Notas iniciais
Oi leitor
espero que gostem

Escutei gritos e mais gritos juntos com um trovão muito alto. Tentei me levantar, mas algo estava prendendo minha perna. Gritei por socorro, porém minha voz pareceu ter ficado abafada com os gritos e a tempestade que caia fortemente lá fora.

Olhei melhor para o lugar em que estava. Era a minha tenda, só que está toda destruída e pegando fogo. O grande tronco de madeira que antes apoiava a tenda toda esta agora em cima da minha perna esquerda. Não está quebrada, posso sentir, só esta presa e muito machucada e se eu não sair daqui vou acabar morrendo sufocada pela fumaça ou queimada.

Respirei fundo mais uma vez antes de gritar novamente por ajuda. De repente um homem entra na minha tenda destruída e se aproxima de mim.

– Fique calma! Vou te tirar daqui. — ele fala passando a mão em meu rosto. Ele fixa sua atenção a minha perna presa e olha pra mim com piedade. Fechei a cara pra ele, depois de todo esse tempo ele de repente fica com dó de mim. Odeio quando as pessoas mentem na minha frente.

– Não está quebrada! Só estou presa! — falei rapidamente e ele foi mais pra perto do tronco, o envolveu com os braços e fez muita força para tira-lo de cima de mim.

Eu me levantei como pude assim que fiquei livre, ele segurou minha mão e me tirou dali, no mesmo instante em que estávamos fora da tenda um trovão soou ao longe fazendo o chão tremer sob os nossos pés. Com o tremor a tenda fez um barulho alto e uma de suas estruturas veio ao chão destruindo uma boa parte do teto.

O relâmpago clareou a noite e eu olhei horrorizada a aldeia.

Muitas tendas estavam completamente destruídas no chão e a maioria estava pegando fogo. A fina chuva que caia do céu não era o bastante para apagar o fogo que se alastrava, as pessoas pegavam o que podiam e corriam pra dentro da floresta a procura de abrigo.

– Siga eles e fuja daqui! — ordenou o homem que havia me tirado de dentro da tenda. A luz do fogo clareou levemente o seu rosto e eu pude reconhecê-lo. Era o Henry, chefe da aldeia.

Ele me deu um leve empurrão em direção à floresta antes de ir em direção às poucas tendas que ainda estavam de pé.

Minhas pernas pequenas cambalearam para frente, eu custei para manter meu equilíbrio, pois estava completamente tomada pelo medo. Nunca vi uma tempestade como essa! Estava destruindo tudo!

As mulheres passaram correndo por mim e a maioria me empurrava. Pessoas que eu conhecia passavam por mim sem se importarem comigo.

Quando alcancei a floresta um raio caiu perto de nós me levando ao chão por causa do susto, uma criança que estava nos braços da anciã gritou desesperada pela sua mãe por causa do trovão e o relâmpago clareou o rosto de todos que estavam presentes.

Olhei cada um deles, mas não encontrei quem eu procurava. Não vi a Lina no meio da confusão, não vi minha tia em lugar nenhum. Onde ela está?

Eu me levantei com dificuldade e praticamente corri de volta para a aldeia

Não tinha quase ninguém lá, a maioria já tinha fugido. Perguntei aos poucos que passavam por mim se viram a minha tia, respondiam que não sabiam ou simplesmente me ignoravam. Meu rosto ficou banhado pelas lágrimas.

Voltei a minha tenda na esperança de que ela tentava recuperar alguma coisa da nossa tenda.

Mais um trovão caiu e o relâmpago me fez ver o que eu jamais esperava. No meio dos destroços da tenda vi o rosto de minha tia.

– Lina? Por favor, responda! — pedi desesperada enquanto entrava na tenda passando por cima dos vários pedaços de madeira. Ela não respondeu e nem se moveu, parecia estar em um sono profundo. Mas não estava!

Eu me agachei perto dela com o rosto molhado de lágrimas e chuva. Sua expressão estava calma e os olhos fechados, mesmo que tivesse uma estaca atravessada em seu peito e sua blusa encharcada de sangue.

Os soluços e as lágrimas fluíram mais dolorosos por mim enquanto envolvi meus pequenos braços em volta do seu pescoço. Não pude conter a dor abrasadora que surgiu em meu peito e nem quis. Minha tia se foi! A única pessoa do mundo que já gostou de mim se foi!

A tenda faz um barulho estranho e estala, assustei com o barulho e me afastei do corpo de Lina. Logo depois um pedaço de madeira cai sobre o meu braço fazendo um corte profundo perto do pulso. Gritei de dor. Eu tenho que sair daqui senão vou acabar como a Lina e eu sei que ela não iria querer isso pra mim.

Com muito custo me forcei a levantar e a sair dali novamente.

Estava prestes a correr e voltar para a floresta quando escutei mais um trovão, mas desta vez foi bem perto e acompanhado com um relincho. Olhei em volta e vi que os cavalos ainda estavam presos em seus arreios e o fogo que aumentava na floresta estava se aproximando rapidamente deles. Não posso deixa-los aqui! Eles vão morrer!

Fui o mais rápido que pude em direção a eles e apenas com a mão esquerda foi difícil conseguir solta-los. Assim que ficaram livres eles dispararam pra dentro da floresta, mas na direção contrária a que a aldeia tomou, pois o caminha já havia sido ocupado pelo fogo que aumentava cada vez mais.

Disparei atrás dos cavalos e me forcei a correr por entre as árvores sem me importar para onde irei. Quando já não aguentava mais correr desabei no chão chorando.

Agora mais do que nunca estou sozinha. Jamais fui aceita na aldeia já que o meu pai não fazia parte dela. Minha mãe morreu pouco depois que eu nasci, pois ela contraiu uma doença que não tem cura e a irmã dela, Lina, cuidou de mim desde então.

Os homens da aldeia queriam me matar quando eu nasci, diziam que que minha mãe havia desonrado os espíritos e que a minha morte iria redimir a aldeia inteira. Minha tia arriscou a própria vida para me salvar e ficou com a minha guarda.

Nenhuma das crianças da aldeia jamais chegou ao menos perto de mim durante os meus sete anos. Os adultos me tratavam como animal. Minha tia sofreu muito para cuidar de mim. Eu nunca fui bem vinda aqui e nunca serei.

Tenho certeza de que o Henry apenas me salvou do fogo por causa da sua promessa de proteger a todos da aldeia.

Não tenho por que voltar a eles, agora que a Lina se foi eles não vão me aceitar.

Não tenho mais pra onde ir!


– Peg! Peg acorda! — escutei uma voz familiar.

Eu me sentei de repente estabanada na cama. Custei para reconhecer o lugar onde estava. Na minha frente eu vi Coly, seu rosto estava levemente clareado por causa das chamas da pequena fogueira.

Ela me olhou preocupada esperando alguma reação minha, eu não fiz nada, mas pude sentir lágrimas escorrendo silenciosamente pelo meu rosto. Coly veio rapidamente em minha direção.

– Calma Peg. Foi só um pesadelo. — ela disse suavemente se sentando em minha cama e me abraçando de lado.

Retribui o abraço, enterrei meu rosto em seu ombro e chorei como a tempos não fazia. Depois de todos esses oito anos eu ainda tenho esse maldito pesadelo. Involuntariamente olhei meu pulso direito, onde se vê com facilidade a cicatriz do meu passado e pesadelo. Isso só me fez chorar mais.

Coly não disse nada e me abraçou mais forte passando a mão levemente em minhas costas para me acalmar. Quando parei de chorar sai gentilmente do seu abraço e enxuguei meu rosto com as mãos.

– Me desculpe, eu não queria te acordar. — sussurrei, minha voz saiu estranha por causa do choro.

– Tudo bem, não me importo. Está melhor? — ela perguntou olhando profundamente em meus olhos, eu a fitei de volta.

– Estou bem. — menti e forcei um sorriso pra ela. Coly me olhou desconfiada levantando as sobrancelhas.

– Você mente muito mal, Peg. — ela reprovou sorrindo, mas sua expressão mudou rapidamente. — Foi aquele sonho de novo, não foi? — Coly perguntou preocupada, abaixei a cabeça e concordei com um aceno.

– Ah não! — ela lamentou me abraçando novamente. Eu me esforcei para não chorar novamente, mas uma única lagrima rebelde escorreu pelo meu rosto.

Eu odeio quando faço a Coly se sentir mal. Ela é minha melhor amiga e quero o bem pra ela sempre, mas eu não consigo esconder meu sofrimento toda vez que tenho esse pesadelo. Foi por ela se preocupar tanto comigo que eu acabei contando a ela porque acordo chorando de vez enquando.

– Podemos ver a anciã amanhã. Talvez ela possa te ajudar. — Coly propos.

– Ah Coly, eu não sei. É mais provável ela me chamar de louca. — falei fazendo uma careta.

– Você sabe e eu também, que isso não é verdade. Você precisa esquecer isso, senão seu passado vai ficar te atormentando até que os espíritos desistam. — Coly disse seriamente.

– Tudo bem, Coly. Amanhã eu vou conversar com a Jacy. — eu disse.

Ela sorriu pra mim e limpou a única lágrima em meu rosto com a ponta dos dedos.

– Eu vou com você! — ela afirmou e me deu um beijo no rosto antes de voltar para a sua cama. Eu me deitei novamente e só depois de muito tempo consegui cair na inconsciência.



Notas finais
Ola
E ai gostaram?
Mereço reviews?
Obs: Esta história esta paralizada ate tempo inderteminado. Motivo: estarei me concentrando mais na minhas outras duas fics, mas quero que saibam que eu naum abandonarei essa fic.
beijao e ate um dia aí