Pegadas No Destino
13 Capítulo 13
Claro que o Max não gostava de mim, eu não era desse tipo. Não fazia os rapazes apaixonarem-se por mim com facilidade e eu via Max unicamente como um amigo, um amigo próximo e especial, mas nada mais do que isso.
- Bom jogo, meu!- a voz de Leandro fez clique na minha cabeça e eu despertei da transe pensativa.
- Obrigado. E tu Mary, gostas-te?- Max perguntou-me depois de dar um abraço ao meu irmão.
- Adorei. Futebol...não sou muito boa mas adorei.- sorri
- Ainda bem e obrigado pelo apoio.- Max deixou que um sorriso lhe aparecesse na cara.- Agora, julgo que ambos tenham muito a fazer...
- Max, não queria ser rude mas eu realmente gostava de passar o resto da tarde com a minha irmã..- Leandro respondeu enquanto me abraçava de lado.
- Sim, Max. Eu quero ter uma despedida como deve ser...- respondi abraçando o meu Grande também.
-Eu compreendo.- Max abriu ainda mais o sorriso.- Divirtam-se!
- Obrigado.- respondemos em coro.
- Max?- chamei assim que ele virou as costas.
- Diz-me.
- Logo á noite, talvez pouco depois do jantar, podias encontrar-te comigo? Por favor?- perguntei séria.
- Claro que sim. Liga-me assim que quiseres que eu apareça, vou a correr.- sorriu e foi-se embora.
- Porque é que queres que o Max vá ter contigo á noite senhora Mary?- Leandro perguntou sério
- Outra vez ciúmes Leandro?- perguntei animada soltando-me do abraço.- Isso não é necessário...
- A sério...diz lá porque é que queres a companhia dele.
- Tu vais-te embora e eu quero estar acordada quando te fores embora. Mas não quero ficar sozinha, como Max é nosso amigo em comum, pode animar-me e sei lá...sentir-me mais em família...- confessei
- Eu não quero que estejas acordada.
- Mas porquê?
- Porque se estiveres, vai ser ainda mais difícil a minha despedida. Entende o meu lado por favor...neste momento tu e o João são as coisas mais importantes na minha vida!
Decididamente estávamos meio a discutir em plenas bancadas de um campo de futebol e toda a gente estava petrificada a olhar para nós.
- Vamos sair daqui.- pedi.- continuamos no carro.
- Mary? Eu adoro-te, okay? È por isso que eu temo tanto pelo sofrimento da despedida...- Leandro falou assim que entramos no carro.
- Olha Leandro, tens fome?- perguntei
- Por acaso tenho...vamos almoçar?
- Vamos.- respondi com um sorriso
Eu estava a todo custo a tentar evitar falar da despedida e por mais que eu evitasse todos os caminhos estavam a ir nessa direção.
Durante o almoço o Leandro começou a rir-se.
- O que foi?- perguntei curiosa
- Tu és maravilhosa....sabias que eu sempre invejei a forma como consegues mudar de assunto? Tão depressa estás a falar de bananas como passas para madeira...
- O que queres dizer com isso?- perguntei a rir-me perdidamente
- Quero dizer que ainda á minutos estávamos a falar da despedida e tu trocas o assunto para comida. É que só mesmo tu...
- Claro. Eu sou perfeita em tudo o que faço!- sorri animada
- Tu és perfeita em tudo o que fazes...- Leandro suspirou
Aí percebi que ele estava realmente triste e que todo este dia estava a ser muito difícil para ele.
***
O resto da tarde foi passado no meio de memórias, lembranças, sorrisos, brincadeiras....tudo passado na praia. E só paramos quando estava na hora de João regressar a casa.
- Olá pequenote...- Leandro abraçou-o logo que ele saiu a correr do interior do recinto de brincar.
- Olá Lias!!!- João abraçou Leandro com uma intensidade já normal entre eles os dois.
- Tens fome, amigão?
- O tio Max?- perguntou.- Ganhou?
- Ganhou...- Leandro respondeu com um sorriso.- Mas tens fome ou não pequeno?
- Claro que sim!- João respondeu rapidamente enquanto me atirava a pasta e seguia abraçado ao Leandro.
- Eu vou atrás de vocês...- tentei falar séria mas de voz normal, porém eu tinha os olhos vidrados de lágrimas quase a correrem pela face e Leandro reparou.
- De certeza?
- Absoluta...
Deixei que eles tivessem uma distância enorme se criasse entre mim e eles e deixei que as lágrimas caíssem. Afinal, eu não era de ferro e era mesmo daquilo que eu estava a precisar. Estava a precisar de chorar.
Acabamos por ir até um bar perto de casa. E rapidamente eu saí de lá. Eu estava prestes a desabar em lágrimas e não queria que João me visse a chorar. Claro que eu sabia que com a ausência do Leandro ele ía fazer perguntas e eu teria de as responder.
Mas naquele momento eu não estava preparada para ver aquela imagem... a imagem de dois irmãos a divertirem-se, coisa que algo me dizia, ser a última vez que eu o veria.
Chorei talvez horas e parei minutos antes de Leandro bater á porta do meu quarto.
- Como te sentes?- perguntou de forma carinhosa
-Sinto-me cansada. Como se tivesse o mundo em cima das minhas costas...
- Eu acredito que sim...promete-me uma coisa Mary.
- Depende do que for.
- Promete-me que quando eu sair da porta para fora, logo á noite, não vais chorar.
- Não posso prometer isso Leandro...tu tens noção do que me estás a pedir?- Ele manteve-se calado e olhou para o chão.- eu sei que não queres que eu sofra, mas não me peças isso... por favor.
- Então promete-me que estarás aqui para consolar o João quando a mãe lhe contar porque é que eu não estou em casa quando ele acorda, porque é que não me vê e o porquê de durante muito e muito tempo não me ver mais ao deitar. Prometes?- aquilo foi mais uma suplica, ele agora já não era o meu irmão durão que me tratava como se fosse uma criança. Eu tinha á minha frente um Leandro a chorar, um Leandro que eu desconhecia...um Leandro que sofria em silêncio e agora se estava a mostrar.
- Prometo. O João terá sempre o meu apoio...- prometi enquanto o abraçava.
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