Pegadas No Destino
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Estou a perder as minhas qualidades de escritora...ou então não me tenho dado o devido valor.
Bem, seja o que for, eu espero remediar com um capítulo (talvez o próximo....)
Divirtam-se :)
- Tudo bem?- Leandro perguntou sério.
- Sim, por enquanto....- suspirei.- Mas, vamos jantar?
- Jantar! Jantar! Jantar!- o meu pequeno começou a gritar do outro canto da sala.
- Vou trazer as travessas com comida aqui para a sala.- avisou Leandro
- Eu ajudo-te.- Max ofereceu-se e seguiu atrás dele.
Sentei-me no sofá estafada e rapidamente João veio brincar para o meu lado. Sorri com o sorriso que ele tinha estampado na cara, ele era um menino bastante inteligente...
- Está tudo bem?- perguntou enquanto me abraçava com um abraço bem forte...
- Está tudo como deveria estar.- sorri. Era perfeito ter um irmãozinho como aquele ali ao meu lado para me abraçar a toda a hora.
- Vamos comer?- Max perguntou assim que a última travessa ficou posta em cima da mesa.
Quanto a mim levantei-me calmamente com os meus pensamentos a vagabundear pela minha cabeça, mas João foi logo a correr lavar as mãos.
Ao passar pelo meu irmão mais velho dei-lhe um beijo no rosto e segui.
Okay, é meio lamechas mas eu queria aproveitar cada segundo com ele. Segundo Max ele ìa em breve e eu tinha a certeza que esse breve era mais próximo do que aquilo que toda a gente imagina ou prevê.
***
-Até amanhã.- Max arrumou o último prato no armário e deu um abraço a toda a gente.
- Vou deitar João, já está um pouco tarde para ele....- avisei.- Mas...Leandro? Podemos falar assim que eu descer?
- Claro que sim...- sorriu e continuou a arrumar copos e talheres.
****
- O que me querias, Mary?
- Quero saber quando é que te vais embora. Não quero que mo escondas, não quero ser apanhada de surpresa.
- Há outra coisa que precisas de saber...mas isso também não interessa agora.
- Leandro, não me andes com rodeios...quando é que vais?
-Amanhã á noite.-respondeu enquanto focava o chão. Eu entendia. Não tinha coragem de mo dizer na cara.
Simplesmente o abracei e logo ele me abraçou de volta. Eu não estava preparada para o deixar ir embora, eu era demasiado apegada aquele retardado, mas eu era impotente em relação a esse assunto. Eu não o podia obrigar a ficar comigo. Eu teria de ser forte e aguentar o tornado que rapidamente a minha casa se iria tornar.
- A mãe já sabe?- perguntei séria assim que nos largamos.
- Não. Eu tenciono avisá-la quando já não estiver por estes lados....- Leandro continuava triste.
- Porque estás nesse estado?
- Porque me vou embora...eu não queria ter de vos deixar aqui com aquele inferno..
- Leandro?- sorri.- Ès mesmo um idiota. Neste momento isso não é o mais importante. Senta-te aí.- ordenei que ele se sentasse numa cadeira á frente de uma guardada para mim.- O mais importante é aquilo que eu preciso de saber. Vais ligar-me? Vais sentir saudades? Vais voltar algum dia?
- Mary...Mary...estas coisas são mais complicadas do que isso. Eu nunca sei quando é que posso fazer alguma coisa. Mas é claro que eu vou voltar, é claro que eu vou ligar e é mais do que claro que eu vou sentir saudades... Maninha, tu és parte do meu coração, jamais eu me perdoarei se te acontecer alguma coisa na minha ausência.
- Deixa-te disso...Não me vai acontecer.
- Eu sei. Agora tens o Max para te proteger.- ele sorriu animado.
- Também....não tinha pensado por esse lado.-sorri entrando na brincadeira.- Mas por acaso, só por acaso, tenho duas mãos que ainda servem para alguma coisa...
- Eu sei. Estou só a meter-me contigo.
- Tu és um camelo...um camelo que eu amo.- sorri
- E tu uma égua, mas uma égua dócil, inteligente, linda, maravilhosa, perfeita que eu mais do que amo.- ele sorriu
- Como estás quase de partida esse "égua" não me ofendeu.- sorri
- Olha, eu queria pedir-te mais uma coisa.
- Diz-me, o que o meu Grande deseja?
- Amanhã eu pensei que podíamos passar o dia juntos. Um dia como nunca tivemos, mas não quero que seja visto como uma despedida, quero que seja o começo de uma nova vida.
- Por mim está tudo bem.
-Mas não tens o jogo do Max? Eu esqueci-me desse pormenor...
- Esquece Leandro, podemos ir os dois juntos. Tenho a certeza que ele não se importa...
- Será?
- Claro, eu falo com ele.- sorri
Ele apenas sorriu de volta mas eu vi no olhar dele que se continuássemos a falar ele iria desabar em lágrimas.
- Vamos dormir? Amanhã não terás muitas hipóteses de o fazer...- sorri
- Sim, precisamos ambos de descansar.
Demos novamente um abraço e esse abraço foi bastante sentido por parte de ambos. Eu sei que ele não queria que eu visse tudo isto como uma despedida, mas era mais forte do que eu.
Eu sabia que isto ía acabar com choros e uma grande, grande despedida, mas até ao dia seguinte eu queria aproveitar a noite para tratar de colocar os pensamentos em ordem.
Não queria estar a pensar em nada assim que eu lhe dissesse: Adeus.
Mas, assim que subi para o meu quarto uma das várias fotos que eu tinha penduradas na parede chamou-me a atenção. Era uma foto minha e de Leandro quando éramos bastante novos, junto ao cavalo do nosso avô paterno. As saudades bateram forte e eu não segurei as lágrimas. Naqueles 6 metros quadrados era apenas eu e o som dos meus soluços, não havia ninguém para ouvir, ninguém para implicar com o meu sofrimento...
Arrastei-me até á cama e puxei o meu álbum de fotografias para junto de mim. Era incrível a quantidade em que eu estava sozinha. Em 230 fotografias apenas 4 ou 6 eu estava sozinha. Em todas as restantes Leandro estava comigo.
Eu iria sentir falta dessa protecção, desse carinho que ele me oferecia de mão beijada. Sem pedir nada em troca.
Afinal de contas, ele era o meu retardado, o meu irmão, o meu idiota. Ele era tudo aquilo que só eu tinha direito de chamar e mesmo assim eu era incapaz de me desapegar dele. Ele era o meu grande ídolo. O meu amor crescido.
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