Pedras pelo caminho

1 Capítulo Único


O sétimo dia da sétima semana havia chegado, e Josué estava ficando desesperado. Com seus pezinhos ágeis, zangarilhava pelas ruas de São Pedro. “As pedras, elas nunca são iguais...”, pensava, e mesmo assim não conseguia achar...

Pois bem, dia sim e dia não, descalço ou bem trajado, vindo da escola ou rodeando seus parentes, que insistiam em aparecer em sua casa mesmo depois de sua mamãe falar que eles eram enxeridos e de nariz arrebitado, mas disso ele não entendia. Tudo que entendia estava em suas mãos: duas pequenas pedrinhas, ambas lisas e de gosto salgado. E sim, ele provara. Mas não é o suficiente, ele precisa de três!

Se não conseguir, do que adiantou?

Mas todas as pedras em seu caminho não eram lisas o suficiente, ou eram marrons, e ele precisa de uma pequenina, polida tão naturalmente quanto as ruelas da pequena cidade podem proporcionar, e preta. Seu irmão vai embora, não, não, ele não vai. Josué aprendeu cedo a não cutucar suas feridas.

“Josué, não cutuque!” Sua mãe costumava lhe falar, lhe apontando o dedo enquanto repousava a outra mão na cintura.

Mas o céu já está alaranjado, bem, estaria se as nuvens não o estivem cobrindo, e são suas duas únicas pedras que repousam em sua mão. Com um suspiro derrotado, ele sabe que precisa ir para casa.

Casa, dessa palavra ele gostava. Tinha cheiro de café e toalha molhada, se isso fosse possível, e seu irmão sempre lhe trazia algo quando voltava do trabalho. Ontem havia sido uma flor, tão pequena que cabia na unha! E rosa! Imaginem só, se ele não abriu um sorrisão. E esses presentes o pequeno não podia perder.

E agora o caminho para casa é longo, ah, tão longe de casa! Quatro quarteirões! É claro que ele saiu escondido, sua mãe só deixa ele ir até dois quarteirões, mas ela não entende, e como poderia? As pedras de perto de casa já o conhecem, elas escondem as boas, danadas, é por isso que ele tem apenas duas em suas mãos.

Se ele puder conseguir três, talvez seu irmão decida ficar, e então eles passarão a noite acordados, olhando as estrelas, como quando faziam com seu pai quando ele estava vivo. Fazia tempo que Josué não pensava no pai.

Duas pedras. Por pouco não as joga no meio do cruzamento. Esmague-as, carro, queria gritar. Cabeça baixa, a caminho de casa. Seu irmão vai lhe trazer uma rosa, dessa vez, ou talvez uma lagartixa, nunca se sabe. Ele não pode ir embora.

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