Pelo Mundo
9 Season 1: O Alvorecer pt3
Notas iniciais
Capítulo 9 — Season 1: O Alvorecer pt3
A legião de mortos vivos invadia o acampamento, forçando a passagem pelo caminho em meio aos destroços de madeira e entulhos feitos pelo caminhão. Uma parte caia sobre a entrada resultante de uma torre de observação caída, levantando uma nuvem de poeira. Sua tora de árvore atrapalhava a passagem. Próximo dali um pouco mais atrás, estava Jessie deitada, desacordada, a pancada forte com a cabeça fez seu corpo desmaiar. No acampamento tinha vários barulhos de tiros, zumbidos, coisas caindo e se quebrando, gritos. A loira depois de uns uns minutos despertava, sentindo uma grande dor de cabeça e uma visão meio turva.
— Mas o que aconteceu? —A loira se ergueu ficando sentada no chão, colocou uma das mãos sobre a testa, como se tentasse fazer a dor de cabeça parar. — Droga, o que houve com a minha cabeça, ela está doendo muito. —Ela havia caído de cima de um caminhão momento antes. Jessie olhou para o lado, e a uns sete metros viu os zumbis invadindo e vários corpos dos bandidos sendo devorados, por sorte esta ação que a salvava de virar o jantar de um deles. — Preciso ir embora, este lugar já caiu! — Tentou se levantar, mas sua perna tremeu e a garota caia de lado, estava machucada. Começou a se lembrar da luta anterior, bem como de sua amiga. — MARLY! —Olhou para o lado e a garota estava morta, caída com três zumbis mordendo sua pele, arrancando pedaço de seu braço, rosto, perna. Jessie se entristeceu e lágrimas saiam de seus olhos, sabia que era tudo sua culpa, que se tivesse ouvido sua amiga ela agora estaria viva. Bateu com a mão no chão. — NÃOOOO!! —Tentou se levantar mais uma vez, sentiu seu corpo mais pesado, mas conseguia ficar de pé, se virou para ir embora (em direção mais a dentro do acampamento já que a entrada estava tomada) e então um dos monstros a agarrava, a lançando ao chão e subindo por cima. — SAI DAQUI. —Procurou sua arma na cintura e estava sem ela, buscou sua faca mas não a achou. O monstro avançava contra o seu pescoço e ela tentava segurá-lo pela testa. Podia sentir seu hálito quente e fedorento, sua baba caia em cima de seu peito, e ela estava aterrorizada. ‘’Parece que eu não vou conseguir ir mais longe... Marly, logo vamos nos encontrar’’.
E então um barulho de pancada se fez presente. A cabeça do zumbi foi lançada para longe se soltando de seu corpo, e sangue espirrou nos olhos da garota, o que a fez se limpar na hora.— Você está bem? —O homem lhe estendia a mão, ela tentava limpar sua visão.
— Você é?
— Sou eu, Edward. Precisamos dar o fora daqui.
— Obrigada. —A garota segurou sua mão e se levantou. Mas não conseguia ficar de pé por muito tempo, achou que tivesse distendido algum osso.
Ed não deixou de reparar isso, guardou sua marreta no bolso deixando a parte metálica para fora e deu sua arma para a garota que ficou o olhando. Depois se abaixou e agarrou suas pernas a levantando em seu colo de lado. — Se eles se aproximarem, atire neles. Eu conheço uma passagem segura. — Depois um zumbi apareceu, e Ed correu para o lado o despistando de sua investida. Ele se afastou, indo para mais longe, um segundo que estava no chão e aparentou estar morto acabou por puxar seu pé, o homem lhe dava um pisão forte na cabeça, fazendo o seu crânio ser esmagado e sua bota ficar suja de sangue e mais alguma outra coisa que ele não conseguiu identificar. — Vamos!
A loira ficou agradecida. Estava triste e quieta se lamentando pela morte de sua amiga, ergueu sua cabeça e olhou para trás enquanto era carregada, não podia fazer nada pela sua vida, mas pelo menos iria enterrá-la mais tarde dignamente. Quando passavam, viu vários corpos conhecidos na base, lugares destruídos, mesas no chão, carros fuzilados, barracas rasgadas e perfuradas. Se lamentou por tudo, uma lágrima saia de seus olhos e tratou de limpa-la. —Valeu Ed, você me salvou.
— Não me agradeça ainda.
Eles escutaram um barulho mais atrás e olharam. Três mortos se aproximavam em fila, a garota que estava com a arma mirou em um deles, e atirou. Errou um tiro, Ed tropeçava em algo, em algum corpo, o que acabou atrapalhando sua estabilidade. Mirou mais uma vez e a cabeça da criatura explodiu, o que estava mais atrás tomou a frente do primeiro, a garota mirou bem e apertou o gatilho, o fazendo ter o mesmo destino que o outro. — Ainda tem mais um. —Assim que o último que os perseguiam apareceu, ela ficou abismada. Ergueu a sobrancelha, e fechou os olhos não acreditando que aquilo fosse verdade. Estava espantada e suas mãos tremeram, ela abaixou a arma em direção ao chão e sua vista perdia o foco, desacreditada. — Eu achei que você tivesse morrido.
— QUÊ? DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO?
— É ELE!
— ELE QUEM? —Perguntou Ed sem entender, enquanto andava o mais depressa que podia com a loira em seu colo. Ele procurava a passagem que fez na cerca onde deixou a médica e seu sobrinho para que pudessem atravessá-la.
— O Michael. —Chorava, encostando a cabeça em seu peito. Ele era o homem que lhe ensinou como sobreviver neste mundo caótico, e os dois acabaram desenvolvendo uma grande amizade e até mesmo um romance. Ele a fez enxergar o amor em meio a tanta tragédia.
Ed já estava cansado, passou a madrugada inteira combatendo os bandidos e nem teve descanso, carregá-la apenas o exauriu ainda mais de sua energia. Olhou para trás rapidamente e percebeu que o caminhante o estava alcançando. — Olhe, ele não e mais o Michael. Você precisa fazer isso. ATIRE NELE!!
— NÃO POSSO, EU NÃO CONSIGO. —Disse entre lágrimas e choro.
— Está bem. —Se abaixou, ficando de joelhos. Colocou a cabeça da garota sobre sua perna e segurou sua nuca com a mão. Usando a outra livre tirou sua arma a pegando de volta e mirou na cabeça do monstro, e então disparou. Fazendo seu corpo cair sem ‘vida’. Depois olhou sério para ela, Ed era um homem maduro que levava as coisas a sério e não tolerava falhas. Tinha por volta dos trinta e cinco anos, era branco e seu cabelo era castanho curto mal cortado pois haviam falhas (resultado dele próprio tentar cortar seu cabelo com a faca) jogado para o lado bem penteado, e seus olhos eram azuis. Usava um casaco preto aberto e uma camisa azul manchada de sangue com o símbolo de alguma marca de roupas. Usava uma calça preta, um pouco rasgada e desfiada na perna. Iria dar um bom sermão na garota, mas devido a sua tristeza estampada em seu rosto resolveu deixar para depois. Buffou e olhou para ela. — Precisamos ir.
Jessie chorava, sabia que errou naquele momento, e colocou os dois em risco, mas simplesmente não poderia. Primeiro Michael e depois Marly, estava sem chão. Enquanto isso o homem foi até o buraco da cerca, ouviu os zumbidos e se aproximou em silêncio. Já a havia colocado em seu colo novamente e observou a passagem através da barreira, mas infelizmente tinha seis zumbis caminhando próximos a ela, como se tivessem a vigiando e olhando em volta. — DROGA! Exclamou o homem agora sem saber o que fazer...
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Próximos dali Milles, Selene e os outros continuavam seus passos sorrateiramente para não atrair a atenção da nova horda de zumbis que entravam no acampamento. Estavam do lado da cerca de madeira, se aproveitando da escuridão da noite e um pouco da vegetação local, sabiam que não haveria muito a ser feito, ou teriam que abandonar o acampamento assim como as pessoas que por lá ainda pudessem estar vivas, ou lutar para defender sua casa. Carol pensou em vários planos, não poderia deixar o pessoal na mão, eles confiavam nela, então só lhe restava o combate. Tirou seus óculos e passou na parte mais limpa de sua blusa para tirar a sujeira das lentes, o colocou de volta e olhou para sua arma, ainda lhe restava umas poucas balas e um cartucho guardado. Voltou seu olhar para trás, em seus companheiros. — VAMOS TER QUE INVADIR, NÓS VAMOS LUTAR.
— O quê? Essa e a nossa chance de cair fora! —Disse Thomas não acreditando muito naquilo, sabia que tinha pessoas ainda dentro do acampamento que precisavam de ajuda. Mas haviam muitos zumbis, elas já estavam condenadas, em sua mente. — Eles são muitos Carol. —Não faltava muito para o dia clarear, estavam todos cansados e famintos. Ele sabia que na base tinham suprimentos e outras coisas, mas será que valeria o risco? Pensou.
— Tem gente lá, e eles precisam da nossa ajuda Thomas. — Disse Selene se aproximando, ficando ao lado de Carol. — Não podemos deixá-los na mão.
— Sim, e a minha mochila e minhas coisas estão lá. Não irei sair sem elas. — Falou o ruivo se levantando, colocando sua espingarda apoiada em seu peito com a alça ao redor de seu pescoço, e depois puxando sua machadinha. Neste pequeno instante sua barriga fez barulho de fome. — Sem contar a comida que ralamos muito para conseguir.
— O que vocês decidirem, eu vou! — Gabriel se manteve neutro, o acampamento lhe fazia ter lembranças ruins, viu muitos amigos serem mortos, e ainda não havia superado a perda do tio.
Julie apenas os olhou, tinha guardado sua pistola na cintura e tinha sua picareta em uma das mãos, na outra segurava seu rapel na parte metálica, e a corda estava enrolada em seu braço.
— Então faremos assim. —Carol fez uma pausa, jogando parte do seu cabelo da frente para trás da orelha. — Thomas e Gabriel vão procurar por sobreviventes por aqui do lado de fora do acampamento, vejam se alguém conseguiu fugir. —Olhou para os irmãos. — Enquanto isso eu, Julie, Milles e Selene vamos ir até a base, descobrir se há feridos e se podemos lidar com os mortos. — Voltou seu olhar para Thomas. — Vamos tentar nos reunir no centro da base ao amanhecer, perto da fogueira. Se algo der errado eu tentarei contatar vocês, então fiquem por perto.
— Está bem. —Assentiu Thomas.
— Eu volto para encontra-los. Dizia Gabriel preocupado com seus amigos, deu uma última olhada para eles. E em seguida ambos deram meia volta e foram procurar nos arredores do acampamento.
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— Então nós faremos o seguinte, eu e.. —Carol era interrompida.
— Eu vou lá acabar com esses tipinhos aí e vocês três vão me dar cobertura. — Milles se levantava, andando em direção aos zumbis, com sua machadinha de lado a altura da cintura.
— Mas o que pensa que está fazendo? — Disse Carol. — Isso e loucura. Não podemos invadir assim sem um bom plano.
— Ela tem razão irmão. —Selene colocou a mão em seu ombro para pará-lo. — Precisaremos de um bom plano. — Olhou o local a sua volta, mas não havia muito a ser feito, tinha apenas a cerca, um pouco de mato e uma árvore um pouco mais à frente.
Neste instante Julie aparecia ao lado de Milles, segurando sua picareta, e olhou para as garotas de canto de rosto.— Não temos tempo para planos, enquanto estivermos aqui paradas tem gente morrendo.
— Vocês ainda têm um pouco de munição não é? A usem se estiverem em perigo —Carol se aproximou dos dois. — Fiquem no corpo a corpo vocês, e abram o caminho. —Olhou para Selene. — Que enquanto eu e ela vamos lhes dar cobertura com nossas armas.
Milles e Julie se olharam, e consentiram, achavam que assim seria melhor. O ruivo achou que mais atrás sua irmã estaria mais a salvo. E a ruiva achou que se as garotas estivessem lhe dando cobertura lhe atrapalhariam menos.
— Agora vem a parte que eu mais gosto. —Ele riu, tomando a iniciativa dando uns passos para frente.
Julie deu um leve sorriso e o acompanhou. Selene estava preocupada, mas não adiantaria mais reclamar, ela conhecia o jeito de seu irmão e sabia que ele não voltaria atrás. Enquanto Carol não era tão boa em combates de frente contra os zumbis, mas era uma atiradora excepcional. A maioria dos mordedores já haviam entrado no acampamento, ficando apenas alguns mais atrás, como eles estavam bem espalhados, havia uma boa chance desse ‘plano’ dar certo. Assim que o primeiro zumbi os viu, acabou por chamar a atenção dos outros os fazendo virem em seu encontro, até que um tiro lhe atravessou a nuca, o fazendo continuar morto para sempre. Na parte da frente na entrada da base, tinha onze dessas criaturas, e achavam que essa seriam a sua chance de entrar.
— VAMOS LÁ! — Um dos mortos assim que viu o Scoth foi em cima para mordê-lo, Milles se desviou para o lado e virou o corpo o olhando de costas e cravou sua tomahawk em sua cabeça, e logo a puxando com força para retirá-la o matando. — Agora o próximo. — O ruivo foi para cima do outro zumbi, o chutando na perna e o fazendo cair. Com ele deitado Milles lhe deu uma forte pancada na cabeça com a lâmina do machado.
Carol atirou em um, sua cabeça explodia. Depois mirou no segundo, terceiro, quarto. Não desperdiçou uma única bala. Sua pistola ficou sem munição e então ela teve que parar para recarregar. Selene acertou um morto que saiu de trás da árvore, a bala atravessava seu peito mas não o matava, este continuava caminhando em sua direção, ela deu mais alguns tiros, acertando seu pescoço, ombro e por último a cabeça o matando na hora, mas ficou sem bala e teve que recarregar. — Mire apenas na cabeça Selene, no corpo não adianta. —Lembrava Carol.
Neste instante um dos mortos se aproximou de Julie, a agarrando no braço enquanto a mesma chutava um outro. — É o quê, me solta. —Tentava puxar o braço de volta, mas sua perna também era pega por um outro à fazendo perder o equilíbrio e cair sentada no chão.
— Oh não, Julie! — Selene tentou recarregar sua arma rápido mas acabava errando, por fim fez o que pode. Tacou a arma e o carregador com tudo na cabeça do zumbi, este que se encontrava em cima de Julie, e acabou recuando um pouco para trás.
A criatura ia morder o braço da ruiva, seus dentes se encravaram e então sangue espirrou. Metade de sua cabeça escorregava da outra caindo ao chão, como se fosse salame. — Essa foi por pouco em. —Disse preocupado o ruivo, lhe estendendo a mão e chutando o outro. — Você está bem?
Julie observou a cena sem ter o que dizer, estava assustada e um pouco pálida. Olhou seu braço e respirou fundo, por sorte o zumbi havia mordido a corda que estava envolta dele o protegendo de uma mordida fatal. — Eu.. e..Eu estou sim. Obrigada Milles. Olhou para trás. — E você também Selene.
— De nada. —A mais nova se aproximou dela preocupada, mas vendo que já estava tudo bem. Pegou a arma do chão e o carregador que havia lançado.
Depois de algumas mortes eles conseguiam entrar na base. Viam o lugar destruído, havia alguns carros abandonados, marca de pneus no chão, pessoas mortas. Muito sangue espalhado. Tinha uma fumaça que ainda cobria o céu resultante do posto, muitas barracas de acampamento destruídas e algumas pegavam fogo. Julie se aproximou dos corpos mortos, pegou suas armas e munições, umas pistolas e facas. Alguns tinham cigarros e isqueiros. Outros dos cadáveres tinham identificação como identidades e carteira de motorista, mas ela achou melhor jogar aquilo fora já que no mundo atual não havia muita serventia.
— Nossa. Selene observava horrorizada, pensando em como a situação poderia ter chegado até aquele ponto. Foi para o lado de seu irmão, que neste momento se encontrava terminando de matar um dos mordedores, depois ela se aproximou e agarrou seu braço. — O que faremos?
— O que está fazendo? —Olhando seu braço. Ele estava ocupado matando aquelas criaturas. — Geralmente você e a pessoa das idéias. — Completou. Viu o estado de sua irmã abalada, esses últimos acontecimentos colocaram todos no limite. O ruivo colocou sua cabeça sobre a da mais nova e disse. — Não se preocupe, vamos dar um jeito em tudo. —Descansou ali por alguns segundos, nesse meio tempo parou para observar o lugar. Viu três carros parados em seu caminho, e atrás de sí o que sobrava da entrada destruída. — Podíamos colocar esses carros lá na frente. Isso iria impedir mais dessas coisas de entrarem aqui.
— Eu acho isso uma boa ideia.—Carol se aproximava, olhando os irmãos. — Só espero que ainda funcionem, senão vamos ter que empurrar. —Viu o estado de alguns deles. Estavam todos perfurados, portas arriadas e alguns tinham o pneu vazio devido ao buraco de bala— JULIE VEM AQUI.
Ao redor da ruiva tinha três corpos cadavéricos caídos. Escutou lhe chamarem e guardou sua picareta na cintura. — O que foi? —Cruzou os braços esperando.
— Vamos empurrar esses carros para lá. —Apontava para a entrada- — Assim vamos deter o avanço, se mais dessas criaturas virem. —O ruivo se afastou da irmã e foi para trás do carro. — Os bandidos vieram para cá com eles, então ainda deve ter gasolina.
Depois disso eles empurravam os carros, o primeiro Selene se sentou e o ligou, era o que estava mais melhorzinho, este não precisou ser empurrado e a garota o levou até onde ficava a porta o deixando de lado. O segundo já estava mais destruído, embora pudesse ser ligado, seus pneus estavam furados e teve que alguém dirigir e os outros três empurrar. O último era o pior, basicamente uma carcaça cheia de furos e no seu capô ainda soltava fumaça. Os quatro o empurravam até deixa-lo perto dos outros dois carros, no fim ficavam um atrás do outro em fila na horizontal não deixando que nada pudesse passar. Depois todos foram mais adentro da base para procurar pelos sobreviventes e exterminar os mordedores.
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Três pessoas caminhavam fora do acampamento, já estavam do outro lado da rua, a uns dez minutos distantes. A garota com feições do extremo oriente estava desapontada consigo mesmo, antes ela estava assustada e só pensava em sair dali, mas agora, se sentia mal por isso, por ver os outros lutando e arriscando suas vidas enquanto ela era protegida. Se sentia inútil, tinha seu olhar para o chão. Queria dizer algo, mas ainda sentia medo de tudo isso, tentou criar coragem, respirou fundo e soltou. — Ouçam, eu sei que sou a médica daqui. Mas.. — Parava de andar, colocando as mãos na cintura. — Também quero ajudar, não vou ficar observando ou fugindo enquanto os outros lutam. Neste momento somos todos companheiros, somos todos iguais. Devemos nos unir!
— Sei sei. Olhou para ela sem dar muita atenção. James sempre a via como alguém que tivesse que ser protegida, uma espécie de criança grande. Mas devido a seus conhecimentos e utilidade no acampamento, nunca a deixavam sair, por isso suas habilidades em ‘combate’ não eram lá das melhores. — Só continue andando e pare com esse papo furado. —Falava com desdém, sem dar muita atenção.
— Vamos até aonde? Ed não foi muito preciso. —Disse o outro homem ignorando a mulher.
— Eu também não sei, vamos até onde achar que ela está segura e então esperar.
— Hey, vocês dois, me deem atenção aqui. —Buffou, os encarando sério. Ela tinha parado de andar e então estava mais atrás, e eles mais à frente. — Vamos voltar! —Reparou que os homens continuavam andando sem dar atenção. — Eu falo sério. —Nada havia mudado. Então a garota, se virou para o acampamento, sentiu um aperto no coração e a sua respiração mais descompassada, sabia dos perigos que lhe aguardava, os bandidos, os tiros, zumbis. Decidiu não pensar se iria voltar ou não pois acabaria desistindo, por fim, deu a iniciativa e voltava correndo.
Ambos olhavam para ela, não achando que fosse sério. Se entreolharam e então James disse. — Não é sério, ela vai voltar. —Ficaram aguardando, por dois minutos, depois três e cinco. — É melhor irmos. Essa garota vai nos dar problemas. Vamos atrás dela.
— E eu que pensei que isso seria fácil. —Suspirou, e então os dois voltaram correndo.
Atravessaram a rua e então próximos do acampamento em uma parte com muitas árvores os dois paravam, ficaram olhando as coisas ao seu redor para saber se a área era segura. Escutaram o barulho dos zumbis, e então se entreolhavam, ficavam apreensivos andando mais sorrateiramente. Estava tudo escuro e apenas tinham a iluminação do luar, James pegou uma lanterna de seu bolso para evitar possíveis surpresas.
— Onde essa garota se meteu? Se o Ed descobrir que perdemos ela estamos fritos. —O homem andava atrás do mais novo que estava com a lanterna.
— Não se preocupe, ela não deve ter ido muito longe. —Falava James, tentando tranquiliza-lo, embora no fundo também estivesse apreensivo. Ele sabia que Michelly não era muito de combater essas criaturas, e se batesse de frente com uma, estaria perdida. Passou-se uns dez minutos a procurando e nada, resolveu começar a chamar. — MICHELLY MICHELLY MICHELLY! Gritou para saber se a encontraria em algum lugar, ficou aflito por não encontrar nenhuma resposta, não poderiam perde-la de nenhuma maneira.
— ELA REALMENTE SUMIU JAMES. Olhou ao seu redor. — ESTAMOS PERDIDOS. PERDEMOS A MÉDICA. VÃO QUERER NOS EXPULSAR DO GRUPO. —Colocou a mão na testa preocupado. — EU SABIA QUE NÃO ERA PARA TERMOS DEIXADO AQUELA INÚTIL UM MINUTO SOZINHA. SE O ED DESCOBRIR QUE A PERDEMOS.
— Calma, calma o Ed não vai. —James olhou para trás de seu amigo, em uma árvore viu uma silhueta sair dela, esta que se moveu sorrateiramente muito rápido e envolveu o pescoço do mesmo com seus braços. — CUIDADO!
— HÃA . —O homem foi surpreendido, assustado e tentou tirar o braço que envolvia seu pescoço.
— BUU. —Disse Michelly por trás dele. — Acho que eu te peguei, seu medroso.. —Depois foi para seu lado. — É quem é a inútil aqui? Sou eu que trato dos feridos.. Hm.. —Cruzava os braços e batia com o pé no chão, como se esperasse por uma resposta convincente olhando séria para os dois. — E são vocês que nunca me deixam sair.
O homem desviou seu olhar, sem saber o que dizer, e por fim decidiu se desculpar. — Me desculpe Michelly, não deveria ter dito isso. Mas você nos deixou preocupado.
— Heh, foi mal também. —James coçava a cabeça um pouco sem graça. Depois voltou seu olhar para ela. — E também por te deixarmos vir sozinha. —Suspirou. — Achou algo por aqui?
— Sim, eu achei esses dois. A garota deu espaço indo para o lado, e então apareceram duas figuras. Thomas e Gabriel. Os dois se aproximaram deles dizendo:
— Como puderam deixar a médica sozinha, vocês ficaram loucos? —Disse Gabriel nervoso, tocando a própria testa com dois dedos.
— Precisamos achar os outros agora, vamos para o outro lado. Mais pessoas podem ter escapado pela cerca.—Thomas liderava as pessoas, andando ao redor do lado de fora do acampamento.
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Enquanto isso dentro da base, Selene resolveu deixar seu arco guardado nas costas, ainda lhe restava duas flechas, mas neste momento preferiu usar uma pistola por ser mais rápida e não precisar ser tão silenciosa, já que o momento para isso já havia acabado com a invasão. Todos estavam vasculhando os corpos, e fez isso também, olhou duas pessoas caídas, e em uma delas acabou por achar um cartucho de munição no bolso de uma calça. Depois foi para atrás do irmão, enquanto este olhava uma das armas que tinha encontrado.
— Hey, olha só Selene, gostei dessa aqui. — Mostrava um rifle que achou dos invasores. — Com isso vai ser fácil sairmos por aí a fora.
Carol viu todos vasculhando os corpos caídos, havia bastante coisas legais que ela gostaria de pegar, mas isso era deixado de lado no momento, pois havia outras prioridades. — Gente deixem para recolher as armas depois. Agora temos que ajudar os feridos e exterminar os mortos que invadiram. Vamos limpar este acampamento.
Julie se aproximou deles, carregando uma arma maior que as outras, ela tinha um cano alongado e uma espécie de luneta, e era um pouco mais pesada. A segurava com uma certa dificuldade. — Prefiro esse brinquedinho aqui. —Mostrou para eles uma sniper (AWP L11).
— Aonde conseguiu isso? — Perguntou Milles e Carol ao mesmo tempo.
— Lá no chão, perto da entrada. —Julie desviou seu olhar para o lado. — A Carol está certa, vamos pegar o resto depois. Olhando o acampamento pegando fogo e os corpos no chão.
— Vamos nos dividir em duplas, seremos mais rápidos assim. —A líder deu um passo à frente deles. — Vamos matar todas essas criaturas que encontrarmos pelo caminho. E depois nos encontraremos no centro, onde ficava a fogueira. —Cruzava os braços enquanto falava.
Todos concordavam sobre o plano, tinham que ser mais ágeis agora, e ao se dividirem poderiam vasculhar o lugar mais rápido. Selene tinha sua pistola recarregada e mais um cartucho reserva, enquanto Carol ainda tinha dois guardados em seu bolso. Julie esperava as pessoas decidirem e patrulhava ao seu redor, e o ruivo o mesmo, mas do outro lado.
Milles começou, e indo um pouco mais à frente encontrou sua barraca, ela tinha marcas de tiros mas nada que a deixasse avariada, estava quase perfeita. E a uns dois metros viu sua mochila jogada no chão, a tratou de recolher de volta a levando para dentro de seu novo lar, lá viu que suas coisas estavam mais bagunçadas, sinal de que alguém havia entrado. — Malditos. Deixaria para arrumar depois, guardou sua espingarda e deixou a mochila novamente em um canto, mas não antes de ver se ninguém tinha pegado alguma coisa, parecia estar tudo intacto e a sua garrafa de vinho embrulhada em suas roupas. Tratou apenas de levar seu rifle novo, sua machadinha e as pistolas.
A porta se encontrava aberta, mas tapada, e Julie aparecia. — Olá. —Ela entrava abaixada trazendo sua arma nova, falava um tanto sem jeito. — Será que você poderia deixá-la guardada com você um instante? —A ruiva o olhava, quando entrou ele estava de costas, mas agora se virava ficando de frente. — Ela e muito pesada e no momento me deixaria lenta contra ‘eles’ lá fora. E também não quero que ninguém pegue, você sabe como são as coisas aqui dentro no acampamento.
— Hm, mas e claro. — O ruivo pegou a arma, e a colocou com cuidado ao lado de sua espingarda, ambas estavam viradas em direção a parede para que não representassem perigo, mas se encontravam carregadas prontas para ação caso algo acontecesse.
— Obrigada. —Ela desviou o olhar sobre o peito dele. — E valeu pela ajuda antes, se não fosse por vocês. —Suspirou se lembrando do ocorrido, quando quase foi mordida. — Agora precisamos ir, os outros estão nos esperando. —A garota sorriu levemente, estava muito agradecida e então se virava para sair.
— Julie espera! — Antes que ela saísse, Milles a segurava pelo braço a puxando para mais próximo dele. Seus olhos se encontravam por um momento. O ruivo levou uma das mãos sobre seu rosto, sentia sua pele quente e macia, deslizando seu polegar, aqueles olhos o acompanhavam quando se aproximou, enquanto o seu olhar ia para aqueles lábios. A garota tentou lhe dizer alguma coisa sem conseguir completar sua fala, pois ele a beijava.
— Mil..
Foi só o que ela conseguiu dizer, foi pega de surpresa não esperando por aquilo, ou talvez algo dentro de si o desejasse. Depois correspondeu ao beijo, tomando os lábios dele com intensidade e tocou seu rosto de forma carinhosa. Enquanto isso Milles descia a mão sobre a sua cintura, e inclinou levemente seu rosto, fazendo suas línguas se tocarem. Ela sorriu e ele fez o mesmo, depois fecharam seus olhos, enroscando uma na outra em um beijo molhado. Escutaram uma voz lhes chamarem pelo lado de fora os fazendo interromper, agora olhavam um para o outro, em silêncio. Seus narizes se encostavam de maneira afetuosa, e suas expressões eram como se quisessem mais, mas acharam melhor terminar aquilo.
— Vocês dois, temos pressa! —Falava Carol pelo lado de fora da barraca.
A ruiva lhe deu uma última olhada e então se afastou saindo para fora. La dentro Milles terminou de pegar suas coisas e então saiu, disfarçando.
— Vocês demoraram. —Carol olhou para ambos. — Eu e Selene decidimos assim, vai vocês dois juntos. —Apontou para o Scoth. — E eu e a Julie para lá. Faremos conforme o combinado, nos esperem na fogueira ao amanhecer. —Depois disso Carol e Julie caminhavam, neste instante a ruiva deu uma olhada para trás e então sumiram.
— Pensando melhor, eu preferia ter ido com o Thomas e Gabriel. E bem mais seguro lá fora agora. —A mais nova ainda tinha medo dos mortos, e só de pensar em ver os corpos dos companheiros no chão e sangue lhe deixavam nauseada. Selene percebeu que seu irmão mantinha seu olhar para a outra dupla, e então respondeu — Elas vão ficar bem.
— Ah sim, claro... Elas vão sim. —Disse acordando. O ruivo segurava seu rifle a frente do corpo a altura de seus ombros. — E já era para você ter se acostumado a matar essas coisas, estamos a tanto tempo fazendo isso.
— É impossível se acostumar com isso Milles. —Quando ele começou a caminhar, a garota ficou um pouco mais atrás dele. — Ainda mais quando eu vivi quando tudo ainda era normal. Quando não existia nada dessas coisas. Tenho pena das gerações futuras...
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Os irmãos passeavam pelo acampamento a procura dos sobreviventes. Em todo o canto haviam marcas de sangue, alguns projéteis. Sua irmã andava um pouco mais atrás enquanto Milles explorava o caminho. Escutou alguns barulhos e fez um gesto de silêncio com a boca, os dois se aproximaram sorrateiramente e então viram duas pessoas cercadas pelos mortos. Milles atirou com seu rifle rápido, acertando a cabeça de um deles, e mais uns outros em seguida, enquanto Selene com a pistola matou outros dois.
— Eu conheço vocês. —Selene se aproximou.
— Nós também. Vocês são Milles e Selene. —Ed olhou para eles. — Agradecemos pela ajuda.
— É Valeu.. Sou a Jessie.
— Tá ta.. —Milles deu um passo a frente olhando ambos. — O que estavam tentando fazer?
— Fizemos um buraco na cerca e tentávamos atravessá-la. Mas acabamos cercados por essas coisas. —Dizia Ed.
— Entendo, então você tiveram a mesma ideia que nós. Falou o ruivo olhando para a irmã.
—Vocês viram os outros? — Disse a Scoth preocupada.
— A médica está em segurança junto com meu sobrinho e um amigo. Os outros não vi. E vocês?
— Carol está com Julie procurando os outros na base. Gabriel e Thomas estão do lado de fora vendo se alguém conseguiu escapar.—Selene olhou a passagem na cerca. — Jhon, Sully e seus filhos também fugiram por uma passagem igual a essa, devem estar em segurança. Olhou para Jessie, percebendo que havia um problema em sua perna. — O que houve?
— Eu cai, ou melhor. Fui empurrada de cima de um caminhão.
— Nossa.
Enquanto isso Milles olhava a sua volta, ainda tinha que exterminar os zumbis e achar os outros feridos. — Ed, você pode nos ajudar nisso. Selene e a Jessie podem ir lá para fora por essa passagem, lá ficarão mais em segurança. Ou pelo menos bem mais que aqui. E nos dois podemos lidar com eles.
Selene e Jessie ouviam os dois conversando. Esta última estava impossibilitada pela perna e queria ajudar, mas sabia que da forma atual apenas os atrapalharia. E a Scoth não gostava tanto de lutar contra aquelas criaturas, e preferiria sem dúvidas ajudar a outra. — Está bem! Vamos fazer o que diz irmão, só espero que você fique bem. Vou tentar achar o Thomas e Gabriel.
Selene deu uma última olhada para seu irmão e então atravessaram o buraco na cerca até o lado de fora. Ed apenas ficou olhando as duas até elas saírem, e depois respondeu.
— Tem munições ai?
— Tome. —Emprestou uma de suas pistolas, junto a um cartucho. — Agora vamos!
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Carol e Julie estavam bem mais a frente na base, já haviam exterminado alguns dos mordedores, mas sempre parecia que não havia fim. Estavam extremamente cansadas, e sujas de sangue. Depois caminharam por mais um pouco até o fim do acampamento e não encontravam mais nada, como se a área já tivesse sido limpa, se entreolharam surpresas, pois isso indicava que havia mais sobreviventes. Continuaram o caminho e próximas do posto encontravam outras pessoas, as duas sorriam mais contentes e se aproximaram. — Olá. —Respondeu a líder feliz, indo até eles na muralha, ao todo encontravam dez pessoas. Estas que haviam construído ao redor de si uma espécie de defesa circular, com tábuas e entulhos, cadeiras e mesas, como uma forma de proteção.
A Ruiva parou de andar, estava um pouco mais abaixada com as mãos apoiadas nos joelhos, respirando com dificuldade, observava a cena.
— É muito bom te ver Carol. Conseguimos matar muitos deles e deter seu avanço. —Disse um dos refugiados.
— Matamos muitos desses caminhantes também, mas estamos praticamente sem munição.
— Carol. —Uma garotinha se aproximava, a abraçando na altura da perna. A líder tentou sorrir e tocou seus cabelos fazendo um carinho.
Depois bem mais atrás, apareciam Thomas, Gabriel, Michelly, James, Selene e Jessie e mais três pessoas. E não tardou para que outros sobreviventes que haviam escapado também dessem as caras, começavam a surgir pessoas de todos os cantos e se ajuntavam. Um barulho na cerca foi ouvido e parte dela caia, revelando Sully, suas crianças e Jhon.
— Eu estou surpresa que todos vocês tenham sobrevivido. Disse Carol entre lágrimas não acreditando que aquilo fosse verdade. Enxugou o rosto e não aguentando de cansaço se sentou no chão. Ela havia marcado com eles em outro lugar, nas parece que não precisou. — Eu estou realmente feliz. — A moça já havia pensado no pior e não imagina que tantos houvessem sobrevivido.
Julie se aproximou deles, que a essa altura recompunham suas forças, viu que Selene estava ali, mas não achou Milles em lugar algum. Estranho, já que antes havia deixado os dois juntos. — E o seu irmão?
— AH, ele está bem. Achamos o Edward e os dois foram juntos. —Depois se sentou em cima de um pedaço de madeira, o usando como banco. — Só preciso descansar um pouco, e irei atrás dele.
— Não posso te deixar sair assim, eu irei junto. —A ruiva se aproximou dela.
— Agradeço Julie.
A médica olhou para seus amigos e disse. — Parece que eu vou ter bastante trabalho. —Fez uma pequena pausa. — Mas eu adoro fazer isso. Vou cuidar de todos vocês amigos. —Ela se orgulhava, pois agora era a parte que se sentia mais útil por ali. Verificou as pessoas e viu que alguns tinham ferimentos leves nos braços e nas pernas, outros tinham bastante ferimentos e sangue, não se sabendo se eram deles ou de outros. Também tinha uma pessoa deitada com a mão sobre a barriga, esta parecia ter sido baleada. A garota sabia que precisaria das ferramentas certas para isso. — O armazém está seguro?
— Sim, não deixamos nenhum zumbi ou bandido se aproximar dele. —Disse um dos homens.—Acho que matamos todos, não vi mais nenhum.
— Vamos até o armazém, preciso pegar umas coisas lá. — Michelly ia caminhando até lá que não era muito longe, contavam com a iluminação do posto que ainda pegava fogo. Algumas pessoas se levantavam e se ofereciam para ajudar lhe seguindo.
Passaram-se meia hora, os que ficaram descansavam devido a exaustão para repor suas energias. Aproveitaram esse meio tempo para avaliar quantas munições ainda tinham. Quando a médica voltou, trouxe além de equipamentos de primeiros socorros, traziam comida, água engarrafada, maca hospitalar e panos limpos para os feridos.
— Agora precisamos checar se a nossa base está segura. —Carol se erguia com certa dificuldade, seu corpo estava todo dolorido. Se apoiou com a mão sobre o ombro de um e se levantou. — Tenho que achar os outros, Milles e Ed ainda estão por aí.
— Carol, você está cansada, deixe que eu vou. —Thomas sacava sua pistola da cintura. — Eu também irei. —Respondeu Gabriel indo atrás dele. — Vamos juntos com a Selene.
— Isso não será necessário. —Disse uma voz.
— Você são... — Milles. Ed..
O ruivo aparecia caminhando bem devagar, seus pés tinham calos e seu corpo suplicava por descanso. Tinha sua mão apoiada sobre o ombro de seu amigo e este fez o mesmo no ombro de Milles, e se aproximavam.
— IRMÃO. —Selene se levantou e foi até ele o abraçando forte. Ed por sua vez se afastou vendo que ele já estava ‘entregue’. — Estou muito feliz que você está bem.
Milles a abraçava apertado, e sorria. — Eu também. —Mexeu no cabelo da irmã.
O mais velho se aproximou de Carol e das pessoas que se encontravam sentadas, como se formassem um círculo, suas expressões eram cansaço. Alguns estavam mais em silêncio devido as perdas que sofreram, estes últimos acontecimentos lhe deixariam marcas. — Carol, acho que matamos todos, eu e o ruivo não encontramos mais nada.
— Precisamos falar sobre as defesas desse lugar. —Jhon suspirou. — Os bandidos vão voltar, eles me dão calafrios. Seria bom até procurarmos outra base, sim, isso mesmo. Outro lugar, mais distante e escondido.
— Vamos decidir isso amanhã Jhon, hoje precisamos todos descansar. –Carol foi para o centro do círculo. — Sei que estarei pedindo demais a todos, mas. VAMOS PEGAR TUDO O QUE OS INVASORES TROUXERAM PARA NÓS, E QUEIMEM TODOS OS CORPOS. —Uma forte luz batia em seu rosto, a fazendo cobri-lo com o pulso, as horas haviam se passado e agora estava amanhecendo. As pessoas olharam para o alto, era finalmente um novo dia.
Um dos homens a observava, estava extremamente cansado, mas sabia que os corpos mortos provocariam moscas, abutres além de doenças. Concordou e se levantou, este ato fez outras pessoas fazerem o mesmo.
— Não podemos deixar isso para amanhã? —Perguntou um deles.
— Não, precisa ser agora! —Respondeu a líder. — Se não morremos para os bandidos e os zumbis, não será as doenças que irão nos levar.
— Nossa, estou tão cansado. Mas Carol está certa. — Thomas se espreguiçava. — Vamos terminar logo com isso.
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Quase por volta das nove da manhã, eles haviam terminado tudo, recolheram as armas e todas as coisas úteis e mais tarde iriam dividir com os presentes, além de pegarem uma parte para o acampamento. Os corpos mortos também foram ajuntados em uma pilha, e depois foram queimados em uma grande fogueira do lado de fora da base, alguns corpos eram especiais, pertenciam a amigos, outros de alguém da família. Estes foram enterrados próximos a floresta, junto com alguma de suas coisas (boné, relógio, pulseira, e etc.).
Milles era o primeiro a dormir, na verdade terminou antes, as oito, dando no pé assim que o restante do pessoal se distraiu. Selene conversou com Carol para que ela o deixasse e não reclamasse com ele, e que qualquer coisa poderia falar com ela, assim como a distribuição das armas e equipamentos. Enquanto isso o ruivo dormia tranquilarmente em sua barraca ‘intacta’, e não demorou muito a pegar no sono. O sol entrava pelo buraco das balas, lhe atrapalhando um pouco, mas isso não o impediu de dormir feito um bebê. Algumas horas depois alguém entrava na barraca e se deitava ao seu lado, e dormia. As vezes um pé ou braço batia nele, mas não se importou, seu sono era mais pesado e o levava para a terra dos sonhos. Em uma dessas vezes, uma perna ficou apoiada em sua barriga e depois levou um tapa de leve no rosto o fazendo acordar.
— O que houve? —Sentindo algo o tocando. — Ah, e só alguém do meu lado. — A essa altura ele estava virado para o outro lado, sem saber quem era. Seu olho estava fechado e se deitou pronto para dormir. — QUÊ?—Se virou rapidamente assustado, olhando o invasor. — MAS QUE PORRA QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI??
O barulho alto a fazia acordar. A garota se virou para o lado disse bem baixinho. — Faça menos barulho por favorzinho..
— POR FAVORZINHO NADA. —Disse o ruivo tocando em sua irmã, a fazendo acordar.
— Irmão por favor.. —Disse cheia de sono, coçando os olhos.
— Por que veio parar aqui?
— Eu ia me deitar, mas muitos tiveram sua barraca destruída, aí dormiram lá fora. A minha estava até que boa tirando uns detalhes, mas a onde Carol dormia foi destruído... —Se lembrando do barulho da explosão do posto.
— Sim e daí?
— Eu me ofereci a minha barraca para ela tadinha. Fiquei com muita pena...
— E??
— E eu me lembrei que tenho um irmãozinho muito bom e fofo que me deixaria dormir com ele. —Ela olhou para ele com cara de pidona.
— Bem boa sorte, a procura desse irmão.. Daqui você pode caindo fora..—Empurrava sua irmã em direção a porta.
— Milles, calma aí. Por favor, você não vai me deixar dormir lá fora né?
— Eu vou sim tchau.
— Irmão..
Ele notou que ela já havia trazido suas coisas para dentro, se aproveitando de quando ele estava dormindo e indefeso. Fez um barulhinho com a boca e por fim deixou ela ficar lá dentro. — Está bem, pode vir.
— OBA! —Ela pulou sobre ele o abraçando. Milles a afastou para o canto para voltar a dormir, pois ainda tinha sono. Estava virado para o outro lado, e perguntou. — Não acha que ficaria estranho se dormirmos juntos?
— Não, eles sabem que somos irmãos Milles. — A garota fez as mãos de travesseiro em baixo da cabeça para poder dormir.
— É, eu acho que você tem razão. —Fechou os olhos, e estava adormecendo, pronto para descansar.
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Até que ambos escutavam um barulho lá de fora, de algum objeto caindo ao chão. Os dois irmãos se levantavam assustados, e ouviram barulhos de tiros. — MAS QUE MERDA QUE ESTÁ ACONTECENDO? VOU MATAR O PRIMEIRO DESGRAÇADO QUE ESTIVER ATRAPALHANDO MEU SONO. —Milles levantava raivoso, pegou sua espingarda e foi lá para fora. Selene por sua vez levantou assustada e pegou uma pistola indo atrás de seu irmão.
No acampamento, estava Carol, Thomas e Edward com suas armas levantadas apontando para o início da base, para trás dos carros que tampavam a entrada do lugar. — JOGUE SUA ARMA E SAIA DAÍ COM AS MÃOS NA CABEÇA. —ED se aproximava, mirando com todo o cuidado.
— ESTÁ BEM, ESTÁ BEM. —O homem lançava sua arma para frente, próximo ao carro, ele se encontrava atrás do mesmo. — EU VOU SAIR, NÃO ATIREM ESTÁ BEM.. —Ele pulou por cima do veículo, aparentava ter por volta de seus vinte e cinco anos. Tinha os cabelos loiros que alcançavam a altura de seu peito, se aproximou deles sorrindo confiantemente e com as mãos para o alto. Usava um casaco azul escuro fechado de tamanho um pouco maior que seu corpo, e em suas costas carregava um violão. — HEH, OLÁ PESSOAL. —Olhou para o lugar a sua volta, tinha cheiro de fumaça e sangue para todo lado, muitos dos lugares estavam destruídos e tinha um aspecto abandonado. — Vejo que esquentaram as coisas por aqui.
— Quem e você engraçadinho se identifique? —Edward se aproximou do homem, apontando uma metralhadora para sua cabeça. Carol e Thomas vinham um pouco mais atrás.
Milles dava as caras e mais pessoas do acampamento surgiam e miravam no homem. A Scoth aparecia e o ruivo mandou que sua irmã fosse para dentro.
— CALMINHA PESSOAL EU NÃO QUERIA ATRAPALHAR NADA. EU VOU EMBORA. —Se virou com as mãos para o alto.
— PARADO AÍ.. QUEM E VOCÊ E COMO CHEGOU ATÉ AQUI? —Disse Milles ao lado de Edward, apontando sua espingarda para o crânio do desconhecido.
— Eu vim pelo mapa, não e difícil achar o posto de vocês na estrada. E também pela fumaça.
Carol trazia um pouco de corda e foi até o homem, ela amarrou suas mãos as deixando nas costas. — Agora vai ter que vir conosco, temos perguntas a lhe fazer. —Se encontrava desconfiada sobre sua origem, e queria saber se ele não fazia parte dos bandidos ou se era algum tipo de espião.
— Por que entrou aqui? —Disse Milles escoltando o homem mais a dentro do acampamento junto dos outros. Carol estava mais a frente, e o homem estava no meio, e mais atrás estava o ruivo e Ed. Nos lados tinha o restante do pessoal cercando.
— Pensei que estivesse vazio. –Olhou para Carol, a observando de costas. – Até que vocês têm boas companhias por aqui. –Andava sorrindo enquanto era escoltado, olhando para o acampamento e as expressões das pessoas. – A propósito, eu sou Chaad.
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