trinta e cinco

outubro, duas semanas e um dia

—Trinta e cinco reais e nenhum centavo a mais para mim – murmurou Calum, sentando na cadeira meio chocado e meio admirado. – Eu não esperava por isso.

—Ah, pare – pediu Luke, tentando se concentrar e se distrair nas outras vendas. – Eu não preciso de você também para me envergonhar.

—Mas trinta e cinco! – exclamou Calum, olhando para ele com os olhos arregalados. – Você sabe quanto é trinta e cinco?

—Trinta e cinco – respondeu Luke, revirando os olhos. Que pergunta era aquela?

—Exato – concordou. – Ninguém nunca me deu trinta e cinco!

Luke não sabia do que ele estava falando. Em que conversa se dá trinta cinco a alguém entrava? Que conversa boa e que alguém queria participar era aquela? Luke conseguia pensar em algumas respostas e nenhuma era bonita, como dar uma nota alguém (quem fazia isso?) e/ou tentar vender alguém (numa escala muito mais assustadora do que Julie fazia) – de qualquer jeito, trinta e cinco era um valor baixo.

—Você está me fazendo sentir mal por ter dado apenas trinta e cinco.

Calum sorriu, o cotovelo batendo quase amorosamente em Luke.

—Você é tão fofo – murmurou. – Eu quero te levar para casa.

—Você vai.

Calum inclinou a cabeça

—Eu não vou – discordou.

—E como é isso? – questionou Luke.

—Eu vou para Kora.