo dava espaço para que ele parasse, então adentrou na sala olhando todos ali. — Heh olá? Estava surpreso, parecia que todos o estavam esperando. Se perguntou se fez alguma besteira ou algo assim.— Já vou logo avisando que eu não fiz nada.
Carol olhou para ele e então imediatamente fechou a porta. — Não seja bobo James, nós apenas.
— Por favor, me deixem a sós com meu sobrinho. Fez uma pequena pausa, Ed sentia certa dificuldade para respirar e sua pele parecia estar mais pálida. Ele havia pedido um lençol para se cobrir e por isso poderia ocultar boa parte do corpo enquanto estava sentado, tentando manter a aparência que estava tudo normal para o povo do acampamento.
— Mas Ed.
— Por favor Carol. Tossia, e então reuniu forças e logo continuou. — Eu chamarei vocês se precisar, obrigado por se preocuparem.
— Está bem. Ela olhou para o restante de seus companheiros. — Vamos deixar eles a sós.
— É parece que não vamos saber das coisas tão cedo. Disse a garota com certo desdém.
— Deve ter algum motivo. Dizia Thomas preocupado.
— Pode contar para eles Carol, lá fora.
Todos se retiravam do lugar, deixando James com seu tio lá dentro. Carol começava a esclarecer todo o ocorrido na missão, desde os zumbis, o encontro com os bandidos e por fim a mordida de seu amigo.
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— Então tio?
— Bem eu lhe chamei pois. Era interrompido.
— Eu sei que fiquei praticamente o dia todo consertando aquele carro, mas ele estava todo destruído e eu ainda estou aprendendo, me dê só um tempo está bem?! Logo eu ficarei muito bom igual ao senhor. Puxou uma outra cadeira ficando de frente para seu tio, o garoto de 22 anos estava com as costas arqueada para frente, enquanto seus pulsos estavam apoiados sobre a perna. — Mas se precisar amanhã eu trabalho por mais tempo sem problemas, eu só não imaginei que o Thomas fosse reclamar disso.
— Não é isso James, ouça eu.
— Tá eu admito, eu posso ter pegado uma ou duas barras de comida escondido, mas eu estava com fome. E a Michelly também estava junto disso é...
— CALE A PORRA DA BOCA DROGA! Gritou Ed aflito, se levantou da cadeira rápido, mas sentia que seu corpo estava mais pesado que o de costume, ou será que teria ficado mais fraco. Pareceu que fosse desabar e então apoiou a mão na cadeira e se sentou novamente. Seu sobrinho se levantou para segurá-lo, mas fez gesto para que ele parasse.
— Tio..
— Eu fui mordido James.. Recostou seu corpo na cadeira, pensava bem em suas próximas palavras, percebeu que agora tinha a atenção de seu sobrinho e logo prosseguiu. — A minha jornada chegou ao fim.
— Mas isso não pode ser sério. Foi até ele, procurando por alguma mordida e então puxou o lençol, reparando que seu braço esquerdo estava enfaixado. — Não pode ser.. Não.. Não.. Colocou as mãos no rosto, enquanto tentava negar para si mesmo balançando a cabeça.
— Pare. Olha eu, preciso que você agora tente ficar calmo e me escute.
— Isso vai passar tio, você vai ficar bem. Olhava para ele com os olhos arregalados. — Pode ser que você seja imune não é, ou só tenha pegado de raspão. Andou para o lado e para o outro dentro da sala pensando em alguma coisa. — Podemos lavar bem, passar alguma coisa.
— Muito tempo já se passou James, e já sabemos como isso funciona, já vimos acontecer. Viu a inquietação dele, isso o deixava aflito e o impedia de pensar. — FIQUE QUIETO. Suspirou. — É nada de ficar falando essas palavrinhas bonitinhas do tipo ‘tudo vai ficar bem, vamos ter fé ou pensar positivo’, nós dois sabemos que isso é inútil, somos dois adultos aqui. Sua cadeira estava encostada no canto, isto possibilitava Ed de encostar sua cabeça na parede e de tentar ou fingir se manter tranquilo para seu sobrinho. — Carol neste momento deve estar contado isso também para os outros. O olhou mais sério. — Ouça, eu quero que você fique com as minhas coisas, vai ser difícil dizer isto mas, não fique triste, nós sabemos o que pode acontecer lá fora com qualquer um de nós, e assumimos este risco.
— O que eu posso fazer por você? O garoto pegou a cadeira e a levava para mais próximo de seu tio, seus olhos estavam vermelhos de tristeza a ponto de desabar.
— Sinceramente? Pensou sobre o assunto. — Gostaria de um cigarro e uma boa cerveja gelada. Tentou amenizar a gravidade da situação, pois sabia que seu menino estava arrasado por dentro, pois agora ele era possivelmente sua única família viva. Tentou dar um singelo sorriso, mas muito sem graça, pois por dentro morria de medo do que poderia acontecer, e principalmente com o seu sobrinho. Ed quando mais jovem sempre se perguntou em como morreria, mas de todas as possibilidades nunca imaginou que fosse mordido por algum zumbi, se ele contasse isso para alguém a uns cinco anos atrás as pessoas achariam engraçado e iriam rir.
— Não é hora para isso tio. Segurava seu braço, olhando as faixas.
— Não terei mais nenhuma outra hora para isso. É e claro, quero a companhia de meu sobrinho.
— Isso só reduziria seu tempo.
— Pode fazer isso por mim? Falava mais alto que ele tentando se sobrepor.
— Posso tentar o cigarro. Seu tio geralmente era alguém sério para essas circunstâncias, sempre foi alguém de pulso firme, tal como era seu pai. Mas se perguntou por que aquela insistência, será que aquele era realmente seu desejo? Edward nunca foi de fumar, a não ser em circunstancias muito sociais, exceto a bebida que era consumida mais frequentemente exceto nos últimos anos devido aos mortos vivos e escassez de suprimentos. ‘’Entendo, já entendi’’. Pensou, seu tio sempre o tratou como um menino, cuidando e tomando conta, esses últimos anos ele foi tratado como se fosse seu filho, substituindo o seu próprio que havia morrido a muitos anos atrás. Estava tentando evitar que ficasse mais triste, como uma criança que tinha os fatos ocultados ou amenizados em uma situação de tristeza. — Não precisa fazer mais isso tio, já sou crescido. Vou tentar arranjar isso com os outros. Mas faça-me um favor, quero que esses últimos dias me trate como um adulto que sou, me deixe a par de tudo, de seu estado, do que sente, seus planos, tudo.. O encarou sério. — Tudo!
— Tudo bem, James, farei isso. Pensou ‘’ Só não sei se durarei dias’’.
— Eu vou precisar de um tempo sozinho para digerir isso. Se levantou indo até a porta.
— Eu te entendo. ‘’Você é mais parecido comigo do que eu pensei.’’ — Ah, e mais uma coisa, import.. Reparou que o rosto de seu sobrinho saiam lágrimas, mas ele sempre tentava ocultar ou disfarçar, pensou que aquilo era demais para ele naquele dia, então resolveu contar sua outra coisa importante depois.
James abria a porta e saia.
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Do lado de fora Carol já havia atualizado seus companheiros das notícias, e como Ed lhe havia dito, depois que contasse ao seu sobrinho todos do acampamento já poderiam saber. Quando a porta foi aberta viu James sair com a alma despedaçada de tristeza.
— James.. Disse todos quase ao mesmo tempo preocupados com ele.
— Eu preciso ficar um pouco a sós.
Todos resolveram acatar o seu pedido, entendiam que era algo bem ruim de se passar. Exceto Jessy que foi atrás dele, mas era parada pelo braço por Thomas.
— Mas ele precisa de nós.
— Ele precisa colocar a cabeça no lugar.
— Thomas está certo. Disse Gabriel entre ambos. — Ele precisa pensar sobre o assunto sozinho. Se lembrou da situação que ocorreu consigo mesmo, quando perdeu seu tio, achou que não conseguiria seguir em frente, mas seus amigos lhe ajudaram com isso.
— Eu sinto muita pena dele.
— Todos nós sentimos.. Dizia Thomas cabisbaixo.
Ficaram discutindo por ali durante um tempo, também falaram sobre a viagem que tiveram e os ganhos recebidos, os planos futuros e sobre as pessoas que encontraram pelo caminho. Isso deixava todos apreensivos, pois as chamas de um conflito pareciam se reacender mais uma vez, logo agora quando as coisas pareciam que estavam melhorando.
— Então vocês estão aí..
Se aproximou o trio de Milles, Selene e Julie. Os três já poderiam supor o que estariam fazendo ali, sobre a conversa de Edward e seu sobrinho, se perguntaram como a conversa ocorreu ou se ainda estava ocorrendo.
— Como foi lá?
— É, como foi Carol? Selene colocou a mão na cintura olhando-os preocupada.
Enquanto Julie permaneceu apenas os observando.
— Eles já tiveram a conversa, mas. Fechou os olhos brevemente como se estivesse escolhendo suas palavras. — James precisa de um tempo sozinho para colocar a cabeça no lugar.
— Entendo, coitadinho. Selene poderia imaginar a dor que ele estaria sentindo, pois ela também perdeu seus pais, os viu morrer diante de seus olhos para que ela fosse salva, e esta memória as vezes se passava em sua cabeça.
— Eu vou dar uma passeada por aí, qualquer coisa me avise! Jéssica se retirava dali, não era de muitas palavras e tinha suas próprias coisas em mente.
— Está bem. A líder concordou a olhando se retirar. Haviam acontecido muitas coisas naquele dia, era hora de se deitar um pouco e esquecer mesmo que por um breve instante dos problemas. Levou uma das mãos a testa se lembrando de algo. — Ah, eu quase já ia me esquecendo.
— Do quê? Thomas parava de conversar com Milles e olhou para Carol, e imediatamente todos fizeram o mesmo.
— Preciso que algum de vocês fiquem de vigia hoje no posto de observação. A mulher olhou para cada um deles esperando por um candidato, e depois levou um dedo um pouco acima de seu nariz, empurrando a base dos óculos para que ficasse mais fixo em sua face. — Os outros já ficaram bastante, então seria bom que um de vocês fosse.
Todos ficaram se olhando por alguns segundos procurando. Até que Carol decidiu escolher:
— Milles, seu ‘grupo’ não tem ficado de vigia a duas semanas, acho que poderiam quebrar este galho hoje.
— Nós?.. Ela estava certa, ali era bom que cada um cumprisse sua parte para que as coisas funcionassem, não que a tarefa fosse difícil mas era bem chata, basicamente teria que ficar toda a madrugada acordando vigiando os zumbis ou quem quer que fosse se aproximar do portão. Na maior parte do tempo este trabalho era chato e tedioso, não era muito seu tipo de tarefa preferida. ‘’Mas hoje tivemos o maior trabalhão lá na cidade.. Ah deixa pra lá, não vale a pena..’’ Pensava ele e depois aceitava. — Tudo bem Carol eu o farei, estou sem sono hoje mesmo. Olhou para suas companheiras. — Selene, Julie podem ir descansar, eu dou conta do serviço, podem deixar comigo. ‘’Como se eu fosse ter algum tipo de trabalho’’.
— Obrigada Milles, sabia que poderia contar com você. Deu um leve sorriso, mas ainda tinha a aparência de preocupada. — Vou para a minha barraca agora. E. Olhou para os dois homens. — Gabriel, preciso que tome conta do Ed, sabe caso ele precise de algo ou se transf.
— Tudo bem Carol, eu já entendi. Respondia de imediato não a deixando terminar.
— E Thomas, daqui a pouco só dê uma última olhada em James por mim, sabe, só para ver se ele está bem.
— Pode deixar Carol.
— Até gente! Se retirava dali.
[...]
Após a última invasão, muitos locais foram reconstruídos na base para abrigar as pessoas que por ali haviam, ou para ajudar nas defesas. As novas torres de guarda, nada mais eram que torres comuns cúbicas que ficavam do lado de dentro dos muros, feitas de madeiras locais, onde na base eram usadas troncos longos, os telhados eram cobertos por toras cortadas finas e revestidas de uma lona de plástico que escorregava a água para fora em dias de chuva ou para um balde preparado no caso de precisarem. Era uma estrutura simples que poderia abrigar até 5 pessoas se fosse necessário. Haviam quatro dessas torres de vigia espalhadas pelo acampamento, e eram em uma dessas que se encontrava Milles.
Geralmente revezavam grupos de dois ou três se fosse necessário em cada uma dessas estruturas, haviam turnos pela manhã, tarde e noite. O ruivo entrou por volta das vinte e duas horas e só sairia dali as seis da manhã. Ele preferiu ficar sozinho para que Selene e Julie descansassem, e também para que amanhã passasse todo o dia dormindo sem ter que fazer alguma outra tarefa. Isso parecia ser bem fácil para ele, afinal só ficar olhando as coisas não era muito difícil, exceto de no caso aparecer algum intruso humano, onde teria que acordar o pessoal do acampamento, mas naquele luar achou que seria tudo muito tranquilo.
Quando deu meia noite, ele se encontrava debruçado na sacada de madeira, observando as coisas fora do acampamento, estava bastante entediado. Havia andando em círculo, olhando a paisagem dali de cima, visou a escada já pensando na hora de ter que descer. Agora já a quase duas da manhã, resmungava ainda mais, antes ele próprio havia insistido tanto para que ficasse sozinho, já que diversas vezes lhes garantiu que cuidaria das coisas, além do fato de ter sempre alguém lá em baixo patrulhando a base, mas agora começava a ver seu erro, pois estava solitário sem ninguém com quem conversar, ficar sem ter o que fazer o deixava louco.
— Merda.. Ainda faltam algumas horas até o amanhecer. Suspirou, com uma das mãos sobre a testa. — Não vou aguentar ficar aqui mais um pouco.. Droga, devia ter escutado e chamado mais alguém. Agora já era.. Pior que nem posso dormir e todo este tédio já está me dando sono. Se espreguiçou, depois ficou olhando o revólver que estava com ele, assim como a lanterna que estava na cintura, seus materiais para aquele trabalho.
— Você está muito novo para ficar reclamando deste jeito. Subia uma mulher com sua face serena, carregava uma bandagem e um vidrinho em mãos.
— Julie! Respondeu ele surpreso.— Nem lhe ouvi subir. O que está fazendo aqui?
— E nem deveria ficar distraído. Se aproximou dele olhando para seu ferimento no rosto. — Estava sem sono por causa disso tudo, e também fiquei preocupada e vim lhe ver como estava. Tocou o ferimento dele que havia sido cuidado anteriormente por ela. — Vou aproveitar e trocar os curativos.
— Eu estou bem, não se preocupe. Fez um leve bico, desviando seu olhar para o lado e sorrindo.
Ela reparou que ele pareceu ficar mais entusiasmado com sua presença ali. Ignorou o comentário dele e puxou seu curativo, notou que Milles levemente semicerrou seus dentes, normal já que aquele corte estaria ardendo ainda. Tirou fora o material usado, estava sujo de sangue já seco, e passou uma pomada no lugar e colocou um novo curativo cortando um pedaço, e fazendo o homem ficar quieto. — Fique quietinho para eu terminar logo.. Isso.. Pronto. Viu só? Não doeu nada. Está novinho em folha.
— Não precisava. Tocando seu rosto por cima de seu ferimento com os dedos. — Mas valeu.
— Então o que de bom viu por aí? Julie foi até a sacada, olhando a paisagem lá fora, havia apenas a escuridão e uma floresta. O lado que o homem havia ficado era o contrário ao posto que ao invés de mostrar a cidade levava a estrada agora deserta.
— Nada apenas.. Morcegos e mato.
Os dois riram.
Ele foi se chegando ao seu lado.
— Sabe eu gostaria de lhe agradecer, você tem feito bastante por mim e minha irmã.
O ruivo mexia na franja dela a colocando por cima da orelha. Levando a atenção da mulher para si, fazendo um sorriso brotar em sua face.
— Vocês também têm me ajudado bastante, e são ótimas companhias. Sorria pensativa.
Ambos ficaram se olhando, e depois ele aproximou seu rosto e a beijava, fazendo os dois ficarem de frente, e a envolver pela cintura a trazendo para mais próximo. Julie passava suas mãos pelos cabelos dele enlaçando seus pulsos por trás de seu pescoço, Milles andava e com isso a encostava contra a madeira, segurando firme seu corpo, agora a pegando pelas costas e pelo bumbum. Sorriram, parando para respirar e logo continuaram, ele invadia aquela boca com muito desejo explorando cada canto com a língua em um beijo quente e molhado. A garota suspirou, sentindo seu corpo quente, assim como o dele, depois o homem continuou seu carinho, a beijando por todo o rosto, fazendo aquele corpo se encolher, roçava sua face de maneira carinhosa rosto a rosto e desceu até o pescoço, lhe dando vários beijos e chupadas arrancando suspiros e sons ofegantes, Julie passava a mão sobre o peito dele por cima do casaco. Sabiam imediatamente aonde aquilo iria dar.
— Milles?
— Julie!
— Aqui mesmo? Ela olhou para os lados. — Podem nos pegar aqui.
— Isso torna as coisas bem mais excitantes então.
Ele voltou a aproximar seus lábios já com saudade. Ela tinha muitos desejos por ele, e como o ruivo não deu para trás, ela que não recuaria indo até o fim. Antes que pudessem se tocar, Julie o afastou com a mão, a mulher retirava seu casaco o deixando ao chão, depois puxava a própria blusa para cima ficando agora de sutiã preto exposto. Reparou que ele a estava observando, quieto e quase hipnotizado, estava admirando a bela mulher a sua frente.
— Não vai fazer o mesmo?
— Ah, sim.
Repetiu o gesto dela rapidamente, deixando seu casaco e blusa ao chão revelando seu peitoral nu e levemente definido, nada muito anormal. Ele era magro mais tinha alguns músculos naturais e alguns trabalhados em seu corpo, pois na época de escola era do time de futebol americano tendo que aperfeiçoar seu corpo com exercícios. Julie sorria maliciosamente olhando-o, deixando um pequeno suspiro e a face avermelhada.
Naquela hora raramente aparecia alguém ali pois a maioria estaria interessado em dormir, por isso os dois teriam algum tempo, mas não sabiam até quando. As laterais da torre deveriam ter por volta de 1m de altura, assim ninguém os veria se ficassem abaixados. Julie o empurrou o fazendo ficar sentado ao chão sobre as roupas jogadas, enquanto se sentou em seu colo de frente.
Milles ia falar alguma coisa, mas a ruiva não queria saber de conversa, logo o envolvendo em um beijo, enquanto ele tateou a mão por seu corpo e tirou-lhe o sutiã, tocando os seios durinhos e perfeitos. O homem cessou os beijos, inclinando aquele o corpo para trás, a beijando carinhosamente pela barriga, subindo devagar, enquanto a mulher arfava, ele beijou os seios, mordendo de leve com seus lábios e envolvendo o biquinho com sua língua. Ela depois tentou se afastar para retirar suas roupas restantes, com ele não permitindo, a beijando nos ombros, rosto, chupando a orelha com seus lábios.. Ela chegou a sorrir com tanto amor e carinho.
— Não temos muito tempo Milles.
— É eu sei..
Ele pensava em tantas coisas com ela, explorar seu corpo, sua intimidade, muitos desejos. Antes era um pouco complicado fazer isso, pois sempre tinha mais alguém na barraca que estavam acampados e no acampamento era sempre movimentado por isso tinham que achar um lugar mais privado longe dos outros sempre que dava para ficarem juntos.
Neste momento tinham que se apressar, se afastaram um pouco e retiraram as vestes restantes. E logo já estavam colados de novo. De joelhos se aproximaram em um beijo e abraço apertado, Julie sorriu de maneira maliciosa roçando seus seios contra o peito dele enquanto se beijavam, Milles ia a loucura, e trouxe a mulher para si forçando seu membro duro na entrada de sua intimidade mas sem penetrar.
— Milles..
— Hm...
Ele a levava para trás para que ficasse deitada, hoje ela seria dele, e como seria. Mas a ruiva não perdeu tempo e se impôs, fazendo o movimento contrário e o deixando deitado de frente, se colocando por cima dele de uma só vez, e então os corpos se encaixaram, saindo um pequeno gemido de sua boca, enquanto ele arfava sorrindo, olhando aquele belo corpo.
No início ela se movimentava mais lentamente, soltando pequenos gemidos, ele agarrava seus seios fazendo a face da mulher se inclinar levemente para trás. Depois começaram a se mover mais rapidamente, desceu suas mãos por aquele quadril enquanto ela cavalgava, pressionando o corpo dela para baixo mais a fundo.
— Ah, hum.. Ela gemia com sua voz saindo cortada, mordia o lábio inferior, olhando a imagem de seu homem deitado, ele a deixava louca, e a fazia se esquecer dos seus problemas, do frio, e até de que eles poderiam ser pegos por ali. Naquele momento só queria saber dele.
— Ju..Lie. O ruivo suspirava com sua mulher sobre si e aquela imagem deliciosa dos seios com seu corpo balançando para cima e para baixo. Ele tentava ao máximo se controlar para estender o tempo que tinham juntos.
Os dois já ansiavam a tempos por isso. Após alguns minutos Milles a afastou para o lado a retirando dele. A mulher ia começar a reclamar, mas ele era ágil em atender suas expectativas.
— O que está fazen.
Imediatamente se colou atrás de sua ruiva, envolvendo seu quadril. Ela empinava seu corpo para trás contra o membro duro dele. Aquelas mãos passavam por toda sua silhueta enquanto os beijos desciam pelas costas dela, até a fazer se inclinar parar frente curvando seu corpo e colocar suas mãos esticadas para o chão e a pernas apoiadas pelos joelhos. Ele a penetrava novamente devagar, chocando sua cintura contra seus quadris, a puxando para trás enquanto ouvia seus gemidos que o enlouqueciam. Ela as vezes olhava para trás para vê-lo, o homem que a fazia se sentir a mulher mais amada e importante do mundo. Julie empurrava seu quadril para trás, como se dissesse para ele ir mais forte, entendendo o recado Milles aumentava a velocidade de seus movimentos jogando seu quadris para trás e depois para frente com força rápido, fazendo a mulher soltar gemidos mais altos.
Ela sentia seu corpo se contrair como se suas forças estivessem se esvaindo, revirando os olhos, e apertando o chão de madeira com firmeza e arrastando sua unha no processo de vai e vem até chegar ao orgasmo, gemendo mais alto e se sentindo mais leve. O ruivo sentia seu corpo chegar ao limite também, não conseguia mais se controlar, a apertou contra ele e então chegou em seu ápice dentro dela, a penetrando mais algumas vezes e depois se retirou ficando a seu lado.
A ruiva sorria vendo que era correspondida, ambos sentiam um enorme carinho e amor pelo outro, mas não eram pessoas do tipo que revelavam seus sentimentos, e sim daqueles que tentavam escondê-los. Ficaram em silêncio se observando, como se refletissem aquilo que haviam acabado de fazer, a tremenda loucura de se amarem em um local como aquele que poderiam ser pegos a qualquer momento. Era como se um esperasse pela palavra do outro, com medo de se machucarem, o medo de dar o passo adiante.
Por fim se abraçaram e se beijaram mais uma vez, recolhendo seus pertences e se vestindo.
— Preciso ir agora Milles.. Disse com um certo pesar na voz por ter que sair. Ia pensar deitada sobre aquilo, se dirigindo até as escadas diretamente, já que na torre não havia porta. Olhou para trás por um momento. — Você ficará bem sem mim? Se preocupando com a solidão dele.
— Vou tentar... Sorriu, tê-la por ali com ele era a melhor coisa que lhe aconteceu. Se pressionava, ele deveria ter dito alguma coisa, mas porquê era tão difícil. A amava, e tinha quase certeza que ela também, mas por que as palavras não saiam?! — Mas não garanto nada.
— Você vai conseguir se virar.. O mandava um beijo no vento. — Até daqui a pouco Milles! Acenava para ele, descendo as escadas e sumindo na noite.
Fim
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