Pedaços Transformados
42 Pote de ouro
pote de ouro
CALUM, 11 ANOS.
Suas mãos embalavam com cuidado uma xícara verde de porcelana, admirando-a. Não tinha nada de surpreendente nela, nem uma arte fascinante nem um design impressionante.
A xícara era simples, completamente verde e com a borda dobrada para fora em vez de ser reta.
Ela era simples, mas era um presente.
Ela era simples, mas era dele.
E isso significava muito para Calum.
Assim que a tocou, ele sentiu como se houvesse ganhado o mundo — um pequeno mundo, uma pequena casa, um pequeno gesto de conforto...
Calum deslizou os dedos pela porcelana, sentindo o material frio e as lágrimas quentes e anunciou com dificuldade:
—Esse é o melhor... — ele fungou, sentindo o sorriso que o seu rosto tinha impresso sem perceber, surpreendendo-se com a facilidade — presente... que eu já recebi.
Aquele presente, aquele gesto, significava que ele tinha um lar, que ainda existia pessoas que o amava e que...
Havia chovido, fazia sol, surgiu um arco-íris.
E Calum caminhava sobre ele. E no final existia um pote de ouro.
No final do arco-íris sempre tem um pote de ouro, pensou Calum não pela primeira ou última vez naquelas palavras.
Calum não ligaria que aquela sua xícara verde fosse seu pote de ouro — ela já valia mais do que qualquer outra coisa que tinha.
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