acordou

LIZ, 34 ANOS. LUKE, 12 ANOS.

—Ela acordou – sussurrou Liz, com a voz rouca de choro. – Ela acordou – murmurou, sem acreditar. Uma semana desacordada, sem reação, e... – Ela acordou. – Liz finalmente chorou novamente. – Ela acordou, ela acordou, ela acordou... – repetiu num mantra sem fim e começou a rir e seu filho a acompanhou.

Julie tinha acordado.

Sua filha tinha acordado.

E...

Liz não podia acreditar.

Liz não podia não chorar.

Liz só podia comemorar, porque sua filha estava viva e tudo iria ficar bem, porque ela estava viva e o simples fato dela estar viva já significava que... estava bem.

(Liz esperava que ela estivesse.)

—Você já a viu? – questionou Luke, puxando o ar para dentro dos seus pulmões e tremendo com a emoção que sentia, a felicidade que lhe dominava, sem acreditar no que sentia. Era real? Era verdade? Luke não sabia se ria ou se chorava ou fazia algo no meio, entre um e outro, ele só queria estar lá agora, com Julie e sua mãe.

—Não – murmurou sua mãe, como se contasse a ele um segredo, como se lhe confessasse sua culpa. – Ainda não. Eu estava no refeitório e... – Liz fungou, esfregando os olhos. – Eu não estava com ela.

—Você está, mãe – discordou Luke.

—Ainda não – discordou Liz, feliz. Sua filha acordou, sua filha estava bem, e ela não estava sozinha. – Os médicos estão fazendo alguns exames básicos de rotina e assim que acabar eu vou poder vê-la.

—Certo. Nós estamos indo para ir – decidiu seu filho, e ela pode ouvir o sorriso em sua voz.

—Sim – concordou Liz, retribuindo o sorriso que não via, mas sentia. –Traga Calum também. E, querido?

—Sim, mãe?

—Eu te amo.

—Eu também te amo.

—Diga a Calum que eu o amo também.

—Eu tenho certeza que ele já sabe.

—Diga mesmo assim – cantarolou ela. Tão feliz, tão leve, tão viva. Triste, mas feliz. Cansada, mas leve. E viva, viva, viva.

Liz estava viva.

Luke sentia o mesmo.

Calum também sentiria, ele sabia.

E Julie.