não diga

outubro, duas semanas depois e dois dias

—Calum.

—Não diga.

—Você quer um conselho?

—Não — bufou ele.

—Você vai tê-lo do mesmo jeito.

—Não diga — repetiu Calum.

—Você deveria falar com Kora — disse Luke.

—Não.

—Mas você devia – insistiu. – Como realmente falar – continuou Luke, não ouvindo-o, ignorando-o... não se importando com a opinião dele. – Sentar juntos e falar. Sério. Tudo. Colocar para fora. Como mamãe fez com Julie, quando ela não quis aceitar que ela estava namorando.

—Muito parecido – zombou Calum.

Luke deu de ombros.

—Todos os chiliques são iguais.

—É?

Calum irritou-se.

Mais ainda.

Céus, sua cabeça começava a doer e ele não conseguia pensar em mais nada, não queria se importar com mais nada. Ele não queria ser essa estúpida pessoa com raiva de si, ele só queria ser como qualquer outro adolescente, sem todas essas preocupações, apenas uma pessoa normal, num encontro normal, com alguém que amava.

—E sabe o que a gente devia fazer? – perguntou. O que havia de mais normal do que aquilo? Era cientificamente comprovado por alguém que Calum confiava.

—O que? – retrucou Luke, olhando-o desinteressado.

—Nos beijar.