tão... quente

setembro, dois dias depois

—Oh, meu Deus — ofegou Julie, arrastando-se para os pés da cama de repente, arregalando os olhos conforme absorvia... tudo aquilo na televisão. — Troye Silvan é tão... quente.

—Oh, meu Deus — imitou Calum, só em parte sarcástico porque concordava com ela. — Você tem razão.

—Oh, meu Deus — murmurou Luke. — Calem-se.

A pior coisa da sua vida era isso: sua irmã e seu namorado focando sobre o quanto Troye Sivan era... quente. Tão, tão quente. Maldição, não era porque era verdade que ele queria ouvir isso — não da sua irmã e com certeza não do seu namorado.

—Vamos falar de outra coisa — sugeriu.

—Tipo? — zombou Julie, nem se dando ao trabalho de olhá-lo.

—Ga-ro-tas — silabou.

Oh, sim, esse era um tema perfeito para debater — Julie não gostava de nenhuma garota, salvo raras exceções, que eram tão raras que Luke nem se sentia corajoso a dizer quais eram, e Calum definitivamente não gostava de garotas. Assunto per-fei-to.

—Garotas — repetiu Calum, cético. — Você quer que falemos de garotas.

—Quem quer falar de garotas? — perguntou Luke, levantando a mão imediatamente, antes mesmo das palavras terem saído da sua boca.

Ele definitivamente não queria ficar sentado ouvindo Calum dizer o quanto Troye era quente — e ele nunca conseguiria ser ao menos um pouco do que ele era.

Julie e Calum se encararam. Isso estava acontecendo? Isso seriamente estava acontecendo? Julie pausou a televisão porque não acreditava e não queria perder nem um segundo da trilogia de clipes maravilhosos porque seu irmão enlouquecia.

—Quem quer falar de garotos? — questionou Julie, balançando as duas mãos. — Parece que vamos ter que nos focar no seu lado gay, Luke — informou ela, suspirando ao virar para a direção que queria e dando play. — É uma pena.

—Sim — assentiu Calum, forçando os lábios a ficarem fixos enquanto seus olhos dançavam de alegria. — É uma pena.

—É, estou vendo — murmurou Luke, batendo o ombro contra o dele e mantendo-o lá. Era quente, era bom. — Você parece muito decepcionado.

—Eu estou muito decepcionado — sussurrou Calum de volta no seu ouvido, como se contasse um segredo.

Luke olhou para Julie rapidamente, percebendo como sua irmã divagava e não prestava atenção nem um pouco nele, e então... Virou a cabeça para que seus lábios encontrassem com o dele e não com o seu ouvido e então percebeu como seus olhos antes alegres estavam tristes.

—O que foi? — perguntou, não se afastando.

A proximidade parecia íntima e segura e Luke queria passar os dedos pelo rosto dele, puxar os olhos para cima e fazê-lo sorrir.

—Nada.

Era tudo.

Luke pegou a mão dele, entrelaçando-as juntas, e sorriu tristemente para Calum, porque nada significava tudo e tudo agora parecia nada. Ele não entendia Calum, embora por um momento, quando sua irmã... era... estava... Não, Luke entendia ao menos um pouco, embora não completamente, e não existia palavras para explicar, para dizer o quanto estava triste, o quanto queria que não fosse assim. Então ele levantou as palmas unidas e beijou o dorso da mão de Calum.

—Quando souber me diga.

Os olhos de Calum se entristeceram um pouco menos e ele se permitiu sorriu ao menos um pouco, porque sabia que Luke devia estar curioso, Julie mais ainda, mas que ele não era obrigado a abrir as cartas agora — seus amigos estavam dando espaço para ele enquanto continuavam ao seu lado.