tudo, nada, livre

ANDREW, (?) ANOS

A vida era passageira e ela passou em frente aos seus olhos.

Andrew viu tudo.

Andrew compreendeu nada.

Andrew sorriu, orgulhoso.

E chorou, triste.

Andrew suspirou e viu sua vida indo embora e não sendo mais sua, mas dela.

Andrew viu mais do que entendia, mas o que entendeu o fez aceitar a morte, porque ele fez tudo que podia e aquele era o fim.

Sempre era.

Nascer.

Morrer.

Quem nasce, morre.

Todos os seres vivos tem que morrer, um dia chega a hora para todos.

Chegou a hora dele, o momento dele.

Mas ele tinha vivido.

E não se arrependia.

Aquela foi sua escolha.

E, até mesmo agora, nos braços suaves de sua irmã, Andrew não se arrependia, porque ele tinha vivido.

E viveria.

Sua filha viveria.

Seus filhos viveriam.

Sua esposa viveria.

Ele continuaria vivendo neles depois da sua morte e aquela era a maior certeza de que escolheu o caminho certo, de que fez o bem.

Andrew morreu.

Mas continuou vivo, sendo o que sempre foi.

Tudo.

Nada.

Livre.