Pedaço de Céu
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Notas iniciais
Era uma noite de verão, estava abafado. O calor não me deixava pensar direito, raciocinar. O que é certo? O que é errado? Eu já não sabia mais, estava bêbado. Aeryn ia se casar, casar com um cara que não era eu. Casar com um tal de Barão Montgomery, um velho rico que não saberia ama-la como eu a amo. Famílias e seus negócios, foi isso que aconteceu.
E assim, embriagado mesmo, entrei no quarto dela, pela janela. Como não percebeu? Estava saindo de seu banho, só de lingerie; como eu amo o calor. Assustou-se quando me viu, procurava algo para se cobrir. Não a culpo, se eu fosse uma garota e encontrasse um homem em seu quarto, à noite, teria essa reação.
— O que está fazendo aqui? — ela questionou, reprovando minha ação.
— Eu precisava te ver. — respondi, pegando em sua mão e beijando-a.
— Pronto. Já viu. Vá embora! — exaltava-se cada vez mais, porém mantendo o baixo tom de voz, afastando-se cada vez mais de mim.
— Você não entendeu, eu precisava te ver e ficar com você. — eu estava louco. Nunca que em sã consciência eu faria algo assim. Se alguém descobrisse que eu estava em sua casa, tarde da noite, sua reputação seria destruída. Tudo que ela havia construído seria arruinado. Mas não podia simplesmente deixa-la.
— Você está bêbado e não pode ficar, Ezra. — alertou-me, eu já sabia disso, só não queria ouvir a razão — Vá embora, por favor.
— Não. — disse e puxei-a para mim. Ela não conseguiu lutar por muito tempo, logo me correspondeu, queria tanto quanto eu.
— Se eu pudesse não me casaria, você sabe, né? — essa frase soou como música para meus ouvidos, eu sorri e selei nossos lábios novamente. Era a melhor sensação do mundo, como se fossemos feitos um para o outro. A boca dela encaixava perfeitamente na minha, tínhamos uma química tão extraordinária. Aeryn Guerrier era viciante — Está cheirando a álcool, sabe como é desagradável? — provocou-me entre risos — Quantas você virou, hein?
— Você não parece tão incomodada assim, Aeryn... — retruquei com as mesmas risadas. Tomei-a em meus braços e a sentei no meu colo, a essa hora, já estávamos em sua cama. Beijei seu ombro nu, então o pescoço, maxilar, busto... Então ela me parou.
— Não podemos, Ezra. — havia tanta culpa em sua voz, em seus olhos — É errado. Eu estou noiva. — completou com desgosto e lágrimas? — É melhor você ir.
Com essas palavras, fui embora. Soube que cometi um grande erro. Desejei que fosse tudo um sonho, doeria menos... Mas foi real. Amanheci pensando no passado, em como todos os problemas pareciam distantes quando estávamos juntos. Ontem, jogar o amor era mais fácil. Tudo o que eu desejo agora é me esconder, não sou metade do homem que já fui.
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