Pegadas No Destino
22 Capítulo 22
Acordei cedo e animada. Mas assim que me arrumei e desci as coisas mudaram um pouco.
- Madrinha?- perguntei surpreendida, há anos que não nos falávamos por uma briga estúpida entre ela e a minha mãe e agora ela tocava-me assim do nada na campainha?
- Olá querida, podemos conversar?
- Claro. Entre.
- Está tudo bem contigo? Como tu estás crescida...- respondeu com um grande sorriso assim que entrou em casa.
-É...passaram-se alguns anos desde que as coisas aconteceram.
- É sobre isso que eu vim falar. Acho que se a tua mãe não te diz a verdade sobre isso, sou eu que te devo isso, a verdade.
- Isso quer dizer?
- Que te vou dizer o porquê de eu me ter zangado com a tua mãe.
- Sente-se...- disse apontado para o sofá e sentando-me á frente dela.- E qual foi o motivo mesmo?
- João...
- Se me vem dizer que ele é adoptado lamento madrinha, mas eu já sei...- interrompi
- Mas ele não é adoptado! Ele é teu meio irmão!- a minha madrinha quase gritou
- O quê? Não pode ser verdade...a minha mãe disse-me que ele era adoptado...- respondi confusa
- Achas que seria fácil para a tua mãe admitir que tem um filho do patrão?
- Isso quer dizer que ela traiu o meu pai?
- Porque te parece que o casamento deles terminou?- a minha madrinha respondeu suavemente em modo de consolo.
- Eu vou ter de falar com a minha mãe...
- Faz isso querida, espero que ela te diga a verdade., foi por não concordar com ela que nos zangamos. Foi por ela me contar que ía dizer que ele era adoptado e não filho do patrão que não concordei..
- Posso só fazer uma pergunta?
- Diz-me...
- Porquê isso agora? Porque veio falar comigo depois destes anos todos?
- Porque a vida prega-nos partidas querida. Se eu ontem era uma arrogante, hoje sou uma pessoa diferente. Descobri que vou ter de ser operada e se algo me acontecer durante essa operação....que Deus perdoe tudo aquilo que fiz!...mas se algo acontecer, eu quero que este tipo de assuntos fiquem resolvidos.
- Não se preocupe. Não vai acontecer nada de mal...
- Espero...
- Bem madrinha, eu convidava-a a passar a manhã comigo mas tenho de ir á procura de trabalho. Algo que me ocupe mais os horários. Por isso, porque não janta aqui hoje á noite?
- Parece-me uma optima ideia. Boa sorte com isso do trabalho, se há alguém que merece és tu! -sorriu
- Madrinha?- chamei quando ela já estava prestes a sair
- Sim?
- Obrigada.-sorri
- Até logo querida,- sorriu de volta
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"Bom dia meu mais recente amor, preciso que me ajudes." mandei mensagem a Max e não tardou a mandar a sua resposta.
"Bom dia Mary, o que precisas?"
"Vou passar a manhã fora á procura de um emprego que encaixe bem com o do campo, vais até minha casa e fazes-me almoço, por favor?"
"Nem penses...vens almoçar cá a casa e não se fala mais nisso"
"Obrigada Max"
"Está tudo bem contigo, hoje?"
"Falamos ao almoço, ok? Amo-te"
"Também te amo"
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Passei a manhã toda á procura de um emprego e tudo aquilo que arranjei foi ser vendedora numa loja de perfumes. O que já é bom...aliás é fantástico porque eu adoro perfumes...
- Bom dia Mary, tudo bem contigo?- a mãe de Max cumprimentou-me assim que abriu a porta.
- Vai-se andando...- sorri.- e com a senhora?
- Oh querida, a senhora tá no céu. Trata-me por tu. Estou bem, obrigada.
- AMOOOORRRR- ouvi Max a gritar da cozinha
- Vai lá ter com o pobre menino- a mãe gozou-o. — é bom ver-vos juntos.
- Sim, eu demorei a perceber que era ao lado de Max que eu queria estar.- sorri- Olá Max...- cumprimentei assim que cheguei á cozinha
- Vais dizer-me agora o que se passa contigo?
- A minha madrinha esteve em minha casa de manhã cedo.
- Aquela que se zangou com a tua mãe?
- Essa mesma. Mas como sabes? Nunca te falei nessa temática da minha vida....-sorri
-Eu e o teu irmão somos bons amigos...- sorriu- Mas o que é que ela queria?
- Vai ser operada e está com medo de algo corra mal...veio falar comigo sobre João e eu preciso de tirar esta história a limpo...queres ajuda com o tacho?- perguntei animada com a confusão que ele fazia
-Não, obrigado. Continua....dizias?
- Ah, sabias que o João não é adoptado?
- Goza-me!
- Não é. A minha madrinha disse-me que ele é filho do patrão da minha mãe...e ela não quer admitir que traiu o meu pai...- respondi confusa
- E acreditas na tua madrinha?
- Sim, os olhos dela olhavam para mim com sinceridade.
- E que vais fazer agora?
- Vou esperar que a poeira abaixe e vou falar com a minha mãe depois.
- Tu és uma guerreira...- Max abraçou-me assim que desligou as bocas do fogão
- E tu és um parvo...
- por ti...
- Awn...vamos lá almoçar, por favor?- pedi.- Ainda tenho de fazer umas coisas.
- Como o quê?
- Tratar de umas papeladas da Joana. A nossa" madrinha".
- A rapariga que só quer ser guarda-redes?
- Essa mesma.- sorri.- ela vai ser transferida para uma equipa profissional de futebol feminino com deficiência.
- Estamos a fazer avanços com estas crianças então...- Max respondeu enquanto punha a mesa com a minha ajuda.
- É, estamos a ter bastantes saídas para estes miúdos.
- Gostava que o meu irmão estivesse a ver...- disse meio triste.
- Então Max? Tenho a certeza de que ele está orgulhoso do irmão que teve. Estás a seguir o sonho dele. Estás a agarrar estas crianças como se fossem parte de ti. Achas que ele não sente que o amas e que isto é tudo em honra dele? És uma grande pessoa...enorme,até.
- Obrigado por estares ao meu lado.
- Sempre.-sorri
- e comer? Daqui a nada matas a tua mãe de fome.- a mãe de Max, estava de óptimo humor naquela manhã.
- Vamos comer...
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- Logo á noite anda jantar a minha casa. Trás a tua mãe. Vou jantar com a minha madrinha. Podemos aproveitar e fazemos uma festa de aniversário á tua mãe. Eu sei que ela fez anos á dois dias-sorri-mas não lhe digas que é uma festa.
- Se é uma festa para ela então tudo bem-Max sorriu.
- Obrigada. Te logo.- respondi antes de o beijar
- Até logo mulher!- Max disse de um jeito super estúpido mas engraçado.
- Parvo.
- Tá bem...até logo!
- Até logo!
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