sabia

setembro, hoje

"Eu estou apaixonado por você."

Luke ouviu.

"Eu estou apaixonado por você."

As palavras... fi... caram... no... ar.

"Eu estou apaixonado por você."

Luke ouviu de novo.

"Eu estou apaixonado por você."

Luke era um hipócrita, porque não negou de novo, porque não falou, porque não concordou, porque não disse o que sentia.

Apenas. O. Beijou.

Os lábios de Calum eram os seus lábios e eles eram tão ressecados; as mãos não estavam em todo canto, Calum as manteve nas bochechas dele, e Luke colocou as suas nas dele também por um momento, puxando-o para mais perto, e então, e então, as deslizou pelos cabelos dele, deslizando mais longe pelo quão liso e sebosos estavam, recusando-se a parar de tocá-lo e se afastar.

Luke recusava-se a não aproveitar tudo que tinha direito.

Tudo que sonhou.

Tudo que desejou.

Tudo que realizava.

Luke deslizou a língua pela boca de Calum e tudo onde ele não era suave, a língua dele recompensava.

Calum tinha um gosto mentolado e Luke mordeu os lábios do seu melhor amigo, do seu melhor amigo que estava apaixonado por ele, tentando absorver para si aquele gosto, sorrindo ao ouvi-lo gemer e engolindo todos os seus sons, e afastou-se, observando Calum seguir o seu exemplo, respirando ofegante e desajeitado, e, assim que o seu fôlego retornou, Luke o perseguiu, mas parou ao ver os olhos de Calum arregalados, os lábios vermelhos e inchados e o nariz e as bochechas ficando vermelhas conforme percebia o que aconteceu.

—Oh, meu Deus – sussurrou Calum, parecendo que suas sobrancelhas nunca poderiam parar de subir, que o céu não era o limite. – Oh, meu... Oh, merda, oh, droga, oh, cara – gemeu ele, empurrando o rosto contra a curva do pescoço de Calum.

Luke riu, sentindo a respiração ofegante dele reverberando em si até que era o riso de Calum que vibrava contra seu tórax, porque, oh, merda, seu amigo tinha razão.

Não havia palavras para descrever o que estava acontecendo, o que acontecia dentro de si, para dizer o quão... Luke não sabia.

Luke não sabia o que era, o foi, o que seria.

Seu riso findou e, um momento depois, hesitante como começou, Calum o acompanhou.

E não se afastou.

Luke sentiu seu coração acalmando-se ao invés de continuar batendo desesperado, porque sabia, entendia, a razão de Calum não ter se afastado – ele sentia o mesmo.

O medo.

A timidez.

A ignorância a respeito do que aconteceria.

Luke não sabia o que era, o foi, o que seria – mas ele sabia o que queria.

Oh, sim, ele zumbiu, deslizando as mãos suavemente para cima e para baixo de suas costas, fazendo círculos que esperava ser reconfortante, sentindo Calum relaxar contra si, porque ele sabia como se sentia.

O que queria.

—Eu também estou apaixonado por você — confessou.

E então, finamente, o nariz de Calum afastou-se do seu pescoço, os olhos dele arregalaram-se mais ainda por um segundo e então diminuíram, conforme seus lábios sorriam e os olhos acompanhavam o movimento, o nariz tremendo como se coçasse e ele fosse chorar.

E droga.

Droga, droga, droga.

Luke nunca o tinha visto mais bonito – agora ele sabia porque Ashton gostava de desenhar sua irmã, porque tudo o que mais queria era ter algo feito com suas mãos para se lembrar daquele instante.

E Luke queria beijá-lo novamente.

E droga.

E ainda sim não seria o suficiente.

Droga.

Luke tinha descoberto sua droga.

E não poderia estar mais feliz.

Ele o beijou novamente.

Notas finais
Finalmente.