Pelo Mundo
10 Season 1: Um Novo Amanhã
Notas iniciais
Capítulo 10 — Season 1: Um Novo Amanhã
Enquanto o escoltava Milles bocejava, sentia muito sono, seus olhos estavam vermelhos e ainda havia ferimentos em sua face. As pessoas levaram o invasor até uma sala, e de lá já entregue o ruivo deu meia volta e dizia a Carol. — Vou descansar um pouco, até depois.
— Tudo bem, você precisa mesmo. Eu farei isso daqui a pouco. —Falava a líder o olhando e depois cruzando seus braços. Enquanto isso Chaad era sentado em uma cadeira e tinha suas mãos amarradas, e a porta se fechava com duas pessoas o vigiando e o interrogando. Carol sorria encostando os óculos em sua face e dizendo. — Mas fique atento case precisemos de você.
— Tá. Foi em direção a saída do lugar.
— Milles espera. — Carol se lembrava de algo e foi em sua direção o segurando no braço.
— O que foi? —Olhou para ela, bocejando.
— Eu queria lhe agradecer por tudo ontem. —Fez uma pequena pausa se lembrando do ocorrido. — Por ter nos ajudado, você, digo tu e sua irmã fizeram mais do que muitas pessoas por aqui, e não sei o que teríamos feito sem vocês.
— Ah que isso, não foi nada sabe! —Disse passando a mãos nos cabelos um pouco sem jeito e abrindo um tímido sorriso.
— Então, eu só queria lhe dizer isso... —Depois a mulher deu um passo a frente e o abraçou rápido. — Muito obrigada.
Milles foi surpreendido pelo gesto, sempre havia visto Carol de maneira mais firme e séria, nunca a tinha visto um pouco sentimental, ele não esperava por aquilo. Por fim decidiu retribuir o gesto a abraçando por alguns segundos e depois se afastando dando um passo para trás. Carol ficou o olhando até que ele saiu. O ruivo foi até a sua barraca, se espreguiçando elevando suas mãos para o alto, e depois voltou a dormir ao lado de Selene por mais algumas horas.
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Selene despertava, e olhava para os lados, ela tinha ido dormir momentos antes quando seu irmão a mandou entrar quando ele foi ver o que tinha acontecido lá fora. Dormiu por longas horas e agora por volta das cinco da tarde, viu seu mais velho apagado e se levantou devagar para não despertá-lo, pegou seu arco o deixando preso em um cinto nas costas, e sua pistola a deixando na cintura. Foi para fora da barraca e de lá viu as pessoas trabalhando em diversos afazeres, se aproximou de Jhon, o homem estava serrando umas madeiras e ao lado dele duas outras pessoas faziam o mesmo.
— Olá Jhon, o que anda aprontando?
— Hey, olá Selene. —O homem parava de serrar, passando o pulso na testa para limpá-lo do suor. Olhou para a garota. — Estamos reconstruindo a base, tivemos muitas coisas destruídas e avariadas. E Carol pediu para que trabalhássemos na reconstrução dela. —Virou a face para o lado. — Por mim isso e tudo perda de tempo, este lugar já está morto.
— Entendo. — A garota se aproximou colocando a mão do bolso. — É por que acha isso?
— Os bandidos irão retornar, só não sabemos quando. Estaremos todos mortos. —Disse a outra pessoa.
— Sim isso mesmo, a essa hora deveríamos estar dando o fora daqui, este lugar não e seguro. —Falou outro dos ‘carpinteiros’.
Jhon olhou para seus amigos e depois para a Scoth. — Viu Selene, não só eles, mas parece que a maioria daqui já sabe disso.—Olhou para frente, viu várias pessoas caminhando e seus olhares tristes. — Este lugar esta fadado ao fracasso, todos já perceberam isso, exceto a Carol. —Colocou a serra em cima da bancada de madeira. — Tem gente já dizendo em sair.
— Nossa. Mas Jhon. —Selene cruzou os braços, e aproveitou para dar uma rápida olhada no acampamento, reparou que os moradores estavam infelizes, perderam muitas pessoas no ataque, suas coisas. Para alguns este lugar representava lembranças ruins. — E para aonde pensam em ir?
— Para qualquer lugar bem longe daqui e desses bandidos. —Jhon respondia rapidamente, e colocava suas mãos sobre a bancada de madeira.
— Podemos ir para as montanhas, e bem mais seguro, e os caminhantes não vão conseguir nos seguir até lá. Poderíamos fazer uma base perto do topo. —Expressava o outro homem um pouco mais animado pensando na ideia.
— Para algum sítio ou uma fazenda. —Se aproximou o terceiro homem deixando a serra na mesa. — Teríamos um lugar para plantar e colher, seriamos autossuficientes.
Jhon ia para frente de Selene e disse colocando a mão sobre seus ombros. — Talvez até arranjar um barco e se refugiarmos em uma ilha.. Sim.. —Acariciava o queixo com a mão livre. — Sim isso mesmo, como não pensei antes. —Olhou nos olhos dela. — Fale com o seu irmão, sem dúvida que ele nos apoiaria.
— Hm, eu não sei. Mas confesso que gostei das ideias, mas como Carol disse teríamos que fazer uma reunião antes de decidir. —A garota cruzava seus braços pensando nas ideias, gostava delas, e de fato o acampamento já havia deixado a desejar. Um lugar como aquele no meio da estrada não e muito difícil de ser achado. — Vou ver com ele e com os outros. E a propósito Jhon, posso falar com você em particular um segundinho?
— Hum, mas e claro.. —Ele se afastou dos outros indo para um canto com ela. — O que foi?
— É que eu preciso de mais flechas sabe, aquelas eram muito poucas.
— E eu de mais vinho. Quando eu fugi com Sully e as crianças acabamos topando com uns mordedores e no calor do momento quando fiquei sem balas, tive que quebrar a garrafa na cabeça de um deles para me proteger. —Se lembrava do desespero de quase ter sido mordido, com as crianças chorando e Sully dizendo para ele se livrar da garrafa. — Não tive escolha.
— Mas eu não tenho Jhon, se eu arranjar algo prometo que te dou em troca.
— Mas isso ainda não e o suficiente Selene.
—Então neste caso. —Thomas aparecia ao lado deles, surpreendendo-os. —Isso serve para você? —Mostrava para ele uma caixinha de cigarros fechada.
— Mas e claro que sim. —Disse Jhon pegando a caixinha.
Enquanto isso Selene o olhava. — Não sabia que fumava Thomas.
— Depois de ontem, acho que todo mundo passou a fumar... —Suspirou e voltou seu olhar para Jhon. — Traga todas as suas flechas para ela Jhon, tenho muito mais de onde veio esse.
— Está bem, vou buscar.—O homem saia dali em direção aonde ficavam as suas coisas.
— Obrigada Thomas, eu não sei o quê..
— Opa opa, pode ir parando.. —Interrompia sua fala ficando de frente para ela. — Eu lhe devia uma por confiar em mim. Selene.. E a propósito, tem algumas coisas que eu gostaria de falar com você.
— É sobre o que seria? — Disse olhando-o serenamente.
— Bem e sobre.. — Fazia uma pausa, pois reparou que Jhon aparecia.
— Aqui está Selene. —Entregava para ela uma aljava com cerca de 20 flechas. — Faça bom proveito. E Thomas, isso vai lhe custar mais uns maços. Agora com licença que vou continuar com o trabalho, vamos fazer umas paliçadas.
— Está bem. —A garota ia se afastando do homem enquanto Thomas a seguia. — Então o que ia me dizer antes.
— Bem, deixa pra lá.. —Disfarçou olhando para o céu. — Está ficando tarde, já está escurecendo. E que a Carol foi descansar e me pediu para que chamasse você o seu irmão e a Julie para uma missão.
— Que missão? —Perguntou a garota curiosa, andando em direção a sua barraca que agora era a mesma que a de seu irmão, e olhava sua aljava nova bem como as flechas.
— Sabe aquele carro batido na estrada que Steve e Bryan estavam? Então. Vamos lá tentar recuperar nossos suprimentos roubados, vamos pegar de volta e trazer pra cá. Só espero que ninguém tenha pego. —Cruzou o braço. — O Ed consertou um carro para nós, vou ir lá ver como está, vá chamando seu irmão e a Julie.
— Está bem. —Sorria notando que Thomas fez o mesmo antes de partir, e então entrou para a barraca.
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— Meu irmão?— Se aproximou notando que ele estava dormindo, tocava seus ombros para acordá-lo. — Milles, Milles, acorda.. ACORDA!
— Quê? O que foi? Me deixa em paz.. —Virava para o outro lado.
— Ah, hmf.. —Cutucava ele mais. — Carol quer que façamos algo, temos uma missão para fazer.
— O quê? —Respondeu o ruivo.
— Pegar os suprimentos roubados do carro de Steve.
— Boa sorte para vocês.
— E isso inclui nós dois Milles, hmf.
O mais velho se virou para olhá-la. Sua própria face estava bem menos desinchada, se espreguiçou e ainda queria ficar mais tempo deitado para se recuperar, mas precisavam dele, e sem contar que ele não deixaria sua irmã sair por aí sozinha, colocou a mão sobre a testa e suspirou, levantando seu corpo e permanecendo sentado. — Está bem. Hm.. Não me deixam mais descansar por um instante. —Pegou seu rifle ao lado de sua espingarda o deixando travado, também pegou suas duas pistolas a guardando sobre a cintura e também sua machadinha. E se lembrou de pegar algumas poucas munições e também deu a sua irmã. Reparou que a Selene estava com um objeto novo e mais flechas. — Onde conseguiu isso?
— Gostou? —Olhando o interesse do irmão, mostrava para ele a aljava. — Thomas conseguiu para mim com o Jhon.
— Hm, bem legal. É e estranho essa atitude do Thomas.. E não se esqueça de usar sua arma de verdade.
— O arco composto também e uma arma de verdade hm. —Colocou as mãos na cintura. — Mas não sou boba, tenho a pistola que você me deu.—Saia para fora da barraca. — É o Thomas só foi legal, ele acha que eu fui gentil com ele e quis retribuir.
— Hum sei. —Milles saia da barraca se ajeitando.
— Quê? Não seja bobo meu irmão.. E precisamos chamar a Julie também.
— A Julie? .. —Ficou pensando por uns instantes. — Tudo bem, então faremos assim. Vê se você consegue arranjar mais munições para nós e deixe que eu chamo a Julie.
— Está bem Milles, vou lá e depois estarei aqui te esperando.
Viu Selene sair e então se espreguiçou pela última vez e seguiu em direção ao lado oposto. Enquanto caminhava viu os olhares tristes dos moradores, eles haviam perdido muitas pessoas e poderia entender suas dores, prosseguiu em silêncio. Andando pelo caminho viu pessoas criando uma estrutura de madeira, talvez uma casa pensou ele, foi até a extremidade do acampamento e de lá procurou por Julie. — Julie? —Gritou ele, olhando o caminho. Havia uma barraca destruída, um grande buraco que formava um caminho na cerca e uma árvore. — E agora onde será que ela se meteu? —Olhou para os seus lados e saiu pela cerca através da passagem. Do lado de fora tudo parecia calmo, e em seu lado direito um pouco longe tinha um pouco de terra amontoada como se fossem túmulos das pessoas que viveram e morreram no ataque a base. ‘’Foi uma grande tristeza passarmos por tudo isso, mas por sorte, eu e Selene terminamos bem’’.
E então perto dali se ouviu um barulho de um galho se quebrando, perto das árvores. Milles achou que fosse algum mordedor e se aproximou dele sorrateiramente, se moveu de um tronco a outro de maneira cautelosa, e ficou atrás de um que parecia ser bem antigo e largo, ótimo para esconder-se. — ‘’O que será que foi isso?’’ Moveu a face para olhar e dali viu Julie parada observando alguma coisa, a viu distraída e pensou em assustá-la. Foi para atrás dela, um passo de cada vez bem devagar e então a agarrou pela cintura. A ruiva por sua vez levou um susto e se abaixou rápido, girando sua perna para o lado e o acertando dando uma rasteira fazendo Milles cair de costas ao chão e sua arma ao seu lado.
Julie levava um susto. E o ruivo antes de cair a puxava pelo braço para ele, fazendo ambos irem ao chão com ela por cima de si. A garota se moveu rápido e tirou uma pequena faca de sua manga e apontava para o pescoço dele. — Mas você é.. Milles! O que está fazendo aqui? Ambos se entreolharam e seus olhares se cruzavam, sorriam. Julie tentou se levantar já que se encontrava sentada sobre sua barriga. Mas o ruivo a segurava pela cintura a puxando mais para ele, e a ruiva por sua vez colocou a faca para o seu lado no chão.
— Te vi distraída e pensei em lhe dar um susto, vim te chamar... —Olhou para os lábios dela e aproximava os seus. — Parece que temos trabalho a fazer. —Ele a olhava, gostava de estar assim com ela, o fazia se esquecer um pouco de tudo. Aproximou sua face fazendo seus rostos se encostarem e suas respirações estarem bem próximas.
— Hm, e deixe-me adivinhar, você não veio aqui só para me chamar.. —Ela começava a alisar o peito dele de forma carinhosa. — Eu sinto suas segundas intenções.
— Não mesmo. —Respondeu ele prontamente, com um breve sorriso. — Minhas intenções sempre foram uma só. — Depois selava os lábios dela em um beijo.
Algo que pareceu ser correspondido logo em seguida. Depois os dois ouviam sons de passos devido ao silêncio do local e então se afastaram tentando disfarçar olhando para lados opostos. A ruiva ficou de pé e foi para o outro lado, enquanto o homem permaneceu sentado com a perna esticada e a outra retraída para ele com o seu pulso encostado sobre o joelho. O sol começava a se pôr e logo iria escurecer.
— Milles! —Chamou Selene com a cara emburrada se aproximando de ambos e cruzando seus braços. — O que fazem? Estávamos esperando por vocês, agora não e hora de ficarem olhando o pôr do sol hmf.. —A garota descruzava seus braços e puxava seu irmão tomando seu braço. — O carro já está pronto. Os encarou por um momento, Milles era puxado e a seguia enquanto Juie aparecia andando logo mais atrás. — Precisamos ser rápidos antes que fique mais tarde.
— Já vou, já vou tsc. —O ruivo a respondia, pegando sua arma do chão. Sendo guiado por sua irmã com cara de quem não estava muito afim de sair naquele momento. Se soltou do braço da mais nova e a seguia, enquanto tirava um pouco da terra de sua roupa, e então os três seguiram até mais a dentro do acampamento.
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Dentro da base Thomas esperava pelos três, estava encostado no capô da caminhonete quase sentado. Enquanto Ed averiguava o carro para saber se tudo estava direito, quando Milles, Selene e Julie chegavam ele desejou boa sorte para eles e se retirou. Thomas fez gesto com o polegar para trás para que todos se dirigissem para dento do veículo, ele se sentou no banco do motorista, Milles foi para trás nas malas da caminhonete já que era bem espaçosa, Selene seguiu seu irmão indo para o lado dele. Julie também ia para trás, mas como sobrou espaço na parte da frente resolver ir ali mesmo. Saíram da base, a frente dela ainda estava destruída mais foi uma das primeiras coisas a serem parcialmente recuperadas, havia umas madeiras servindo de proteção como se fossem estacas afiadas junta a alguns carros que eram usados como barreiras, quando o veículo passava as pessoas do acampamento os tiravam do caminho, e então eles saíram.
Enquanto percorriam o trajeto até o antigo carro de Steve, o mundo anoitecia e Milles estava deitado, com suas mãos atrás da cabeça como um travesseiro. E Selene ao seu lado sentada, olhando seu arco, depois a garota o apoiou em cima de sua perna e chamou seu irmão.
— Irmão?
— O que foi?
— Algumas pessoas estavam dizendo antes que este lugar não e mais seguro, que não tem mais jeito. –Fazia cara de preocupada e olhava seu irmão. — Deveríamos permanecer unidos e ainda mais agora com o perigo a solta.
— Mas uma hora ou outra isso iria acontecer Selene, nenhum lugar mais e seguro. —Virou a face para ela. — Todos devem estar preocupados em achar algum novo lugar. Enquanto nós temos apenas que nos preocupar em como vamos nos manter vivos.
O carro passava por cima de alguns buracos na estrada e trepidava, e a garota se segurava no ferro. — Isso e o mesmo que os outros estavam dizendo. Nos manter vivos?!
Milles batia sua cabeça no carro quando ele trepidou, sentiu dor e ficou esfregando a mão em cima da pancada. — Hey Thomas dirija direito aí.
— Eu estou tentando droga. O farol do carro está ruim e não tem mais as luzes do poste lembra?! —Respondeu Thomas na frente, tentando enxergar a estrada a noite.
— De qualquer maneira creio que as pessoas do acampamento devem resolver isso hoje irmão, só espero que as coisas se saiam bem.
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Passaram-se uns 10 minutos e eles chegavam no local. Estacionaram o carro no acostamento e desceram do mesmo, Julie usava um lanterna que usava para clarear o caminho por onde andavam e por isso ficava no meio, na frente estava Milles e Thomas e atrás do ruivo sua irmã, que olhava para todos os lados preocupada e assustada.
— Vamos logo terminar com isso que não tenho o dia todo. —O Scoth tirava sua machadinha do bolso a deixando preparada na mão.
Enquanto Selene colocava uma flecha no arco e o preparava para o combate.— Seria bom se tivéssemos outra lanterna. Alguém tem algo aí, Milles, Thomas?
— Eu tenho um isqueiro. —Disse os dois homens ao mesmo tempo.
— Não, acho que isso não vai bastar. —Disse a garota balançando o rosto de maneira negativa.
— Eu achei o carro. —Disse Julie apontando a lanterna para ele, depois iluminando a sua volta, não havia indícios de nenhuma criatura ali e o local parecia estar seguro.
— Thomas, só me dê cobertura. — Milles deu uns passos a frente, o veículo estava da mesma forma que encontraram naquele dia, pareceu que nada foi mexido. Ainda havia rastro de sangue nos bancos e no chão, vidros quebrados, e fedia a carne podre. Afastou uns corpos mortos para fora do carro e o revistou dentro junto de Thomas. — Parece que tem nada aqui.
— Deve estar na mala. —Disse o outro homem indo para trás.
Julie estava a uns cinco passos atrás dele iluminando ali, e Selene ao seu lado dando cobertura aos três.
— A mala não abre. Está trancada. —Thomas fazia força para abri-la.
— O carro quando bateu na árvore o choque do impacto deveria ter aberto. Vamos forçar então. –Pegou sua machadinha e ia tentar bater na mala, mas Selene gritava com ele.
— NÃO! —Ela se aproximou ao seu lado. — E se isso disparar o alarme?
— Podemos tirar a bateria. Deu um passo a frente.— Julie vem comigo. Thomas foi até a frente do carro e abria seu capô, a ruiva o ajudava com a luz, cerca de oito minutos depois, ele reaparecia na frente dos irmãos carregando a bateria. — Pronto, agora podem fazer o que quiserem.
Milles dava umas machadadas no porta malas, mas não dava muito efeito. Resolveu bater diversas vezes no mesmo ponto até conseguir abrir uma pequena fenda. — Droga desse jeito vai nunca.
— Tente usar isso. —Julie entregou para ele a sua picareta. — Podemos usar como se fosse um pé de cabra.
— Boa, talvez isso dê certo. —Afirmava Selene sorrindo.
Milles pegou a ferramenta, enfiou a parte metálica pela fenda e fazia força para cima pelo cabo, ainda não parecia ser o suficiente e então Thomas resolveu lhe ajudar. Ouviram um barulho e a mala levantava, revelando umas quatro caixas médias de papelão ali dentro.
— Opa, parece que conseguimos. —O ruivo devolveu a picareta a Julie e depois segurou duas caixas empilhando uma em cima da outra.
Thomas fez o mesmo levando as duas últimas, e aproveitou para dar a bateria do carro para que Julie levasse, pois imaginou que ela poderia ser útil algum dia. A ruiva por sua vez deu a lanterna para Selene para que a garota iluminasse o caminho de volta até o carro que estava a uns trinta passos dali.
No caminho até o carro ouviram uns barulhos saindo do mato. Selene apontou a lanterna para ele e viram dois mordedores se aproximando, os homens viram aquilo e não acharam de nada, achou que Selene poderia dar conta com seu arco já que estavam longe. Eles apertavam seus passos até a caminhonete para deixarem as caixas lá e depois voltariam caso precisasse, Julie por sua vez deixou a bateria no chão e puxou sua pistola para ajudar Selene mirando nos cadáveres.
— Não precisa Julie, deixe que eu cuido disso. Eu também tenho que aprender a me virar não é?!
A ruiva só a olhava em silêncio e então abaixou sua arma para o chão, mas observava a cena caso precisasse entrar em ação. O arco composto precisava das duas mãos e então a mais nova teve que guardar a lanterna, enquanto puxava uma flecha das costas e a armava. — Só mais um pouco. — Mirava a flecha na cabeça da criatura, era um pouco pesado a arma, sua mão tremia. E então atirou.
Acertava a boca da criatura, parte da flecha era visível do outro lado, ficou presa e o alvo continuava se aproximando. — Droga. –Exclamou a garota já recarregando a arma com outra ponteira. Depois mirou e atirou, fazendo a flecha se enterrar no crânio do zumbi e o matando na hora. Neste momento Julie só a observava, Selene preparou outra flecha e esta acertava de primeira no outro, fazendo a cabeça se afastar do corpo a uns dez metros para trás.
— Muito bom. Falou Julie tentando animá-la. — Você tem melhorado bastante. — Pegou a bateria e foi até o carro.
— Eu acho que melhorei né? —Falava sem jeito e com um largo sorriso gostando daquilo. — Hey me esperem. —Foi até o corpo dos zumbis para pegar as flechas de volta, já que eram poucas e era muito chato ter que negociar com o Jhon toda vez. Ela fez força para desenterrá-las dos crânios, depois as limpou de sangue na roupa dos cadáveres e as guardou de volta indo até o carro.
Todos haviam entrado na caminhonete e ficado no mesmo banco que estavam na ida. Quando Selene subiu deram a partida no automóvel e Milles a abraçou e se sentaram lado a lado com as costas no vidro (janela atrás da caminhonete).
— Você foi ótima.
— Valeu! —Com um largo sorriso o olhando.
— O que será que tem nessas caixas? —O ruivo estava curioso, elas estavam ali na mala com eles, abriu uma delas e viu embalagens de macarrão, comidas instantâneas. Na seguinte havia um engradado de garrafas plásticas de água, na outra tinha algumas pistolas e munições, e na última biscoitos variados, caixas de fósforos e alguns remédios com nomes estranhos (antibióticos e algumas aspirinas). Foi logo nos biscoitos, jogou dois para frente para Julie e Thomas, e pegou também para ele próprio e sua irmã.
— Hm, eu estava mesma com fome irmão. —Olhava para o biscoito em suas mãos. — Será que podemos pegar? E do acampamento.
— Pegar o quê? —Falava já mastigando um biscoito com a embalagem aberta.
— Pode pegar Selene, nós merecemos. E agora estamos cheios de suprimentos de novo.
Thomas abriu a embalagem e comia enquanto dirigia com uma das mãos já que a estrada estava livre e não exigia muito de si. Julie ao seu lado comia também, e olhava para a janela olhando o cenário lá fora.
— Na verdade mesmo. — Milles falava alto para que o pessoal que estava na parte da frente o ouvisse. — Eu preferiria um daqueles hambúrgueres, não, dois deles. Também sinto falta de panquecas e waffles.. Ou melhor pizzas!
— Pizzas seria ótimo. —Respondeu Julie se virando para eles e olhando para trás pelo vidro. –Eu sabia fazer ótimos waffles.
— Katie também era boa na cozinha, ela sabia fazer deliciosas panquecas. —Thomas era levado pela conversa e deixava escapar aquelas palavras. Isso o fazia se lembrar de seu amor antes da vida tirar tudo dele, se sentiu triste e voltou a olhar para a estrada. Ele ainda se lembrava e pensava nela todas as noites sozinho.
— As pessoas vão ficar felizes por termos trazido tantas coisas de volta— Respondia Selene rapidamente mudando de assunto. Ela sentiu algo gelado pingar na sua cabeça, olhou para o céu e reparou que caia flocos de neve, iria nevar.
— Sim, e que dividam as coisas logo. Só esse biscoitinho não irá saciar a minha fome e ainda pretendo dormir se alguém deixar. — Olhou para Selene. — E resolver uns assuntos pendentes. —Olhou para Julie pelo vidro, e a ruiva por sua vez o olhou pelo espelho retrovisor.
E todos continuavam seu caminho de volta para casa...
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Enquanto isso no acampamento as pessoas se preparavam para uma reunião sobre o destino do lugar. Carol estava sentada ao redor da fogueira junto com a maior parte dos moradores dali, enquanto outros faziam a ronda. Ela acendia o fogo jogando um pouco de álcool e um palito de fósforo aceso. Todas as pessoas a sua volta reclamavam sobre o ocorrido e o que iriam fazer, poderia-se ouvir o choro de algumas crianças, todo aquele barulho e críticas a fazia pirar. Fez gestos para que parassem de falar e respondia.
— Pessoal, vamos esperar até eles voltarem. Quando todos estivermos reunidos começaremos a reunião.
— Carol temos que sair desse lugar, corremos todos um grande perigo.
— Já deveríamos ter partido a tempos. —Exclamou um outro homem.
— Não isso e loucura, e para onde iríamos?
— Vocês só podem estar brincando!
— E ter que começar tudo de novo fugindo dos zumbis lá fora? Eu prefiro aqui.
Enquanto as pessoas conversavam, a mulher tirou de seu casaco um maço de cigarros, depois acendeu com seu isqueiro levando o fumo a boca. — Não eu já falei.. Será que eu vou ter que repetir de novo? Este assunto só falaremos quando os outros chegarem, agora falem de outra coisa.
— Vamos esperar eles, já devem estar a caminho. –Respondeu Ed sem muitas palavras e permaneceu em silêncio.
— Só espero que eles não demorem. Odeio esperar. —James cruzava os braços já impaciente, ergueu o corpo para trás já que se encontrava sentado no chão e ficava olhando a lua.
Jessie também estava impaciente, ela andava em linha reta aguardando, depois dava meia volta e repetia o processo. Isso chamava a atenção de Carol pois a fazia ficar mais irritada.
— Jessie sente-se por favor. Ficar assim não vai fazer eles chegarem mais rápido.
Jessie se sentava ao lado de James, este que ficava a olhando e recompôs sua postura.
— Sinto fome. —Disse uma criança. Ela quebrava o clima de seriedade do momento, e então todos olharam para ela sorrindo e ficavam em silêncio.
— Já foram buscar algo para nós pequeno. —Disse Carol esboçando um leve sorriso para ele. A mulher já estava impaciente com tudo isso, mas tinha que dar o exemplo por ser a líder e aguardava sem reclamar.
Todos conversam sobre diversos outros assuntos para se distrair e passar o tempo, cerca de dez minutos depois Michelly a mando de Carol tinha ido buscar comida e água para a reunião, ela ao lado de Jhon se aproximavam trazendo duas sacolas. Todos se alegravam mais, cada um pegava uma garrafa de água e alguma comida, logo utilizando-os.
— Carol. —Chamou Michelly se abaixando e ficando ao seu lado, sussurrando em seu ouvido. — Em uma das sacolas só haviam biscoitos, decidir trazer essa mesmo por ser um alimento mais rápido. E a propósito e o nosso ‘prisioneiro’?
— Okay, serviu bem a ocasião. —Ela sentiu um vento frio passar por eles, olhou para o céu e percebeu que começava a nevar. — Deixei o Gabriel e mais um vigiando ele. —Olhou para o pulso e puxou a manga onde havia um relógio. — Espero que eles não demorem mais.
Nesse meio tempo foi possível ouvir um barulho de algo chegando, algumas pessoas se levantaram para olhar. Na parte da frente da base as pessoas que vigiavam retiravam os carros que formavam uma barreira e também algumas lanças em formas de paliçadas. A caminhonete prosseguia o caminho mais a dentro até a direção onde todos se encontravam e então parava. Thomas e Julie saiam pela frente e Selene e Milles pulavam da parte de trás.
— Trouxemos tudo Carol, por sorte ninguém mexeu lá. Agora até. —O ruivo dava meia volta em direção até sua barraca.
— Você vem cá. —Carol o puxava pelo braço. — Você não vai embora, precisamos de vocês aqui pois vamos começar uma reunião e estávamos aguardamos vocês
Selene riu e se aproximou da fogueira se sentando ao lado de seu irmão, este que pegou uma garrafa de água e mais um alimento para ambos. Com todos reunidos Carol começava a reunião ficando de pé próxima a fogueira e falava se virando para todos.
— Pois bem, como todos sabem essa reunião se trata sobre o destino deste acampamento. —Fez uma pequena pausa, a neve começava a querer apagar o fogo, a mulher pegava um galho caído e jogava na fogueira. — Algumas pessoas querem procurar outros lugares para irem e outros acham que devemos ficar. Agora eu quero saber a opinião de vocês, um de cada vez quem for falar se levante, se dois levantarem o que se levantou primeiro irá falar e o outro esperar. Agora me digam a opinião de vocês.
Jhon que estava sentado logo se levantou de imediato. Sentia medo, pois achava que os bandidos voltariam querendo se vingar, o local estava destruído e não tinha tantas defesas, e a sua localização era fácil de ser achada por qualquer um, já que usaram um posto como sua ‘capital’, e ainda havia o perigo constante de zumbis. — Acho que deveríamos achar um bom barco e fugirmos para alguma ilha. Ficaríamos bem longe dessas coisas e mais protegidos.
— Estás louco? onde acharemos um barco aqui no Colorado?—Respondeu Ed. — Essa e uma péssima ideia, mesmo se fizermos o que você diz teríamos que atravessar outros estados até a Califórnia. Seria pelo menos dez vezes mais perigoso do que estamos agora. Aqui já começou a nevar e logo os zumbis ficarão mais lentos e poderemos contra eles.
— Ed não o interrompa por favor. —Pediu Carol delicadamente.
Ed ficou quieto, achava aquilo uma grande besteira, mas deixou que Jhon continuasse.
— Bem essa e a minha opinião, ficarmos mais tempo aqui só nos trará mais tragédias. —Depois Jhon voltou a se sentar.
Depois outra pessoa se levantava e começava a falar. Enquanto isso Milles comia seu biscoito quieto, achando aquilo muito chato e entediante, pensava em ir até a sua barraca e dormir, sua irmã por outro lado estava quieta e prestando bastante atenção, ela se sentia incluída como se estivesse no congresso ouvindo a opinião dos outros. A Scoth sentia seu cabelo ser puxado e olhou para o lado, viu Carol e pensou que não tivesse sido ela, olhou para o outro e viu seu irmão, fez cara feia para ele, este que só disfarçou fingindo que prestava atenção. Quando Selene se distraiu novamente o ruivo repetiu o ato, a fazendo se virar para ele e reclamar. — Para Milles humf..
O mais velho se ajeitou ficando mais perto dela e falando ao seu ouvido. — Isso está muito chato, podíamos entrar na barraca, dormir ou tomar um pouco de vinho.. Está esfriando muito aqui fora.
— Fique quieto, quero prestar atenção. —Falava sussurrando e depois voltando a olhar para frente.
— Não sei como consegue ficar aqui, preferiria estar matando aquelas coisas lá fora. Em falar nisso reparei que a Jessie não para de olhar para mim. —Mandava um sorriso para ela. — Vou sair pra caçar amanhã, você podia vir junto, tu sabe que eu sou muito bom nisso.
— QUIETO! —A mais nova falava mais alto.
Neste instante o homem que discursava parava de falar, e todos ao redor da fogueira passaram a olhar para os irmãos. Carol os olhava séria e respondeu. — MILLES, SELENE, FAÇAM SILÊNCIO POR FAVOR!
— Me desculpe Carol. —Respondia Selene de cabeça abaixada.
Milles por sua vez apenas virou o rosto fingindo que nem era com ele, e esticou suas pernas.
— Podíamos procurar algum sítio com uma boa fazenda. —Se levantava outro homem. — Não podemos ficar pulando de cidade em cidade sempre, uma hora os produtos estragariam, além de ser perigoso. O homem terminou de falar e então se sentava.
Outro homem se levantou. — Eu concordo com ele, e o melhor local que sugeriram até agora.
James se levantava, enquanto quem estava de pé se sentava, ele respondeu. — Sim, mas ainda precisamos achar um lugar e de preferência que não seja muito longe, e bem fértil.
Sully se levantou de imediato. — Carlos tinha uma fazenda onde morava sua família, nós costumávamos os visitar quando nos conhecemos. Ela ficava nos limites do Colorado com Utah, nas Grandes Planícies. Eu conheço o caminho, mas...—Fez uma pequena pausa com um certo pesar. — Mas nunca mais conseguimos entrar em contato com eles desde que isso tudo começou, temo que as coisas não terminaram muito bem.—Se lembrou com os olhos cheios de lágrimas, Michelly se aproximou dela e a consolou, ambas se sentavam em volta da fogueira.
— Bem, acho que o problema do lugar foi resolvido então. —Sentiu uma pancada no antebraço. — Aí. —Olhou para seu tio Ed que o olhava de cara feia, como se fosse para ele mostrar mais respeito.
A maioria das pessoas pareceram concordar com o lugar e algumas outras poucas ficaram em silêncio. Até mesmo Jhon achou a ideia razoável embora ele próprio não colocaria os pés lá a não ser que soubesse que fosse seguro. Depois de mais meia hora conversando, Carol se levantava.
— Acho que já chegamos a um consenso então. Sully acha que pode nos guiar até lá?
— Sim eu conheço o caminho, mas da última vez, o trânsito estava todo parado e muitos desses mortos atrapalhavam a pista, e então tivemos que recuar.
— E quando foi isso?
— A pouco mais de um ano. —Respondeu a mais velha.
— Nesse tempo as coisas já devem ter melhorado.
— É o que eu espero. —Respondeu a mulher.
Carol fechou seus olhos brevemente e suspirou. — Precisamos criar uma equipe de expedição até lá, para verificar o lugar e saber se tudo está bem, antes de todos nós irmos. —Ajeitou os óculos em sua face. — Temos suprimentos para um pouco mais de um mês, mas e sempre bom encontrarmos mais. Alguém tem alguma ideia de local?
— Podíamos voltar para aquele mercado e antes, ainda havia alguns produtos por lá. O problema seria trazer todos eles por causa do carro, que ainda não está muito confiável.
Milles ficava olhando de um lado a outro, pensando logo na hora que aquilo terminaria para poder ir dormir. Quando ouviu sobre suprimentos começou a se interessar na conversa, se levantou devagar sorrindo e confiante dizendo. — Eu acho que conheço um bom lugar onde tem recursos valiosos.
Todos haviam percebido o desinteresse do ruivo na reunião, mas agora pareceu que ele estava renovado na conversa, ou talvez só estivesse levando na brincadeira, pensou Carol. As pessoas o olharam, principalmente sua irmã ao seu lado, Thomas e Carol. Esta última que lhe perguntou embora não muito confiante na resposta.
— Onde Milles?
— Em Villeneuve.
— Quê? Você só pode estar brincando irmão.
— Está brincando Milles? — Falava Carol o encarando séria.
— Você não pode estar falando sério. —Questionou Thomas.
— Talvez isso até pode ser uma boa ideia. —Respondeu Julie como se analisasse a proposta.
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