Pedaços
1 One-shot
Notas iniciais
Leiam as notas finais, please.
A fina areia levantou-se do chão, para então cair novamente. Algumas pequenas e delicadas flores foram esmagadas pelo peso de um homem que carregou a vingança nas costas. Ele havia desmoronado. Ele havia sucumbido ao poder de alguém que poderia ter tido o mesmo destino que o próprio. Mas as escolhas foram diferentes, e assim... As vidas também. Então agora, calmamente, como talvez nunca antes ele houvesse de descansar em paz. Ele havia sido salvo. E morto. Kuugo Ginjou estava morto.
E não somente ele. Ali naquele mesmo espaço de desespero — ou quem sabe, de tranquilidade - outro indivíduo acabava por falecer. Não literalmente, mas talvez muito pior que qualquer coisa que poderia acontecer a um ser que tem um coração batendo. Ele morreu por dentro. Tsukishima Shuukurou também estava morto.
Com uma força de quem está no ápice do mais inacreditável desespero, ele implorou, suplicou para que o outro não fechasse os olhos e partisse para a eternidade. Mas tudo aconteceu tão rápido, tão confuso e ele se perguntou se não estava imaginando coisas. Talvez se ele beliscasse a própria pele — essa tão encharcada em sangue e com machucados -, talvez e só talvez ele acordasse e percebesse que ainda estava deitado no mesmo lugar que acabara de ter um combate com Kuchiki Byakuya. E acabara também perdendo. Era um pouco doloroso lembrar.
Mas então lá estava ela, gritando palavras, dizendo frases que não pareciam ter sentido algum, não para um homem que estava em pedaços. "Nós não conseguimos salvar o Ginjou". E ele sentiu-se paralisar. "Ginjou nos salvou, mas quem conseguiu salvar ele...". E ele desejava tanto não saber. "Foi o Ichigo". A frase lhe cruzou como uma estaca. Ah... Tão cruel. Tão imponente. Tão inútil. Ele não ousava piscar. Ele só processava informações, e tentava engoli-las. Nunca antes havia doído tanto saber a verdade. Ele não conseguira salvar aquele homem, e aquele homem lhe havia salvado. Sendo que por Kuugo – e só por Kuugo- Tsukishima ousou e pensou que viver não era tão ruim. E que ele poderia ser feliz. Ao lado de quem lhe fazia feliz.
“Você está sozinho... Não é mesmo? Então você é igual a mim.” Ele lembrou-se do dia que conheceu Ginjou. Na época aquelas palavras lhe soaram estranhas. — Igual a ele? Bom, era verdade que estava realmente sozinho. Mas igual a aquele homem? Eles não eram iguais! De jeito nenhum! Ele não fazia ideia de como a vida havia sido injusta com ele! Como aquele cara poderia saber?! Ele era um Shinigami, apostava que tinha tudo o que queria nas mãos! E aquela Zampakutou na bainha? Tão prepotente! — Mas foi somente àquela mão grande lhe afagar os cabelos, e ele sentiu cheiro de casa. De lar. Tudo ficou tão aconchegante, e ele teve medo que pudesse ronronar a qualquer momento. “Vamos.”... Repetia essa palavra incansavelmente em sua memória. “Vamos”. E foi definitivo. Sua vida não pertencia mais a ele. Querendo ou não, automaticamente sua vida começou a pertencer a o homem a sua frente. Tudo o que lhe fizesse feliz, faria Tsukushima também feliz. E ele lutaria pela felicidade daquele homem. Ou daquele Deus, como Shuukurou imaginava naqueles tempos infantis. – e que secretamente, ainda gostava de pensar assim-.
Lembrava-se também das lágrimas que escorreram de seus olhos tão assustados quando percebeu que não precisou mais de um sorriso – e que belo sorriso — do indivíduo a sua frente, para ele acabar por depositar ali toda e qualquer esperança de um futuro que viesse a ter. Talvez fosse errado ser tão ingênuo, confiar tanto em uma pessoa que era praticamente desconhecida. Mas deuses, como aquele sorriso poderia ser errado? Como aquele afago poderia ser algo ruim? Ah, ele se perguntou isso tantas vezes, e todas as respostas lhe tremiam as pernas. Um tremor positivo, um tremor de alguém que descobre um sentimento grande demais para caber no pobre e pequeno peito. E assim, pronunciando uma singela frase, “A partir de hoje, nós vamos ficar juntos.” Aquele homem selou um destino para dali adiante começarem seus futuros. Ou o seu futuro, porque agora eles eram apenas um ser. Dividido em dois corpos.
Uma lágrima. Duas lágrimas. Não foi como se ele quisesse realmente chorar na frente de qualquer um que estivesse ali presente, mas era tão difícil segurá-las. Doía tanto, que Shuukurou teve de tocar a mão no peito – no coração — para ter certeza de que ele não estava destruído por fora também. Era como se ele tivesse sido partido ao meio, e então uma parte dele fosse levada embora. ... Mas não era isso mesmo? Não havia Kuugo sido levado embora? Desde quando se lembrava – desde aquele dia-, eles haviam estado sempre juntos, e Tsukishima não imaginava um futuro sem ele. E também não sabia se queria um.
Deixou-se cair, estava ficando insuportável se manter de pé. Arrastando-se pela areia – ralando os joelhos-, chegou até o seu destino, que mantinha os olhos fechados, calmos, como se fossem abrir a qualquer momento. Pegou-lhe pelos ombros e colocou-lhe no seu colo. Ah, ele podia ser mais alto, mas Kuugo sempre seria mais pesado, mais forte. Um curvar de lábios tristes – um sorriso amarelo -, juntou-se as lágrimas pesadas que não paravam, e por um tempo Shuukurou se perguntou se um algum dia elas parariam.
Os olhares penosos eram evidentes. Uma Riruka machucada se comovia com a situação, mesmo aparentando ser forte. Uma Rukia mantinha uma face séria –entristecida- atrás de um Ichigo que tinha a cabeça baixa escondendo qualquer semblante que pudesse ter. Não que isso importasse realmente, mas Kurosaki podia ter a dignidade de ver o que tinha feito. O que tinha destruído. Para Tsukishima, é claro.
Não lhe dirigiu o olhar, ou a sua vontade de matá-lo seria impossível de controlar. Mas sabia que mal tinha forças para se levantar, quanto mais para enfrentar um Getsuga Tenshou. E que também logo Urahara estaria ali, e ele teria que ir embora antes que acabasse morto. Como se já não estivesse...
Então baixando o olhar, afagou os cabelos agora embranquecidos de Kuugo – tão macio-, e devagar com a boca trêmula e salgada aproximou-se de seu rosto distribuindo beijos delicados por toda a face fria do falecido em seu colo. Foram as têmporas, foi a testa, o nariz, o queixo, as bochechas até chegar aos lábios. Sem receio, ele depositou ali um ósculo calmo e molhado – lágrimas - de quem havia amado até o último instante aquele homem. O Ginjou sorridente, o Ginjou calmo, o protetor, o forte, o destemido, e também o que foi cego pela vingança – ou pela justiça -. Mas acima de tudo ele amou com todas as suas forças o Kuugo Ginjou, e simplesmente ele.
Limpando as lágrimas que foram parar no rosto de seu amado, ele o deixou cuidadosamente no chão. Ainda com a tola ideia de que ele poderia levantar e dizer. “Oe, Tsukishima, vamos!”... “Vamos.” Seria sempre essa palavra não é? Desde o começo ela foi sempre o que lhe guiou até Kuugo. Não importava aonde, não importava o que. Eles iriam para qualquer lugar, juntos.
Mas agora era diferente. Não havia mais um “nós”. Agora só havia ele. Só havia um vazio Tsukishima, sentindo-se como se fosse desaparecer com um simples sopro. Um Ginjou morto, também é um Shuukurou morto. Horrível, mas verdade.
Foram seis o números de vezes que ele tentou levantar para partir. Partidas são sempre tristes, mesmo que tudo não pudesse ser mais doloroso do que já estava. Na sétima vez ele se apoiou em uma árvore e então estava de pé. Sem encarar ninguém, ele virou-se e começou a andar. Desapareceria.
Nenhum deles teve coragem de chamá-lo, de perguntar algo, ou de acusar também. Só viram sumir entre as pedras um corpo vazio. Um homem a qual a vida lhe fora tirada.
Porque assim era Shuukurou Tsukishima agora. Um vazio. Um nada. Ele existiria morto...
... Esperando o dia em que pudesse reencontrar sua vida de novo.
Notas finais
Eu juro que tentei deixar a personalidade do Tsukishima o mais parecido com ele possível, mas aah, tomara que não tenha ficado tão OOC!
Então, eu sentia uma necessidade muito grande de escrever algo sobre eles dois, ai quando veio o capítulo 477, puff, eu tive que fazer algo. E eu ainda nem sei se o Ginjou morreu mesmo... O Kubo é um troll, então eu não duvido nada.
No mais, eu acho que sou a única pessoa que gosta deles como um casal (meus casais são tão não-populares) (será?), então nem sei se alguém bondoso irá ler essa coisa ai em cima. Mas se você leu, please, deixe uma review me dizendo o que achou. Eu irei ficar muito agradecida! REALMENTE MESMO! :D :D :D
Tchau gente!
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