Claro que o Max não gostava de mim, eu não era desse tipo. Não fazia os rapazes apaixonarem-se por mim com facilidade e eu via Max unicamente como um amigo, um amigo próximo e especial, mas nada mais do que isso.

- Bom jogo, meu!- a voz de Leandro fez clique na minha cabeça e eu despertei da transe pensativa.

- Obrigado. E tu Mary, gostas-te?- Max perguntou-me depois de dar um abraço ao meu irmão.

- Adorei. Futebol...não sou muito boa mas adorei.- sorri

- Ainda bem e obrigado pelo apoio.- Max deixou que um sorriso lhe aparecesse na cara.- Agora, julgo que ambos tenham muito a fazer...

- Max, não queria ser rude mas eu realmente gostava de passar o resto da tarde com a minha irmã..- Leandro respondeu enquanto me abraçava de lado.

- Sim, Max. Eu quero ter uma despedida como deve ser...- respondi abraçando o meu Grande também.

-Eu compreendo.- Max abriu ainda mais o sorriso.- Divirtam-se!

- Obrigado.- respondemos em coro.

- Max?- chamei assim que ele virou as costas.

- Diz-me.

- Logo á noite, talvez pouco depois do jantar, podias encontrar-te comigo? Por favor?- perguntei séria.

- Claro que sim. Liga-me assim que quiseres que eu apareça, vou a correr.- sorriu e foi-se embora.

- Porque é que queres que o Max vá ter contigo á noite senhora Mary?- Leandro perguntou sério

- Outra vez ciúmes Leandro?- perguntei animada soltando-me do abraço.- Isso não é necessário...

- A sério...diz lá porque é que queres a companhia dele.

- Tu vais-te embora e eu quero estar acordada quando te fores embora. Mas não quero ficar sozinha, como Max é nosso amigo em comum, pode animar-me e sei lá...sentir-me mais em família...- confessei

- Eu não quero que estejas acordada.

- Mas porquê?

- Porque se estiveres, vai ser ainda mais difícil a minha despedida. Entende o meu lado por favor...neste momento tu e o João são as coisas mais importantes na minha vida!

Decididamente estávamos meio a discutir em plenas bancadas de um campo de futebol e toda a gente estava petrificada a olhar para nós.

- Vamos sair daqui.- pedi.- continuamos no carro.

- Mary? Eu adoro-te, okay? È por isso que eu temo tanto pelo sofrimento da despedida...- Leandro falou assim que entramos no carro.

- Olha Leandro, tens fome?- perguntei

- Por acaso tenho...vamos almoçar?

- Vamos.- respondi com um sorriso

Eu estava a todo custo a tentar evitar falar da despedida e por mais que eu evitasse todos os caminhos estavam a ir nessa direção.

Durante o almoço o Leandro começou a rir-se.

- O que foi?- perguntei curiosa

- Tu és maravilhosa....sabias que eu sempre invejei a forma como consegues mudar de assunto? Tão depressa estás a falar de bananas como passas para madeira...

- O que queres dizer com isso?- perguntei a rir-me perdidamente

- Quero dizer que ainda á minutos estávamos a falar da despedida e tu trocas o assunto para comida. É que só mesmo tu...

- Claro. Eu sou perfeita em tudo o que faço!- sorri animada

- Tu és perfeita em tudo o que fazes...- Leandro suspirou

Aí percebi que ele estava realmente triste e que todo este dia estava a ser muito difícil para ele.

***

O resto da tarde foi passado no meio de memórias, lembranças, sorrisos, brincadeiras....tudo passado na praia. E só paramos quando estava na hora de João regressar a casa.

- Olá pequenote...- Leandro abraçou-o logo que ele saiu a correr do interior do recinto de brincar.

- Olá Lias!!!- João abraçou Leandro com uma intensidade já normal entre eles os dois.

- Tens fome, amigão?

- O tio Max?- perguntou.- Ganhou?

- Ganhou...- Leandro respondeu com um sorriso.- Mas tens fome ou não pequeno?

- Claro que sim!- João respondeu rapidamente enquanto me atirava a pasta e seguia abraçado ao Leandro.

- Eu vou atrás de vocês...- tentei falar séria mas de voz normal, porém eu tinha os olhos vidrados de lágrimas quase a correrem pela face e Leandro reparou.

- De certeza?

- Absoluta...

Deixei que eles tivessem uma distância enorme se criasse entre mim e eles e deixei que as lágrimas caíssem. Afinal, eu não era de ferro e era mesmo daquilo que eu estava a precisar. Estava a precisar de chorar.

Acabamos por ir até um bar perto de casa. E rapidamente eu saí de lá. Eu estava prestes a desabar em lágrimas e não queria que João me visse a chorar. Claro que eu sabia que com a ausência do Leandro ele ía fazer perguntas e eu teria de as responder.

Mas naquele momento eu não estava preparada para ver aquela imagem... a imagem de dois irmãos a divertirem-se, coisa que algo me dizia, ser a última vez que eu o veria.

Chorei talvez horas e parei minutos antes de Leandro bater á porta do meu quarto.

- Como te sentes?- perguntou de forma carinhosa

-Sinto-me cansada. Como se tivesse o mundo em cima das minhas costas...

- Eu acredito que sim...promete-me uma coisa Mary.

- Depende do que for.

- Promete-me que quando eu sair da porta para fora, logo á noite, não vais chorar.

- Não posso prometer isso Leandro...tu tens noção do que me estás a pedir?- Ele manteve-se calado e olhou para o chão.- eu sei que não queres que eu sofra, mas não me peças isso... por favor.

- Então promete-me que estarás aqui para consolar o João quando a mãe lhe contar porque é que eu não estou em casa quando ele acorda, porque é que não me vê e o porquê de durante muito e muito tempo não me ver mais ao deitar. Prometes?- aquilo foi mais uma suplica, ele agora já não era o meu irmão durão que me tratava como se fosse uma criança. Eu tinha á minha frente um Leandro a chorar, um Leandro que eu desconhecia...um Leandro que sofria em silêncio e agora se estava a mostrar.

- Prometo. O João terá sempre o meu apoio...- prometi enquanto o abraçava.