Pela Luz Dos Teus Olhos

1 Pela Luz Dos Teus Olhos — Capítulo Único


Notas iniciais
Quero agradecer pela ajuda e apoio da minha amiga, Caroline Moura. Obrigada por me ajudar com a fanfic, significa muito pra mim. E também a todo o fandom SasuSaku, que nunca deixa de me apoiar. Aos meus amigos do Nyah, os "writes" que em pouco tempo se tornaram muito próximos. O projeto realmente não ficou como eu esperava, mas tem certos momentos da vida que nem tudo sai como o planejado.

Pela Luz Dos Teus Olhos — Capítulo Único

Após um longo período de árduas batalhas, eu e meus companheiros — James e Shane — havíamos, finalmente, conseguido derrotar o tão temido Doppelganger. Apesar da felicidade de poder voltar a ter uma rotina, sabia que certas coisas não seriam como antes. Meus avós não estariam em casa me esperando com um singelo sorriso no rosto, e tal fato fazia com que perguntasse se viver realmente valeria a pena. No entanto, honraria os ensinamentos que esses me passaram no passado; de como as tempestades da vida chegariam, porém depois da tormenta sempre viria a vitória.

Por diversas vezes essas me invadiram, simplesmente continuava desacreditada e com uma mágoa esmagadora em minhas entranhas, entretanto, possuía amigos tão especiais e únicos que não conseguia permanecer assim durante um extenso tempo. Adquiríamos incontáveis lembranças, todas marcadas por sensações diferentes, mas que com toda a certeza permaneciam guardadas na memória. Além disso, existia uma chama ardente que fazia-me lembrar constantemente das investidas de James. O engraçado era como ele fingia nunca sentir-se abalado por minhas ignoradas, mas o convívio entre nós se tornara intenso no decorrer dos anos e sabia muito bem como o brilho de seus olhos ofuscava-se diante as negações de afeto. Aquele adolescente tinha a certeza de que eu não amava-o, entretanto, mal sabia o engano cometido.

Necessitava-o de uma maneira irracional e exatamente por esse detalhe não revelaria meus sentimentos. Depois de perder entes queridos adquiri o medo de me relacionar com as pessoas, já que não gostaria de apegar-me a elas novamente e logo perdê-las. Nesse triste contexto eu havia deixado o homem de minha vida partir e mal poderia imaginar que em um futuro próximo estaria em seu casamento, onde esse começaria uma nova jornada ao lado da mulher amada.

E eu seria apenas a madrinha dos noivos.

Sete anos passaram-se em um estalar de dedos e com os ventos da primavera o evento então chegara — realmente mais rápido do que gostaria —, trazendo consigo a felicidade que James merecia, mas, ao mesmo tempo, tirando o único sopro de esperança que ainda me restara. Só podia pensar em como estava morrendo aos poucos, dolorosamente. E tudo isso pelas mãos da minha inseparável covardia.

(...)

Não pude conter-me ao vê-lo passar pelo majestoso tapete da igreja. Ele somente colocara um belo sorriso em seus lábios, cumprimentando a todos os presentes que lhe davam um aceno animado. Certamente deveria estar nervoso por tal ser um dos momentos mais importantes de sua vida.

Minutos depois o noivo acabou por me avistar e caminhou até finalmente alcançar-me.

— Fico feliz por você ter aceito ser minha madrinha, Rose. Sabe que significa muito pra mim. – disse o mais animado possível, como de costume.

— Isso não é nada, eu é quem tenho de agradecer – menti. Deveria estar com uma cara terrível, pois percebi um certo recuamento da parte de James. Talvez eu estivesse sendo um pouco egoísta, porém eu já havia abdicado da minha felicidade durante anos. Custava-lhe tanto assim desistir do casamento e dizer que me amava assim como antes?!

Certo.

Uma pergunta idiota e a qual sabia a resposta.

— Por incrível que pareça eu estou sentindo a falta de Shane na cerimônia.

— Realmente incrível – ri um pouco sem graça. – Para duas pessoas que brigavam tanto no passado, hoje vocês se dão muito bem.

— Mas aquele velhote também não facilitava. Deve pagar todos os seus pecados nessa viajem com os alunos, afinal não é nada fácil cuidar de um bando de adolescentes em um acampamento escolar.

— Tem razão – me soltava aos poucos em meio a conversa. Parecia que havíamos voltado para anos antes, a naturalidade fluíra novamente sem a maldita tensão persistente. – Mas o tempo fez bem a ele, amoleceu um pouco o coração de pedra. – sem dúvidas Shane tornara-se uma pessoa melhor. Na verdade, meu ex-professor sempre foi alguém a se admirar. Entretanto, facilmente se podia ver que ele carregava o mundo nas costas. Extremamente preocupado com as coisas ao seu redor e incapaz de relaxar por alguns minutos. Isso mudara logo após conhecer uma bonita advogada que lecionava sociologia na mesma escola que esse. O incrível era como ambos possuíam características semelhantes; sérios, profissionais ao extremo. Porém, quando juntavam-se toda a casca grossa desaparecia. E algumas pessoas ainda subestimavam o amor. Tolos.

— Sim. O que uma mulher daquelas não consegue fazer com um homem?

— James! – o adverti – Você vai se casar daqui alguns minutos. – e ao lembrá-lo desse detalhe eu acabei me martirizando mais uma vez.

— Isso não me impede de achar outras pessoas bonitas – ele riu novamente, dando a impressão de que continuava o mesmo adolescente espevitado. – Agora preciso ir, Serena deve estar chegando.

— Boa sorte, James.

— Boa sorte também, Rose. Se é que você precisa.

Sim, eu precisaria.

(...)

Enquanto esfregava as minhas mãos na tentativa de afastar o nervosismo, comecei a escutar a marcha nupcial que indicava a chegada da noiva. Serena apareceu deslumbrante ao centro da porta e então se colocou emocionada ao lado do pai. Ela era uma mulher incrível, isso não podia negar. Bonita, inteligente e cheia de qualidades que não me pertenciam. O oposto de mim. Em algumas ocasiões que dividimos o mesmo recinto, pude sentir o amor que sentia por James. Tratava-o como se fosse um príncipe, o qual merecia os melhores dos cuidados.

Ás vezes me culpava por sentir inveja dessa intimidade que ambos possuíam. Mas quem eu culparia pelo meu fracasso? A única responsável era somente eu. Oportunidades infinitas me foram dadas para corresponder aos afetos do meu melhor amigo e desse modo só conseguia pensar em como estava sendo uma idiota por rezar inconscientemente para que os astros estivessem ao meu favor.

Eles não estavam.

(...)

Levante, dizia pra mim mesma.

Não seja covarde, Rose!

Precisava dizer o quanto amava-o, como necessitava dele ao meu lado e da dependência de sua companhia.

Não. Eu não precisava, acima de tudo, não deveria precisar.

Olhando mais de perto para as feições de James pude identificar o quão transformado ele se encontrava. Diziam que quando ama-se alguém você deve desejar a felicidade dessa, não importando a chegada da infelicidade em sua porta. E a morada de Brown fazia-se em Serena, uma mulher de coração bom que tinha como objetivo passar o resto da vida ao lado dele. E eu? Apenas uma amiga próxima que tornara-se uma paixão antiga… paixão essa não existente mais em seu coração e que aos poucos me dilacerava.

Meu peito doía, as palavras ditas me faziam sagrar por dentro, mas minha face transparecia alegria e mansidão pelo meu amigo. Falsidade? Talvez, mas transparecer meus sentimentos a essa altura não era mais viável e nem aceitável. Tudo ia se tornando cinza e sem vida ao meu redor, e a cada segundo que se passava naquele lugar — vendo os rostos apaixonados dos dois —, sentia várias agulhas perfurando-me.

— James, você promete, diante de Deus e destas testemunhas, receber Serena como sua legítima esposa para viver com ela, conforme o que foi ordenado por Ele, na santa instituição do casamento? Promete amá-la, honrá-la, consolá-la e protegê-la na enfermidade ou na saúde, na prosperidade ou na adversidade, e manter-se fiel a ela enquanto os dois viverem? – não aceite, James. Olhe pra mim, me veja novamente, suplicava.

— Sim, aceito. E assim, Serena, eu te recebo como esposa e prometo amar-te fielmente durante toda a minha vida. – só bastou uma sentença para enterrar de vez essa agonia aterrorizante em meu interior.

(...)

Não sentia o chão que encontra-se debaixo de meus pés. Algo em mim se desfalecia, cada nota musical tocada no salão de festas levava-me para um mundo aonde minhas emoções falavam mais alto. Essas matavam com afinco, já não acreditava em estruturas que pudessem me ancorar.

As pessoas dançavam na pista e algumas ainda conversavam como se fossem íntimas por toda a vida. O casal tornara-se o centro da noite em questão de segundos, eles dançavam, se beijavam e diversas vezes paravam para cumprimentar alguém em especial. Depois de dialogar com um desses, James puxou Serena pelos finos braços e levou-a até o palco de dança — aonde todos os viam com clareza, inclusive eu.

— Gostaria de falar algumas coisas que ficaram entaladas na minha garganta durante certo tempo – ele falou a frase mais sério do que o normal. – Antes, havia alguém que eu gostava muito, meu coração pertencia a ela, mas não fui correspondido. Então decidi esperar pela pessoa certa, que me amasse tanto quanto eu a amo, que cuidasse de mim e me olhasse com o mesmo carinho que eu haveria de ter. Encontrei isso em Serena. Ela é linda por dentro, me olha sempre com um carinho inexplicável e amor infinito — exatamente por esses detalhes não houve um momento sequer de hesitação da minha parte em construir um futuro com ela. O meu “aceito” será eterno. Aceito-a todos os dias, na saúde e na doença, alegria e tristeza. Eu a amo tanto, certamente agradeço àquela pessoa que um dia eu gostei por ter me dispensado e ter dado assim a oportunidade extraordinária de ter conhecido a mulher que hoje posso chamar de minha companheira.

(...)

Possuía vinte e sete anos quando descobri que Serena estava grávida pela primeira vez.

Vinte e oito, quando vi o lindo bebê que parecia-se com James.

Vinte e nove, quando esses mudaram-se de cidade.

Trinta, quando fui embora do país. E, infelizmente, dessa vez ninguém viria implorar para ir comigo.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Ficou suuuuper simples e é mais para reflexão. Algumas vezes deixamos de fazer algo que poderia ter sido feito naquela hora e nossos medos nos impedem também. Então não deixem para depois o que pode ser feito agora.

Lembrando que os personagens pertencem ao querido Leandro Lemos.

Especialmente feita para a Laura ♥

Muito SasuSaku na nossa vida,

kissus, kissus.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!