novamente

LUKE, 12 ANOS.

Os braços de Julie estavam ao redor do seu pescoço antes que Luke percebesse, e ele tropeçou para trás diante do peso abrupto, soltando a bolsa e segurando a cintura da sua irmã enquanto caia no chão, para que ela não se machucasse.

—Eu estava com saudades – murmurou ela no seu ouvido, apertando-o forte.

—Eu sei – disse Luke. – Eu também.

Durante todos os dias ele havia sentido falta dela, Luke não iria mentir, mas agora, com ela, com sua irmã debruçada sobre ele, Luke sentia ainda mais saudades – se é que fizesse sentido. Ele não conseguia acreditar como puderam ficar longe um do outro, porque tudo o que mais queria era segurá-la e nunca deixá-la ir, era abraçá-la apertado para ter certeza que estavam juntos novamente, era senti-la contra si.

Ali.

Agora.

Com ele.

E Luke entendia seu pai – agora Luke entendia o que seu pai disse. Eles podiam ficar longe, ficar perto... nada iria mudar. Tudo continuava igual. Eles iriam sentir saudades longe um do outro, quando se encontrassem, mas, longe, perto, eles tinham que perceber que não era o fim do mundo — Luke tinha que perceber que não era o fim do mundo.

Sua irmã estava bem – longe dele, mas bem. E isso era tudo que Luke podia pedir.

E agora eles estavam juntos, ele a tinha contra si, e isso era mais do que Luke podia pedir – mas ele não estava reclamando; não, senhor.

—Vocês vão continuar ai?

Surpreso, Luke levantou a cabeça, e então se lembrou de ficar animado, porque, ei, aquele era o seu melhor amigo e Luke também estava com saudades dele.

E, de repente, olhando para Calum, aceitando sua mão, Luke se lembrou – de algo que aconteceu, que parecia estar se repetindo num loop na sua cabeça, diante dos seus olhos, que estava aquecendo suas bochechas, deixando seus dedos formigando, que estava apenas repetindo, repetindo e repetindo.

Novamente, novamente e novamente.

Novamente.

Calum o beijou.

Na bochecha.

Notas finais
Uhh, Calum beijou Luke. Na bochecha.