Pedir Por Amor. Procurar Por Estrelas.
1 Pedir por amor
Notas iniciais
Este é um presente para uma pessoa especial =3. A todos os leitores que chegarem a ler, eu espero que apreciem minha simples narração.
Naquele mundo nunca ouve luz. Nunca ouve uma palavra bonita a se ouvir, nem versos poéticos para se falar.
Desde que o mundo é mundo. Foi assim desde que nasci.
As fumaças das fábricas já tinham escurecido o céu, a ponto de ninguém mais poder ver as estrelas. E isso já fazia tanto tempo, que as mesmas eram apenas lendas, coisas que as “Pragas” chamadas Hopes espalhavam por aí.
“Eles ainda estão lá. As estrelas.” Ele diz, mas ninguém acredita. Naquele menino nem bonito nem feio, que anda pelas ruas com um sorriso no bolso e riqueza nos olhos. Não precisei ouvir mais do que uma vez para acreditar naquele Hope. Naquele que sumiu de um dia para o outro, andando pelos caminhos escuros com seu Skate e seus sapatos surrados.
Eu lembro... Que ele pediu por amor.
Eu lembro... Que ele pediu por seu amor.
Pergunto-me... Quando os apelos dele vão chegar aos seus ouvidos?
_ x_ x_
Fechou a carta, atordoado. Quando acordou, aquele pequeno pedaço de papel apenas estava ali do seu lado na cama, com um pequeno origami de estrela em cima.
Não era a primeira vez.
Desde há cinco anos ele vinha recebendo aquelas cartas uma vez por ano na mesma data, sem saber nunca quem era o remetente. Tinha descoberto no segundo ano, que quem entregava ambos eram duas andorinhas e que todos os anos a estrela mudava de cor. De um rosa bem claro, ele estava escurecendo. Naquele dia, a estrela era vermelha.
13/05/2205. E o que a carta dizia era verdade. Os humanos haviam se acostumado a viver com pouca água pura, pouca comida e pouca luz. A luz do Sol até conseguia infiltrar-se por entre as nuvens, mas era a única fonte de luz que chegava aos olhos, e mesmo assim bem fraca. O resto eram lâmpadas. Grandes Lâmpadas.
Historiadores dizem “Que alguns no passado tentaram impedir. Mas que nem sempre heróis vencem dos vilões. E pessoas sempre vão ser escravas do dinheiro, desde que ele existe.” Queria tanto dizer que isso era apenas uma mentira. Mas a 10 anos atrás, tinha vivido essa realidade. Guerra tinha se estourado novamente e durado décadas. Por causa do dinheiro. Nessa época, tinha perdido algo que considerava a coisa mais importante de tudo...
Sua Memória.
Só sabia no dia que acordou em uma casa humilde no meio do nada. Sua cabeça estava enfaixada e tinha tido a sorte do seu salvador ser um médico, mesmo que... À beira da morte. Ele fez os pontos e tirou e em menos de dois meses morreu, deixando para si a casa e os pertences. E o que restou foi o sentimento de gratidão e de vazio.
Quem era? De onde vinha? Ainda tinha família? Qual seu nome? Idade?
Não se lembrava de quase nada. A palavra “quase” á usada na frase anterior porque ele ainda tinha sonhos. Nos sonhos, ele estava de mãos dadas a uma pessoa de mãos pequenas e confortáveis. Ele sentia frio, mas ao dormir se aquecia nos abraços quentes de alguém. A fome lhe consumia, mas sempre dividia a comida com outra pessoa. Sempre a mesma pessoa.
Era horrível acordar e ver que todos aqueles sonhos eram apenas fantasmas, e que novamente, sentia frio e fome, mas ninguém para lhe aquecer, ninguém para dividir a comida. Solitário. Sempre solitário. Até pelo menos aquele dia, quando depois de cinco anos, abriu os olhos e uma carta estava do seu lado.
Foi confuso, na primeira vez. Não fazia sentido. E na segunda foi igual... Terceira começou a se encantar... Na quarta, esperava por ela, assim como agora na quinta.
Eram histórias, às vezes sem sentido e nenhuma tinha nada a ver com a outra. Porém, todas sempre falavam da mesma coisa. Uma pessoa. Um Hope. Conhecia os boatos dos Hopes naquela grande cidade. Eram considerados sonhadores, vagabundos, gente sem sanidade e sem respeito. Ouvia deles de todos, mesmo assim raras vezes tinha visto um (Ou achava que tinha) e nunca havia conversado com nenhum deles. Por isso não opinava. Não os criticava, nem os defendia.
Bem, “todos” também era um conceito relativo. Não conversava com ninguém, o que fazia era ouvir pessoas da rua ou no emprego que conseguiu com dificuldade. As pessoas ali não sorriam, elas não brincavam ou viam prazer em alguma coisa que não fosse o necessário para a sobrevivência, como comida, água. Algumas vezes, uns sentiam no sexo, o que se era fácil de ver em cada apertado beco da cidade.
Nojento. A sujeira estava por todo lugar, em todas as pessoas. O cheiro da podridão enjoava mais do que o cheiro da poluição. Poucas coisas bonitas do tempo antigo haviam sobrado, porque o mundo precisava progredir. Árvores foram substituídas por máquinas que transformavam gás carbônico em oxigênio. Alimentos eram 100% artificiais, de modo que a terra tinha pouca utilização. Mas mesmo que a terra fosse precisa para alguns alimentos, à ciência ainda podia dar seu jeito. A água também era purificada pelas máquinas. Mas tudo isso custava caro.
Tudo porque máquinas dominam o mundo ao lado do dinheiro.
O pouco que tinha de conhecimento sobre as terras antigas eram livros, de velhos que viram as mudanças acontecendo e que também ouviam coisas de seus avós. Pessoas diziam que quem criou os Hopes eram os velhos do país, que isso era errado e antiquado. Não sabia por que todos dizem, mesmo sem perceber, que viver é antiquado. Realmente, não sabia.
Em sua casa, pela fresta da janela, podia ver crianças correndo com comida nas mãos, de homens que tinham nas mãos facas. Aquela janela também era a única, porque todas as outras estavam completamente fechadas com pedaços de madeira, menos aquele que tinha uma fresta por onde entrava o ar. Via... A esperança sendo trocada pela crueldade. A honra, já não existia mais, ou orgulho. Poucas eram as virtudes naquele mundo e sem maldade, todos morriam, porque não teriam dinheiro. Ele sabia bem disso, porque também andava com uma arma entre suas roupas.
Perguntava-se, porque dinheiro era tudo, se tão poucos o possuíam e se tudo que ela criava era violência. E porque a tecnologia era tão valiosa, se depois da guerra tão poucos tinham direto a ela. Pensava nisso ao acordar, com sua cabeça naquele travesseiro duro. Pensava quando andava pela casa fria, e quando se sentava para comer a pouca comida, e quando tomava banho, trabalhava e mais ainda quando se sentava na frente da fresta e via as pessoas. Mas sentado ali também se perguntava de onde aquela andorinha vinha. Porque naquele mundo, animais eram raros, e viviam em um lugar longe dali em prol da sobrevivência humana e da ciência.
E ao olhar novamente pela fresta, se imaginou voando. Indo para longe dali. Voando para sua casa que não conhecia. Para seus parentes. Para aquela pessoa dos abraços quentes. Ele imaginou que nunca pousaria novamente naquela terra morta. Que acharia aquilo que os livros chamavam de oásis, florestas, pradarias. Outros pássaros. Novos sonhos.
Abriu os olhos, com lágrimas caindo, ácidas. Tão sonhador... Aquilo não existia mais. E voar era impossível sozinho. Secava as lágrimas insistentes com as costas da mão. Tudo era tão injusto. Não tinha mais nada e ainda tinham lhe tirado as memórias. Queria saber quem era. Quem era a pessoa dos seus sonhos, ou aquela que lhe mandava cartas, ou o andarilho que tinha “um sorriso no bolso e riqueza nos olhos”. Se os conhecia ou não os conhecia.
Foi para a cama, se deitando e escondendo o rosto no travesseiro. No outro dia teria de trabalhar, por isso não podia ficar ali fantasiando ou chorando. Mas a verdade era que ainda era cedo, e que estava deitando para sentir de novo o falso calor aconchegante. Mas antes que pudesse se afogar no sono, ouviu um bater de asas e se levantou rapidamente. Correu até a mesa onde dessa vez a andorinha estava.
Ela não se moveu, mesmo assim se aproximava lentamente na esperança de conseguir tocar nela. Nem mesmo pensou muito no envelope que estava em cima da mesa. Aproximava lentamente. Ansioso, curioso, excitado. E quando estava bem próximo, fez um carinho na cabeça dele com um dedo e novamente teve vontade de chorar.
Era falso. Uma máquina.
Sorriu consigo mesmo. O animal parecia tão real, mas mesmo assim deveria ter suspeitado, deduzido, que não podia ser realmente um pássaro. Sentou na cadeira, finalmente levando a atenção para o papel, mesmo que em sua mente o que passava eram pensamentos negativos do quão estupido estava sendo. Do quão estúpido sempre fora e sempre iria ser por ter esperança de que algum dia algo valeria a pena. De que um dia... Algo seria real na sua vida. De que suas memórias voltariam e te levariam para casa. Mas e se suas memórias também não fossem reais?
Suspirou, abrindo o envelope e vendo dentro dele dois convites. Um era um mapa, e o outro era um convite, escrito em papel velho e à mão. Estava sendo convidado para um encontro de música às 8 da noite do outro dia. Era em uma cidade grande abandonada um pouco longe dali, mas que dava para ir a pé. Toda a cidade estava destruída, e quase ninguém mais ia até lá. Abaixo estava assinado “Hopes”, e tinha o desenho de uma estrela na frente. Só que o que realmente lhe encantou naquela carta, não foi à aparência bela do papel ou da letra, ou o convite.
Ele está te esperando.
Era o que dizia, em letras grandes, um pouco mais abaixo da assinatura. Sorriu. Poderia acabar morrendo indo em um lugar daquele sozinho, confiando assim tão cegamente naquela carta. Mas sinceramente, não importava. Sua curiosidade não lhe permitia fugir. Era um risco que queria correr.
Por isso, naquela noite, tentou dormir para acordar no outro dia bem relaxado. Não iria trabalhar já que precisava estar descansado para andar até aquela cidade. Também precisava dar um jeito naquele cabelo negro comprido e sujo. Não tinha nenhuma roupa boa, por isso teria de arrumar as roupas que já tinha lá.
Tomou o banho mais demorado da sua vida. Cortou os cabelos no pescoço, desfiando um pouco as pontas. Colocou algumas roupas, e quando foi no espelho pela primeira vez se sentiu bonito, viu um brilho nos olhos negros, que nunca tinha visto antes. Isso tudo era só a expectativa? Riu consigo mesmo. Ir lá estava sendo muito mais perigoso depois de tantas mudanças.
Tirou a camisa que tinha escolhido e algumas poucas tintas que tinha na gaveta da cabeceira. Era muito pouco em cada pote para poder pintar a roupa toda, mas com o pincel conseguiu fazer várias gotas das várias cores, com mistura entre elas, criando novas. E isso era incrível aos seus olhos. Estava guardando aquilo à quase sete anos por encanto, e finalmente tinha achado o que fazer com eles. E valeu a pena.
Suas calças eram todas iguais, por isso escolheu uma qualquer e com uma pedra, fez alguns buracos nela, para ficar diferente das outras. Só tinha um tênis, já não tão novo e em seu pescoço a única coisa que tinha sobrado do seu passado: Uma corrente e um pingente de estrela. Não a usava, por medo de ser roubado, mas dessa vez tinha necessidade de estar com ela.
Saiu, às três da tarde para a caminhada. Podia ver os olhares das pessoas em si, cochichos, e algumas ofensas em tom alto. Olhando para eles agora, toda sua preocupação sobre sonhar sumiu, porque não queria ser assim tão patético. Renegar tudo era fácil. Sentia-se forte pelo menos, mesmo com todo o sofrimento, acreditar que a vida era mais do que um papel com números e ferro inteligente. E durante o caminho, se perguntou do porque apenas algumas cartas e um convite estavam lhe fazendo ficar tão... Animado, livre e vivo.
Fora da cidade, seus olhos brilharam e o sorriso se alargou mais ao notar várias pessoas como ele. De aparências diferentes, porém com os sorrisos animados, se juntando e contando sobre seus sonhos no caminho. Juntou-se a eles, vendo que eles não recebiam cartas, mas sim conheciam Hopes, e de alguma forma tinha os ajudado. Ouviu também diferenciados sonhos, pessoas que queria nadar em um rio, viajar no universo, ver animais, ou simplesmente ter o amor verdadeiro das histórias.
E no fim do caminho, viu a grande cidade e uma garota sorridente na entrada dela, com roupas coloridas. A mesma lhes deu um “Bem vindo” caloroso e pediu para que a seguissem. Isso ainda eram sete horas, mas a escuridão era total na cidade. Pequenos objetos com luz colorida foram distribuídos. Iluminavam pouco, porém o bastante.
Quando chegaram ao local havia um grande palco. Ele estava aos pedaços e não parecia nem um pouco seguro. Estava escuro por lá e parecia ainda não ter ninguém. Viu pessoas se sentando no chão e fez o mesmo. Seu coração batia rápido, e não conseguia se acalmar. O sorriso não saia de seu rosto em momento algum. Logo o local ficava cheio e mais cheio, e as oito em ponto tinham mais pessoas ali do que nunca poderia ter imaginado.
Foi quando aconteceu a coisa mais incrível da sua vida.
Todos se levantaram com um grande estrondo, assustados e gritando, mas o que veio foram várias andorinhas, com luzes coloridas seguindo-as magicamente. De repente toda a escuridão se encheu de pontos de luz, e começou a cair do céu papéis que refletiam as mesmas, criando um jogo de cores inimagináveis.
Pegou uma delas nas mãos e fitou encantado. Fechou-a, e voltou seu olhar para o palco onde pode ver três homens e uma mulher a se arrumarem. Os homens ficaram com os instrumentos e a menina no vocal. E essa foi à segunda surpresa do dia.
Boa noite sonhadores! Sejam todos bem vindos à nossa cidade! Aqui, a única regra é viver. Como se não houvesse amanhã. Pedimos a vocês que hoje esqueça a fome, a dor, a violência... Quero nessa noite, que o amor domine. Amem a todos aqui. Amem ao extremo. Amem tudo. Demostre seu amor às pessoas especiais, e principalmente... Acreditem! ACREDITEM QUE SEUS SONHOS VÃO SE REALIZAR! ACREDITEM NA VIDA! E PRINCIPALMENTE... ACREDITEM EM VOCÊS!
VAMOS LÁ!!!
Todos gritaram. E seu corpo estava tremendo em excitação. Durante o show notou que a voz dela era suave em algumas músicas, forte em outras. Ela era encantadora e boa às vezes, em outras falava algumas verdades de forma obscena. Aquela naturalidade dela lhe hipnotizava. As músicas tocavam o coração.
Ele gritou, pulou, se emocionou, foi abraçado e abraçou outras pessoas. Ele chorou em algumas músicas, cantou o refrão. E todas as vezes que algo era jogado do céu ele olhava com o encanto. E no meio da noite, foi pedindo silêncio para todos. E todos obedeceram.
Esta música que vou cantar agora é especial. Foi feita para as pessoas que nos libertou. Libertou a esperança dentro de todos nós que estamos vivendo nessa cidade. A razão para nós gostarmos das estrelas é porque ele conta as histórias delas por aí. Ele diz: Eles ainda estão lá.
Esse cara nos ensinou tudo que aprendeu. Ele falou de nós sobre tudo e sobre nada. Ele viveu mais do que ninguém. Esse cara tem sorrisos em seu bolso e riqueza nos olhos. Ele anda por aí procurando uma pessoa. E hoje... Ele está aqui. Ele voltou com seu Skate. E por isso, eu vou cantar uma música especial que eu fiz pra ele. E para a estrela que ele procura. VAMOS LÁ!
Seu mundo parou, ouvindo aquilo. Procurando uma pessoa. Seria... Será que alguém estava lhe procurando? Seria muito acreditar que sim? Não. Como ela disse, acreditaria. Se apegaria a qualquer esperança. Seu coração se apertou quando a guitarra começou a tocar, e quando a boca dela se abriu seu coração bateu rápido, forte.
Ele andava na rua com seus sapatos surrados
Um sorriso no rosto, o que pode ser melhor?
Sozinho, o Skate no braço e aventura no ar.
Vazio no coração, que amigo nenhum podia tampar.
Ele queria pedir por amor, por amor.
Ele ansiava que o mundo lhe desse amor
Ele queria pedir amor, amor ao mundo.
Ele queria ter amor... Ter um amor profundo.
Um boné na cabeça, olhos cheios de brilho.
Sozinho, seguindo seu próprio trilho.
Ele tinha o sucesso na ponta dos dedos
O som da guitarra escondendo todos seus segredos
E ele pedia por mais amor, mais amor.
Ele ansiava que o mundo lhe desse amor
Apenas um pouco de amor, amor verdadeiro.
Ele queria ter amor... Ter um amor inteiro.
Ele queria chegar ao fim do caminho
Ele podia dar tudo, apenas para não estar sozinho.
Sonhando pelo dia que ele vai encontrar
Sua estrela, alguém para amar.
Ele queria pedir por amor, por amor.
Ele ansiava que o mundo lhe desse um pouco amor
Ele queria amor para viver, amor por qual morrer.
Ele queria te pedir amor, te pedir amor.
Enquanto aquela música tocava, seu mundo parou. Não havia nada além da música, nada além do seu coração batendo. Sabia que era ele. Que era o garoto que apertava sua mão enquanto andavam solitários. Que era aquele que lhe abraçava nas noites frias.
Ei! Você que não tem nome! Ainda está aí? Ele está te esperando. Você sabe quem você é então... Vá nessa direção e siga as estrelas.
Correu entre as pessoas, na direção onde ela apontava. Quando chegou a uma rua vazia, viu pelo chão várias estrelas de papel com aquelas pequenas luzinhas dentro formando um caminho. Correu. Tropeçou. Perdeu todo seu ar seguindo aquele caminho que parecia nunca acabar e chegou ao fim.
Era um parque.
Estava destruído, mas pelo tempo. No topo de uma gaiola de ferro estava uma pessoa. O Skate estava em seus braços e ele olhava para aquele céu escuro e vazio. Ficou fitando-o por alguns segundos até que um vento passou e viu voando um pouco a frente dele uma pipa, com formato de andorinha, voando com as luzes o seguindo.
Começando a andar, sorriu. A cada passo sua ansiedade aumentava mais. Podia ver que ele tinha cabelos bagunçados e claros. Ele parecia ter sua altura, e usava um moletom vermelho. Nada disso importava. O que queria ver eram os olhos. Queria saber se iria sentir o calor quando o tocasse.
Seu coração parou ao vê-lo se virando. Travou onde estava, e esqueceu-se de respirar quando fitou aqueles olhos dourados. Pareciam surpresos. Ambos pareciam surpresos. Viu os lábios dele se moverem, sussurrando algo e depois formar o sorriso mais lindo do mundo.
Em menos de um segundo, aquele mesmo garoto que estava no topo do brinquedo estava lhe abraçando forte, e a andorinha, voando para longe. Água se acumulou em seus olhos, junto com aquele sentimento nostálgico no coração. E assim apertou-o forte em seus braços, Sentindo as lágrimas dele, e deixando as suas caírem.
“Eu te achei... Eu finalmente te achei Dorian...” A voz dizia. Dorian... Sim, sentia que era comum aos seus ouvidos, que aquela voz lhe chamava, aquele nome. “Eu te procurei tanto... Eu senti tanto sua falta. Falta da sua luz.” O loiro pegou em seu rosto, fitando-o com os olhos marejados.
“Sinto muito... Eu sinto muito Steve...” O nome fugiu da sua boca. Só que não se preocupou em errar. Era ele, o garotinho. Podia saber pelo calor. Aquele abraço tinha lhe devolvido uma de suas memórias, de quando encontrou um garoto pelos escombros de uma cidade e o mesmo chorou em seus braços.
E a terceira e melhor surpresa daquele dia, foi o beijo.
Foi apenas um toque de lábios, mas foi delicioso. Não se surpreendeu, ou assustou. Nada em sua vida parecia tão certo quanto aquele beijo. Seu corpo todo tremeu, seus olhos fecharam e o mundo pareceu que eram apenas os dois no meio do nada. Só que gritos e palmas fez tal sentimento sumir.
Pessoas estavam em volta deles, em círculos, sorrindo, gritando e batendo palmas. Algumas garotas choravam, outros casais pegavam o exemplo. Sentiu o rosto queimar, e as mãos dele enlaçando-lhe o pescoço e o rosto do loiro que estava sorrindo também. Do meio da multidão apareceu à cantora, suas mãos estavam nas costas. Ela se aproximou e deu para Dorian um desenho.
Arregalou os olhos ao ver uma caricatura sua.
“Quando encontrei esse idiota foi á oito anos atrás. Ele só tinha doze anos, mas andava por aí com um Skate e sorrindo. Eu nunca tinha visto ninguém como ele e quando conversamos, fiz esse desenho.” Ela começou a dizer. “Ele sumiu no ano seguinte, te procurando. E depois de dois anos eu te achei. Demorei mais cinco com o Steve. Eu o devia isso. Ele tinha me libertado, em troca, achei a estrela que ele tanto procurava.”
“Obrigado” Respondeu a ela, que lhe devolveu um sorriso. Depois disso se virou para o loiro e abaixou o olhar.
“Eu te amei demais Steve... Mas eu sabia que você o amava. Eu o ouvia pedindo amor enquanto dormia. Dessa vez, eu estou indo embora com os garotos. Obrigada por tudo, mas eu nunca mais quero ver você seu maldito.” Riram e depois disso o loiro apertou a mão dela com um agradecimento. Assim, todos foram embora, deixando-os sozinho.
Virou-se para os pontos de luz que se afastava pela noite escura.
“Eu sinto muito. Sua andorinha foi embora” Comentou, virando-se para ele enquanto era puxado para o brinquedo.
“Não preciso mais dela.” Riu, deixando-se guiar. “Encontrei uma verdadeira estrela. Minha estrela.”
_X_X_
No dia 15/05/1996. Uma estrela apareceu no céu. Única e brilhante. No mesmo dia ela caiu na terra. Eu acredito, que os anjos choraram quando ela caiu. Eu acredito, que essa estrela possa brilhar mais do que qualquer um aqui na terra. Cheio de talentos, cheio de carisma. Pergunto-me porque me deram a chance de conhecer essa estrela, de conversar, de ter amizade com ela.
Então Son-kun... O que você acha?
Notas finais
Espero que tenham gostado ;3.
Kissus =*
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