e se eu...

outubro, duas semanas depois e dois dias

Luke respirou em fim sozinho, preso dentro do seu quarto, encostando-se na porta e sentindo todo o seu corpo queimando, vivo.

Vivo, vivo, vivo.

—Sozinho? — inspirou Calum, acompanhando-o.

—Você? — retrucou Luke.

—Sim — exalou ele. — Você acredita nisso?

—Não.

—Você disse a Liz? — questionou Calum, não esquecendo o que ouviu.

—Ela adivinhou — respondeu Luke.

—Ah, sim, claro. Liz e suas adivinhações certeiras — lembrou Calum. — Então, hum, acho que isso significa que nós não vamos sair? — murmurou.

—E se eu te chamar para sair? — perguntou Luke, num ataque de coragem e impertinência e tudo aquilo que não tinha.

—Eu já vou sair. — Luke podia ouvi-lo sorrindo e seus lábios acompanharam, grato por aquela resposta e por estar sozinho junto e por ninguém está vendo-o ali, daquele jeito. — Julie já me marcou um encontro.

—É? — Luke mordeu o lábio,impedindo-se de parecer um lunático, porque bastava sua irmã. E, aparentemente, sua mãe. — Que cara de sorte.

—Eu o chamo de idiota no meu tempo livre -comentou Calum. — Você o conhece — zombou. — Se você chegar antes dele, talvez eu o troque por você.

Luke riu, sentindo a emoção e a felicidade e seu coração batendo alto, até que tudo que ouvia era a respiração suave e compassada de Calum, de alguma forma no mesmo ritmo que a sua.

—Luke? — chamou Calum.

—O que?

—Você quer sair comigo? Num encontro? Não porque Julie nos marcou — explicou — mas porque estou te pedindo.

Luke sorriu.

—Sim. Eu adoraria.