Pedaços Transformados
195 Melhor impossível
melhor impossível
setembro, um dia depois
A primeira coisa que Julie Hemmings viu foi seu irmão. No chão. Ela tinha algo para encontrá-lo, não importava onde fosse – fosse numa sala cheia ou abaixo da sua linha de visão, a primeira coisa que seus olhos eram atraídos era para ele.
Luke Hemmings.
Seu irmão.
Tão parecido consigo.
No chão.
—Por que você está no chão, Luke? – questionou Julie, intrigada, olhando para baixo. – Quer saber? Tanto faz. Não me importo. – Entre as coisas que não se importava, no topo delas estava o que acontecia entre Luke e Calum. – E, abrindo os dentes, cantarolou: — Quem é o meu melhor amigo do mundo inteiro?
—Todos sabem que sou eu, Julie. – Calum revirou os olhos, carinhosamente.
—Oh, olhe só o que temos aqui – observou Julie, marchando com sua dignidade e realeza até ele – uma pessoa que está se achando demais. Acho que vou ter que rebaixá-lo, Calum. É uma pena – murmurou, chutando seu irmão no processo de subir na cama.
—Julie – chiou Luke, tossindo.
—Eu gostava de você – continuou ela, ignorando-o. Luke não iria morrer, ela estava ajudado-o a melhorar seu condicionamento respiratório, ele deveria agradecê-la.
—Julie – disse Calum, paciente. – Você não é minha rainha.
Julie bufou, cética. Hã, sim, claro, ela acreditava nele. Julie Agnes Hemmings podia não conhecer todos os seus súditos, mas ela duvidava que seus súditos não a conhecessem.
—É claro que eu sou sua rainha. Eu sou sempre sua rainha. Eu sou a Rainha. A – enfatizou – Rainha.
—Ok – concordou Calum. – Só não agora.
Julie o encarou.
—Ashton. – Julie fingiu estrelar os dedos, estralando a língua para dizer que estralou os dedos. – Cadê você, seu...
—Eu não sou seu empregado, Julie – comentou Ash. – Aqui. – Ele esticou a caixa.
—Não, você é meu servo – corrigiu ela, aceitando. – Eu não estou te pagando.
—Como se diz? – incentivou ele, não soltando a caixa.
—Você quer ir para a forca? – Julie puxou mais forte.
—Não. – Ashton não deixou ir.
—Obrigada? – tentou Julie novamente.
—Por nada. – Ele soltou.
—Obrigada – agradeceu ela novamente.
—Por nada.
—O que é isso, Julie? – questionou Calum, franzindo a testa. Essa era... Uma caixa de sapato rosa choque velha, completamente desgastada.
—É – concordou Luke, sentando-se no chão, curioso. – O que é isso, Julie?
Aquela era A Caixa.
Se Julie era A Rainha, aquela devia ser A Caixa que guardava todas as suas lembranças, todas as suas posses, toda sua magia. Nela devia estar a espada que a transformou na rainha das fadas, a... o... Luke não conseguia pensar em mais nada, mas aquela devia ser a Caixa de Pandora e tudo devia estar ali dentro, esperando para sair – Luke esperava pela abertura dela há... desde que a viu, Luke esperava pelo momento de ver o que tinha dentro.
—Suur – anunciou Julie, fechando os olhos e sorrindo para si mesma – presa. – Ela abriu os olhos e, por um momento, enquanto ela o encarava, Calum pensou se o que tinha ali dentro, no fundo do olhos dela, era... tristeza, dor, escuridão. – Abra depois.
—É... – Calum lambeu os lábios, ansioso. – Para mim?
—Quem mais é o meu melhor amigo do mundo interior? – sorriu Julie.
—Julie – duvidou Calum, estreitando os olhos.
—Sim? – disse ela, lentamente, estreitando os olhos em retorno.
Ela era sua própria melhor amiga do mundo inteiro? Era sem sentido, mas não completamente, Julie não tinha nada contra a ser sua própria melhor amiga. Amor próprio em primeiro lugar! Só que... Calum estava incentivando-a? Calum estava incentivando seu complexo de Narciso?
Julie sorriu.
—Feliz aniversário – lembrou. – Não precisa me agradecer. Ou ainda não – reconheceu.
—Julie? – repetiu Calum, aproximando-se. Ela estava presenteando-o? Sério? Realmente? Como...? – Você é realmente a Julie ou você foi abduzida enquanto dormia?
—Sim, sim, certo, afaste-se. – Ela o empurrou levemente. – Agora... Que tal – Julie sugeriu, devagar – nós – colocou a palma da mão dele para cima – confessarmos – traçou os dedos por cima das linhas que marcavam sua pele – nosso amor – e sorriu do mesmo jeito que flertava – um pelo outro?
Calum ficou sem palavras. Isso era muito.... não Julie. Julie não era assim. Qual era o problema dela?
—Julie? – chamou, preocupado. – Você está... bem?
Por falta de uma palavra melhor, pensou.
—Melhor impossível – respondeu ela, sinceramente, levantando os olhos para os dele.
Fale com o autor