Pelo Mundo
5 Season 1: O Passado de Thomas
Notas iniciais
Capítulo 5 — Season 1: O Passado de Thomas
Depois de um tempo, Carol e Selene terminavam aquela nova empreitada. Para a mais nova era sempre bom adquirir novas formas de conhecimento, era muito útil, ainda mais para o mundo atual
— Finalmente acabamos. —Suspirou, ajeitando seus óculos em sua face. — Vou dar uma olhada para ver como os outros estão se saindo. —Olhava para o serviço feito. — Depois guarde isso lá na minha sala caso precisemos. É Selene, aproveite e descanse um pouco, você está desde cedo me ajudando. Faça uma pausa e conheça nossos outros membros.
— Está bem Carol, farei isso. —Respondeu a garota prontamente, a olhando sair. No total as duas haviam feito seis garrafas de molotov. Selene pegava três apoiando em seu peito e carregava até a sala da mulher que ficava em cima do posto subindo as escadas. Entrando lá, poderia ser visto um quarto improvisado, com uma cama, algumas caixas empilhadas nos cantos, um armário pequeno, uma mesinha no centro e um sofá encostado no meio entre as duas janelas. — Bem, e melhor do que aonde eu durmo.. A garota descia as escadas para pegar o restante das garrafas para guardar, olhou para o lado e dali a uns trinta metros via uma antiga loja de conveniências do posto, que agora era usada para guardar os suprimentos do lugar. Haviam dois guardas armados do lado da frente da porta de vidro, e de lá de dentro conseguia ver uma mulher atrás do balcão, esta que parecia tomar conta do local. Ficou impressionada pela organização do lugar, ainda mais com tudo o que acontecia lá fora...
— É incrível como a Carol consegue manter este lugar funcionando.
Selene foi até atrás do posto para recolher os materiais que sobraram, até que viu uma sombra de uma pessoa se aproximar da árvore que tinha encostada na cerca, era rápida e furtiva, tal como um felino. A garota olhou para os lados para saber se mais alguém também havia visto, notou que não e decidiu ir atrás ver. Sacou seu facão e foi até tal árvore, era grande, mas estava tudo quieto e em silêncio, e apenas as suas folhas balançavam com o vento. De frente com a árvore Selene percebia que não havia ninguém, olhava para o alto nos galhos, e depois abaixou sua face. Foi neste momento que viu uma sobra do lado da sua aos seus pés.
— Por que está me seguindo?
Selene se virou rapidamente, olhando quem quer que fosse um pouco assustada. — Eu não estava te seguindo. —Reparou que era uma mulher. — Eu pensei ter visto alguém e decidi ver quem era. —Selene reparou que era uma garota jovem de idade próxima da sua, por volta de seus vinte a vinte e dois anos. Tinha cabeços ruivos curtos e uma franja que caia sobre seu olho direito. Tinha uma mochila pequena e uma picareta metálica com suas hastes de ferro estendidas, guardada na cintura. Ficou a observando, estava tensa já que não a conhecia, e como ela andava furtivamente não sabia se ela era ou não do acampamento. Notou que a desconhecida estava a encarando e ficou a olhando, até que decidiu dizer alguma coisa.
— Olá, eu me chamo Selene. Qual é o seu n..
— Eu vi você e seu irmão chegando.—A mulher cortava antes que ela terminasse sua fala. Colocou a mão no queixo pensativa, depois começava a caminhar em volta de Selene como se fizesse um círculo, a analisando. Seus olhos eram como se observassem uma presa, e seus passos eram extremamente silenciosos, quase sem barulho algum. — Eu sou Julie. Assim como você, eu também vivo aqui nesta base improvisada. Ou quase isso.
— Como assim? —Perguntava Selene prontamente, estava curiosa. Ela teve que ficar virando sua cabeça e corpo para acompanhá-la.
— Eu não me dou muito bem com as pessoas, fico muito melhor sozinha. – Neste momento ela cruzava seus braços e parava de andar. — Deveria tentar algum dia.
— Não, eu estou junto com meu irmão. Cuidamos bem um do outro.
— E se um dia ele se for??
— ELE NÃO VAI!!
— Bem, você que sabe.. —Julie dava uns passos para trás como se pegasse impulso. Depois veio correndo para frente e pulou, apoiou seu pé direito na cerca, rapidamente pegou impulso com ele e depois pressionou o esquerdo sobre o tronco da árvore, subindo mais um pouco e conseguindo chegar a altura da cerca (que era quase 3 metros) se segurando com as mãos e subindo. Depois se levantava ficando de pé sobre ela. Saltou pegando o galho mais próximo da árvore à altura de suas mãos e dali subiu até desaparecer, ficando lá em cima.
— Nossa, você e incrível! — Selene se aproximou, olhando para a árvore no alto, colocou sua mão livre sobre seus olhos, pois a luz do sol a atrapalhava. — Ér, JULIE?? Cadê você??
— ESTOU AQUI EM CIMA.. —Respondeu a ruiva. Ela estava com sua mochila aberta segurando um binóculos em uma das mãos, olhando para o caminho à sua frente que era a visão para longe do acampamento.
— O que está fazendo aí em cima?
— Olhando se a área lá fora e segura.
— Para o quê?
— ‘Passear’.
— Posso olhar aí também?
— Se conseguir subir! —Respondeu Julie a subestimando, não acreditava que Selene fosse capaz disso. Imaginava que ela era uma garotinha fraca e indefesa.
Selene se distanciava da cerca de madeira para pegar impulso, olhou para a árvore, ela era alta, mas não era ‘impossível’ pensou. — Vamos lá Selene, você consegue. Repetia para si mesma. Veio correndo e então saltou tentando colocar o pé na cerca como um apoio, mas acabava caindo sentada no chão. — Aff, de novo. Olhou para a face de Julie que apenas se mantinha em silêncio a observando. Selene se levantou e tentou mais uma vez sem muito sucesso. Tentou de novo e seus pés agora apoiados na cerca conseguiu segurar um dos galhos com as mãos, mas não conseguiu segurar seu corpo por muito tempo e acabou caindo na terceira tentativa.— Pode dar uma mãozinha aqui??
Julie balançou a cabeça de maneira negativa, suspirou. Guardou seu binóculos na mochila, depois pegou um equipamento diferente, ele tinha uma corda super resistente dobrada e na sua haste um objeto de ferro, ele tinha várias pontas curvadas que serviam para se prender e se enroscar em alguma coisa, ideal para escaladas (rapel). A ruiva o prendeu no galho e lançou a corda em baixo para ela, esperando que Selene subisse. — Está bem.
— Hm, okay. Selene viu a corda, deu uma leve puxada para saber se era seguro, depois começava a subir devagar encostando seus pés no tronco da árvore, até chegar lá em cima. De lá a garota se sentava no início do galho perto de Julie, que se encontrava mais na ponta.
— Então o que viu?—Perguntava a mais nova.
— Nada... E isso é bom. Significa que o caminho está livre para sair.
— Ou podia ter simplesmente pedido para abrirem as portas e não ter tido esse trabalho todo.
— ‘’Pedir’’ –Olhava para ela respondendo secamente, Julie não gostava de receber permissão das pessoas, isso a fazia se sentir presa como se tivesse um dono ou fosse privada da liberdade. Ela virava sua face e observava a floresta. — Gosto de vir aqui.. Dar um tempo nisso tudo..
— Eu acho que te entendo. Quando eu estava com o meu irmão, eu queria que achássemos um lugar seguro, para não termos que ficar correndo por aí o tempo todo. Já ele achava que ficar sempre se movendo nos faria ficar mais protegidos disso tudo. —Estava pensativa.
— Seu irmão não estava tão errado assim Selene. Não existe lugar seguro.. Não mais. É só questão de tempo até esse grupo começar a se dispersar e as pessoas ficarem umas contra as outras.. É sempre assim, eu já vi isso acontecer.. Elas são egoístas e só pensam em si mesmas. Não se pode confiar em mais ninguém. —Falava se lembrando de alguma coisa, seu olhar ficou vago por um tempo. Depois decidiu parar de falar e ficar em silêncio.
— Ele me disse coisa parecida.. Talvez vocês dois estejam certos. —Parava para pensar um pouco, e olhou para seu coração.—Mas eu prefiro ter fé nas pessoas. Na bondade delas.. Acredito que em situações de perigo possamos nos ajudar uns aos outros para superar desafios. —Selene olhava para a paisagem longe do acampamento, lá se via apenas florestas e muito pouco uma estrada ao longe. — Pensando aqui acho que vocês dois se dariam muito bem.
— ... —Julie virou a face para ela sem nada a dizer, apenas a encarando. A achava muito imatura e sentimental, como se ainda não tivesse se dado conta da real situação do mundo atual. ‘’Ela parece ser do tipo que morre cedo’’. Pensou sem dizer mais nenhuma outra palavra.
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Longe dali uma voz conhecida chamava gritando o nome de Selene. — SELENE ONDE VOCÊ ESTÁ? PRECISO DE VOCÊ.. SELENE... SELENE!!
— Eu estou aqui CAROL, NA ÁRVORE!
— Ah, então você está aí..—Se aproximou de onde as garotas estavam, notando que a ruiva estava ali. — Julie. —Exclamou, e então as duas se entreolharam. — Desça aqui por um instante.
— Está bem. —Selene pensou em pular, mas achou não ser uma boa ideia por causa da altura que deveria ser quase uns sete a oito metros. Viu a corda e descia por ela, olhando Carol.
— Venha comigo.
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Enquanto isso na picape enquanto Thomas dirigia, Milles o olhava surpreso ‘’Mas não é possível, até tu Thomas. Eu achei que pudesse acreditar em você’’ Pensava Milles desacreditado. Ele guardava suas novas pistolas na cintura e tirou sua espingarda da bolsa, enquanto a recarregava dizia. — Thomas pare o carro, urgente.
— O que foi Milles? — Perguntava Gabriel sem entender, o garoto imediatamente olhou para trás pela janela pensando que fosse algum outro problema, ou os bandidos.
Thomas foi parando o carro aos poucos até cessar seus movimentos. Depois olhou para trás pelo vidro da picape atrás de si olhando para Milles. — O que foi? O que está havendo?
— O que ESTÁ HAVENDO? —Repetiu Milles, falou as palavras baixo e depois aumentou seu tom de voz gritando. Neste momento o ruivo colocou sua espingarda em direção a cabeça de Thomas pelo vidro.
Gabriel viu isso e ficou sem entender nada, olhou para Milles e para Thomas. — O que você está fazendo Milles? Ficou louco?? —Gabriel pegou seu revólver, mas ficou indeciso em quem mirar.
— MOSTRE O BRAÇO THOMAS, A SUA TAGUAGEM.. MOSTRE!!! —Disse Milles descontrolado.
— Está bem. —Thomas encolheu a manga de seu braço e mostrou sua tatuagem no pulso.
— Mas isso não pode ser.. —Falava Gabriel desacreditado. Depois fez uma expressão de raiva e apontou o revólver na cabeça dele. — EU VOU ATIRAR!
— CALMA AÍ VOCÊS DOIS ESTÁ BEM.. SÓ ME DEEM UM TEMPO, QUE EU EXPLICO TUDO.. EU JURO!!
— Espere um pouco Gabriel. —Falava o ruivo. — THOMAS ESTAMOS OUVINDO.
— Vou lhes contar.. Mas fiquem calmos.. —Thomas falava um tanto com medo. — Logo no início disso tudo, aconteceu o seguinte:
—--- Flashbacks On—---
Era sábado, por volta das quase onze horas da noite. Thomas voltava de um passeio no shopping com sua namorada Katie, ele a havia pedido em casamento naquele dia e ela havia aceitado. Era o dia mais feliz na vida de ambos. Ele estava dirigindo seu carro pela estrada a levando para a casa onde morava com seus pais.
— Eu estou muito feliz por hoje Thomas, você me fez uma tremenda surpresa. Achei que meu coração fosse parar quando você me fez aquele pedido, na frente de todos os nossos colegas da faculdade. —Ela tinha seus olhos brilhando de alegria, seu coração acelerava quando olhava para ele. Estava sentada no banco do carona, e via os respingos de chuva no espelho da frente. Sorria e colocou sua mão por cima da dele que estava livre, a entrelaçando.
— Confesso que suei frio nessa hora. Mesmo nos conhecendo a bastante tempo.. Olhou para Katie rapidamente, ela estava linda. Aqueles cabelos curtos até os ombros e os olhos verdes sempre mexiam com ele. Thomas sentiu a mão dela sobre a dele que passava a marcha, era quente e gentil. — Ainda fiquei muito nervoso..
— Você e um fofo Thomas. Nós conhecemos desde o colegial. E eu sempre esperei por isso, imaginando o dia que você me pedisse em casamento. —Ela apoiou sua cabeça sobre o ombro dele. — Esse ano também e a nossa formatura em direito, nossa e tanta coisa que parece que a minha cabeça vai explodir.
Thomas quando sentiu a cabeça de sua amada em seu ombro, a beijou na nuca bem devagar, aproveitando que a estrada estava limpa. Percebeu que quando mais se aproximava a chuva aumentava o fazendo acelerar o carro para chegarem mais depressa. – Será que seus pais vão gostar?
— Eles vão ter que gostar.—Exclamou, levantando sua cabeça no ombro dele e o olhando séria. — Meus pais eles.. —Era interrompida pelo barulho do celular, o atendia. Era seu pai, o pegava e atendia a ligação, nela era ouvido algumas palavras ao fundo, e alguma coisa como: ‘’filha onde você está? Venha para casa depressa? Está me ouvindo? filha.. Na.. Venha.. não’’ e depois um sinal de desligado. Katie e Thomas se entreolharam surpresos.
— Seu pai vai me matar por não te levar em casa as dez horas em ponto.
— Foi só hoje meu amor, ele não vai reclamar.. E só passou da hora um pouquinho, eu explico pra ele, meu pai vai entender.
Chegando na casa de seu amor, Thomas estacionou o carro na rua ao lado da calçada, nesse meio tempo reparou que a maioria das casas do quarteirão tinhas as luzes apagadas ou piscando e tudo estava silencioso. Soltou do carro indo até a sua amada para irem juntos até a porta. No caminho ambos repararam que já se encontrava aberta. — Meu pai deve ter nos esperado na porta, acho que ele deve ter ido no banheiro. Continuando o caminho havia pegadas de lama, como se alguém tivesse andado na chuva, e depois um rastro de sangue que ia até ao lado esquerdo onde ficava a sala, Katie e Thomas foram juntos e ouviam o barulho da televisão:
‘’UM NOVO SURTO EPIDÊMICO TEM SE ESPALHADO NA CIDADE, PEDIMOS A TODOS OS MORADORES QUE FIQUEM EM SUAS CASAS E APAGUEM AS LUZES. TRANQUEM AS PORTAS E JANELAS NÃO DEIXEM NINGUÉM ENTRAR.’’
Mais tarde Thomas iria lembrar que esta foi a última vez que ele ouviu a TV. Katie antes de ir a sala foi até a cozinha, dali a garota viu sua mãe de costas como se estivesse preparando alguma comida. — Cheguei mãe, hoje eu estou muito feliz o Thomas ele.. Katie reparou que sua mãe apenas ficou em silêncio, pensou que estivesse brava com ela por causa do horário, achou melhor então conversar com seu pai primeiro. Indo até a sala, Thomas a esperava no corredor esperando que sua amada pudesse ‘acalmar’ seu pai antes de falarem, afinal ela era a filha única. Katie chegava sorrindo mostrando felicidade. — Pai desculpe chegarmos tarde hoje.. Tenho uma grande novidade.. —Ela entrava na sala tinha a visão da tv de frente e uma cadeira com alguém sentado nela que era seu pai, como ele estava de costas a ela, a filha o abraçou envolvendo seus braços no pescoço dele o abraçando. — EU E O THOMAS VAMOS NOS CASAR..
Thomas olhou para sua amada, e Katie virou seu rosto para trás para olha-lo. Não obtiveram nenhuma resposta por uns dez segundos. — Senhor, se estiver nervoso que hoje eu atrasei no horário, peço desculpas pois a gen..
Katie soltava um grito de dor. Seu pai agarrava seu braço, o mordendo e cravando os dentes em sua pele branca. O sangue começava a escorrer, vazando pelas roupas dele, seus braços a seguravam e ele estava pronto para dar outra mordida. A carne viva vermelha estava solta da pele, rasgando a carne enquanto a garota berrava de dor.
— KATIE!! —Gritou Thomas, deu o passo atrás de sua noiva até que seu braço foi puxado. Em uma olhada rápida viu que era a mãe dela. Reparou que ela estava diferente, sua pele agora era enrugada e deformada, como se estivesse morta e rapidamente em decomposição. Seus lábios pingavam sangue. Thomas se assustou com aquilo e gritou, por instinto, apenas a empurrou a chutando com o pé para trás a fazendo cair, momentos antes de quase ser mordido. Ele foi até sua amada e a puxou de seu pai, enquanto ela gritava de dor. — VAMOS DAR O FORA DAQUI KATIE.—Ele estava aterrorizado e não sabia o que fazer, sua namorada chorava de dor e pingava sangue no chão de seu braço mordido. Ambos saíram correndo da casa até o carro, enquanto isso os pais de Katie foram devagar atrás deles até o lado de fora da casa.
— Thomas, está doendo muito.. —Dizia entre lágrimas, andando com dificuldade pela dor.
Abriram as portas do carro, Thomas foi mais rápido e já o ligava, Katie tinha dificuldade e ele a ajudou a entrar puxando para dentro. – SEUS PAIS ENDOIDARAM... Meu AMOR CALMA. Vai ficar tudo bem..
Katie apoiava o braço em cima da perna, ambos trancaram as portas. Enquanto isso os pais dela começavam a bater no vidro do carro e soltar grunhidos. Ela olhou a vizinhança, apareciam uns dez caminhantes pelas ruas. — VAMOS LOGO THOMAS, POR FAVOR!!
Deram partida no carro e sumiram para bem longe dali, alguns dos mortos no caminho tocavam no carro mas não conseguiam alcança-lo. — Essa foi por pouco, como está Katie?
— Dói muito..—Ela pegava uns panos secos na gaveta do carro e com ele enxugava um pouco do sangue. —Preciso ir ao médico.
Thomas e Katie passaram a madrugada inteira circulando a cidade, não havia um único lugar ou ponto que não estivesse cheio dessas ‘criaturas’ e sua gasolina estava acabando. Mesmo o hospital estava cheio de carros parados e em volta deles os mortos caminhando. Não haviam dormido nada desde ontem à noite, já era de manhã e saíram da cidade pondo o pé na estrada até a mais próxima em busca de ajuda e um médico.
— Tudo ficou um caos, mas nós vamos achar um médico.. —Olhou para ela de relance. — Como você está? —Colocou uma das mãos sobre sua testa enquanto a outra estava no volante. A garota por sua vez estava sem forças e caída para o lado. — Deus, você está ardendo em febre. Se distraia um pouco, ele estava muito preocupado e se sentia culpado pelo ocorrido. — Eu devia ter feito alguma coisa. Podia ter te defendido do seu pai, ele merecia uns socos, vou denunciá-lo por isso.. Eu fui um idiota.. —Ainda não havia se dado conta da real situação, não sabia nada sobre o inimigo. Achou que fosse um surto de alguma outra doença, como raiva ou algo desconhecido, uma verdadeira epidemia. Ele não pensou muito sobre.
— Thomas.. —Falava baixinho. — A FRENTE!!
Quando voltou a atenção para o volante, ele rapidamente conseguiu se desviar do carro que estava parado na pista, mas quase perdia a direção, entrando em outro caminho. Desacelerou o veículo aos poucos. — Você está bem?? A situação não era das melhores, sua mulher ardia em febre mas perguntou por costume. — Deixa pra lá.
Enquanto isso Kate quase dormia, brigando para manter seus olhos abertos, enquanto sua febre aumentava. Depois de um pouco mais de uma hora, chegavam em um outro lugar, parecia ser pacífico e deserto, seu carro estava sem gasolina, coisa que os obrigou a parar forçadamente e abandoná-lo. Ele a carregava no colo em busca de alguma ajuda, mas cada loja que entrou não aparecia ninguém. Passaram-se uns vinte minutos e suas mãos estavam cansadas e teve que apoia-la pelos ombros com os braços em volta de seu pescoço.
— Tente andar um pouco Katie, só até eu me recuperar.
Sua amada já se encontrava sem forças, apenas consentiu com a cabeça e foram andando bem devagar. Pelo caminho nas ruas tinham vários carros parados, e outros com a porta aberta, tinham janelas quebradas, sangue pelo chão e alguns corpos sem vida. Viram mesmo cachorros participando daquela selvageria, com metade de seus corpos faltando enquanto estavam deitados. Thomas tentou não olhar para aquilo tudo e tentava tranquilizar sua mulher com palavras como: ‘’Vai ficar tudo bem Katie, estamos quase lá, tudo isso vai passar logo.’’ Mas a febre de sua amada apenas aumentava. Por fim viu a porta aberta e entravam em uma lanchonete, o local estava todo ensanguentado, e o chão sujo de refrigerantes, e outras bebidas junto a sangue. Comidas jogadas no chão junto com moscas pousando, nas cadeiras tinham pessoas mortas deitadas e encostadas. Tudo tinha um cheiro de podre e morfo, atrás do balcão tinha um homem que ao ouvir o barulho da porta se fechando começava a emitir grunhidos e com ele todas as pessoas mortas despertavam, abrindo seus olhos e se levantando ou se arrastando em direção a eles.
— KATIE VAMOS DAR O FORA DAQUI!! —Puxou correndo sua amada, pensou em voltar para o carro mas lá estaria preso sem combustível, na cidade os cadáveres começavam a aparecer e ir em sua direção.
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Por volta das duas da tarde Thomas e Katie se esconderam em um beco, todas as ruas foram tomadas por essas criaturas, e achou que ali poderiam se esconder por um tempo. Mas todas as suas esperanças foram por água abaixo. Era um lugar sem saída e em seu fim tinha uma grade de ferro. Thomas ficou desacreditado e quase sem esperanças, olhou para sua mulher enferma extremamente preocupado, sabia que tinha que fazer alguma coisa, a vida dos dois dependia dele. Notou que nos edifícios que ali haviam, tinham três portas que davam para aquele beco, correu até elas e tentou abrir uma sem muito sucesso e depois foi para a próxima, mas estavam trancadas, tentou chutar para arrombar, mas sem sucesso pois eram de ferro e muito resistentes. Na entrada do lugar aparecerá cerca de cinco zumbis que ao ouvir o barulho das pancadas olharam para o casal e foram em sua direção, o homem e sua mulher tiveram apenas que recuar para trás até encostar suas costas na grade.
— Thomas. ELES ESTÃO VINDO!! O QUE FAREMOS? — Disse a mulher agora repousando suas costas na parede e se segurando no ferro para se manter de pé. Seu corpo estava mais pesado, parecia que iria desabar, a respiração era lenta como se lhe faltasse ar, sua face estava pálida e seus olhos verdes tinham agora uma vermelhidão ao fundo. Seu braço que havia sido mordido estava enfaixado por um pano branco que agora se tornou escarlate. — Ouça Thomas... Eu acho que não conseguirei ir muito longe..
— Katie não fale isso! NÓS VAMOS CONSEGUIR MEU AMOR.. NÓS VAMOS.. EU NÃO VIVO SEM VOCÊ.. —Thomas virava seu corpo para ela e segurava sua mão boa, ele tinha muito medo de perde-la. Por um momento, mesmo diante daquela situação difícil, ele viu um pequeno sorriso nos lábios dela se formar, mesmo que por um segundo após sua declaração.
Os mortos mais atrás se aproximavam, estava aflito. Thomas olhou para seus lados, havia uma lixeira (daquelas grandes tipo americanas), a empurrava para frente para tentar bloquear o caminho, ele sabia que era inútil mas precisava de todo o tempo que conseguisse. Neste momento ao empurrar o objeto, uma das portas se abriram, justamente aquele da qual não havia tentado abrir. Aparecia um caminhante gordo com roupas sujas de sangue, era um coroa calvo no auge de seus cinquenta e três anos. Sua aparência pútrida e fétida, moscas estavam pousando sobre ele, avançou sobre Katie a agarrando e mordendo seu ombro, a garota por sua vez gritou de dor, apertando sua mão na grade.
— KATIE..
Thomas tentou empurrar a criatura contra a parede com força, mas ele era pesado demais e tal movimento apenas pareceu lhe dar mais ânimo. Ele voltava com sua boca aberta suja de sangue e com ainda mais ímpeto para morder a mulher. O morto agarrava seu braço e deu várias mordidas no pulso e depois outra no mesmo ombro de Katie, arrancando pedaços da pele e fazendo o sangue espirrar no rosto de Thomas. A mulher por sua vez caia no chão já sem forças e o zumbi a devorando. Mais atrás os zumbis ao andar arrastavam a lixeira, prendendo e pressionando o garoto contra a grade, e depois foram saborear sua nova refeição ali no chão. Thomas estava em uma situação difícil, não conseguia se mover direito e via sua amada ser devorada diante de seus olhos, seu mundo acabou naquele momento, e ficou sem reação, seu instinto lhe dizia para gritar o mais alto que poderia, suas mãos agarravam seu cabelo e o puxava forte.
— TOME ISSO RÁPIDO.. —Um homem aparecia do outro lado do beco atrás da grade, tinha a face coberta por um capuz do casaco. Ele deu uma pistola por cima da cerca a jogando no chão para que Thomas a pegasse. — Acabe com o sofrimento dela..
— Thomas por favor.. —Katie estava deitada no chão, e ao lado dela seis mortos se banqueteavam de seu corpo. Eles abriram sua barriga e puxavam tudo o que se via pela frente comendo e se sujando de seu sangue. A garota esticou sua primeira mão que havia sido mordida e gesticulava seus dedos como se quisessem tocá-lo, seus olhos expressavam uma profunda dor olhando para ele com muitas lágrimas. — ME MATE THOMAS.. ACABA COM ISSO.. POR FAVOR!
Ele estava paralisado. Seu corpo nem se moveu, estava totalmente pálido, seu mundo se acabou naquele momento. Abaixou a face olhando para a pistola sobre seus pés, tiverá sorte, os zumbis se distraiam com ela e acabou o deixando livre por alguns instantes. Seu corpo tremeu e estava sem forças, sua mente tentava reagir e acordá-lo para o mundo. Sua amada o chamou várias outras vezes, e em uma dessas vezes Thomas ‘acordou’ se abaixou e pegou a arma, chorava, apontou para o rosto de sua amada, sua mão tremia muito, e seu dedo apertava, mas errava o gatilho. Depois um dos mortos entrava na frente tirando sua visão. Ele ouviu pela última vez a voz da Katie gritando, e a partir daquele dia ele nunca mais se esqueceria daqueles olhos lhe implorando por misericórdia, se sentindo culpado...
— USA ESSA LIXEIRA AI E SUBA ATÉ AQUI, RÁPIDO! —Balançava a rede para despertá-lo novamente.
Thomas se virou para ele na rede de ferro, o amor de sua vida já havia ido. Ele sentiu tanto medo, misturado a raiva e ódio. Guardou a pistola na cintura, depois colocou seu pé sobre a lixeira e tentava pular a cerca, ela era alta, o fazendo ficar preso com a barriga entre o vão, depois o homem do outro lado o puxou o fazendo cair no chão.
— RÁPIDO DEPRESSA, NÃO TEMOS MUITO TEMPO.. —Disse o homem atrás da cerca.
Thomas olhou para trás, os mortos terminaram o banquete. E depois o viram correr. Os cadáveres se agarravam na cerca com força à fazendo sacudir um pouco, como se quisessem pegá-los também. Ele corria seguindo o estranho, com lágrimas em seus olhos, não tivera tempo de agradecer, apenas correram para o mais distante que conseguiram...
— Como você se chama? Meu nome e Sam.. -Reparou que o rapaz ao seu lado nada lhe respondia, e decidiu não falar mais nada até que ele estivesse pronto. Thomas só voltou a falar novamente depois de quatro dias. E os dois seguiram juntos sobrevivendo desde então.
—--- Flashbacks Off—---
— Depois disso passamos dois anos na estrada, sobrevivendo, caçando, correndo, e lutando. Ele me ensinou a sobreviver nesse novo mundo. Me explicou que esses mordedores só morrem se atingir o cérebro.
— TÁ mas e os bandidos? Os tais do Villeneuves? Como os conheceram? –Perguntava Gabriel.
— RESPONDA!! —Falava Milles furioso, ainda apontando sua arma para ele.
—--- Flashbacks On²----
Thomas e Sam estavam dentro de uma sala fechada, e seus corpos de joelhos com suas mãos para trás amarradas com um pano velho. Em suas cabeças havia um saco que os impossibilitavam de ver o que estava acontecendo lá fora.
— O que faremos com eles chefe? Mataram um dos nossos e quase roubaram nossos suprimentos.
— Termine logo com isso com uma bala em suas cabeças, eu tenho mais o que fazer!
— Certo!
— NÃO ESPEREM.. —Disse um outro desconhecido entrando pela porta. — O Vincent quer eles dois vivos.
— Como assim? —Perguntou o homem parado olhando para os dois reféns com o dedo estacionado no gatilho.
— Ele acha que esses dois podem ser úteis.. Ninguém sobrevive lá fora nesse mundo sozinhos por tanto tempo. Devem ter algum talento. Tirem esse saco da cabeça deles. Ele agora está ocupado resolvendo outros assuntos e deixou isso por minha conta.
Sam e Thomas finalmente conseguiam respirar direito. Suas faces estavam inchadas pois haviam sido espancados. Seus corpos tinham vários hematomas roxos, seus narizes escorriam sangue. Estavam desnorteados, quase desmaiando. Tinha pano dentro de suas bocas para que não gritassem
— Escutem aqui seus bastardos. Se considerem com sorte, o Vincent gostou de vocês e parece que quer vocês para o bando.. É as suas chances de viverem. O que me dizem?
Os dois não tinham muita escolha, passaram dois anos juntos circulando pelas cidades quase não encontrando muitas pessoas vivas. Talvez aquela fosse sua nova chance de viver junto a um grupo e de sobreviverem. Olharam um para o outro e abaixaram a cabeça como se considerassem a proposta, e por fim decidiram aceitar.
— ÓTIMO, EXCLAMOU O HOMEM. — Se aproximando deles dando tapinhas em suas bochechas e sorrindo. — E agora vem a parte que eu mais gosto! —Depois olhou para seus homens segurando um rifle e riu.
Dois homens se aproximaram e então bateram com a parte de trás da arma (coronhada) na cabeça da dupla, os fazendo caírem ao lado desmaiados. Quando Sam e Thomas acordaram, estavam em uma sala fechada deitado e amarrados em uma cama com tudo escuro, depois uma luz do alto se acendeu, um homem com um avental de cirurgia (embora não a tivesse feito) tirou as amarras das mãos dos dois. Enquanto isso três homens armados apareciam da porta mirando contra eles.
— Bem, parece que vocês dois não foram mordidos.. Está tudo bem.. —Ele retirava suas luvas e colocava sobre uma mesa. — Coloquei o símbolo da nossa organização em vocês, agora fazem parte dela.. Já terminei por aqui, vocês três levem eles..
Ambos se levantavam da cama, reparou que em seus pulsos tinha uma tatuagem. Depois os homens armados os obrigavam a andar para sair da sala. Assim que Thomas e Sam colocavam seus pés para fora, colocaram sacos em suas cabeças para que não pudessem ver sua base e os escoltaram para um carro. Já na estrada distante dali, retiravam os sacos. A dupla se encontrava no banco de trás do carro, estavam algemados. Havia um homem ao seu lado apontando uma arma para eles, e no banco da frente no carona outro fazendo o mesmo. Enquanto isso o condutor do veículo dizia:
— Prestem atenção que eu sou vou falar uma única vez. Vocês agora fazem parte do grupo, nós os Villeneuves. Ainda não são membros de confiança, são apenas ‘’Associados’’ a patente mais baixa daqui. O trabalho de vocês é o seguinte, encontrar grupos humanos, pegar suas armas, seus suprimentos e nos dar informações sobre eles nos mantendo informados. E farão isso usando isso aqui.
Entregava um rádio pequeno de comunicação. Depois disso paravam o carro e tiravam suas algemas. Todos saíram para fora do veículo, os homens lhes devolveram seus pertences.
— Quando for o momento, lhe avisaremos. Fiquem atentos ao rádio. Costumamos avisar pela madrugada e recolhemos tudo no último dia do mês.
Depois dois homens entravam novamente para o carro, o terceiro era impedido. — Você não Steve. Vincent quer que você vá com eles..
— Mas eu não sou bom aqui fora.. Eu poderia..
O outro homem sacou a arma apontando para ele. — Esperamos que faça seu trabalho.
O motorista prosseguia dizendo. — Se nos traírem, os mortos serão a última coisa que vocês terão que se preocupar.—E logo depois partiram.
—--- Flashbacks Off²—---
— É isso e tudo Milles, Gabriel.. —Estava com o carro parado, um pouco assustado com a atitude de ambos, mas tentava tranquiliza-los. — Sam salvou a minha vida, mas depois fomos pegos pelos Villeneuves. Não tivemos escolha se não tivéssemos entrado estaríamos mortos. VOCÊS PRECISAM CONFIAR EM MIM. Depois daquilo conhecemos a Carol e os outros e começamos a nos proteger e montamos uma base.
— E agora nos traiu tirando toda a nossa confiança dando nossas informações para eles. —Respondia Milles.
— Não, nós fizemos todo o possível para que eles não descobrissem a localização do nosso acampamento, demos informações vagas. E pegamos alguns suprimentos separados do nosso grupo sempre que íamos para a cidade, mas acontece que da última vez eles pediram mais, muito mais, ai tivemos que roubar do nosso grupo. —Engolia a seco sua saliva, os olhando, podendo observar o cano da arma agora de Gabriel. — Se não tivéssemos feito isso, poderíamos estar todos mortos.. Eles são Muitos Milles, não podemos ir contra eles, são cruéis.. — Fazia uma pequena pausa. — Eu e Sam pensamos em contar isso para o pessoal várias vezes e até mesmo lutar, mas ele achou melhor manter em segredo de todos para protege-los. E naquela noite quando ele saiu com seu tio, Gabriel, os Villeneuves haviam lhe contatado, Sam teve que sair sozinho as pressas e inventou uma desculpa para sair a noite, seu tio viu isso e não pode deixar ele sozinho e insistiu, acabou que eles saíram juntos e foram pegos, seu tio acabou morrendo pelos bandidos e Sam teve que inventar uma desculpa qualquer sobre os zumbis.— Olhava para Gabriel e mexia com as mãos a frente do corpo em sinal de pare como se pedisse para que parasse de apontar a arma em sua direção. — O que houve com seu tio foi um acidente, ele era um bom homem. — Voltou seu olhar para Milles. — Depois que Sam voltou dessa missão, parecia que não era mais o mesmo, ficou abalado. Antes nós estávamos enganando eles pelo tempo que poderíamos dando informações vagas e falsas, mas agora. Parecia que Sam queria mesmo fazer parte deles.
— De onde eles tiraram esse nome estranho? —O ruivo queria acreditar em Thomas, e aos poucos abaixou do vidro a arma em direção de sua cabeça.
— Villeneuve vem do francês e quer dizer Vila Nova ou Cidade Nova. E de um antigo casarão em uma mina feito pelos franceses na época da colonização onde vieram para cá garimpar e tentaram formar uma nova cidade. Mas parece que ela ficou abandonada por um tempo até os bandidos a pegarem...
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