Pegadas No Destino
9 Capítulo 9
Entramos vagarosamente e deixei que ele se sentasse no sofá.
- Ainda não desistis-te da ideia do voluntariado?- Max perguntou-me assim que se sentou.
- Não. Estou mais decidida do que nunca...
- Eu acredito que os miúdos te vão adorar...- sorriu.
- Queres comer alguma coisa?- perguntei para sair daquele assunto que acabaria por me deixar envergonhada.
- Não, obrigado. Estou bem assim.
- Mana vou buscar o João. Queres vir?- Leandro gritou do cimo das escadas.
- Não, eu estou com ele assim que ambos chegarem...- respondi
- Se estás a negar por eu estar aqui, podes ir... A sério, eu não me importo.- Max respondeu sério
- Tás parvo? Não vou sair agora...
- Okay, quem falou já não está aqui.
Leandro que entretanto descera deu-me um abraço e um xau idiota a Max e saiu.
- Bem, podes servir-te da televisão, da cozinha e de tudo o resto que quiseres...
- Tens cerveja?- perguntou Max muito rapidamente
- Tenho.- ri curto e continuei.- Vou tratar das coisas para tu dormires confortável, alguma coisa estou no quarto de hóspedes.
- Não precisas de ter tanto trabalho, eu durmo aqui no sofá...
- Não dormes nada. E além do mais o trabalho não é assim tanto...
Dei um último sorriso e subi para o quarto de hóspedes. Lá acabei por fazer a cama e colocar alguma roupa de Leandro em cima da secretária. Teve de ser roupa larga porque Max era mais largo e alto do que o meu irmão, mas mesmo assim o meu irmão continuava a ser um brutamontes. Com isto quero dizer que estava com uma forma completamente surreal..forma essa que qualquer homem era capaz de invejar.
Quando desci Max estava a dormir no sofá e a televisão estava desligada. Leandro ainda não tinha chegado e eu comecei a ficar preocupada. Decidi ligar-lhe mas quando peguei no telemóvel tinha uma SMS; «Não te preocupes se eu demorar com João, ele pediu para ir dar uma volta e eu aceitei. Controla aí as coisas com o Max. xx, Leandro» li e sorri. Só mesmo esses dois...
Olhei uma vez mais para Max e para minha surpresa ele abriu os olhos e focou o olhar em mim.
- O que foi?- perguntei animada
- Nada de mais...- ele riu
- Agora que ris-te eu sei que estás a ser perverso. Agora eu quero saber!
- Não posso dizer...- ele continuava a rir e isso estava a enervar-me.
- Claro que podes. Oh Max, anda lá diz... a sério...
- Ficas tão gira enervada que eu não quero dizer.
- Max!
- Okay, eu digo, mas não me bates depois de eu falar?
- Achas que eu recorro á violência?
- Ok. O que eu pensei foi: Não é todos os dias que se acorda e tem-se uma mulher do teu calibre a olhar para nós.- ele continuou a sorrir
- És mesmo um idiota!- sorri de volta e segui para a cozinha.
Não demorou muito tempo e Leandro entrou com João ás gargalhadas.
- Só animação...- comentei
- È, coisas de homens!- João respondeu rapidamente e fez toda a gente rir
- E onde está o João que ainda é criança?- respondi com uma voz que apenas João estava habituado a ouvir.
- Está lá em cima no quarto...- ele sorriu envergonhado com a presença de Max.
- E vamos lá cima procurá-lo?- perguntei com a mesma voz da vez inicial
- Vamos...
Peguei nele ao colo e subimos a fazer cócegas um ao outro. Azar dos azares para João, eu não tenho cócegas mas ele perde-se a rir e isso só me dá mais animação.
- E agora o que fazemos?- o meu pequenino perguntou
- Não sei... O que queres fazer?
- COMER!!!- ele gritou
- Então primeiro trocamos de roupa e depois eu dou-te de comer uma coisa boa, está bem?
- Shim...
Depois de estar de roupa trocado deu-me a mão e ordenou-me, sim ordenou, que voltássemos para junto do Leandro.
- E aí? Como está o meu rapaz?- Max perguntou com um sorriso
- Tio Max...- João respondeu em alegria total.
- Senta aqui...- Max ajudou-o a sentar-se entre ele e Leandro e prosseguiu- Como vão as namoradas?
- Mal
- Mal? Então porquê?
- Acabaram todas comigo?
- A sério? O que é que lhes fizeste? — Leandro entrou na brincadeira
- Nada.
- Nada não...tiveste de fazer alguma coisa. Nós as mulheres somos muito decididas...- brinquei também.
- Não lhes ligues, isto é uma conversa só de homens!- Leandro continuou.
-Diz-me uma coisa, ainda queres ter filhos?- ameacei
- Okay, já não está aqui quem falou...
- O que é que o ele querer ou não ter filhos tem a ver com o caso?- Max perguntou confuso
- Nada Max, não posso dizer á frente de crianças.- sorri.
- Ah okay...- coitado, notava-se perfeitamente na cara dele que ele mantinha-se confuso.
- Eu depois conto-te. Talvez quando ele for dormir.
Levantei-me sem resposta e sumi no interior da cozinha a fazer qualquer coisa para o jantar e para João comer.
- Está tudo bem?- Leandro perguntou da ombreira da porta
- Porque não haveria de estar?
- Tens andado muito ocupada. Raramente sais com amigos, agora só o Max é que parece existir.
- Isso são ciúmes, senhor Leandro?- perguntei divertida com aqueles ciúmes repentinos.
-Não...é claro que não são..- respondeu atrapalhado.
- Nunca te vou deixar meu maninho lindo...- dei-lhe um abraço "irónico" e ri.
-Okay, eu vou fazer de conta que acredito...- ele sorriu.- Bem, olha eu vou pôr a mesa para logo.
- A mãe não vem jantar?- perguntei admirada
- Não. Avisou durante a tarde, enquanto eu estava com João.
- E agora deste numa de pôr a mesa?
- Deixa lá...eu quero fazer um jantar diferente, especial. Pode ser?
- Claro que pode ser!- respondi.
Virei-me para a porta e vi Leandro a afastar-se, foi nesse momento que percebi. Esta seria a última vez que eu o veria na mesma mesa do que eu. Ele de certa forma estava a despedir-se de mim, só não entendia porquê.
- Precisas de ajuda?- Muitos minutos depois Max veio perguntar.
- Não obrigado. Podias só cuidar de João? Preciso de fazer aqui uns últimos retoques no jantar...
- Claro.- ele respondeu e saiu para onde estava.
- Mary, será que te podes vestir com um vestido ou algo assim? Queria que este jantar fosse mesmo diferente...-Leandro pediu também algum tempo depois.
- Mas vós decidis-te fazer mil e uma perguntas, agora? Okay...eu vou trocar de roupa, mas preciso que fiques aqui a dar os acabamentos.
- O que falta?
- Empratar e cortar os bifes em forma do que quiseres. Podes cortar em forma de quadrado, circunferência ou coração.
- Coração!- ele exclamou imediatamente
- Tu é que escolhes. Bem...vou trocar de roupa...até já...
Assim que passei pela sala para trocar de roupa. A minha surpresa foi total. Max apagou a luz e a minha atenção foi chamada para a mesa:
Estava completamente surreal e Leandro nunca tinha feito nada igual...
Fale com o autor