"-Sai com Max." Leandro disse antes de me virar as costas para ir á cozinha.

«Sai com Max, até parece que agora não faço outra coisa...não, espera...Se calhar ele tem razão. Max pode-me ajudar a sentir realizada....»Pensei.

- Leandro, posso fazer-te uma pergunta?- perguntei séria assim que entrei na cozinha e me coloquei a seu lado.

- Diz mada.

- Quando é que mudas essa roupa pela farda? Isto é...quando é que deixas de ser uma pessoa que estou habituada a ver todos os dias?

- Não sei...tenho de tratar desses últimos pormenores....- ele pareceu pensativo.

- Leandro?- chamei na tentativa de que ele olhasse para mim, mas nada. Leandro estava a sofrer, não era muito díficil para mim vê-lo.- Leandro?

- Mary, eu só quero que saibas que independentemente de todas as besteiras que por vezes faço, eu te adoro e que por trás deste rapaz desorientado está uma pessoa que procura um pouco de rumo na sua vida. Há coisas que eu sei, mas tu ainda não, e eu sei.....eu sei que.... tu tens de ser forte...- uma lágrima começou a rolar pela face dele.- Tu és forte. Eu sei que és...Mas quero que saibas que eu te amo mana e que sempre que precisares eu estarei aqui para o que quer que seja...

- Eu também te amo mano, sei que ás vezes não parece mas eu amo. Desculpa aquelas crises...sabes como é...- falei confusa, triste, comovida...enquanto umas lagrimas escorriam pelo meu rosto.

- Tenho fome!- ouvimos a voz de João da porta.

- Vamos lá matar essa fomeca então....- Leandro disse com um sorriso.

Decidi subir e deixá-los ter um momento de irmãos rapazes. Assim que abri a porta do meu quarto um envelope que estava sobre a cama chamou a minha atenção. Era um envelope castanho com um lacinho vermelho.

Abri com cuidado e dei de caras com uma carta.

"Querida prima,

Escrevo para avisar que, em breve, eu e meu irmão partimos para junto dos teus. Como já deves estar informada, os nossos pais faleceram e nós ficamos ao cuidado da tia, ou seja, a tua mãe. Espero que esta nossa chegada não te vá incomodar.

Temos chegada prevista para daqui a uma sema.

Beijos,

Leonardo."

Leonardo era o filho mais velho de um dos irmãos da minha mãe. Tinha 23 anos, era da minha idade, e tinha um irmão de 19, o Mateus. O meu tio John casara-se com uma brasileira a Yasmin, mas ambos tinham falecido numa tempestade no Alasca no mês passado e como consequência os meus primos vinham morar cá para casa. Até que não era muito mau, ao menos teria companhia.

- Vou levar o João, tudo bem?- Leandro falou do lado de fora da porta

- Tudo perfeito.- sorri embora eu soubesse que ele não veria nem por um mili- segundo esse meu sorriso parvo.

Agora eu tinha de mudar de roupa e depois logo se veria o que eu ía fazer. Mas, assim que eu abri a porta do guarda roupa alguém tocou a campainha.

Olhei-me ao espelho, o pijama era suficientemente curto mas eu estava em minha casa. Quem não quisesse ver não olhasse!

- Max?- perguntei assim que abri a porta

O rapaz olhou-me de alto a baixo e isso fez-me envergonhar.

- Oi, desculpa eu não queria que te sentisses desconfortável.- ele desculpou-se.

- Não há problema, entra...- sorri

- Sabes, é que tu és bastante atraente. Eu nunca tinha reparado.- ele disse meio envergonhado

- Obrigado...acho...- falei confusa. Aquilo era um elogio ou um desabafo!?

- Bem, eu vinha falar com o Leandro, ele por acaso não está pois não?

- Lamento...saiu á pouco tempo com João, mas ele volta. Podes esperar, fica á vontade.- respondi.- Eu vou mudar de roupa.

- Okay.- respondeu enquanto se sentava em frente á TV.

(...)

Assim que cheguei á sala dei de caras com um Max completamente relaxado: pés em cima da mesa de centro, TV ligada e o mais curioso de tudo: dormia como uma criança cansada.

Acordava-o, não acordava?

Dava que pensar....