Pedindo Um pouco Mais
5 Começo
Cameron acordou assustada, a respiração como quem a pouco afogara, ou como se caísse num poço sem fim. Ela queria acreditar que fosse apenas um pesadelo, já faziam dois meses desde a morte, mas era sempre assim, as lembranças lhe vinham quando menos esperava, quando estava sendo feliz.
Os olhos ainda semi cerrados do sono e do susto batalhavam para afastar os recentes vestígios de reviver a cena tão dolorosa, ela não o amou, o que de jeito nenhum significa que não se importou com sua morte, era assim, o jeito dela, era um amigo, um companheiro, uma tentativa vã de buscar a felicidade.
Suas mãos apalparam com desespero os arredores da cama, procurando-o, encontrou não muito distante. Só assim a busca foi encerrada e o coração estava aliviado. Ele deve tê-la sentido pensativa, porque a trouxe para mais perto de seu próprio corpo, envolveu a com os braços para afugentar seus receios e reafirmar sua soberania sobre aquele pequeno ser, tão lindo, tão indefeso. Como prometido ele a protegeria... sempre.
Os olhos dela procuraram os dele, o azul do mar traria calmaria, finalizaria as tormentas de sua alma, era o seu principal dom. O contato direto com a pele... ela estava segura.
Aproveitou o que pode daquela sensação, explorou aquele aconchego, sempre pensando que já passara a hora de ir, lamentando inclinou seu corpo para levantar, era a regra para o bom convívio que ela fosse embora bem cedo. House a segurou, as regras eram dele.
– Fica, por favor.
Ela nem precisava ouvir aquilo para que cada parte do seu corpo desejasse ficar, voltou para a cama como uma criança que corre atrás de um algodão doce. Ele a abraçou... quanto tempo perdido. Aninharam-se, House a observou adormecer, agora serena, despreocupada, era difícil entender tanto sofrimento para uma pessoa tão jovem. Acariciou sua cabeça, beijou lhe a face demoradamente.
A cabeça dele é que o andava atormentando, nem sabia como parara naquela situação, embora não se arrependesse. Não podia oferecer estabilidade, não podia propor casamento, nem sabia definir a relação que tinham, mas tinham... sempre tiveram.
A história se desenvolveu ao longo da doença de Chase, Cam aceitou com pesar e após muita insistência do próprio o pedido de divórcio, que chegou aos seus ouvidos pela boca de House, o que prometeu foi nunca tirar a aliança, queria ao menos mostrar- se presente.
A doença foi avançando e o sofrimento se estabelecia nas marcas de seu jovem rosto, sem perceber House já tinha aumentado suas horas no hospital para cuidar da doença de Chase, para cuidar do coração da Cameron e para cuidar de sua própria alma.
Ele sabia da história do primeiro marido, viu- a convalescer da doença de Chase, ouviu quantas vezes Chase pedira a anulação do casamento, o divórcio, o que fosse, queria que ela estivesse livre para ser feliz. Acompanhou de longe as lágrimas escorrerem, a culpa que ela sentia por não conseguir amá-lo... por sentir se presa.
O doutor alfinetara, enquanto se aproximava, deixava-se levar pela história, era por isso que não visitava pacientes, que mantinha distância, não podia se envolver... a fraqueza dela, ele se dando uma chance de fazê-la feliz.
Ele ainda a afetava, ela ainda o afetava e isso foi consolidado enquanto saiam juntos, exaustos de mais um dia de hospital, Cameron trabalhava normalmente no E.R e passava parte das noites com Chase, embora livre de compromissos assinados, ela tinha um vínculo de agradecimento. House passava antes de ir embora para vê-la. Nesse dia saíram juntos.
Esses momentos que ele tentava arrancar-lhe pequenos sorrisos, enquanto lutava por dentro com medo de perdê-la de novo. Foi quando chegaram ao estacionamento, ele a abraçou, a mão deslizou do ombro para o rosto, segurando-o, ele passou os dedos pela face dela, macia, acabou de vez com o espaço entre as bocas, ela permitiu e prolongou obeijo.
Agora a situação era essa, como sempre seria com House, inexplicável, atípica, um namoro sem a parte do namoro, mas ela estava seguindo em frente.
Fim
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