Pela Princesa - Interativa

12 Tabuleiro de Interesses


Notas iniciais
hey, tudo bom com vocês? tenho alguns avisos :3 primeiro, por favor vão dar uma olhada na nova capa da fanfic feita pela NoxiousFemme, por que ficou belíssima. além disso, se puderem vão dar uma olhadinha na fanfic dela "sand of times". muito obrigada noxius!! segundo, tem uma cena caliente na última parte do capítulo, lembrem-se da classificação indicativa e do avisos, pois será mais explícito, embora eu não costume escrever cenas assim XD terceiro, caso alguém goste de ler enquanto ouve algo, tenho uma música para deixar aqui para quando vocês chegarem até a última parte, pois me ajudou a escrever e tem haver com o enredo da cena: https://www.youtube.com/watch?v=9bFgElOE9s0 quarto, perdão por qualquer erro e leiam as notas finais, por favor. boa leitura!

p o r t o r e a l

Borys Baratheon estava incomodado.

Fazia dias desde que havia chegado na corte e até aquele momento não havia feito mais do que comparecer a banquetes e jantares, ficar ocioso além de seus treinos matinais, acenar e conversar com pessoas que ele não tinha nenhuma intimidade. Havia pedido ao pai para que pudesse partir com os mais de quinhentos homens acampados ao redor da cidade, porém o velho lorde fora relutante dizendo que deveriam ficar um pouco mais e ver para que lado a maré de nobres iria seguir. Borys discordava da opinião do pai, embora não tivesse dito nada em respeito a seu lorde e progenitor. Entretanto, ainda assim ansiava para ter alguma coisa em que pudesse fazer algo útil. Ele era um homem grande dado a ação e não a esperar que algo acontece, gostava de fazer as coisas se moverem com esforço.

Isso tudo fora o que ele despejou em Roberta enquanto comiam o desjejum.

— Irmão, eu não sei como você seria capaz de aguentar meses ou até mais de um ano fazendo um cerco ao redor de um castelo inimigo, sem reclamar uma única vez. — Ela começou bebericando um pouco do leite morno e dando uma mordida no pão amanteigado recém saído do forno. — Porém, acha terrível ficar alguns dias a mais comendo boa comida ( pausa rápida para ela dando mais uma mordida em seu pão ) e dormindo numa cama macia.

O Baratheon cruzou os braços, contrariado.

— Você sempre quis viver aqui no meio de toda essa pompa, eu preferiria estar em nossa casa ou em meu navio. — Ele respondeu recebendo um sorriso brincalhão da garota de cabelos escuros, algo comum em que ele poderia se apoiar seria sempre o bom humor da irmã mais nova.

— Não é tão ruim aqui, tem sempre algo para se fazer e pessoas novas a todo momento. — Roberta explicou colocando os dois cotovelos sobre a mesa e apoiando a cabeça nas mãos delicadas. — Agora, eu duvido que um dia você fosse gostar da corte ou das pessoas daqui.

— Algo em que podemos concordar, Berta.

Ela riu novamente. Logo lançando um olhar inquisidor para ele, algo que fazia quando queria dizer alguma coisa, mas não tinha coragem.

— Sabe, eu pensei bastante noite passada se devia lhe contar algo que descobri. — Outra pausa para ela tomar mais um pouco de seu leite. — Existe uma certa dama aqui na corte que está muito interessada em você.

Borys coçou a barba ainda incomodado e agora perdido quanto ao rumo daquela conversa. Ele não queria saber sobre as amigas da irmã que gostavam dele e nem estava interessado em seu envolver com qualquer mulher. Ainda mais quando a vontade do senhor seu pai era a de que ele se casasse novamente, com a realeza.

— Quem é ela? — Perguntou por fim para sanar a curiosidade mínima e fazer com que a irmã falasse o que tanto queria.

Roberta se recostou na cadeira, levando um dedo até o lábio inferior. Parecia pensar em algo esperto para se dizer, como ela costumava fazer quando ambos viviam juntos em Ponta Tempestade. Ela voltou os olhos castanhos para o irmão mais velho após alguns segundos.

— Eleonora, da Casa Tyrell.

Foi como despejar um balde de água gelada numa pessoa dormindo. Borys se endireitou em seu assento, ainda mais perdido e intrigado. Com certeza era uma parente de Millian e ela estar interessada nele poderia parecer um sacrilégio, isso se ele fosse tão religioso quanto a mãe. Nunca que ele iria se envolver com outra mulher da casa Tyrell, não quando todas tinham os mesmos cabelos castanhos e olhos de corça que sua falecida esposa também possuía em vida.

— De onde tirou isso?

— Ela que veio até mim. — A Baratheon explicou olhando de soslaio para a janela e o dia ensolarado lá fora. — É óbvio que quer chegar até você por mim, ela não foi muito discreta quanto a isso. Parece ser interesseira a certo ponto, mas ainda assim seria um casamento oportuno.

Ele não devolveu o olhar brincalhão de Berta.

— Bom, eu já estou comprometido com a Princesa Alyssana de acordo com nosso pai, isso se ela ainda estiver por aí. — Ele comentou sarcasticamente e nada feliz. — Então essa garota Tyrell não vai ter nenhuma chance de matrimônio.

— O que quer dizer? Sobre Alyssana?

Borys suspirou cansado, queria estar no mar ou lutando contra alguém. Não conversando sobre aquelas coisas que o deixavam desconfortável. Ele odiava conversa fiada e odiava ainda mais que sua irmã estivesse continuando em tal assunto.

— Faz semanas que ela desapareceu, Berta. — Comentou os fatos que havia coletado sem muito esforço. — Ninguém pediu qualquer recompensa pela cabeça dela e nenhuma notícia sobre o paradeiro dela chegou até nós. Seria sorte se tivéssemos um corpo para encontrar e sepultar.

Roberta engoliu em seco, agora sem apetite algum.

— Queimar.

— Como?

Ela limpou a garganta.

— Os Targaryen não são sepultados, são queimados pelo fogo dos dragões.

Ele achou aquilo uma coisa estranha a se fazer, mas não iria continuar no assunto fúnebre, já que estava farto de ficar preso ali. Precisava botar o corpo massivo para fazer alguma coisa que deixasse sua cabeça ocupada, por isso empurrou a cadeira para trás e levantou-se de supetão.

— Vou até o pátio, ver se consigo encontrar algum oponente digno no meio desses nobres.

Roberta também se levantou alisando as saias cor de ouro.

— Você fala como se não fosse um. — Ela alfinetou antes de grudar os braços nos bíceps grandes do irmão. — Irei com você, vai precisar de alguém para espantar as galinhas.

E ele riu verdadeiramente pela primeira vez naquele castelo.

— Eu duvido que algum dia eu irei te entender, Eleonora. — Fuchs respondeu após a irmã terminar falar.

Ambos observavam Borys Baratheon dar conta de três guerreiros ao mesmo tempo, com seu tridente nada convencional. Ele estava no meio do pátio fazia alguns minutos incessantes, já com os músculos visíveis por conta da camisa de linho, agora encharcada de suor e definindo o corpo aparentemente moldado pelas mãos divinas do próprio Ferreiro. A cena fazia Fuchs se pegar tendo pensamentos impróprios e Eleonora arfar com ganância enquanto mordia o lábio levemente.

Ela passou a língua pela boca antes de responder, ainda observando o treino abaixo deles.

— Eu também duvido, porém não preciso que você me entenda, mas que faça o que peço. — A Tyrell rebateu já estressada com a ignorância do irmão ainda movida pela raiva.

Eleo tinha vindo para a corte com uma ideia e um plano na cabeça, ela nunca tinha pensado realmente em todas as opções que iriam surgir diante de seus olhos assim que botou os pés na capital. Naquele momento tinha convicção que um casamento com Borys seria tudo o que ela precisava para abocanhar o poder que tanto desejava de uma forma mais simples e fácil, ela havia chegado a conclusão assim que fincou os olhos castanhos nele. Uma mistura de desejo e busca por mais a incentivava a abandonar o que havia imaginado ser o melhor para si na Campina. A garota Tyrell sabia que uma vida como Senhora de Ponta Tempestade seria muito melhor do que uma vida como Senhora de Jardim de Cima. Nas Terras Baratheon ela não teria que aturar a avó até a morte da velha, não precisaria se preocupar em se livrar do tio após se casar com o primo. E é claro, ter Borys como marido era uma ideia muito mais agradável e sedutora do que tentar se envolver com Garth.

Tudo parecia melhor aos olhos dela.

Porém, seu irmão exalava disposição para discordar de todos os pontos. Como um cego que não conseguia de forma alguma observar a luz do sol diante de si.

— O que te faz pensar que ele pensaria em largar a chance de ter mão da princesa para ficar com você? — Era uma pergunta ácida e ela rebateu na mesma medida.

— Eu sou uma opção muito mais viável, uma escolha palpável e que não está desaparecida.

Embora Eleonora ainda quisesse que a princesa fosse encontrada, mais por conta de Fuchs, não pelos Baratheon. Um irmão ao lado do trono e a outra governando ao lado, fazendo Westeros se curvar perante os espinhos das rosas. Era um sonho belo e poderoso, mas para realizá-lo ela precisava de Fuchs e que um cortejo fosse iniciado, pois os costumes impediam que ela fizesse qualquer avanço por si mesma.

Já Fuchs via tudo da forma contrária.

Caso ainda tivesse a mínima vontade de convencer Borys Baratheon a iniciar um cortejo, duvidava que fosse a coisa certa a se fazer. Dar um título grandioso e ainda mais status a Eleonora era perigoso, ele sabia bem disso. Pois, a irmã estava sempre atrás de poder em suas fantasias de cobiça, todavia, quando o conseguia não sabia o que fazer com ele. As ações dela no passado em seu casamento e agora com a prima deles aumentava as convicções de Lorde Tyrell. Era como a própria avó dela havia dito num dia longínquo, ela é como um cão correndo atrás de uma carruagem.

Por isso Fuchs estava irredutível.

— Eu não vejo porquê deveria fazer tal favor a ti, não depois de tudo o que fez.

Ela apertou o braço do irmão, atraindo toda sua atenção.

— Se você continuar agindo igual um menino do verão, amargurado por conta do que aconteceu no passado, é melhor parar nesse exato momento. — Ela não tinha mais paciência, estava resoluta sobre o queria e como queria. E ele estava irritado por ela achar que poderia dar qualquer lição de moral. — Aja como um lorde e não como um menininho atrás da aprovação de Alerie.

Fuchs se soltou rapidamente puxando o braço com força, a face branca já em um tom avermelhado.

— Pois bem, vamos ver o quão bem você vai se resolver aqui na Fortaleza Vermelha sem meu apoio, irmã.

Não houve tempo para a troca de mais farpas, não quando ele se virou a deixando sozinha e descendo as escadas de pedra do espaço elevado onde se encontrava. Precisava deixar a raiva sair de seu corpo, precisava de aliados, precisava achar a princesa, precisava se casar com alguém. Fuchs precisava fazer muitas coisas. Mas, no momento ele poderia apenas desafiar Borys a um simples duelo.

— Sor Borys! — Exclamou se aproximando com um sorriso de ponta a ponta, sem qualquer resquício da discussão que acabara de ter com Eleonora. A garota olhava tudo do mesmo lugar, se perguntando em qual loucura o irmão bobo e imbecil estava prestes a se meter. — Você é aparentemente imbatível.

Borys não sorriu de volta, mas respondeu enquanto girava o tridente nas mãos grandes em busca de não perder o ritmo.

— Não sou tal coisa, milorde. — O Baratheon parecia examinar o rapaz mais baixo e mais franzino que estava a sua frente. — Apenas tenho experiência.

— Oh, eu não duvido de tal coisa. — Fuchs comentou chamando um dos escudeiros que observavam a luta nas bordas. Borys fincou o tridente no chão, incomodado com a pessoa que o impedia de continuar seu treino que era praticamente sagrado. — Eu mesmo também tenho alguma, embora creio que seja melhor na arte dos torneios, algo mais dado a Campina.

Algo apenas para se exibir. O herdeiro de Ponta Tempestade pensou, porém continuou com a boca fechada.

— Não sou tão bom quanto você, mas vou dar o meu melhor.

Borys piscou prestando pouca atenção na conversa, observando enquanto o escudeiro trazia a armadura leve de treinamento, manoplas e o resto dos equipamentos adequados. A visão poderia até ser considerada cômica e até algumas pessoas riam escondidas de Fuchs vestido com a proteção por cima de suas roupas finas e brocadas em ouro mole.

— Pretende lutar? — Foi quase uma pergunta retórica.

— Por que não? — Fuchs rebateu rindo levemente com sua voz melodiosa.

Aquela seria uma boa oportunidade para o jovem Tyrell descobrir mais do homem que sua irmã cobiçava com tanto afinco. Fuchs conseguia ver as atrações físicas perfeitamente. Borys era alto como uma porta, musculoso como um touro e inspirava respeito com sua postura firme. Como se tivesse sido mandado pelo próprio Guerreiro para derrubar todos que entrassem em seu caminho. Porém, também tinha uma grande casa que herdaria um dia e o Senhor de Jardim de Cima sabia que a aliança entre as duas famílias ancestrais havia enfraquecido com a morte de sua tia.

Por isso que ele aceitou uma espada esguia e tomou posição ao redor do oponente.

O Baratheon achava que aquele não seria um combate de verdade quando todas as chances estavam voltadas para ele, porém não foi egocêntrico ao ponto de se recusar a lutar, pegando o tridente prateado e fazendo o mesmo que o oponente. Sendo que as pessoas ao longe também pareciam ter perdido o interesse e as apostas que antes estavam animadas se cessaram, onde todos acreditavam que vitória do veado seria certeira.

Borys foi rápido em atacar primeiro, usando de seu peso e força para infligir um ataque firme no peito protegido do Tyrell e acabar com a luta, levando ele ao chão. Entretanto, Fuchs fora mais rápido, se desviando e dando a volta no Baratheon, usados de seus pés leves para fugir da próxima estocada e já percebendo um padrão. O homem à sua frente era mais forte e confiança em seu tamanho na batalha, utilizando de golpes rápidos e com impacto. Fuchs tinha um corpo definido por poucos treinos, sendo mais esguio e não grande, porém era mais rápido e sabia desviar com maestria do tridente.

O jogo de atacar e recuar continuou por mais alguns segundos.

— Vamos, Sor Borys. — O Tyrell instigou levando uma mão até as costas e segurando a espada esguia com apenas uma mão. — Você vai se cansar se não me pegar logo, a vantagem está mudando.

As pessoas ao redor pareciam ter voltado a prestar atenção, sendo que algumas poucas moedas começaram a rodar de mão em mão. Eleonora de seu lugar elevado mordia o lábio com mais força do que o normal incomodada com as atitudes do irmão e tão entretida na batalha de mentira quanto os jovens escudeiros, sua visão estava tão focada que apenas percebeu a irmã do herdeiro Baratheon quando a mesma estava ao seu lado.

— Eleonora. — Roberta cumprimentou com uma reverência e se aproximou mais, como se as duas fossem amigas de infância.

Eleo seguiu a dança, envolvendo o braço no dela.

— Roberta, que bom que está aqui. — Comentou enquanto observava Fuchs fugir de mais um golpe como um rato escapando das garras de um gato. — Acho que meu irmão está feliz em mostrar um pouco das habilidades como guerreiro.

A Baratheon riu de leve, logo retomando a compostura.

— Duvido muito que ganhe.

Eleonora, mesmo com a raiva ainda em chamas, sentiu-se na obrigação de proteger o irmão.

— Seu irmão primeiro vai precisar pegá-lo.

Roberta sorriu com os lábios rosados.

— Vamos ver.

Lá embaixo o suor havia se impregnado por debaixo das roupas finas de Fuchs e sua testa brilhava na luz do sol após correr e se esquivar repetidamente.

— Me diga, todos aqueles homens lá fora são realmente necessários ou apenas uma demonstração de poder? — Lorde Tyrell foi ousado na pergunta enquanto continuava girando, aproveitando a proximidade para que nenhum ouvido atento espiasse a conversa. Talvez conseguisse algumas respostas ou um aliado, isso sem garantir um casamento para Eleonora.

Borys apenas murmurou algo que Fuchs não entendeu, parecendo levemente irritado com a pergunta.

— Sor, temo que procurar a princesa por toda Westeros sem pistas não vá ser muito produtivo. — O Senhor da Campina alertou, mais por interesse próprio do que para ajudar o oponente. — A verdadeira busca está acontecendo aqui na corte, com palavras e tratados.

Fuchs preferia que aquela pequena parte do exército da tempestade ficasse ali, onde ele poderia ficar de olho em seus próximos passos. Ele também sabia que continuar fugindo não adiantaria mais e aquilo acabaria levando toda a manhã. Por isso avançou, seus passos ritmados tentaram um ataque lateral, que foi impedido pelo tridente.

— Ficar esperando e de conversa fiada não é meu forte. — Finalmente uma resposta e uma estocada reta que não surtiu efeito. — E você fala demais, foque na luta.

Fuchs gargalhou enquanto desviava do ataque seguinte do guerreiro.

— Uma pena, Sor.

E então tentou mais uma vez com sua espada.

A lâmina ficou presa entre os dentes prateados da arma inimiga e foi tirado de suas mãos como um boneco roubado de uma criança. O pior foi quando tentou recuperar a espada em um movimento desleixado e sentiu a perna firme de Borys o levar ao chão.

Fuchs piscou para a sombra que o observava de cima e riu junto da voz grave do Baratheon.

— Você durou mais do que eu imaginava.

Aceitou a mão do vencedor sem qualquer problema, batendo as mãos pelas roupas em seguida para tirar a poeira do pátio.

— Teremos que marcar uma revanche. — Fuchs comentou sorrindo e percebeu que Borys Baratheon também parecia estar se divertindo no fim. O Tyrell ainda não sabia se poderia algum dia considerar aquele homem seu amigo, mas que valia a pena tentar.

Sieglinde ainda tinha um livro em mãos que deixou de lado assim que percebeu a pequena comoção que estava acontecendo no pátio da Fortaleza Vermelha. Ela observou atenta enquanto seu primo Tyrell e Borys Baratheon lutaram por alguns minutos que pareceram durar muito mais. A Martell como muitos outros se surpreenderam com a rapidez e até sagacidade de Fuchs no pátio, porém ainda assim não fora o suficiente para combater a experiência e força do herdeiro da tempestade.

Ela sorriu levemente consigo mesma quando se lembrou de Borys.

Conheceu o herdeiro Baratheon quando o mesmo fora até Dorne para ser treinado e educado nos costumes do povo que vivia mais ao sul da Marca, para reprimir as animosidades do passado e criar vínculos para o futuro. Ela se lembrava dele ser forte na época, mas não tão massivo como agora. Era menos sério e ela sorriu mais uma vez, recordando do fato do Baratheon ter sido ansioso na cama.

A dornesa tentou deixar aquelas memórias de lado ao perceber que ele estava partindo do pátio e que ela precisava fazer um convite.

— Sor Baratheon. — Chamou quando ele estava próximo e o homem virou nos tornozelos para observá-la.

Ela era uma mulher alta como a mãe, batendo no queixo dele enquanto muitas outras ficariam ainda menores. Por isso conseguia olhar diretamente nos olhos azulados como a tempestade que ele evocava de suas terras. Demorou alguns segundos para ele perceber quem era a nobre em sua frente e também se lembrar de coisas há muito tempo esquecidas num passado agora distante.

— Fora excepcional eu seu combate. — Elogiou apertando o livro pesado contra o peito.

— Não foi grande coisa. — Ele respondeu e ela realmente se lembrava dele ser modesto mesmo quando era mais jovem. — Gostaria de alguma coisa?

— Sua companhia. — Pediu e achou justo mostrar um sorriso amistoso.

Ele coçou a barba, envergonhado.

— Neste momento? — Um rubor bem leve subiu a sua face, Sif se sentiu orgulhosa por ter feito um homem daquele corar. — Temo que meu cheiro não seja dos melhores.

Realmente, não era. Sieglinde riu levemente, movendo a cabeça em divertimento.

— Não, Sor. — Ela começou a explicar. — Quando a lua surgir, um jantar para relembrar os velhos tempos em que morou em minha casa.

Agora ele realmente corou, juntando os braços contra o peito amplo.

— Anh, claro… — Fora uma resposta simples, mas o que ela queria.

Por conta disso Sieglinde o cumprimentou com um último aceno antes de virar e deixar um Borys confuso para trás. Ela esperava conseguir alguma vantagem com aquela conversa, algo pista que a mesma ainda não havia descoberto. Estava começando a se preocupar à medida que os dias se passavam sem piedade e nada fazia Sif se aproximar do paradeiro de Alyssana. Sendo que já havia perguntado sutilmente a criados, conversado com várias pessoas escondendo suas intenções e até colocado algumas das lanças dornesas que havia trago consigo para ficar de olhos e ouvidos atentos na cidade.

Porém, tudo fora em vão até o momento.

Sieglinde percebeu que estava ficando frio demais por conta do vento cortante para ler ao ar livre, por isso decidiu voltar até seus aposentos e perguntar como Daevon havia se saído nos estudos daquela manhã. Parou a poucos passos de sua porta quando percebeu vozes jovens conversando. Seus olhos perceberam o filho ao lado de outro menino, não muito mais novo ou velho. Tinha cabelos platinados e olhos violetas como era costume entre os descendentes de Valíria.

Voltou a andar escutando por cima o motivo da conversa.

— Você é um de nós? Seu pai era próximo da família real? — O menino era quase desconhecido a Princesa Herdeira de Dorne, quase pois ela já o havia visto correndo de um lado para o outro pela Fortaleza Vermelha como um garoto de recados. As fofocas diziam que era o bastardo do Rei ou de algum dos muitos Targaryens que viviam nas Terras da Coroa.

Ela se incomodou com a pergunta.

— Mamãe. — Daevon disse assim que a avistou se aproximando.

O garoto prateado uniu os braços ao lado do corpo e desceu a cabeça em uma reverência exagerada.

— Princesa Martell. — O jovem cumprimentou polidamente, pronto para partir, mas ela o impediu quando se abaixou na altura dele.

Sieglinde sorriu com carinho, afinal não passava de uma criança, no máximo um pré-adolescente.

— Me diga, o que está fazendo por aqui?

Ele piscou, os olhos pequenos e da cor de ametistas brilhando com a luz do sol batendo em seu rosto.

— Eu acompanhei vosso filho depois da nossa lição com o meistre. — O garoto respondeu prontamente, como se tivesse sido ensinado desde pequeno quais palavras usar para ser direto e nobre.

— Não tinha conhecimento que estava estudando no mesmo horário que Daevon.

Ele piscou nervoso.

— Meu horário sempre foi esse, posso mudar caso a senhora queira.

Ela negou com a cabeça, ainda mantendo o sorriso doce na face. Levantou-se se colocando ao lado do primogênito e não querendo que seu filho andasse mais com aquele menino, não quando sabia que apenas um bastardo importante teria aulas com um meistre.

— Agora pode ir. — Deixou que ele corresse para longe, se virando para o filho após os dois entrarem na sala que dava para seus quartos. — Qual o nome dele?

— Lucas Waters, ele é um bastardo Targaryen… como eu… — As palavras finais foram quase murmúrios e ela sentiu o coração doer. Se dependesse dela seu filho não seria mais um bastardo quando estivessem voltando para casa, por isso que se lembrou do jantar com Borys Baratheon e de ser ardilosa para tirar do homem nem que fosse a menor pista.

Porém, antes de ter de cuidar disso, abraçou Daevon e começou a acariciar seu cabelo, como a própria mãe dela fazia em sua infância. Ele sempre viria primeiro.

Borys bateu em sua porta quando a noite caiu.

Os dois comeram no quarto dela, onde não seriam incomodado e Daevon não poderia entreouvir a conversa dos dois caso tentasse. Ambos comeram bem e beberam do vinho sem privações. No início ela realmente fez como planejara durante a tarde: perguntou e ouviu, divagou e questionou. O assunto sobre Alyssana envolveu a conversa por algum tempo e Sieglinde mais uma vez ficou sem as respostas que precisava, sem algo que pudesse lhe ajudar.

Porém, depois do jantar ele não foi embora.

O Baratheon se recostou em uma das colunas do quarto, sentando no chão e bebendo do vinho diretamente do jarro. Ela ainda teve algum decoro, se recostando nas almofadas em cima do tapete que ela suspeitava ter vindo de Myr. Ele tomou um gole profundo e ela viu o pomo de adão dele se movimentar, enquanto um pouco do líquido caía por sua barba bem cuidada. Sif também virou seu cálice mais uma vez naquela noite, logo em seguida pedindo mais e ele fez o favor de encher.

— Se lembra quando comeu seu primeiro prato em Dorne?

O homem fez que não com a cabeça.

— Você comeu de uma vez, sem nem ao menos perguntar o que era, a pimenta estava forte. Você implorou por água logo depois. — Sif o relembrou e ambos gargalharam como não faziam há um bom tempo, muito por conta do álcool, mas não se importaram e continuaram bebendo.

— Eu estou bêbada, não estou? — Questionou olhando para o cálice prateado com desconfiança.

— Acho que sim, também devo estar.

Ela duvidava muito, ele parecia estar mais sóbrio. Embora não o conhecesse bem o suficiente para saber como era bêbado.

— Faz tempo desde que bebi tanto assim.

— Por que?

— Porque eu não posso me dar esse luxo. — Sieglinde confessou tomando mais um gole. — Não mais.

— Por que? — Ele repetiu a pergunta e ela suspirou, deitando a cabeça numa das almofadas fofas.

— Eu sou uma princesa, uma herdeira, o futuro de Dorne. — Explicou como algo simples que era explicado para uma criança. — Eu sou mãe, tenho deveres, responsabilidades e expectativas desde que saí do ventre de minha mãe.

— Também tenho estas coisas e não me seguro tanto assim.

Ela quase revirou os olhos perante tal fala, mas apenas respondeu calmamente.

— Você é homem, tudo é mais fácil para você.

O Baratheon deu de ombros e ela não soube se estava concordando ou discordando. Mas não importava, não achava que fosse se lembrar daquela conversa amanhã e que iria apenas se arrepender com a dor de cabeça que viesse para perturbá-la o dia inteiro, como se ela fosse sua irmã Jaelyn.

— Você acha que algum de nós pode achar a princesa?

Ele deu de ombros novamente e ela se irritou.

— Fale alguma coisa, você falava mais em Dorne. — Esbravejou jogando uma almofada contra o homem, porém o objeto não chegou até metade do caminho com seus sentidos deturpados. — Pelo menos pelo que eu me lembre.

Borys suspirou e bebeu o resto do líquido em três grandes goles, fechando os olhos com força.

— Quando eu estava em Dorne ainda sabia muito pouco do mundo e não havia conhecido o luto, a morte me mudou. — Fora uma confissão sincera, nem mesmo a bebida podia fazer ela não ter certeza daquilo.

Sif olhou para os desenhos bem feitos do tapete antes de falar algo, com medo de dizer a coisa errada.

— Sua esposa, eu soube quando ela morreu.

Borys concordou e ela percebeu que ele chorava, até ficou confusa quando ouviu um soluço saindo da voz grave dele. Nunca o tinha visto daquela maneira, aberto e exposto, sem qualquer armadura de metal ou emocional. Duvidava que fosse vê-lo daquela forma novamente alguma vez em sua vida.

— Ela não deveria ter partido, Millian era boa e gentil, boa demais até para mim.

A voz dele estava mais grave que o normal, quebradiça em alguns pontos e cheias do mais profundo pesar que apenas uma pessoa que perdeu alguém que ama poderia sentir.

— Não deveria ter sido ela a partir, poderia ter sido eu, mas não ela e nosso filho.

Um silêncio continuou após a fala dele.

Sieglinde percebeu, finalmente percebeu que debaixo do homem grande e forte, do herdeiro e guerreiro inabalável, abaixo de todas essas camadas habitava apenas um humano como todos os outros. Não importava o que ele mostrava para o mundo, no fim seria apenas Borys. O rapaz que treinava mais do que todos para impressionar o pai, que amava a mãe e a irmã, até mesmo o irmão a ponto de deixar ele seguir o sonho de ser meistre e ele ficar acorrentado ao título de Lorde um dia.

O homem que havia perdido a esposa que amara.

Ela sabia a dor dele, pois havia passado pelo mesmo e da mesma forma ainda não havia superado.

Não iria esquecer, nunca esqueceria.

— Eu também perdi a pessoa que amava. — Falou já sem o vinho nas mãos. Olhava para a lua, se lembrando quando via ela do céu se agarrando as costas de Gaemon, voando nas costas de um dragão. — Gaemon fora como ninguém, nunca mais achei alguém tão especial quanto ele. Até tentei me perder em casos rápidos, mas isso apenas me fazia sentir culpada e nunca mais olhar na cara da pessoa com quem me deitei. Por um lado, achei que ele me abandonou, por outro me sinto quase estúpida por não ter visto a tristeza dentro dele enquanto dividíamos a mesma cama. Por ter deixado ele partir e se matar se jogando em frente a um arpão, caindo do céu.

Sieglinde deixava as lágrimas banharem suas bochechas. Não havia motivo para esconder sua dor ali, não de Borys. Naquele momento eram apenas dois viúvos bêbados, nada mais do que isso. No próximo dia seriam Princesa Martell e Lorde Baratheon, mas naquela noite não. Por isso que Borys se aproximou e ela não o afastou quando as mãos firmes dele se juntaram a suas bochechas sentindo as lágrimas que ainda desciam, a levando para perto.

A princípio Sif sentiu o gosto do álcool e do vinho, sabendo que ele sentia o mesmo de sua boca.

Porém, isso foi passageiro, o beijo tinha gosto de necessidade.

Ela poderia se lembrar de quem estava beijando, do que aquilo poderia ocasionar. Mas, como dito antes, naquele momento ambos apenas dois bêbados perdidos em mágoa e dor, querendo esquecer nem que fosse por alguns minutos do vazio deixado por outras pessoas.

As mãos dele foram ágeis, enquanto os lábios continuavam ocupados. Foram até suas costas e desfizeram seus laços com brutalidades, sendo depois mais carinhoso enquanto tirava as alças de seda de seu ombro. A peça deslizou com delicadeza por seus ombros bronzeados pelo sol de Dorne. Os seios dela ficaram visíveis e ele a olhou com desejo de uma pessoa que não se deitava com uma mulher ou homem há muito. Ela não lhe negou nada, deixando que caísse na tentação.

Sieglinde arfava com as carícias e suas próprias mãos desceram para tirar o resto do vestido e sua roupa de baixo. Borys tinha os lábios em seus peitos que foram descendo por sua barriga, lhe causando arrepios e tremores de prazer. Ela também tirou os laços do gibão dele e ele puxou a peça para fora, junto da blusa de linho que usava por baixo, revelando o peito firme e peludo, junto do abdômen definido por mais abdominais do que ela poderia contar. Deslizou a mão por ali, sentindo os músculos firmes e o pouco de suor que começava se impregnar nos dois por conta da noite abafada e de seus corpos próximos.

Sif colocou uma mão na nuca dele, o guiando até o meio de suas pernas.

Seus lábios a beijaram ali e ela arfou novamente, passando suas unhas pelas costas largas. Ele continuou, usando mais do que os lábios e fazendo ela se contorcer em delírio, percebendo que o Baratheon não era mais o garoto ansioso que conheceu em Lançassolar. Borys explorou a intimidade dela até que ela não aguentou mais e foi erguida por ele com seus braços musculosos, a colocando sem muita delicadeza na cama grande da Martell. Sieglinde se perdeu nos olhos azuis dele enquanto o Baratheon a olhava de cima e grudou no pescoço dele quando sentiu a pressão dentro si. Gemeu imediatamente, mas ele foi gentil e não a invadiu, mas foi fazendo seu caminho com calma. Até que ambos os corpos estivessem grudados num ritmo frenético e constante, ela o mordia e ele não parava de mover os quadris.

Sieglinde soltou um grunhido quando chegou ao topo e o Baratheon fez o mesmo segundos depois, soltando um barulho quase animalesco e girando para o lado da cama tão suado e cansado quanto ela. Ambos despidos e sendo iluminados apenas pela luz da lua que entrava pelas janelas do quarto. Os dois não disseram nada, ela apenas deitou no peito dele que ainda subia e descia arfante.

No dia seguinte a versão mais sóbria dela teria que lidar com aquilo, naquele momento ela apenas se deixou levar pelo sono e o sentimento de não estar sozinha.

Notas finais
espero que tenham gostado! bom, eu estou tendo um problema grande com meu notebook ( eu preciso trocar o hd ), por isso os capítulos e respostas aos comentários possam demorar mais, o que é péssimo porque o que eu mais queria no momento era escrever. caso alguém não esteja gostando do rumo de seu personagem e de como ele está sendo retratado pode falar comigo seja pelos comentários ou pela MP, lembrem-se que é uma fanfic interativa e a opinião de vocês importa! agora vamos sair um pouquinho de porto real nos próximos capítulos e focar nos outros personagens que estão longe da capital ou ainda a caminho dela. falei demais nas notas, desculpa kkkkkk muito obrigada por todo o apoio e a todos que estão comentando! beijinhos ♥