Pegadas No Destino
3 Capítulo 3
"– Max, estás a ser, é que fazes caras tão fofas e tu nem te apercebes disso.- soltei enquanto me ria e imediatamente me arrependi.
– Também és bonita,se é isso que me estás a tentar dizer..
– Acho que sim...de um jeito estranho. — fiz uma careta que fez Max rir.- Mas vamos comer qualquer coisa?
– Vamos lá.."
- Não quero que penses que sou um fraco.- Max disse após longos tempos de silêncio
- Não acho...
- Obrigado por tudo.
- Ora essa, até eu estava a precisar de sair...quer dizer, depois de saber aquilo do Leandro e depois de apenas eu andar nesta vida a não fazer nada...Por falar nisso, o que é que tu fazes da tua vida?- perguntei curiosa
- Eu? Sou jogador de futebol amador.- ele disse meio triste
- Porquê tristeza quando dizes isso?
-Eu gostava de ser profissional, cheguei a estar a escassos dias de assinar contracto com um dos melhores clubes, mas depois num dos treinos cometi uma fractura e não posso mais ser profissional. Agora é só mesmo por desporto.
- Entendo...- tentei consolá-lo.
- Mas então e tu?- tentou mudar de assunto
- Eu o quê?
— Porque dizes que não fazes nada da vida?
- Ora, estudei para fazer absolutamente nada...Sempre fui uma aluna média, então eu tencionava a acabar o ensino normal e fazer um curso qualquer, algo que desse para eu receber o meu própio dinheiro.
- Porque não o fizeste?- Max perguntou após o empregado assentar os nossos pedidos.
- Porque achei que desistir dos estudos era o mais fácil e como os meus pais são, bem, aquilo que são, tinha maneiras de me erguer na vida. O problema é que mudei e isso não me pareceu certo.
- Mas era tarde de mais...
- Exacto, era tarde de mais. Por isso pedi ajuda á minha mãe e ela colocou-me a trabalhar com ela.- esclareci
- Bem, mas então já fazes alguma coisa.- ele concluiu animado´
- Eu gostava de fazer algo mais...talvez voluntariado..- confessei
- Mas isso é fácil. Que horas são?- Max perguntou, olhei para o pulso dele involuntariamente- esqueci-me do relógio- "respondeu" esclarecendo-me.
- Passa pouco das 20:00h, porquê?
- Vamos a um lugar depois de jantar. Tenho a certeza que vais adorar.
- Okay, vou confiar...
(...)
- Não podes ver. Se vires não vale!- Max tapava-me os olhos com as suas mãos e parecia bastante animada.
- Oiço gritos de crianças... para onde me estás a levar?- eu batalhava
- Já vais ver, porque não tens calma?
Decidi dar esse voto ao Max e parei de reclamar, deixei que ele me guiasse.
- E pronto, esta é a minha surpresa.- Max disse tirandos as mãos de cima dos meus olhos e olhando-me com um sorriso encantador.
- Mas isto é...maravilhoso...porque estamos aqui?- perguntei com um sorriso idiota.
Estávamos dentro de um campo de futebol e em todo o lado estavam crianças com algum tipo de defeciência a jogar futebol. Dois treinadores davam instruções e outros cinco ajudavam-nos.
- Isto é...voluntariado?- ele riu vitorioso
- O que queres dizer com isso?
-Eu para além de jogador amador também sou treinador aqui. Basicamente ajudamos estas crianças a realizar o seu sonho.
- Isso é maravilhoso.!- comentei já desinteressada no que ele dizia.
Assim que as crianças deram conta da nossa presença começaram a gritar "O Max tem namorada! O Max tem namorada!" e começaram a correr até nós.
- Tem calma, eles vão apenas apegar-se muito a ti, principalmente as meninas.
- Namorada?- Um rapaz moreno, loiro, perguntou a Max.
- Não...não é, é irmã do Leandro.- Max respondeu alternando o olhar entre mim com as crianças e o rapaz.
- A sério?
- Yap meu. chama-se Mary...-depois elevou a voz.- Meninos? Vamos falar sério sobre uma coisa?- quando todas as crianças tinham a atenção nele, ele falou- Eu e a Mary somos amigos, ela é irmã do Leandro.
Aquelas palavras surpreenderam-me, quer dizer que ali, toda a gente sabia quem era o meu irmão?
- Porque é que ele se foi embora?- uma menina com cabelo preto perguntou-me com carinha triste
- Eu não sei...desculpa...- Max respondeu por mim.
Estivemos cerca de uma hora e meia com as crianças e depois ainda ficamos um tempo os dois sozinhos no campo.
- O meu irmão também era treinador?- perguntei
- Também. Deixou hoje de ser, disse que não valia a pena continuar se não ía ter tempo. Egoísta.- Max ficou revoltado.
- Eu...desculpa Max, ele é meu irmão...tenho de o tentar entender...
- Não Mary...não...desculpa eu. Sou demasiado...eu?...esquece. Vamos para casa?
- Já te queres ver libertado de mim?- brinquei
- Não é isso. È que...
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