Notas iniciais
Eu estou em pânico. Uau, isso é sério. Estou conversando em um capitulo, meu desejo de inicializar um contato humano deve ser enorme.

até acertar

setembro, um dia depois

Luke ouviu os murmúrios frenéticos e intermináveis da mente da sua irmã antes que ela abrisse a porta, antes que a visse.

Num momento, ele estava dormindo confortavelmente pressionado contra Calum como nunca esteve, seja com ele ou com qualquer outra pessoa. No outro, Luke Hemmings estava consciente de como estava dormindo confortavelmente pressionado contra Calum e como estava pressionado contra Calum. E como Julie não precisava ver isso.

A mente pura e iluminada da sua irmã não precisava de cenas mais puras e iluminadas – ela já tinha o suficiente para todas as vidas que quisesse ter e mais algumas de extra, porque era uma ótima aluna.

—Calum. – Luke o cutucou. – Calum – Luke chamou mais alto quando não teve resposta. Ele tinha se esquecido de como o sono dele era pesado.

—Hum – murmurou seu amigo, suspirando ao esfregar as pernas contra as dele, como se fosse um gato.

—Calum – Luke foi mais insistente. Quando ele iria acordar? Sua irmã não iria ficar para sempre pensando no que fazer, chegaria um momento que ela diria hakuna matata e prontos ou não entraria.

—Oi – Calum abriu os olhos sonolentos, sorrindo vagamente, meio adormecido. — O que você...

—Acorde – silabou Luke. – Julie está aqui.

—E? – bocejou Calum. – Qual o.... — Seus olhos arregalaram quando percebeu a posição que estavam e arregalaram-se mais ainda quando Luke o olhou conhecedor, passando os olhos de cima abaixo por ele numa insinuação óbvia. – Problema – percebeu.

—Exatamente – concordou Luke. – O que nós vamos...

—Ei – cantarolou Julie alto o suficiente para acordá-los antes de abrir a porta. – Como... – As palavras pairavam no ar e os dois observaram a maçaneta da porta girar e nada dela abri-la. – Ashton — reclamou Julie. – Saia da frente e me deixe abri-la.

—Oh, sim. – A porta tremeu. – Porque você vai conseguir.

—Saia da frente – ordenou ela. – Saia, saia e pegue isso... Você não serve nem para isso? – murmurou audivelmente.

—O que nós vamos fazer? – sussurrou Calum ferozmente, repentinamente acordado. O que eles iriam fazer? O que pensariam deles? O que... Qual era o problema?, pensou. Calum já tinha visto Ashton em situações piores e com certeza Julie não era um poço de virtudes.

—Nós...

Calum tentou engolir os sentimentos que começavam a brotar ao mesmo tempo em que Julie murmurou:

—Eu não sei. – A porta tremeu. – O que. – Calum ouviu um gemido baixo de ombro dolorido. – Você. – Ela tentou uma última vez, respirando fundo e dando o melhor de si nessa última tentativa. Era agora ou ela faria Ashton engolir o próprio orgulho e ir chamar alguém para abrir aquela... – Oh – ofegou, surpresa e aliviada. – Abriu.

A porta só tinha aberto alguns centímetros, mas alguns sentimentos eram contagiantes e Calum entrou em pânico.

E fez a única coisa que conseguia pensar em fazer quando estava em pânico: empurrou Luke para longe.

Porque, claro, ele nunca empurraria Luke para longe por raiva, ele nunca fez isso, nem uma... oh, sim, Calum Hood fez isso uma vez e não era averso ao preceito "tente até acertar".