inocente

outubro, duas semanas depois e dois dias

Começou inocente — é, era difícil para Calum acreditar nisso, relacionar inocência e Julie na mesma frase, mas ele nunca imaginou que... que ela fosse fazer isso.

—Calum — cumprimentou Julie normalmente.

—Julie — replicou Calum.

—Como você está? — perguntou ela, com dignidade e altivez e tudo mais que Calum ligava com realeza.

Julie Agnes Hemmings era uma rainha. Com ou sem sangue real, ela tinha o porte de uma quando queria.

—Desde quando você se importa? — retrucou ele, brincando.

Desde quando ela não se importava?, era a pergunta verdadeira.

—Oh — ofegou Julie, dramática. — Você é um cafajeste, Irw...

—Hood — ajudou Calum Hood.

—É o costume — explicou. — Você quase nunca é um cafajeste, Calum, aí, quando você é, eu fico surpresa. Então... Você está livre hoje a noite? — perguntou ela, casualmente.

—Hum – Calum franziu a testa, estranhando a pergunta. – Eu acho. Que sim. Por que?

—Ótimo. Luke também vai estar bem.

—Ceerto – disse ele, prolongando as vogais. – E daí?

—Eu não vou estar.

—Eu ainda não cheguei na parte que você está – confessou Calum.

—Vocês dois vão sair — disse Julie, lentamente. — Sem mim. Num encontro.

—Que bom para... Do que você está falando? — percebeu Calum.

Calum podia ver o sorriso feliz dela tão bem quanto sentia seus dedos dormentes, sua mente vagando e a incredulidade vazando de seus poros, sem acreditar no que tinha ouvido.

—Você sabe do que estou falando — disse ela, com um tom sugestivo. — Luke vai te pegar às 19. E — completou, cantarolante e maliciosa e sem vergonha (ela não tinha vergonha?) — eu espero que realmente pegar... você sabe em qual sentido estou falando.

Calum desligou na cara dela.