Notas iniciais
Feliz Natal! Atrasados para alguns! Ainda na hora para outros!

escondido

setembro, seis dias depois

Luke queria saber quem achava que namorar escondido era uma boa ideia, porque com certeza não era quem namorava. Era tão... era como se estivessem fazendo algo errado e Luke não queria senti-se assim sobre estar namorando alguém (não mais, não depois de Lydia) e principalmente se estava namorando com Calum.

Luke queria dizer a todos quem estava namorado, mas aparentemente Calum não queria o mesmo. Ou não tinha fé neles. Ou tinha qualquer outro motivo que deixava Luke sentindo que fazia algo errado.

Num momento, Calum tinha os lábios nos seus e depois estava rindo espalhafatosamente de uma piada que Luke não disse enquanto olhava nervoso para os lados.

Ou então Calum estava empurrando-o contra o sofá e a porta abria e depois Luke estava sendo chutado para o chão — nesse momento da sua vida, Luke estava mais familiarizado com o chão (da sala, do quarto, de qualquer lugar) do que um dia sonhou em estar.

Mas, não, o momento que Luke mais gostou foi quando Calum realmente ria verdadeiramente e então parou quando Julie chegou, como se estivessem fazendo algo errado, como se rir fosse proibido, como se nem amigos eles fossem e rir mostraria essa farsa.

—Você parece pensativo — disse Calum, cutucando-o com o dedo do pé.

—É o que acontece quando você tem um cérebro — retrucou Luke.

Calum riu um pouco.

—E mal humorado — completou. — Quando foi que você comeu? — perguntou a ele. Luke o ignorou. — Parece que alguém precisa comer — cantarolou Calum.

—Ca... — começou Luke (ele não estava se sentindo bem e todos tinham esses dias porventura e definitivamente não era porque não comeu, ele não era uma criança com hora de comer e dormir e soneca no meio da tarde), mas quando os lábios de Calum encontraram os seus... Luke não se importava com nada desde que eles continuassem ali. — O que foi isso? — balbuciou ele.

—Um beijo — piscou Calum, inocente, voltando a se deitar no sofá. — Não me diga que Lydia nunca...

—Eu sei o que é um beijo — resmungou Luke. — Mas porque você está me beijando?

—Eu não posso? — perguntou Calum.

—Eu não sei. Você pode? Julie pode aparecer há qualquer momento.

—Ela está dormindo — afirmou Calum. Qual era o problema? — Qual era o problema? — perguntou em voz alta.

—O problema é que... — Luke balançou a cabeça, frustrado e irritado. — Por que você me beijou?

—Ashton sempre beija Julie quando ela está sendo insuportável — apontou Calum. — Às vezes funciona.

—Então ele só vive beijando-a? — Calum esperou com uma sobrancelha levantada e um sorriso brincalhão, Luke perceber o que estava sendo dito. — Ei! Eu não estou sendo insuportável!

—Você está — afirmou Calum. — Qual o...

Luke caiu no chão. Foi empurrando para o chão. Calum o empurrou para o chão. Luke não sabia como, não tinha como ele ter caído, não tinha como Calum ter empurrado-o e ele ter caído. De novo. Novamente. Mais uma vez nessa semana.

—Calum! — reclamou Luke. Ele tinha que parar de fazer isso! Que mania era aquela? Existia um limite para o quanto alguém tem empurra acidentalmente para o chão e Calum passava da cota!

—Julie! — exclamou Calum, assustado.

—Estranhos. — Ela acenou sem olhá-los, sem se importar. — Vou sair.

—Não, não vai — discordou Calum, olhando-a bem para ter certeza que ela entendia. — Está tarde. Liz disse para não sair depois das nove.

—Mas eu estou com fome! — reclamou ela. — E eu queria comer panquecas no lugar que Ash me levou no nosso encontro! Era tão boa, docinha — delirou, fechando os olhos e gemendo. — Hummm.

—E como você pretende ir até lá? — questionou Calum.

—Eu iria pedir carona — respondeu Julie, colocando uma mão na cintura e fazendo o sinal universal com a outra, com o melhor sorriso de paquera dela.

—E ser sequestrada — murmurou Luke, ainda mais irritado do que... O que sua irmã tinha na cabeça? Uma ervilha? O que todos eles tinham na cabeça? Vento?

—Você disse algo? — perguntou Julie.

—Eu já posso me levantar? — murmurou ele, ainda mais irritado.

—Eu estou te impedido? — retrucou sua irmã

—Desculpe — desculpou-se Calum, arregalando os olhos ao perceber o que tinha feito e esticando a mão para ajudá-lo. — É só que... Julie iria... Você não...

—Tudo bem — disse Luke, aceitando sua mão.

—Mesmo? — Calum soava surpreso.

É, ele era uma boa pessoa, mas não tão boa assim — melhor do que Julie, mas não um santo. Ser derrubado mais uma vez? Calum sabia como era ruim.

—Não — rosnou Luke, soltando-o assim que estava de pé. — Vamos, Julie, vou fazer panquecas para você. E você não está convidado, Calum!

—Eu não queria mesmo! — retrucou Calum. — E não é como se fosse minha hora de comer e Liz tivesse te deixado responsável pelas minhas...

—Venha aqui, seu pequeno bastardo — interrompeu Luke. — Antes que eu me arrependa.