Notas iniciais
Olá. Como estão??
Um novo capítulo ^^, espero que gostem...

Acordei com os primeiros raios de sol a bater-me na cara. Levantei-me com cuidado e vi que lá fora o dia convidava a passear. Era irónico a maneira como tudo estava a acontecer. O último dia em que eu estaria perto de Leandro era o dia mais bonito que eu já alguma vez tinha dito. Às vezes a Natureza parece que está mesmo a gozar com a nossa cara...

Sorri ao fazer alguns alongamentos e saí da cama. Abri o meu guarda-roupa e tirei uma roupa bastante confortável. Roupa que daria para o dia todo.

- Já acordada?- Max chamou a minha atenção deixando-me meio embaraçada e corada por estar com um pijama um tanto provocador.- Desculpa, eu devia ter mostrado que já estava acordado.- ele continuou depois de ver o meu "estado".

- Não tem mal, quer dizer desculpa eu...- respondi com um sorriso um pouco tímida e continuei a remexer no armário.- Max?- perguntei de repente e fechei a porta voltando-me para ele.

- Sim?

- Lembras-te do jogo?

- Sim, o que tem?

- Posso ir com Leandro? Quer dizer, hoje é o último dia em que eu estou com ele e gostava de aproveitar cada segundo...

- Mas isso nem precisas de perguntar!- Max interrompeu-me com um grande sorriso.- Claro que podes ir com o Leandro. Será uma honra ter o vosso apoio.

Sorri e dirigi-me á casa-de-banho para tomar um bom duche para de seguida levar João ao infantário, dar o pequeno almoço a Max e fazer toda a rotina matinal a que eu já estava habituada.

Assim que terminei de me arrumar olhei-me ao espelho. As calças de ganga justas e a t-shirt faziam com que eu parecesse uns anos mais nova e o casaco grosso não ajudava em nada. Mas eu gostava de me apresentar assim.

- Bom dia!- gritei com um sorriso na cara, do cimo das escadas e rapidamente os olhos de Max, Leandro, João e da minha mãe focaram no lugar onde eu deveria estar.

- Bom dia!- João respondeu com um grande sorriso e dos outros recebi um grande sorriso. Claro que a minha mãe se manteve indiferente.

- Vou para o trabalho. Não façam asneiras...- limitou-se a anunciar.

- Ela é sempre assim com vocês?- Max perguntou surpreso

- Não...tens dias em que é pior.- respondi séria e nem dei hipótese de resposta.- João, vamos para o infantário?

- Shim!!!- ele quase gritou enquanto batia palmas.

- Quando voltar faço-vos o pequeno almoço.

- Não precisas. Eu trato disso.- Leandro cortou-me logo a conversa

- Ou isso.- sorri antes de lhe dar um abraço e de sair de casa.

* * *

- Sabes mana, trouxe-te aqui porque foi onde nós passamos os nossos melhores momentos...- Leandro deitou-se na areia e colocou a cabeça em cima do meu colo.

Estávamos numa praia onde os nossos pais nos costumavam levar quando éramos pequenos. Bem antes de João existir. Nunca soubemos o nome dela e as pessoas pareciam não gostar de falar, por aqueles lados.

- Eu sei Leandro. Vão ficar aqui boas memórias...- sorri e comecei a fazer carinhos no cabelo dele.

- Nunca te vou esquecer Mary, as pessoas vão dizer coisas. Vão deitar-te abaixo, vão fazer tudo para te derrubar. Mas por favor, nunca sejas vencida. — respondeu a sorrir

- Prometo que cuidarei de mim...

- Promete que vais ser forte o suficiente para o que aí vem...

- Mas Leandro....!

- Promete!- Leandro já não estava a sorrir, estava sério e as lágrimas caíam pelos cantos dos olhos.- Por favor, promete...

- Eu prometo...- respondi mais do que confusa.

Ficamos mais de dez minutos calados a ver a água do mar a desfazer-se nas areias e finalmente Leandro falou.

- Eu queria que soubesses uma coisa...- ele levantou-se e abraçou-me pelos ombros.- Sabes o quê?

- O quê?- perguntei curiosa

- Se fosses um rapaz eu não me dava assim contigo. Mas sendo tu uma rapariga...talvez uma mulher já, mas continuas a ser a minha menina...eu tenho esta estranha mania de querer segurar o teu mundo mesmo quando não é necessário.

- Eu já reparei que fazes tudo para que eu não sofra.- respondi com um sorriso.

- Sim, mas mesmo assim nem sempre vou estar aqui para segurar as tuas lágrimas...

- Isso não vai ser necessário. Vou estar contigo o tempo inteiro. Pode não parecer, mas eu estarei sempre lá, onde quer que estejas.

- Eu sei que sim....- sorriu.-Acreditas que eu nunca me imaginei a ser tão lamechas á tua frente?

Ri animada com aquele comentário.

- Estou a falar a sério!- fez um ar de indignado.

- Ok, eu acredito...Mas sabes que ás vezes isso faz bem. Tu tens sempre uma imagem tão dura!

- Pois...

Leandro levantou-se e aproximou-se do mar.

Olhei-o de alto a baixo e percebi o quão amava aquele idiota. Ele era o meu irmão e mesmo assim não tínhamos nada em comum para além do carinho, amizade e companheirismo que nos unia.

Agora, ele ía afastar-se de mim e eu teria de viver a vida como se ele estivesse presente todos os minutos como até agora estivera.

Sorri com a maneira como ele se vestia. Ele aparentava ser um duro, mas na verdade debaixo daquelas calças de fato-de-treino e das camisolas largas estava um coração de manteiga.

- Vamos dar o nosso apoio ao Max?- perguntou de repente

- Já está na hora do jogo?- perguntei aproximando-me do lugar onde ele estava

- Não, mas ele está a treinar. Deve ser bom para ele ver que o apoiamos até no treino- respondeu animado

- Tu e o futebol....Vamos lá..

* * *

Quando o jogo terminou a equipa de Max foi a vencedora. 4-2, sendo 2 dos 4 golos marcados por ele, e consequentemente dedicados a mim.

- Porque é que ele te dedicou os golos que marcou?- um rapazinho perguntou-me depois de o jogo terminar.

- Sinceramente? Não sei...- sorri um pouco corada

- Ele nunca dedicou os golos a ninguém. Deves ser muito importante para o meu afilhado.- Um homem, deveria ser pai do rapazinho falou.

- Afilhado...Max?- Leandro perguntou um pouco confuso

- Sim. Peço imensa desculpa, nem me apresentei. O meu nome é Danny e este é o Martin, sou o padrinho do Max, jogador com a camisola numero 6.

-Prazer. Sou a Mary e este é o meu irmão, Leandro.- sorri

- O prazer é todo meu.- Danny sorriu.- Penso que ficam para festejar a vitória com Max.

- Estamos a pensar ficar, sim..- respondi com um sorriso

- Bem, divirtam-se!

- Obrigado.- sorri e deixei que Danny e Martin se afastassem de Leandro e de mim

-Sabes porque é que ele te dedicou os golos? Sabes? Porque será? la-la-la-la-la-la Ele gosta de ti...- o meu irmão cantarolou ao meu ouvido assim que o padrinho e o primo de Max estavam afastados o suficiente para não ouvirem