Acordei com a maior gritaria dentro de casa.

-Acredita, há dias em que a solidão entra por aquela porta e me diz que me vais deixar a qualquer momento. Como queres que eu viva com isso Leandro? Como queres que eu fique aqui á espera que esse maldito telefone toque a avisar da tua morte? Tu não entendes pois não?- a minha mãe gritava

-E tu não entendes o meu lado! Não quero discutir contigo mãe!- Leandro respondia

Levantei-me com cuidado e fui até ao centro da confusão.

- Já não sabem falar civilizadamente? Temos uma criança em casa que precisa de dormir.- reclamei também eu.

- Muito bem, chegou a outra incógnita! Muitos parabéns, arranjas-te uns filhos muito amantes da vida!- a minha mãe ironizou

- Nada. Não aconteceu nada.- Leandro falou assim que foquei o meu olhar nele. E depois saiu do quarto de minha mãe furiosamente

- E tu hoje não precisas de ir trabalhar. Vai lá fazer o eu voluntário com aquelas crianças deficientes, sempre deve ser mais divertido!- gritou-me ela assim que ele bateu a força

- Okay, mas só uma coisa: ELES NÃO SÃO DEFICIENTES!

Saí do quarto com a mesma brutalidade do que o Leandro e vi á minha frente o meu irmão mais novo esvaiado em lágrimas.

- Não fiques assim pequenino...tudo vai ficar bem, tu vais ver... agora, vamos voltar a dormir?- abracei o meu irmão e levei-o novamente para o seu quarto.

- Não tenho sono mana...

- Mas tens de dormir, ainda é demasiado cedo João, faz um esforço por favor...

Com muito esforço e muitas horas de dedicação aquele pedaço de gente que eu tanto adorava voltou a dormir e eu decidi descer para a sala.

-A mãe já saiu.- Leandro disse-me com certa furia assim que me sentei ao lado dele.

- Lamento...eu queria que ela aceitasse tão bem como eu que vais para o exército.- respondi olhando-o séria

- Eu sei Mary, sempre foste a melhor irmã do mundo. Isto há-de passar á mãe. Vais ver...

- Eu espero que sim..

Abraçou-me e ficamos assim durante algum tempo.

- Hoje eu levo o João, pode ser?- Leandro surpreendeu-me com essa pergunta, uma vez que não é muito habitual.

- Como queiras, mas e eu? O que faço?

- Sai com Max